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Archive for the ‘deficiência visual’ Category

Por MARVIN COSTA

A Apple é bastante conhecida por contar com opções personalizadas para deficientes físicos em seus produtos. O que pouca gente sabe é que a companhia realiza parcerias com pessoas com necessidades especiais no desenvolvimento dessas ferramentas. Esse é o caso de Jordyn Castor, engenheira cega que é o símbolo da Apple para realizar avanços para deficientes no Mac e no iPhone.

Nascida prematuramente e cega, com expectativa de vida desacreditada pelos médicos, Jordyn sobreviveu. Seu familiares não queriam que ela levasse uma vida limitada e a incentivaram a mergulhar no estudo de informática. Desde criança, ela recebeu presentes tecnológicos de seus pais e rapidamente perceberam que ela tinha muita curiosidade pelo assunto.

Resolvi criar códigos para que o computador cumprisse as tarefas que eu queria. Eu percebi que com meu conhecimento em computadores e tecnologia eu poderia ajudar a mudar o mundo das pessoas com deficiência“, diz Castor.

Sua relação com Apple começou em 2015, quando se tornou estagiária da empresa, após participar de uma feira de empregos em Minneapolis. Assim ela entrou para equipe de soluções de acessibilidade para o VoiceOver. Posteriormente, foi contratada como engenheira de qualidade em projetos de acessibilidade.

A engenheira diz que seu trabalho está ligado não só às tecnologias que ajuda a criar, mas também à linguagem de braille. Segundo ela, a tecnologia não pode substituir o braille, mas sim complementar as opções dos deficientes visuais. “Eu uso Braille sempre que escrevo um código“, afirma.

As ideias de Jordyn tem ajudado a Apple a tornar seus produtos melhores para pessoas com algum tipo de deficiência. Em breve, o trabalho da engenheira fará parte de um sistema do Apple Watch que informa a hora através de vibrações.

Com o novo aplicativo do iOS 10, o Swift Playgrounds, ela pretende agregar a possibilidade de edição de códigos para comunidade de deficientes. “Isso vai permite que crianças mergulhem em códigos. Elas poderão usar o Swift Playgrounds com auxilio do VoiceOver para iniciar uma programação“.

A gerente sênior de política de acessibilidade global e iniciativas da Apple, Sarah Herrlinger, acrescenta que a empresa tem ampliado sua dedicação na inclusão social de pessoas com deficiência. Segundo ela, as ferramentas de acessibilidade da Apple podem ajudar esses usuários a gastar menos. “Os recursos estão no sistema (iOS e Mac) independente de você precisar deles“. Dessa maneira, o deficiente não está pagando mais caro por um produto específico, como acontece normalmente em produtos para esse público.

A história de Jordyn Castor vem ganhando destaque não apenas dentro da Apple. Recentemente, ela foi palestrante em um evento da entidade de defesa dos direitos dos cegos (National Federetion of the Blind), onde falou sobre seu trabalho no mundo da tecnologia. Ela diz que tem uma mensagem simples para as próximas gerações de programadores cegos: “A cegueira não nos define. Ela é parte de quem você como pessoa, mas não define você ou o que você pode fazer na vida“, conclui.

Engenheira cega da Apple é símbolo dos esforços em acessibilidade para o iPhone

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Percepção: Da Motivação para Estimulação

A importância de incentivar a criança explorar o ambiente que se encontra, fazendo parte de estimulação para o aprendizado vinda da própria vontade e curiosidade dela, são os momentos de motivação e crescimento pessoal. Assim, o brincar com os instrumentos lúdicos e o contato com a natureza trazem o aperfeiçoamento significante na percepção em todos os sentidos.

O filme “A cor do paraíso” mostra a história do menino Mohammad, cego, que mora numa escola iraniana para crianças com deficiência visual. Num fragmento do filme, mostra o Mohammad socorrer um filhote de passarinho. Neste cenário, estão alguns elementos de percepção, que são adquiridos no desenvolvimento da criança por meio de exploração no ambiente e o contato com a natureza, resultando na conquista de sua autonomia. O menino recorre aos sentidos da audição e tato. Pela audição, ele consegue localizar o filhote de passarinho entre as folhas caídas no chão, e a direção do gato aproximando, que o espanta jogando uma pedra. Outro cenário está do menino subindo a árvore para procurar o ninho do passarinho, e escolhe galhos seguros para poder apoiar. Nesta parte, encontra-se o uso do tato para subir na árvore e do sistema háptico para deixar o passarinho dentro do ninho e acariciá-lo. Assim, envolvem-se vários fatores constituindo o sistema háptico (textura, som das folhas/galhos/piar do filhote e da mãe, o bicar dos passarinhos, etc.), e também o sentido da sinestesia (mistura dos sentidos).

Dentro dos fatores humanos e as limitações da pessoa com necessidades específicas “traduzem as necessidades de apoio, os quais não podem ser vistas de forma generalizadas, sendo o produto orientado para moldar-se ou adaptar-se adequadamente para o uso do usuário, não concebendo a ordem inversa do ser humano se adaptar ao produto”  (Okumura&Canciglieri Jr. “Engenharia Simultânea e Desenvolvimento Integrado de produto inclusivo“, Deutschland/Niemcy: NEA-OmniScritum GmbH, 2014.)

