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Archive for the ‘inclusão’ Category

Um encontro inclusivo e com muitas informações para compartilharmos no dia 16 e 17 de Setembro de 2016:

I Encontro Nacional de Agenesia, Familiares e Pessoas com Deficiência.

Palestras e Propostas em Educação, Saúde, Esporte, Lazer, Política e Direitos da Pessoa com Deficiência com participação de pais, associados, profissionais (médico genetecista e em doenças raras, psicólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, além da equipe do projeto de impressão 3D e doação de dispositivos de apoio protético e especialistas relacionadas à inclusão e acessibilidade da Pessoa com Deficiência.

Momento de integração com Fórum de Discussão e oficinas de recreação com crianças e voluntários.

Inscrição: http://goo.gl/NgIBj7

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Local: Auditório do Campus Garcez do Grupo Uninter, Curitiba, PR.
Dia 16 das 18:00 às 22:00 horas
Dia 17 das 08:00 às 17:30 horas.

Convite e Programação acessível para leitor de tela:

ASSOCIAÇÃO DAR A MÃO
Uma rede de apoio à diferença de membros superiores e inferiores
Convida, juntamente com seus parceiros, para o I Encontro Nacional de Agenesia, Familiares e Pessoas com Deficiência

Local: Rua Luiz Xavier, n0 103, Centro – Curitiba/PR
Auditório do Campus Garcez da UNINTER

DATA: 16 e 17 de Setembro de 2016

Inscrição aberta: http://goo.gl/NgIBj7
(*) Para os inscritos e credenciados durante o evento receberão os Certificados de participação (até 15 horas):
- pela UFPR – “Evento de Extensão/Formação Profissional”
- pela UNINTER – “Evento de Extensão de Inclusão e Saúde”.

PROGRAMAÇÃO:
16 de Setembro de 2016 Sexta-feira        
18:00 – 19:45 - Inscrição e credenciamento

- Lanche de boas vindas - Compartilhado (*)
(*) Solicitamos a todos para levarem um prato de salgado/doce, sucos, chás ou outras bebidas (menos alcóolicos) para realizarmos juntos uma confraternização / momento social.

19:45 – 21:55 - Abertura e palavras de bem-vindo aos participantes e convidados
- Composição da mesa: apresentação dos convidados de honra
- Hino Nacional
- Apresentação dos convidados especiais e dos apoiadores
- Palavras dos convidados
- “Parabéns” – Um ano da Associação Dar a Mão.

21:55 -22:00 Continuidade do evento no dia seguinte.

Dia 17 de Setembro de 2016  Sábado      
07:30 - 08:00 Inscrição e credenciamento

08:00 – 08:15 Tema: Apresentação da Associação Dar a Mão
Mesa: Geane Poteriko, Osni Adriano Ferreira e Nelson Rosa Júnior

08:15 – 08:30 Tema: Comissão de Acessibilidade Lions, SIANEE/UNINTER e Projeto Dar a Mão
Mesa: João Carlos Cascaes, Leomar Marchesini e Lucia Miyake

08:30 – 09:30 Tema: Associações, Instituições e Projetos multiplicadores por determinação e dedicação de Mães
Mesa: Noêmia Cavalheiro, Shirley Ordônio, Patricia Krebs Ferreira, Daiane Koch e Geane Poteriko  - Mediadora: Noêmia Cavalheiro

09:30 – 10:25 Tema: Doenças raras e genéticas: conceitos, pós diagnóstico, acompanhamento e conscientização com Dr. Rui Fernando Piloto - Mediadora: Daiane Koch

10:25 – 10:30 “Surpresa” do LIA – Lazer, Inclusão e Acessibilidade

10:30 – 10:40 Intervalo

10:40 – 11:25 Tema: Novo Marco Regulatório para o Terceiro Setor, em vigência a partir de 2016 com Dra. Rosângela Wolff Moro. Mediadores: João Carlos Cascaes e Leomar Marchesini

11:25 – 12:15 Tema: Motivação, Experiências e a realização profissional

Palestra-1: Transformando dor em luta com Dra. Fernanda Rigo Tolomei
Palestra-2: Saúde em todas as perspectivas com Prof. Dr. Paulo Bataglin Machado. Mediadora: Shirley Ordônio

12:15 – 13:45 Intervalo – Almoço

13:45 – 14:00 Inscrição e Credenciamento

14:00 – 14:45 Tema: Qualidade de vida e estimulação de crianças com agenesia de membros. Mesa: Dra. Regina Rigo Tolomei, Sra. Rosimeri Mangueiroski, Dra. Janaina Carvalho e Dra. Iris Miyake Okumura. Mediadora: Geane Poteriko

14:45 – 15:30 Tema: Os caminhos para os atendimentos e acessibilidade
Palestra-1: Procedimentos para o atendimento da pessoa com deficiência: Direitos, dever e encaminhamento, com Sra. Daiane Kock.
Palestra-2: Acessibilidade: um caminho para todos com Arquiteto Urbanista Ricardo Tempel Mesquita

15:30 – 15:40 Intervalo

15:40 – 16:50 Tema: Elaboração de dispositivos de apoio protético, mioelétrico e serviços de reabilitação
Mesa: Eng. Marcelo Botelho, Sra. Mariângela Fernandes Martins Gabriel, Dra. Paula Vincenzi Gaiolla e Dr. Paulo Gaiolla e Dra. Camila Miranda Almeida.
Mediador: Marcelo Botelho

16:50 – 17:40 Fórum de discussão A: Dispositivos de apoio e a equipe multidisciplinar: conquistas e desafios
Mesa: Eng.Marcelo Botelho, Dra.Valeska Cardeal Santana Lazoski e Eng.Gustavo Roos  - Mediadora: Profa.Lucia Miyake

17:40 – 18:25 Fórum de discussão B: Inclusão Escolar, encaminhamento profissional, empregabilidade e constituição familiar 
Mesa: Profa. Leomar Marchesini, Sra. Gracy Kelly da Silva, Prof. Paulo Ross
- Mediador: Prof. Dr. Paulo Ross