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Pessoa Inclusiva

Hoje, de manhãzinha, recebi o e-mail do professor Alzer, e como sempre, cheio de ânimo escreveu uma crônica, que enquanto a lia, parecia como estivesse enviando os melhores raios do Sol no amanhecer deste domingo. Assim, com a autorização do autor, resolvi postar a crônica “Acordar mais feliz” e também contar um pouco deste professor, uma pessoa inclusiva.
 Professor Alzer tem o costume de acordar muito cedo; diz ele que gosta de assistir reportagens sobre ciências na TV. No entanto, além da TV, ele divide a atenção com a Biblioteca Digital Inclusiva Virtual Books – BDIVB, o qual é o idealizador. A BDIVB completará 3 anos de atividade em julho deste ano, que disponibiliza às pessoas com deficiência visual, o acervo de mais de 3500 títulos digitalizados de diversas áreas. Mais informações encontra-se na Rede Sacihttp://saci.org.br/?modulo=akemi¶metro=25973

Acordar mais feliz
por Alzer Augusto dos Santos

– Puxa acordei hoje com mais prazer do que nos outros dias!!
Foi um acordar para a vida? pergunto-me?
 – Na prática de nossas ações cotidianas o levantar pela manhã é um hábito que, fazemos em maioria ao levantar a tarde mas, acordar com mais alegria talvez ainda não seja uma grande maioria acredito eu!!
 – A vida revela desafios muy difíceis mas, saber sofrer nela parece um desafio também muy difícil para todos e não só para quem não vê!!
Ver com outros sentidos é também promissor mas, ver ou como dizem enxergar com olhos de alegria nas pequenas paisagens que vamos domando e “vendo”, é também um dialeto que, devemos aprender em nossa jornada …
 O cego e deficiente visual como queiram é capaz sim!! Mas, enxergar com lógica de ciência mesmo que seja parcial é “lucro”, na certa das certidões humanas ok?
Fazer da vida um estudo do “mar”, é conhecer sombras ou visões outras que não as do ser vivo com saúde física e moral mas, deixar de enxergar que o mau existe é fazer alusão a fantasias de perfeição algo destruidor de muitos mundos e ainda o será !!
 – Conviver com lógica de razões sem fundamento e comprovação nem científica nem pelo senso comum não é de todo ruim mas, o que brota de nossas mentes alguma origem no senso-comum tem por isso, não deve ser ignorada nem maltratada ok?
– Tocar os olhos de quem ama é provar do gosto da alma do ser que queremos bem!!
Mas, para quem não tem os olhos físicos o sofrimento existe sim!! Mas as compensações também existem!!
 Muitas vezes acoados pela ingratidão de grupos egoístas e impuros de sentimentos participativos (não é ocaso da virtual books, vila torrentes e pt global ok?), bem, falamos dos grupos mesmo “participativos”, não se conectam na realidade de um mundo sem barreiras e fronteiras mas, isso tende a diminuí em nossas sociedades !!
 Dizer que acordamos bem!! É para bom entendedor isso porque estamos falando objetivamente bem, dizer sou feliz não é mais inseguro em um mudo dominado até então pela tristeza de sacrifícios outros ok?
Sou sim feliz pois tenho a esperança de dias melhores e a realidade já transformada é o que devemos pensar !!
Por fim, saber ganhar com bons “olhos”, é fazer da vida um vaso legitimo de felicidade e algo mais a dizer …

zer.
15/01/2012.

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Um “Retrato” do grupo PDE para o Prof. Paulo Ross

-> Seria de mau grado/ofensa entregar uma foto à pessoa cega, isso se …

 Conheci um grupo do PDE da UFPR maravilhoso e muito engajado na área de Educação Especial.
 Este grupo é formado por profissionais como pedagogos, psicólogos, terapeutas e outros que atuam nas escolas e instituições atendendo os alunos com deficiência (PcD). Sendo assim, eu me encontrava na sala que estavam reunidos os professores especialistas em DA, DV, DF, DI, TDAH, …
Assisti algumas aulas de estudos teóricos e palestras promovidas no curso por alguns profissionais convidados. Foi muito proveitoso e construtivo, pois havia muita troca de informações e envolvia certa sinergia na sala que os discursos abertos fluíam nos diversos temas abordados, onde os participantes contaram as suas expectativas e experiências de suas atividades. Foram discutidas questões de materiais de apoio, comportamento, aprendizagem, acessibilidade, políticas educacionais, esportes de paraatleta, artes e vários assuntos relacionados à PcD.
 No entanto, o que me surpreendeu foi na aula prática com relação ao tema “A Interdisciplinaridade para elaboração de projetos inclusivos”, onde resultou um retrato inclusivo do grupo como lembrança para o prof. Paulo Ross, o coordenador do curso. Na verdade, no dia anterior, os participantes do grupo estavam perguntando sobre o que dar/fazer de lembrança ao professor, até que se juntou o útil e agradável, surgindo a ideia de fazer um retrato do grupo. Desta forma, explano um pouco sobre a interdisciplinaridade no projeto, o método e a aplicação que constituiu o objeto “retrato” para PcD visual total, o qual, entre sorrisos e emoção, gerou um trabalho de equipe muito unida e cheia de competência.Retrato Pross-PDE UFPR

Interdisciplinaridade no Projeto Inclusivo:
 A elaboração de um projeto é uma atividade orientada para o atendimento da necessidade humana, principalmente daquelas que podem ser satisfeitas por fatores tecnológicos de nossa cultura, abarcando-se os fatores técnicos, humanos, econômicos, sociais e políticos (Back, 1983). Tratando-se de Projeto inclusivo (Okumura,2010), isto concerne em atender a maioria do usuário, ou seja, compreendem nas relações entre o usuário e o projeto os níveis a seguir:

  • Indivíduo: de atender as necessidades fisiológicas (antropométricas e sensoriais), a melhor forma de utilizar, de fácil aprendizado, eficiência no uso (usabilidade/desenho universal);
  • No grupo: proporcionar uma boa comunicação e ação entre os integrantes;
  • Na organização/comunidade: abranger os objetivos sociais e culturais; leva-se em conta as questões de riscos e segurança;
  • No planeta/sustentabilidade: elaborar um projeto que não agrida o meio ambiente, de fácil reciclagem, com comprometimento no âmbito social, econômico e ambiental (Okumura,2010)

Prática: Elaboração do Túnel do Tempo e Retrato Inclusivo

  • Na fase de planejamento (Iida, 2005) decidiu-se a elaboração do retrato, onde foram levantadas as características do usuário e suas habilidades. Assim, foram relacionados os predicados do prof. Paulo quanto a sua pessoa, na atuação profissional, tipos de ferramenta que ele usa como apoio, etc. Para isso foi aplicado o “Brainstorming”, onde o grupo fez chover as ideias.
  • No Projeto Informacional foi aplicado a “análise de funções do produto”, cuja fase foi abordada as funções e os conceitos do retrato quanto o significado do retrato, o que o retrato faz/traz quando é visto pela pessoa, o que representa, porque as pessoas gostam de tirar fotos, etc. Neste aspecto, foi visto também como o prof. Paulo poderia recepcionar/sentir as funções que o retrato oferece com autonomia, ou seja, sem a necessidade de transcrever o retrato para ele. Com isso, gerou-se o suporte para o projeto conceitual.
  • Para iniciar o Projeto Conceitual foram colocadas as seguintes perguntas ao grupo (Canciglieri Junior, 2010): “qual é a imagem ou mensagem que você gostaria de transmitir?”, “como você gostaria de ser lembrado (a) no retrato do grupo?”, “qual o fato marcante que faria o Prof. Paulo lembrar de você?” e assim por diante. Desta vez, as ideias foram expressas em frases com nomes dos autores e relacionadas no quadro, onde gerou o “túnel do tempo” do grupo, perfazendo as lembranças da época e do local de forma flash. Este momento, também havia de certa forma, provocado e estimulado o interior de cada participante, motivando-os em seguida para elaboração da fala  individual.
  • Na fase do Projeto Detalhe foram finalizadas as especificações e escolhidos os programas de software e o equipamento de gravação.

Produção:

  • Cada pessoa do grupo elaborou suas falas que foram gravadas no micro ou no aparelho celular;
  • Os programas software utilizados foram: NVDA para fazer a introdução e o túnel do tempo, e o Audacity para recortar, normalizar o som e ajuntar as gravações. Ambos, os programas, são gratuitos e estão disponíveis no servidor da universidade.
  • Foram escolhidas três músicas para o fundo e fotos do Prof.Paulo e do grupo.
  • A montagem foi através do programa Office Power Point da Microsoft e gravado no formato de vídeo.

O resultado ficou, além de uma simples lembrança, cheio de emoção e muita VIDA. No entanto, coloca-se a relevância que só foi possível realizar este trabalho pela integração, cooperação e atuação maravilhosa dos professores e professoras que mostraram o domínio do conhecimento e experiência na área de educação especial.
  ** Parabéns à todos e obrigada por me proporcionar momentos agradáveis e poder participar desta experiência inclusiva!!!
** Obrigada Prof. Paulo, seu comentário de incentivo ao grupo participante neste post, também complementa e completa este espaço: https://lumiy.wordpress.com/2011/07/15/um-retrato-inclusivo/#comments
*** A lembrança foi entregue ao Prof. Paulo gravado no pendrive e está disponível no site: http://www.youtube.com/watch?v=2sC1ivUWTyg

Referências:
Back, N. Metodologia de Projeto de Produtos Industriais. RJ:Guanabara Dois,1983.
Canciglieri Junior, O. Aula de Orientação – Puc-PR/PPGEPS. Curitiba, 2009~2011.
Iida, H. Ergonomia – Projeto e Produção. SP:Edgard Blücher, 2005.
Okumura, M.L.M. A Engenharia Simultânea aplicada ao processo de desenvolvimento de produtos especiais. Curitiba: Puc-PR/PPGEPS, 2010/2011.
Okumura, M.L.M. The Environment Social and Economical Sustainability to support the process product development:case stydy of visually impairdes. Curitiba: Puc-PR/PPGEPS, 2010/2011.