18:25 – 18:30  Palavras de Encerramento


Outras Atividades no Sábado:
09:00 – 18:30 Oficina de Recreação Infantil
10:25  “Surpresa” do LIA – Lazer, Inclusão e Acessibilidade

Coordenação Geral:  
Geane Aparecida Poteriko da Silva (Associação Dar a Mão)
Rosângela Barradas (Associação Dar a Mão)

Coordenação Técnica:          
Maria Lucia Miyake Okumura (NPOTA PPGEPS/PUCPR)
Paulo Ricardo Ross (SETOR EDUCAÇÃO/UFPR)
Leomar Marchesini Zuravski (SIANEE/UNINTER)
Rodrigo Berte (Escola Superior de Saúde Meio Ambiente Sustentabilidade e Humanidade/UNINTER)

Cerimonial: Leomar Marchesini Zuravski

Parceiros:
- Comissão de Acessibilidade Lions Clube Curitiba Batel
- GRUPO UNINTER
- UFPR – Setor Educação
- NPOTA - Núcleo de Pesquisa de Produtos Orientados para Tecnologia Assistiva PPGEPS/PUCPR

Apoio:
- AFAG Associação dos Familiares, Amigos e Portadores de Doenças Graves
- AIR LIQUIDE 
- Ambulatório da Síndrome de Down do HC/UFPR
- LIA Lazer, Inclusão e Acessibilidade
- E-NABLING THE FUTURE
- OBADIN Organização Brasileira de Apoio às Pessoas com Doenças Neuromusculares e Raras
- REVIVER Down
- SESA Secretaria de Estado da Saúde

Contato: associacaodaramao@gmail.com - (43) 9846-9220

 

 

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Pessoa Inclusiva

Hoje, de manhãzinha, recebi o e-mail do professor Alzer, e como sempre, cheio de ânimo escreveu uma crônica, que enquanto a lia, parecia como estivesse enviando os melhores raios do Sol no amanhecer deste domingo. Assim, com a autorização do autor, resolvi postar a crônica “Acordar mais feliz” e também contar um pouco deste professor, uma pessoa inclusiva.
 Professor Alzer tem o costume de acordar muito cedo; diz ele que gosta de assistir reportagens sobre ciências na TV. No entanto, além da TV, ele divide a atenção com a Biblioteca Digital Inclusiva Virtual Books – BDIVB, o qual é o idealizador. A BDIVB completará 3 anos de atividade em julho deste ano, que disponibiliza às pessoas com deficiência visual, o acervo de mais de 3500 títulos digitalizados de diversas áreas. Mais informações encontra-se na Rede Sacihttp://saci.org.br/?modulo=akemi¶metro=25973

Acordar mais feliz
por Alzer Augusto dos Santos

– Puxa acordei hoje com mais prazer do que nos outros dias!!
Foi um acordar para a vida? pergunto-me?
 – Na prática de nossas ações cotidianas o levantar pela manhã é um hábito que, fazemos em maioria ao levantar a tarde mas, acordar com mais alegria talvez ainda não seja uma grande maioria acredito eu!!
 – A vida revela desafios muy difíceis mas, saber sofrer nela parece um desafio também muy difícil para todos e não só para quem não vê!!
Ver com outros sentidos é também promissor mas, ver ou como dizem enxergar com olhos de alegria nas pequenas paisagens que vamos domando e “vendo”, é também um dialeto que, devemos aprender em nossa jornada …
 O cego e deficiente visual como queiram é capaz sim!! Mas, enxergar com lógica de ciência mesmo que seja parcial é “lucro”, na certa das certidões humanas ok?
Fazer da vida um estudo do “mar”, é conhecer sombras ou visões outras que não as do ser vivo com saúde física e moral mas, deixar de enxergar que o mau existe é fazer alusão a fantasias de perfeição algo destruidor de muitos mundos e ainda o será !!
 – Conviver com lógica de razões sem fundamento e comprovação nem científica nem pelo senso comum não é de todo ruim mas, o que brota de nossas mentes alguma origem no senso-comum tem por isso, não deve ser ignorada nem maltratada ok?
– Tocar os olhos de quem ama é provar do gosto da alma do ser que queremos bem!!
Mas, para quem não tem os olhos físicos o sofrimento existe sim!! Mas as compensações também existem!!
 Muitas vezes acoados pela ingratidão de grupos egoístas e impuros de sentimentos participativos (não é ocaso da virtual books, vila torrentes e pt global ok?), bem, falamos dos grupos mesmo “participativos”, não se conectam na realidade de um mundo sem barreiras e fronteiras mas, isso tende a diminuí em nossas sociedades !!
 Dizer que acordamos bem!! É para bom entendedor isso porque estamos falando objetivamente bem, dizer sou feliz não é mais inseguro em um mudo dominado até então pela tristeza de sacrifícios outros ok?
Sou sim feliz pois tenho a esperança de dias melhores e a realidade já transformada é o que devemos pensar !!
Por fim, saber ganhar com bons “olhos”, é fazer da vida um vaso legitimo de felicidade e algo mais a dizer …

zer.
15/01/2012.

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Nada sobre nós, sem nós: Da integração à inclusão
 por Romeu Kazumi Sassaki

** Uma visão panorâmica escrita por Sassaki acerca da história de luta percorrida por pessoas com deficiência.**

PARTE-1

Citação bibliográfica:SASSAKI, Romeu Kazumi. Nada sobre nós, sem nós: Da integração à inclusão– Parte 1. Revista Nacional de Reabilitação, ano X, n. 57, jul./ago. 2007, p. 8-16.

Introdução:Analisemos o lema “Nada sobre nós, sem nós”. São meus todos os grifos e caixas altas em certas palavras, que constam no presente texto (Partes 1 e 2).
Nada quer dizer “Nenhum resultado”: lei, política pública, programa, serviço, projeto, campanha, financiamento, edificação, aparelho, equipamento, utensílio, sistema, estratégia, benefício etc. Cada um destes resultados se localiza em um dos (ou mais de um dos ou todos os) campos de atividade como, por exemplo, educação, trabalho, saúde, reabilitação, transporte, lazer, recreação, esportes, turismo, cultura, artes, religião.
 Sobre Nós, ou seja,“a respeito das pessoas com deficiência”.Estas pessoas são de qualquer etnia, raça, gênero, idade, nacionalidade, naturalidade etc., e a deficiência pode ser física, intelectual, visual, auditiva, psicossocial ou múltipla. Segue-se uma vírgula (com função de elipse, uma figura de linguagem que substitui uma locução verbal) que, neste caso, substitui a expressão“haverá de ser gerado”.
Sem Nós, ou seja,“sem a plena participação das próprias pessoas com deficiência”. Esta participação, individual ou coletiva, mediante qualquer meio de comunicação, deverá ocorrer em todas as etapas do processo de geração dos resultados acima referidos. As principais etapas são: a elaboração, o refinamento, o acabamento, a implementação, o monitoramento, a avaliação e o contínuo aperfeiçoamento.
 Juntando as palavras grifadas, temos: “Nenhum resultado a respeito das pessoas com deficiência haverá de ser gerado sem a plena participação das próprias pessoas com deficiência”. Em outras palavras, as pessoas com deficiência estão dizendo: “Exigimos que tudo que se refira a nós seja produzido com a nossa participação. Por melhores que sejam as intenções das pessoas sem deficiência, dos órgãos públicos, das empresas, das instituições sociais ou da sociedade em geral, não mais aceitamos receber resultados forjados à nossa revelia, mesmo que em nosso benefício.”
O lema comunica a ideia de que nenhuma política deveria ser decidida por nenhum representante sem a plena e direta participação dos membros do grupo atingido por essa política. Assim, na essência do lema Nada Sobre Nós, Sem Nós está presente o conceito de Participação Plena das pessoas com deficiência.
Evolução histórica: Quando surgiu este lema tão famoso nos dias de hoje? Se considerarmos as quatro eras das práticas sociais em relação a pessoas com deficiência— exclusão (antiguidade até o início do século 20), segregação (décadas de 20 a 40), integração (décadas de 50 a 80) e inclusão (década de 90 até as próximas décadas do século 21)—, este lema tem a cara da Inclusão. Mas se levarmos em conta o conceito de Participação Plena, o lema teve a sua semente plantada em 1962, em plena era da Integração, e germinada a partir de 1981 graças ao Ano Internacional das Pessoas Deficientes.
A semente consistia na idéia de que as pessoas com deficiência poderiam ser participantes, ou seja, geradoras de bens ou serviços, e não meras receptoras. Seguem-se, cronologicamente, os principais documentos e fatos sobre a evolução desta poderosa idéia, começando com um fato inédito ocorrido em 1935 (era da Segregação).

1935:Na década de 30, um grupo composto por cerca de 300 pessoas com deficiência física conseguiu chamar a atenção da sociedade americana ao protestar contra o fato de que suas fichas de pedido de emprego foram carimbadas com as letras “DF” (significando“deficientes físicos”). Elas pertenciam à Liga dos Deficientes Físicos e permaneceram sentadas por nove dias na porta de entrada do Departamento de Albergues da Cidade de Nova York. E acabaram conseguindo vários milhares de empregos em todo o país.

1950-1960:Veteranos com deficiência (da II Guerra Mundial) iniciaram um movimento pró-ambientes sem barreiras. Isto propiciou a parceria entre a Administração Federal dos Veteranos, o Comitê Presidencial de Emprego de Deficientes (hoje renomeado Comitê Presidencial para Pessoas com Deficiência), a Sociedade Nacional ‘Easter Seals’ e outras instituições – parceria esta que produziu as primeiras normas americanas de acessibilidade em edificações.

1962:Até a década de 60, as pessoas com deficiência eram tratadas como objetos de caridade, não podiam opinar e tinham de obedecer às decisões que os especialistas e os pais tomavam por elas, em tudo o que se referia à vida delas. A situação começou a mudar em 1962 quando um grupo de 7 pessoas, todas tendo deficiências muito severas (tetraplegia em sua maioria), resolveu agir. Edward V. Roberts (ou simplesmente Ed Roberts) era o líder do grupo. Ed Roberts e seus amigos (conhecidos em Berkeley como “Os Tetras Rolantes”)criaram o serviço de atendentes pessoais de que eles mesmos precisavam a fim de viver com autonomia, o que originou o movimento de direitos das pessoas com deficiência nos EUA.

A fotobiógrafa Lydia Gans relata que, em 1962, Ed Roberts foi um dos primeiros estudantes com deficiência a levar vida independente na Universidade da Califórnia. (artigo“Ed Roberts at home and at large”, in New Mobility, Culver City, v. 5, n. 15, p. 4, maio/junho 1994).
 Devido à sua tetraplegia severa em consequência da poliomielite que teve aos 14 anos de idade, Ed Roberts não movia nenhuma parte do seu corpo exceto a boca e os olhos. Para respirar, ele tinha de ficar, à noite, deitado dentro de um pulmão de aço (um enorme‘tanque’, como ele gostava de chamar) e, durante algumas horas do dia, sentado fora do ‘tanque’, mas com um respirador portátil.
 É claro que este grupo visionário sabia o que estava fazendo. Como dizia o próprio Ed Roberts:“A filosofia era bastante clara para nós. Isto era uma questão de direitos civis. As pessoas presumiam que fracassaríamos se nos dessem nossos direitos, mas isso não aconteceu”. Portanto, nos EUA, o movimento pelos direitos das pessoas com deficiência começou em 1962 com “Os Tetras Rolantes”.

1970:Judy Heumann, fundadora da Disabled in Action (DIA), processou o Conselho Municipal de Educação de Nova York quando o seu requerimento de autorização para lecionar foi negado. A razão que lhe foi alegada – por sinal, a mesma utilizada para barrar a matrícula dela na educação infantil – era que a sua cadeira de rodas constituía um risco de incêndio. A ação, ganha na justiça, estreou a militância de Judy Heumann e, mais tarde, a sua carreira no Ministério da Educação dos EUA.

1972:O movimento de vida independente começou em 1972 com a criação do Centro de Vida Independente de Berkeley (CVI-Berkley), o primeiro CVI dos EUA e do mundo, estando Ed Roberts à frente com todo o seu empoderamento, competência e carisma, juntamente com outras pessoas com deficiência como, por exemplo, Phil Draper (que tem tetraplegia por lesão medular) e Judy Heumann (que tem tetraplegia por poliomielite).