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Percepção pelo Tato

     Estes últimos meses, estou revisando a literatura na área de ergonomia dos produtos para sustentar o estudo de tecnologias, inclusive a “assistiva” que tem o princípio de dar apoio às pessoas com alguma limitação para executar alguma tarefa. Dentre as leituras, encontrei sobre a percepção humana e a revista RBTV, em especial o artigo acerca de desenho em relêvo para pessoas com deficiência visual (DV) e as barreiras atitudinais, que por sua vez, lembrei do pósfacio do livro de teatro do prof. Jupiassu. Assim, divido com vocês, tópicos que concernem a importância do tato para a pessoa com deficiência visual firmar um conceito, ou formar uma concepção de imagem no seu interior, de forma mais próxima do real. Na sequência explano sobre a barreira atitudinal e percepção humana. Ao final, deixo o trecho do comentário da peça “Coroa de Tebas”, onde uma jovem cega foi integrante na encenação do teatro.
Conquanto, a boa proposta da educação inclusiva, insisto na necessidade de estimular as habilidades táteis desde a infância para crianças com cegueira congênita, ou seja, coloca-se o alerta de quão é importante a pessoa DV congênita começar a explorar os materiais diversificados desde educação infantil (madeira, plástico, metal, tecido, linha, água …). Não basta a educação básica ficar na teoria levando os conceitos somente pelas palavras faladas, ou anotadas em Braille ou por meio digital. É preciso ter práticas de contato físico nos materiais de física, química, matemática …, na natureza, na arte etc, por meio de tato, olfato, paladar, audição …., buscando a multidisciplinaridade que inicie na educação infantil, e estenda até a graduação.
Complemento com o argumento do prof. Francisco Lima faz no seu artigo que “reside no fato de os cegos congênitos totais não estarem acostumados com as convenções da linguagem pictórica, e não porque o sistema háptico seja incapaz de reconhecer desenhos em relevo”. A este fato, ao jovem que teve um aprendizado integrado com contato ao meio ambiente, poderá ter uma compreensão maior do mundo que está a sua volta e também, muitas das barreiras atitudinais estarão eliminadas.

O que são barreiras? No paradigma da inclusão encontram-se barreiras de discriminação, arquitetônicas, atitudinais e outras. Assim, coloco a abordagem da barreira atitudinal, por Francisco Lima, para pessoa com deficiência, onde é definido e distinguido taxonomicamente como:
1. Barreira Atitudinal de Baixa Expectativa: A barreira atitudinal de baixa expectativa é o juízo antecipado e sem fundamento (conhecimento ou experiência) de que a pessoa com deficiência é incapaz de fazer algo, de atingir uma meta etc;
2. Barreira Atitudinal de Inferiorização: A barreira atitudinal de inferiorização é uma atitude constituída por meio da comparação pejorativa que se faz do resultado das ações das pessoas com deficiência em relação a outros indivíduos sem deficiência, sob a justificativa de que o que foi alcançado pelos primeiros é inferior, exclusivamente em razão da deficiência;
3. Barreira Atitudinal de Menos Valia: A barreira atitudinal de menos valia consiste na avaliação depreciativa das potencialidades, ações e produções das pessoas com deficiência. Esta avaliação é incitada pela crença de que a pessoa com deficiência é incapaz ou que o que conseguiu alcançar, o que produziu tem menos valor do que efetivamente lhe é devido.

Quanto a percepção humana, de acordo com Cybis et al.,  é delimitada por um conjunto de estruturas e tratamentos cognitivos pelos quais organizam e dão significado às sensações produzidas por seu órgãos perceptivos a partir dos eventos que lhes estimulam, os quais podem ser classificados em 3 processos distintos:
1. Processos neurofisiológicos ou de detecção: têm por objetivo reagir à existência de um estímulo que gere uma sensação;
2. Processos perceptivos ou de discriminação: visam organizar e classificar as sensações, de forma que só é possível se houver detecção anterior ou exista classificação memorizada;
3. Processos cognitivos ou de interpretação: visam dar significado às informações. Esta função só é possível se existirem conhecimentos e se houver informação sobre as condições de contexto no qual a percepção é realizada.
Portanto, os processos perceptivos se especializam nos diferentes sistemas autônomos que formam a percepção humana, os quais envolvem os sistemas visual e auditivo, incluindo a percepção da fala.

Para reflexão, deixo aqui o trecho do livro do Prof. Jupiassu, referente uma peça de teatro, onde, no final do livro, encontra-se este comentário sobre a atriz cega, integrante da peça de teatro:
“Entre os objetos de cena, havia um arco e flecha (adereço do ator que representava o deus Apolo). Na ocasião da apresentação daquele objetos ao grupo, Joselita nos revelou jamais ter tocado em um arco e flecha, embora já tivesse ouvido falar dele. Sua expressão facial foi de total encantamento ao poder “vê-lo” com as mãos e de, pela primeira vez, tocá-lo, aprendendo como aquele instrumento poderia ser usado para atingir um alvo distante do atirador. […] Embora Joselita demonstrasse ser letrada em Braille, podendo ler e escrever fluentemente – o que sugeria uma competente intervenção pedagógica, ela revelava uma experiência sensorial muito limitada, desconhecendo objetos simples, encontrados no cotidiano.”