Ed Roberts, em uma entrevista sobre o Centro de Vida Independente de Berkeley, contou que a sua luta pelo estilo de vida independente começou depois de vários anos de experiência como ativista no movimento pelos direitos civis dos negros e mexicanos. E acrescentou que ele pensou: “O que estou fazendo aqui? Aprendi todas essas ótimas habilidades organizacionais, mas agora eu deverei juntar-me às pessoas com deficiência”. Historicamente, o movimento de direitos civis abrangeu o período de uma geração (1954-1980) em todo o mundo.

1973:A Seção 504 da Lei de Reabilitação de 1973, dos EUA, torna ilegal – para órgãos federais, universidades públicas, empreiteiros federais e qualquer outra instituição ou atividade que receba recursos financeiros federais – discriminar pessoas com base em deficiência. Mesmo pressionado por inúmeras demonstrações de protesto, o então Ministério da Saúde, Educação e Bem-Estar só regulamentou esta lei em 1977.

1975:O documento mais antigo no qual consta a ideia da Participação é a Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes, que diz: “As organizações de pessoas deficientes podem ser beneficamente consultadas em todos os assuntos referentes aos direitos das pessoas deficientes”(Organização das Nações Unidas, 9/12/75)

1976:Culminou tragicamente em 1976 um movimento iniciado em 1960 pelos negros e simpatizantes brancos da África do Sul para resistir à opressão do regime do apartheid. Em 21/3/60, aconteceu o chamado Massacre de Sharpville. Surgiram vários líderes, um dos quais era Steve Bantu Biko, o mais notável. Foi formado o Movimento da Consciência Negra (MCN), inicialmente com a proposta de campanhas não violentas e posteriormente com a ideia de resistência violenta.

O MCN reivindicava resistência à política do apartheid, liberdade de expressão e outros direitos e seus membros confrontavam as realidades legais, culturais e psicológicas do regime dos brancos separatistas. Eles buscavam não apenas a visibilidade dos negros, mas também a real participação dos negros na sociedade e nas lutas políticas. Organizaram-se vários grupos de autoajuda nas comunidades negras. Diante de muitas dificuldades, o movimento não foi aniquilado; pelo contrário, ele cresceu e recebeu amplos apoios entre os negros e os brancos sul-africanos.
 No dia 16 de junho de 1976, em meio aos distúrbios raciais nas ruas de Soweto, foi morto o adolescente Hector Pieterson, 12 anos, que aparece na foto de Sam Nzima sendo carregado por Mbuyisa Makhubo, tendo ao lado sua irmã, a também adolescente Antoinette Pieterson, 17 anos. Desde então, o dia 16 de junho se tornou o Dia da Juventude.

1977:Steve Bantu Biko (1946-1977) foi um notável ativista não violento e antiapartheid. Sua luta consistia em empoderar os negros e Biko ficou famoso pela frase que ele criou:“Black is beautiful”, que para ele significa:“Cara, você está ótimo como você é, comece a se olhar como um ser humano”.

Biko foi preso no dia 18 de agosto de 1977, teve traumatismo craniano enquanto estava sob custódia da polícia e foi acorrentado à grade da janela da cadeia por 24 horas. Em 11/9/77, a polícia o colocou numa viatura para levá-lo à prisão de Pretória. Lá chegando, ele morreu no dia seguinte em circunstâncias misteriosas. Seu amigo, o jornalista branco Donald Woods, investigou, fotografou e escreveu toda a história de Biko em um livro que publicou após ser forçado pelo regime do apartheid a retornar à Grã-Bretanha.

1980:Segundo William Rowland, a questão da deficiência na África do Sul precisa ser vista no contexto da luta de libertação. Durante a década de 80 e no início dos anos 90, “as pessoas com deficiência eram parte daquela luta e hoje nós compartilhamos os frutos de uma nova democracia”. Para cada pessoa que morreu na luta, três outras ficaram com uma deficiência. E foi deste charco de injúria e raiva que emergiu a liderança da organização Pessoas com Deficiência da África do Sul, que projetou o movimento pelos direitos das pessoas com deficiência no país. Estas foram também as condições que deram origem ao movimento massivo de pessoas com deficiência, que atraiu entre 10.000 e 12.000 ativistas, que trabalharam unidos e falaram com uma única voz não silenciável.

1981:Foi comemorado em todo o mundo o Ano Internacional das Pessoas Deficientes (assim proclamado pela ONU em 1979), cujo lema foi Participação Plena E Igualdade.

1981:A Unesco aprovou a Declaração de Sundberg, na qual se encontra a seguinte frase: “A Conferência Mundial sobre Ações e Estratégias para Educação, Prevenção e Integração afirma que as autoridades públicas, as organizações qualificadas e a sociedade como um todo devem levar em consideração, ao prepararem qualquer estratégia de médio ou longo prazo pertinente a pessoas com deficiência, os princípios fundamentais de participação, integração, personalização, descentralização (setorização) e coordenação interprofissional, de tal modo que: (a) A plena participação das pessoas com deficiência e suas associações em todas as decisões e ações a elas pertinentes seja assegurada”.

1982:A ONU, através da resolução 37/52, adotou o Programa Mundial de Ação relativo a Pessoas com Deficiência, cujo parágrafo 93 se refere às organizações de pessoas com deficiência dizendo: “Os estados-membros devem estabelecer contatos diretos com essas organizações e lhes proporcionar canais para que possam exercer influência sobre as políticas e decisões governamentais em todos os campos que lhes concernem. Os estados-membros devem prestar o apoio financeiro que, nesse sentido, seja necessário às organizações de pessoas com deficiência.”

1986:No artigo “Nada Sobre Nós, Sem Nós: algumas reflexões sobre o movimento das pessoas com deficiência na África do Sul”, William Rowland conta que, em 1981, o Governo se recusou a reconhecer o Ano Internacional das Pessoas Deficientes e que, em 1986, à revelia das próprias pessoas com deficiência, proclamou convenientemente o Ano das Pessoas Deficientes da África do Sul. As lideranças das pessoas com deficiência se retiraram da conferência nacional e só retornaram quando lhes foi garantido o espaço para ler a mais poderosa declaração até então escrita. O líder Phindi Mavuso fez a leitura do“catálogo” de injustiças, contendo a dupla discriminação do apartheid e das deficiências.

Quando Eugene Terreblanche convocou seus homens “armados com um milhão de rifles”, Mavuso e mais 1.200 pessoas com deficiência marcharam até a colina de Soweto onde, diante das portas do Hospital Baragwanath, lançaram o protesto contra a crescente onda de violências.
 Além do protesto, as lideranças realizaram duas iniciativas: a iniciativa política para mobilizar as pessoas com deficiência para reivindicarem seus direitos; e a iniciativa desenvolvimentista para gerar renda através da autoajuda. E também construíram uma nova filosofia: a deficiência não era uma questão de saúde e bem-estar, e sim uma questão de direitos humanos e de desenvolvimento; o modelo médico da deficiência não era adequado e os médicos e assistentes sociais “não deveriam controlar nossa vida, os métodos pacifistas de luta serviriam melhor à nossa causa e nós deveríamos nos alinhar com o movimento de libertação. Nós nos conscientizamos e adotamos o nosso (agora famoso) lema: Nada Sobre Nós, Sem Nós”, termina Rowland.

1992:Pessoas com deficiência reunidas no Canadá aprovaram a Declaração de Vancouver (1992), que diz:“Nós exigimos que os governantes, legisladores e centros de poder, profissionais e agências de desenvolvimento reconheçam que as pessoas com deficiência são verdadeiramente peritas em assuntos de deficiência e que nos consultem diretamente inserindo-nos nas atividades concernentes à nossa existência”.

1993:Em 1993, era publicado mais um livro cujo título contém o lema Nada Sobre Nós, Sem Nós. Este traz o subtítulo: “Opressão à deficiência e empoderamento”. Autor: James I. Charlton. No livro, o autor conta que ele ouviu pela primeira vez a expressão Nada Sobre Nós, Sem Nós, quando estava na África do Sul em 1993.

“Nada sobre nós, sem nós”é o primeiro livro na literatura sobre deficiências que oferece um panorama teórico da opressão à deficiência, apresentando semelhanças e diferenças entre racismo, sexismo e colonialismo. O autor entrevistou, durante 10 anos, ativistas do Terceiro Mundo, da Europa e dos Estados Unidos. “Nada sobre nós, sem nós” expressa a convicção das pessoas com deficiência de que elas sabem o que é melhor para elas.

1993:Neste ano, mais de 450 pessoas com deficiência representando 41 países da Europa (ocidental, oriental, central, nórdica, balcânica e báltica), América do Norte, África e Ásia, se reuniram na Holanda e aprovaram a Declaração de Maastricht (4/8/93), da qual se destaca a seguinte afirmação:“Nós precisamos participar plenamente em nossas sociedades em todos os níveis e, através de nossas organizações, ser consultados e envolvidos decisivamente em todos os programas e políticas que nos afetem. Nós somos os peritos; o nosso poder precisa ser reconhecido”.

1993:A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, através da Resolução 48/96, o documento “Normas sobre a Equiparação de Oportunidades para Pessoas com Deficiência” (20/12/93), em que enfatiza:“Os Países-Membros devem envolver organizações de pessoas com deficiência em toda tomada de decisão sobre planos e programas relativos a pessoas com deficiência ou que afete sua condição econômica e social.”(…) “As organizações de pessoas com deficiência devem ser consultadas quando estiverem sendo desenvolvidos padrões e normas de acessibilidade. Elas devem também ser envolvidas no nível local desde a etapa do planejamento inicial dos projetos de construção pública, garantindo, assim, a máxima acessibilidade”.

1997:Em novembro de 1997, foi publicado o livro “Awakening to Disability: Nothing About Us Without Us” (Despertando para a Deficiência: Nada Sobre Nós, Sem Nós), de autoria de Karen G. Stone. Editora Volcano Press, 256 páginas.

1998:Em 1998, foi a vez de mais um livro, cujo título contém o lema Nada Sobre Nós, Sem Nós. Título do livro: “Nothing about us without us: developing innovative technologies for, by and with disabled persons” (Nada sobre nós, sem nós: desenvolvendo tecnologias inovadoras para, por e com pessoas com deficiência). Autor: David Werner. Editora: HealthWrights/Workgroup for People´s Health and Rights. Cidade: Palo Alto, Califórnia, EUA.

David Werner informa que, em muitos países, as organizações de pessoas com deficiência adotaram o lema NADA SOBRE NÓS, SEM NÓS, especialmente em países desenvolvidos, mas cada vez mais freqüentemente em países do Terceiro Mundo. As pessoas com deficiência estão exigindo ser ouvidas em decisões que afetam sua vida. Porém, segundo Werner, as organizações de pessoas com deficiência ainda não assumiram plenamente a liderança em assuntos de reabilitação e de tecnologias assistivas. As crianças com deficiência quase não podem decidir sobre aparelhos e equipamentos que elas precisam usar. Isso tem levado a erros de projeto. O próprio Werner, que desde criança tem deficiência nas pernas, era obrigado a usar aparelhos ortopédicos que lhe fizeram mais mal que bem. Somente várias décadas depois, ele pôde obter aparelhos que funcionaram bem… graças aos artesãos com deficiência do Projeto PROJIMO que o acolheram como parceiro no processo de solução-de-problemas.

1999:“Pessoas com deficiência devem ter um papel central no planejamento de programas de apoio à sua reabilitação; e as organizações de pessoas com deficiência devem ser empoderadas com os recursos necessários para compartilhar a responsabilidade no planejamento nacional voltado à reabilitação e à vida independente” (Carta para o Terceiro Milênio, 9/9/99).

2000:“Nós acreditamos que o limiar do novo século é uma época oportuna para todos ― pessoas com deficiência de qualquer tipo e suas organizações e outras instituições cívicas, governos locais e nacionais, membros do sistema da ONU e outros órgãos intergovernamentais, bem como o setor privado ― colaborarem estreitamente em um processo consultivo inclusivo e amplo, visando à elaboração e adoção de uma convenção internacional para promover e proteger os direitos das pessoas com deficiência e aumentar as suas oportunidades iguais de participação na corrente principal da sociedade”, diz a Declaração de Pequim (12/3/00).