Nexte contexto, ao final, eu, Lumiy, deixo um ponto relevante para a Teoria de Conhecimento, cuja essência, verifica-se que a percepção humana é gerada pela experiência que passa por processo cognitivo para captar o conhecimento da experiência, que por sua vez, é complexo para expressar, pois é tácito e físico para o indivíduo, e subjetivo entre as pessoas. Ou seja, a zona proximal (Vigotski ¹) é alcançada diferentemente, conforme o indivíduo, mediação utilizada e o mediador (Okumura, M.L.M.). (Apronfundarei nos próximos posts acerca da Teoria de Conhecimento).

Referência:
JUPIASSU, Ricardo. “Coroa de Tebas”.Campinas, SP: Papirus,  2002.
LIMA, Francisco. “Breve revisão no campo de pesquisa sobre a capacidade de a pessoa com deficiência visual reconhecer desenhos hapticamente”. Revista Brasileira de Tradução Visual, Vol. 6, No 6 (2011). Disponível:http://www.rbtv.associadosdainclusao.com.br/index.php/principal/article/view/82
CYBIS, W.;BETIOL, A.; FAUST, R. “Fundamentos da Psicologia Cognitiva” -apêndice. In: Ergonomia e Usabilidade. SP:Novatec,2007.

(¹) – encontrado o nome do autor, “Выготский“, escrito: “Vygostsky”, “Vigotsky”, “Vygotski ” e ”Vigotski”; padronizado para este texto “Vigotski”, conforme argumento do Prof.Achilles Delari Jr.

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Motricidade e Conduta adaptativa dos objetos: situar, localizar e adquirir