PARTE-2

 Citação bibliográfica: SASSAKI, Romeu Kazumi. Nada sobre nós, sem nós: Da integração à inclusão– Parte 2. Revista Nacional de Reabilitação, ano X, n. 58, set./out. 2007, p.20-30.

2001:O ativista de direitos das pessoas com deficiência, Tom Shakespeare, em sua palestra“Entendendo a Deficiência”, registrou o seguinte posicionamento perante a Conferência Internacional“Deficiência com Atitude”, realizada na University of Western Sydney, Austrália, em fevereiro de 2001:
“Reconhecer a perícia e a autoridade das pessoas com deficiência é muito importante. O movimento das pessoas com deficiência se resume em falar por nós mesmos. Ele trata de como é ser uma pessoa com deficiência. Ele trata de como é ter este ou aquele tipo de deficiência. Ele trata de exigir que sejamos respeitados como os verdadeiros peritos a respeito de deficiências. Ele se resume no lema Nada Sobre Nós, Sem Nós”.

2001:O Grupo de Usuários de Estratégias, do Ministério da Saúde da Grã-Bretanha, é formado por pessoas com dificuldades de aprendizagem, participantes das organizações People First, Mencap, Change e Speaking Up. O grupo adotou o lema “Nada Sobre Nós, Sem Nós” para exigir a inclusão de pessoas com dificuldade de aprendizagem em todos os serviços públicos: saúde, emprego, serviços sociais, habitação, associações de habitação, consumidores de serviços, fornecedores de serviços, inspeção e outros.

Tais serviços devem oficializar que estão incluindo pessoas com dificuldade de aprendizagem e que recebem apoios apropriados. Devem também concordar com a crença de que nada sobre elas está sendo feito sem a participação delas. Para tanto um órgão consultivo nacional sobre dificuldades de aprendizagem deverá ser constituído com representantes de todo o país. Este Grupo e o Ministério da Saúde elaboraram uma estratégia para dificuldades de aprendizagem.

2001:Um dos mais notáveis ativistas negros com deficiência da atualidade é William Rowland, da República da África do Sul. Ele escreveu o monumental artigo “Nothing About Us Withou Us: Some Historical Reflections on the Disability Movement in South Africa” (Nada Sobre Nós, Sem Nós: Algumas Reflexões Históricas sobre o Movimento da Deficiência na África do Sul), inserido no site da Disability World (http://www.disabilityworld.org/11-12_01/it/southafrica.shtml, n.11, nov./dez. 2001).

Nele, Rowland descreve a longa história de lutas, sacrifícios e humilhações, mas também de vitórias e avanços da organização não-governamental Pessoas com Deficiência da África do Sul (Disabled People South Africa – DPSA). Fundada em 1984, a DPSA adotou em 1986 o lema “Nada Sobre Nós, Sem Nós”. Portanto, esta é a data mais antiga em que foi registrado o famoso lema dos dias de hoje, O lema da DPSA foi adotado em reconhecimento da necessidade de as próprias pessoas com deficiência promoverem diretamente os direitos humanos e o desenvolvimento de todos os sul-africanos com deficiência (http://www.dpsa.org.za/about_us.asp).

Quando o prisioneiro politico mais célèbre e mais antigo (preso por 27 anos), Nelson Mandela, foi libertado no dia 11 de fevereiro de 1990, os ativistas William Rowland e Phindi Mavuso– representando a DPSA – já estavam lá para cumprimentá-lo e pedir a sua intervenção pela causa das pessoas com deficiência. A missão da DPSA é a de ser uma efetiva e eficiente assembleia nacional democrática de todas as pessoas que as mobilize para defenderem seus direitos de acesso a iguais oportunidades em um inclusivo ambiente social, politico e econômico.

2001:A Fundação Parceria Sussex-SNS (Serviço Nacional de Saúde), da Grã-Bretanha, mantém o programa “Nada Sobre Nós, Sem Nós”(http://www.sussexpartnership.nhs.uk/about-us/vision-and-values), que tem os seguintes objetivos:

– A Fundação Parceria Sussex-SNS colocará os usuários de seus serviços no centro de todas as ações. A fundação atuará com as pessoas e seus representantes para atingir este fim.
 – Cada usuário de nossos serviços é único e sera tratado como tal. Os cuidados de cada pessoa serão planejados e acordados com ela (ou seu defensor).
 – Adequaremos nossos serviços às necessidades das pessoas, não o inverso. Ouviremos as pessoas e aprenderemos do que elas nos disserem sobre suas experiências.
 – A frase “Nada Sobre Nós, Sem Nós” tem sido usada por mais de 20 anos como um lema para promover os direitos das pessoas com deficiência e foi adotada no documento official do Ministério da Saúde sobre as estratégias dos services para pessoas com dificuldade de aprendizagem (“Valorizando Pessoas”, 2001).

2002: A Declaração de Madri (23/3/2002) é o primeiro documento internacional a trazer a frase “Nada Sobre Pessoas com Deficiência, Sem as Pessoas com Deficiência”, numa versão mais explícita do lema “Nada Sobre Nós, Sem Nós”. Este documento internacional foi aprovado por mais de 600 pessoas reunidas no Congresso Europeu sobre Deficiência, em Madri. Nele se destacam dois trechos:“Todas as ações devem ser implementadas mediante diálogo e cooperação com as relevantes organizações representativas de pessoas com deficiência. Tal participação não deve estar limitada a receber informações ou endossar decisões. Mais do que isso, em todos os níveis de tomada de decisões, os governos precisam estabelecer ou fortalecer mecanismos regulares para consulta e diálogo que possibilitem às pessoas com deficiência através de suas organizações contribuir para o planejamento, implementação, monitoramento e avaliação de todas as ações”. “A mídia deve criar e fortalecer parcerias com as organizações de pessoas com deficiência a fim de melhorar a descrição de pessoas com deficiência nos meios de comunicação de massa”. (Declaração de Madri, 23/3/02)

2002: Na Declaração de Sapporo (18/10/2002), a Disabled Peoples’ International (Organização Mundial de Pessoas com Deficiência) assim se expressa:“Nós somos os peritos sobre nossa situação e devemos ser consultados em todos os níveis, sobre todas as iniciativas pertinentes a nós”.

2002:A Declaração de Caracas (18/10/02) estabelece que:“É imprescindível uma cooperação mais ampla entre os organismos governamentais que atendem à problemática da deficiência e os movimentos associativos de pessoas com deficiência e suas famílias, para um fortalecimento efetivo da sociedade civil que garanta uma participação direta dos beneficiários na elaboração das políticas e dos serviços a eles destinados”.

2003:Os mais de 400 participantes procedentes de vários países europeus, reunidos no Primeiro Congresso Europeu sobre Vida Independente, realizado em Tenerife no contexto do Ano Europeu das Pessoas com Deficiência (2003), aprovaram a Declaração de Tenerife, que diz:
 “As pessoas com deficiência precisam ser vistas como peritas sobre sua vida. Como peritas, nós temos o direito e a responsabilidade de falar por nós mesmos”.

2003:A ativista April D’Aubin é a autora do texto “Nothing About Us Without Us: The Struggle for the Recognition of a Human Rights Approach to Disability Issues” (Nada sobre nós, sem nós: a luta pelo reconhecimento da abordagem de direitos humanos aos assuntos de deficiência). O texto constitui o capítulo 4 do livro “In Pursuit of Equal Participation: Canada and Disability at Home and Abroad”,cujos editores são os militantes Henry Enns e Aldred H. Neufeldt (Campus Press, 416 págs., 2003).

2003:A ativista Marta Russel publicou em 2003 o seu livro “Nothing About Us Without Us: Human Rights and Disability” (Nada sobre nós, sem nós: direitos humanos e deficiência). Trechos deste livro: “A cidadania pode ser vista como a realização de certos direitos Quando os estados são considerados responsáveis pelo tratamento dado a seus cidadãos, muito pode ser conquistado. A ONU tem um papel no estabelecimento de padrões mundiais, mas as pessoas com deficiência também têm esse papel”. (…) “A participação em grupos sociais e políticos é limitada ou negada às pessoas com deficiência”. (…) “As deficiências continuam sendo vistas como anormalidades e as pessoas que as têm se tornam objetos desvalorizados dos serviços médicos e sociais”. (…) “Tradicionalmente, os direitos humanos têm sido aplicados à pessoa com deficiência enquanto objeto de prevenção e reabilitação, e não como um sujeito considerado plenamente humano e com amplos direitos de cidadania”. “Para corrigir esta situação, as pessoas com deficiência se reuniram internacionalmente na década de 80 e começaram a exigir o reconhecimento de seus direitos. Foi então que o lema ‘Nada Sobre Nós, Sem Nós’ se tornou a bandeira para se construir o poder político necessário às mudanças nas instituições a fim de incluir as pessoas com deficiência como seres humanos plenos e desconstruir as sociedades incapacitantes”. “Este deve ser o século em que a dignidade das pessoas com dignidade das pessoas com deficiência será atendida através dos direitos humanos”.

2004: O então Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, por ocasião do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, no dia 3 de dezembro de 2004, assim se posicionou: “Por muitos anos, as pessoas com deficiência foram vistas como ‘objetos’de políticas de bem-estar social. Hoje, como resultado de uma dramática mudança de perspectiva que ocorreu nas duas últimas décadas, as pessoas com deficiência começaram a ser vistas como pessoas que precisam desfrutar o espectro completo de direitos civis, políticos, sociais, culturais e econômicos. O lema do movimento internacional de pessoas com deficiência,‘Nada Sobre Nós, Sem Nós’,resume essa mudança.”

2004:Num pronunciamento sobre o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, cujo tema em 2004 foi ‘Nada Sobre Nós, Sem Nós’, a Organização Internacional do Trabalho reconheceu que ‘Nada Sobre Nós, Sem Nós’ se tornou o grito incitante de ações conjuntas para pessoas com deficiência e suas organizações em todo o mundo.

2004:Através da Nota de Imprensa n. 5.907, a ONU divulgou que no dia 3 de dezembro de 2004, comemorando o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, foram exibidos três filmes documentários, dirigidos por Victor Pineda: “In Cuba Disabled”(vida de pessoas com deficiência em países em desenvolvimento), “Broken Balkans” (pessoas com deficiência na ex-Iugoslávia) e “A World Enabled” (histórias e testemunhos de delegados que estavam elaborando a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência). Com o primeiro filme, Pineda recebeu o Prêmio Meritório da Superfest 2003 (Festival Internacional de Mídia sobre Deficiência).

Símbolo do Ano Internacional das Pessoas Deficientes, da Década das Pessoas com Deficiência e do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. Para Johan Schölvinck, diretor da Divisão de Política Social e Desenvolvimento, “A observância deste Dia constitui uma oportunidade para promover mudanças nas atitudes face às pessoas com deficiência e eliminar barreiras à sua participação em todos os aspectos da vida. O envolvimento de pessoas com deficiência na elaboração da Convenção sobre seus direitos é um excelente exemplo como o princípio da participação plena pode ser colocado em prática. O lema ‘Nada Sobre Nós, Sem Nós’ reflete muito precisamente a atitude mundial de que as pessoas com deficiência querem ser adotadas em todos os níveis da sociedade. Pessoas com deficiência precisam ser envolvidas no planejamento de estratégias e políticas que afetarão sua vida”.