Resumo elaborada pela Profª Drª. Sonia Hoffmann,  do Livro – Palmo a palmo: la motricidad fina y la conducta adaptativa a los objetos en los niños ciegos, escrito por Rosa Lucerga Revuelta.
           O homem pode realizar movimentos com os braços e as mãos em duas esferas:
            – Ao mover seus braços, ele alcança qualquer objeto que esteja dentro do raio de comprimento do seu braço;
            – Ao pegar algo com uma das mãos, ele pode executar com a outra mão uma atividade diferente por meio de preensões e manipulações.
            A mão, para a pessoa cega, assume um papel protagonista em seu desenvolvimento, pois é através da linguagem e da experimentação tátil (especialmente do tato manual) que alguém privado de visão obtém uma grande parte de informações do ambiente.
            O sentido da visão está encarregado, sobretudo nos dois primeiros anos de vida da criança, de integrar e sintetizar os dados e a informação recolhidas por outros canais perceptivos. Por carecer deste sentido, a criança cega poderá ter, de acordo com suas condições particulares, sérios riscos de estacionar ou estagnar em seu desenvolvimento ou, em casos mais graves, entrar em uma psicose irreversível.
            Para a autora do livro, Rosa Revuelta, a criança cega conta com a afetividade e a percepção tátil como dois recursos fundamentais para integrar os dados da sua experiência. O desenvolvimento da sua afetividade é fundamental para garantir o desenvolvimento normal do seu potencial cognitivo e, também, para a constituição de uma personalidade harmônica.
            Por meio dos seus recursos egóicos, o cego adulto dispõe, entre outras coisas, da linguagem, da capacidade de simbolização, do pensamento abstrato e de habilidades motoras. Porém, a criança cega antes de alcançar e poder dispor destes recursos necessita realizar um difícil caminho. É no período sensoriomotor que se torna imprescindível despertar na criança cega o desejo de conhecer e, logo, de tocar. Assim, ao longo de toda a vida, a pessoa cega encontrará na mão um recurso privilegiado de conhecimento, mas no período sensoriomotor a criança cega encontrará nela o instrumento para a compreensão da permanência dos objetos, a aquisição do uso funcional destes objetos, o descobrimento da forma e do calor do rosto materno, a compreensão de conceitos espaciais e a relação entre os objetos, além de integrar seu próprio esquema corporal.
            Nos dois primeiros anos de vida, a autora assinala que a criança passa de uma situação de indiferenciação com os objetos (tomados por ela como um prolongamento do seu corpo) para um reconhecimento e utilização dos mesmos como elementos claramente separados e realmente externos a ela. Neste período, ocorrem o desenvolvimento da preensão, a aquisição das habilidades manipulativas básicas e o conhecimento do uso adaptativo dos objetos, implicando um processo não isolado, mas em íntima interrelação e que somente adquirem sentido quando puderem ser integrados no desenvolvimento global de uma criança.
            A criança cega, privada do privilegiado recurso do canal perceptivo da visão, é obrigada a compreender o mundo externo e a interaturar com ele através de outras formas alternativas. Seu principal aliado, para isto, é o pensamento, o qual, para se tornar formal, precisa que ela viva muitas e variadas experiências.
           Este mundo experiencial é facilitado à criança cega, em grande parte, pela percepção tátil. Pelo tato e pelas mãos, ela compreende que existe algo “aí fora”, que o mundo exterior está povoado por objetos que podem ser tocados, nomeados e manipulados, possuindo forma e uso próprios; que ela pode brincar com eles e que, através das mãos, pode satisfazer muito dos seus desejos.
            Para que o tato e as mãos possam realmente servir de instrumentos de experimentação e conhecimento para a criança cega, duas adaptações importantes são necessárias: – a mão deve converter-se em um órgão primário de percepção, sem perder sua função executora; – a coordenação visomotora é substituída na criança cega pela coordenação bimanual e coordenação ouvido-mão.
            Evolutivamente, conforme a autora, o desenvolvimento da preensão é o primeiro processo que ocorre na criança.
            Fases da preensão em uma criança sem deficiência 1) localização visual; 2) aproximação da mão: varredura com o braço, aproximação parabólica, aproximação direta; 3) preensão propriamente dita: preensão cubito palmar, preensão radial palmar e oposição do polegar.
            Quanto à localização visual do objeto, os pais precisam aproximar os estímulos exteriores ao campo perceptivo tátil e cinestésico da criança cega, despertando nela a disposição para o toque. Há uma intervenção intencional dos adultos para uma movimentação ou sustentação, mesmo passiva, sem que esta seja uma intervenção invasora ou excessiva, pois é fundamental estimular sem saturar, ajudar sem invadir. Para uma criança sem deficiência, esta localização é feita pela cor, movimento e forma dos objetos, independente da proposta ativa do adulto.
            Para a aproximação da mão da criança cega em relação ao objeto, o adulto continua animando-a para o deslocamento ativo de sua mão desde o seu corpo até o local onde se encontra o objeto. Nesta fase, é necessária a noção do objeto permanente e o auxílio da percepção a distância pela utilização do canal auditivo.
            Quanto à preensão propriamente dita, sempre que a criança tenha um interesse no objeto e ele estiver em contato com a mão da criança cega, ela pode normalmente pegá-lo para sustentar ou voltar a soltar. Os três passos (cubitopalmar, radial palmar e oposição do polegar) ocorrem na criança cega de forma paralela como na criança com visão. Sempre que este objeto estiver ao seu alcance e for de seu interesse, ela o poderá pegar adequadamente, porém com uma tendência mais longa de colocá-lo na boca em lugar de usar suas mãos de forma mais funcional.
            A criança cega sustenta os objetos de forma espontânea, mas encontra dificuldade para utilizá-lo de forma criativa. Por isto, necessita, em alguns casos, da ajuda do adulto para descobrir como pode realizar atividades com estes objetos.
            Entre os 18 e 30 meses, surge a sustentação de objetos entre as pontas dos dedos e a pinça, intervindo a maturação visomotora. Assim, torna-se necessário ajudar a criança cega para realizar, inicialmente de modo passivo e depois somente com ordens verbais, a afrouxar a mão e não mais sustentar os objetos em sua palma. Isto é muito importante para conseguir uma boa coordenação bimanual e para a realização de habilidades manipulativas.
            Uma criança com visão utiliza na pinça dois de seus dedos (polegar e indicador), enquanto a criança cega utiliza dois dedos para segurar o objeto e um terceiro dedo para recolher informação sobre a posição do objeto e para direcionar o movimento (timão).
            A busca de objetos pela criança cega está diretamente relacionada à noção de permanência dos objetos, sendo esta uma condição indispensável para o reconhecimento da realidade exterior como algo diferente e separado dela, com existência própria e independente. Antes desta formação, ela não demonstra interesse para encontrá-los ou alcançá-los (menos de 8 meses). A criança cega não dispõe da possibilidade de comprovar visualmente a trajetória que algum objeto possa realizar em seu deslocamento e, assim, precisamos ajudá-la a compreender que existe uma realidade externa que permanece estando ou não presentes em seu campo perceptivo. Porém, isto somente é possível pela experimentação.
            Conseguida esta noção da permanência dos objetos, ela terá de aprender a orientar-se no espaço e usar estratégias para conseguir uma busca mais eficiente. A busca de objetos pela criança cega nos remete ao estudo da sua organização espacial.
            Para a estruturação da COORDENAÇÃO OUVIDO-MÃO da criança cega, é importante o desenvolvimento da sua percepção auditiva. Esta percepção a auxilia no entendimento e compreensão da existência de uma realidade externa separada dela, pois com este canal a criança cega percebe informações a distância. Durante o período sensoriomotor, a audição oferece mais informações sobre o atributo das coisas do que de seus aspetos substanciais. O surgimento desta substancialidade tarda a se realizar para a criança cega, a qual necessita motivação para esta descoberta.
            Passos fundamentais para a aquisição da Coordenação Ouvido-Mão:
            a. não há indícios ativos de conduta de busca ante o som;
            b. extensão da mão atrás de uma pista sonora em continuidade a uma pista tátil;
            c. extensão da mão, seguindo apenas pistas sonoras;
            d. pegar ou tomar um objeto sem a necessidade de pistas sonoras ou táteis, mas apenas respondendo a ordens verbais – o que implica a compreensão da linguagem.
            No que se refere à identificação e exploração de objetos, antes que a criança cega utilize suas mãos para a exploração deles, ocorre um período de recreação e prazer com a colocação destes objetos em sua boca, explorando-os oralmente (entre 14 e 16 meses). Neste período, ela prefere as pessoas porque os objetos são pouco atrativos para ela e, por isto, os utiliza de forma pouco diferenciada. Por volta de um ano, seus objetos de apego lhe são significativos e determinantes, demonstrando uma conduta adaptativa. Ela pode ainda usar os objetos de modo indiferenciado e, se isto se prolongar, surgem condutas estereotipadas, autoestimulatória e sem conteúdo que impedem o conhecimento real dos objetos.
            Nos primeiros meses, ela percebe fundamentalmente as sensações de calor, frio, dor, contato, pressão e sensações cinestésicas e proprioceptivas (formas simples da percepção tátil). Entre 12 e 16 meses, há uma mudança significativa na busca de objetos, pois ela começa a utilizar suas mãos de uma forma muito particular: a exploração cuidadosa dos objetos para sua identificação e dar a eles um uso funcional. É necessário que a criança já saiba levar suas mãos à linha média e tenha uma certa maturidade na coordenação bimanual para a utilização das formas complexas da percepção tátil para o conhecimento do objeto e de sua forma.
            A autora, Rosa Revuelta, apresenta como características da percepção tátil para a exploração e identificação de objetos as seguintes abordagens:
            – a mão em repouso não percebe ou, então, apenas percebe dados isolados como temperaturas, texturas ou arestas. A palpação deve ser ativa e se realizar com ambas as mãos. A mão não dominante sustenta o objeto a explorar e oferece referências fixas; a mão dominante é mais ativa, realizando movimentos mais amplos e oferece a integração dos dados, sintetizando a forma global do objeto.
            – os movimentos palpadores são de dois tipos: os leves (informam os detalhes ou as partes significativas de um objeto) e de movimentos amplos (são globalizantes ou de síntese).
            – os movimentos palpadores ficam em torno do dedo polegar, o qual oferece o ponto de referência para calibrar as dimensões do objeto, posicioná-lo no espaço e representar sua forma entre as dimensões.
            – a identificação de um objeto se faz pelo caráter analítico processual do tato, pois ele nos oferece informações parciais de aspectos da realidade que, posteriormente, devem ser integrados até poder construir uma visão de conjunto. Este processo analítico facilita informações sucessivas de diferentes aspectos e a pessoa vai formulando ou descartando sucessivamente suas hipóteses.
            – na exploração de objetos pequenos, os movimentos são assimétricos e quando a criança cega utiliza ambas as mãos, a mão não dominante se encarrega pela oferta de pontos de referência e a mão dominante executa uma inspeção mais ativa. Quando a exploração é realizada com uma única mão, o polegar assume o papel da mão não dominante e os demais dedos se encarregam da inspeção. – a exploração de objetos grandes se faz através de movimentos mais amplos e simétricos. A criança utiliza o eixo vertical de seu próprio corpo como referência.
            Se observarmos como uma criança cega se relaciona com os objetos, como os toca e o que faz com eles, podemos avaliar aspectos qualitativos de seu desenvolvimento. A forma como ela move suas mãos e a aquisição de habilidades manipulativas básicas informam sobre a aquisição de alguns recursos egóicos, que também resultam imprescindíveis em um bom desenvolvimento, nos dando indícios se a criança está a vontade neste mundo, com vontade de conhecê-lo e interagir com ele.
Características de uma manipulação adequada e útil:
            Na exploração adequada, a criança explora lenta e suavemente os objetos; as mãos estão distendidas, mas conservam o tônus muscular necessário para a sustentação do objeto, podendo o tocar. Estando interessada em conhecer o objeto, a criança cega emprega movimentos variados e pouco uniformes, girando o objeto, acariciando-o, fazendo-o soar. Detém seus dedos, por momentos, em algo que lhe chame a atenção; desloca seus dedos brandamente pelo objeto, imprimindo neles a pressão adequada para o perceber. Os dedos indicador, médio e polegar adquirem progressivamente maior importância: o dedo indicador da mão dominante parece adquirir vida própria e se comporta como investigador. A exploração nas crianças menores é muito incompleta e vai se organizando progressivamente, embora muitas delas sejam resistentes à sistematização.
            Quando algo lhe interessa, a criança cega se demora nesta exploração – isto, nem sempre, é respeitado pelos adultos.
            Características de uma exploração inútil ou vazia: A criança toca os objetos de forma ansiosa, rápida e precipitada, sem sinais de organização. Frequentemente, ocorrem alterações do tônus muscular, podendo não ter força ou, então, sustenta o objeto com rigidez e sem flexibilidade para manipulações.
            Acontecem movimentos estereotipados ou repetitivos quando a exploração não apresenta uma finalidade, podendo a criança demonstrar alterações de personalidade. Os vínculos afetivos e a comunicação com o exterior podem estar afetados com maior ou menor intensidade. Salienta-se que estes movimentos são considerados estereotipados quando não são evolutivos e quando se encontram fora do período de ocorrência.
            A exploração mecânica ou robótica é própria das crianças falsamente adaptadas. Ela aprende as condutas que lhe são ensinadas, mas as realiza sem um desejo próprio porque, provavelmente, estas condutas foram estabelecidas apenas por uma programação.
Causas de uma Exploração Inadequada pela criança cega:
            a. a criança vive uma situação de hipoestimulação (que pode ocorrer por longo tempo)ou não houve uma atenção a este aspecto;
            b. existe algum problema de origem orgânica;
            c. a uma perturbação geral do desenvolvimento, implicando uma alteração da personalidade, tanto dos aspectos cognitivos quanto dos afetivos.
            Relativamente à coordenação bimanual, a principal adaptação que a cegueira exige é a conversão da mão em um órgão primário de percepção, sem que ela perca sua função de execução. A mão é responsável pelo oferecimento de informações necessárias para localizar e explorar devidamente estes objetos.
            A coordenação bimanual é imprescindível para que estas funções (percepção e execução) ocorram de forma harmônica. Uma das dificuldades da criança cega é juntar suas mãos na linha média, a qual é ponto de partida para a coordenação bimanual (até 6 ou 8 meses). Depois do primeiro ano, ela enfrenta tarefas que solicitam maior precisão de execução. O desdobramento funcional de ambas as mãos já é importante para o êxito da execução.
            Com aproximadamente 18 meses, ela deverá poder, por exemplo, sustentar uma caixa com uma das mãos, localizar com esta mesma mão as bordas da caixa e com a outra mão dirigir a tampa para o lugar exato que a primeira mão está indicando. A mão não dominante fixa e guia, enquanto a dominante executa o movimento.
            Após ela definir a sua lateralidade ou dominância, aconselha-se não ficar trocando muitas vezes estes papéis. Aos poucos, esta dominância para a percepção e a execução vai passando para os dedos.
            A criança com coordenação visomotora realiza a pinça com dois dedos, enquanto a criança cega realiza esta pinça com três dedos. A coordenação visomotora é substituída pela coordenação bimanual, implicando habilidades motoras, controle tônico-muscular, independência funcional da mão e do braço, flexibilidade das articulações, independência segmentária e uma boa e relativa organização espacial.
 
(*) Grifo e dividido em tópico por Lumiy

 disponível: http://www.diversidadeemcena.net/

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 Uma tarde no evento cultural com teatro 

As aulas da escola especial de apoio, a qual conheço, encerraram as atividades do ano de 2010 com o evento “Semana Cultural do Louis Braille” e no último dia, 18 de dezembro, foi a apresentação do teatro com a história de Louis Braille encenada pelos alunos. Os protagonistas da peça foram um rapaz cego de Angola que faz intercâmbio no Brasil e uma aluna adolescente com baixa visão. A história de Louis Braille era contada numa conversa informal entre os protagonistas atuando os dias de hoje, enquanto os outros alunos encenavam a conversa e representavam o cenário dos anos da vida de Louis Braille, assim, teve duas versões dele atuadas, de quando criança e adulto. Os alunos estavam vestidos com trajes tipicamente de cidadãos franceses, cheio de babados, e um deles, chegou a falar com sotaque francês. Ao final, todos cantaram ao som do violão tocado pelo rapaz protagonista que compôs a letra e a música. Foi muito divertido e a platéia gostou e aplaudiu muito. Depois da apresentação, foram mostrados para as pessoas da platéia, com deficiência visual, os cenários do teatro que foram bem elaborados, pois foram construídos alguns locais da casa e da escola que Braille conviveu, com detalhes, como a oficina com ferramentas feitas de madeira, janelas com cortinas e flores, máquina de escrever em Braille etc. Dentre as pessoas, estava presente a professora Utako de 80 anos, sorridente e simpática que foi uma das primeira professora da escola. O andar dela está um tanto delicado e ela usa uma bengala bem curtinha e leve, no entanto, a sua percepção está ótima, onde pôde observar o cenário do teatro e a exposição do evento, chegando a dar entrevista sobre a importância de aprender o Sistema Braille pelas pessoas cegas, juntamente com o professor Bill, que demonstrou a sua destreza na leitura de poemas escritos em Braille.  Também estavam presentes os familiares e amigos dos alunos, e  normalmente nestes encontros, cada aluno gosta muito de apresentar a professora que o assiste nas aulas de apoio para os seus pais, ficando um ambiente animado. * A realização do evento contou com a participação e dedicação de vários professores, funcionários e alunos, desde providenciar as lembrancinhas de natal, fazer os lanches e toda preparação da história, cenário, trajes, treino dos alunos e outros preparativos para apresentação do teatro. Como resultado, os alunos, os pais e amigos demonstraram satisfeitos e muitos deles deram a sugestão de repetir o evento no próximo ano. Enfim, a atividade terminou muito bem e encerro este post com as palavras da amiga B.Fish, da Alemanha, que comentou sobre a gravaçãodo pessoal cantando no teatro que eu a enviei : “listen to it, like a foto with lots of smiling faces sending warmth to the heart“. 

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