2004: A publicação digital UN Chronicle, editada pela ONU, vol. 41, n. 4, de 1° de dezembro de 2004, traz um longo artigo intitulado “Nothing About Us Without Us: Recognizing the Rights of People with Disabilities” (Nada sobre nós, sem nós: reconhecendo os direitos das pessoas com deficiência). Um de seus trechos:“Considerando que as deficiências são causadas, com frequência, por atividades humanas ou por falta de cuidados, é necessária a assistência de toda a comunidade internacional para pôr um fim a esta‘emergência silenciosa’. O reconhecimento tem sido lento, mas ele está ocorrendo firmemente em todas as partes do mundo. O crescimento do movimento internacional de pessoas com deficiência, com o seu lema ‘Nada Sobre Nós, Sem Nós’, resume esta mudança fundamental em perspectiva face ao princípio da participação e da inserção de pessoas com deficiência em todos os aspectos da vida política, social, econômica e cultural. Em comemoração ao Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, observada a cada ano no dia 3 de dezembro, o Secretário-Geral Kofi Annan salientou que ‘nenhuma sociedade pode alegar estar baseada em justiça e igualdade se as pessoas com deficiência não estiverem tomando decisões como membros habilitados.”

2005:Como parte da resposta (dada em 31/3/05) à nova estrutura do Conselho da Austrália, a Arts Access Australia (AAA) incentivou aquele conselho a fazer uma sólida avaliação e revisão do apoio às artes e à deficiência com vistas ao desenvolvimento de futures estratégias. Foi exigido que o segmento das pessoas com deficiência, cujo lema é“Nada Sobre Nós, Sem Nós”,fosse consultado para discutir sobre os desafios que a AAA e o Conselho da Austrália enfrentam. Aqueles que trabalham com a temática “artes e deficiência”não se sentem incluídos, mas o segmento das pessoas com deficiência oferece e continuará a oferecer sua perícia para o desenvolvimento de recursos destinados ao setor artístico e cultural.

2005:Em 2005, foi publicado livro “Nothing About Us Without Us: Greater, meaningful involvement of people who use illegal drugs– a public health, ethical, and human rights imperative” (Nada sobre nós, sem nós: maior e significativo envolvimento de pessoas que usam drogas ilegais– um imperativo de saúde pública, ético e de direitos humanos). Autor: CanadianHIV/AIDS Legal Network (Rede Legal Canadense sobre HIV/Aids).

2006: Em janeiro de 2006, jovens com deficiência da Grã-Bretanha, Bangladesh e China, representando a Save the Children, foram à ONU em Nova York numa tentativa final de evitar que 150 a 200 milhões de crianças com deficiência fossem esquecidos na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. O grupo criou uma logomarca, que diz: “Fazendo lobby na ONU. Inclusão de 360 graus. Nada sobre nós, sem nós”Jasmine Whitbread, diretora-chefe da Save the Children, disse:“O estigma associado às crianças com deficiência significa que, em muitos países, elas sequer são registradas ao nascer, elas se tornam invisíveis e são abandonadas, enquanto outras são encaminhadas a instituições, e lá são negligenciadas ou escondidas”.

2006: A ativista Claudine Sherrill escreveu o artigo “Nothing About Us Without Us: An Issue of Inclusion?” (Nada sobre nós, sem nós: Uma questão de inclusão?”, na revista Palaestra, em 1/1/06, vol. 22, n.1, p.55. Diz a autora: “O lema ‘Nada Sobre Nós, Sem Nós’, embora aplicável a qualquer grupo minoritário cuja representação seja negada nas decisões que afetam sua vida, evoluiu com o mote oficial da Disabled Peoples’ International (DPI)”, fundada em 1981 (e-mail: info@dpi.org). O ano de 1981 foi um marco especialmente importante na luta mundial das pessoas com deficiência por direitos e oportunidades iguais e foi denominado pela ONU como o Ano Internacional das Pessoas Deficientes”. A DPI é conhecida no Brasil como Organização Mundial de Pessoas com Deficiência (OMPD).

2006:No Preâmbulo da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (adotada em 13/12/06), os Estados Partes consideram “que as pessoas com deficiência devem ter a oportunidade de participar ativamente das decisões relativas a programas e políticas, inclusive aos que lhe dizem respeito diretamente”. Alexandre Carvalho Baroni e Regina Atalla, ao divulgarem ainda em Nova York (onde estavam) a histórica adoção da Convenção pela Assembleia Geral da ONU, acrescentaram o lema “Nada Sobre Nós, Sem Nós” no final da mensagem que enviaram à lista cvibrasil@yahoo.com.br.

2007:Aconteceu em Campinas/SP o I Encontro Municipal “Nada Sobre Nós, Sem Nós”, em 3 e 4/5/07. Diz a reportage do Infoativo DefNet, publicada na revista Sentidos: “As pessoas com deficiência vêm deixando de ocupar um lugar secundário nas discusses que lhe dizem respeito. Esse processo, sintetizado no lema NADA SOBRE NÓS, SEM NÓS, tem sido disseminado pelo movimento internacional de vida independente. Partindo dessa perspectiva e da constatação de que há ainda uma carência significativa de informações por parte das próprias pessoas com deficiência, surge o I ENCONTRO MUNICIPAL ‘NADA SOBRE NÓS, SEM NÓS’, com o objetivo de socializar informações relacionadas ao Estatuto da Pessoa com Deficiência, ao Conselho Municipal de Direitos, ao papel dos órgãos públicos e movimentos sociais que atuam nessa area, tendo como principal abordagem o acesso das pessoas com deficiência ao mercado de trabalho”. O I Encontro Municipal ‘Nada Sobre Nós, Sem Nós’ foi uma promoção conjunta entre o Núcleo Pró-Igualdade de Campinas, a Subdelegacia do Trabalho em Campinas, do Ministério do Trabalho e Emprego, e o Centro de Vida Independente de Campinas (http://sentidos.uol.com.br/canais/materia.asp?codpag=12099&canal=mercado).

2007:O Fundo Social Europeu divulgou, em 10/7/07, a seguinte notícia: “Nada Sobre Nós, Sem Nós. No projeto Sensi Pool, foi constituída uma equipe editorial composta por pessoas com deficiência. Isto permite que os concluintes de curso superior de jornalismo inclusivo coloquem em prática suas habilidades de redação. A Sensi Pool coopera com a Rádio Austríaca. Na série radiofônica ‘Sem Barreiras: Novos Caminhos para Pessoas com Deficiência’, a equipe da Sensi Pool, na condição de provedora de conteúdos, dá suporte técnico através de pesquisa e material preparatório para os programas de rádio. Em conformidade com o lema ‘Nada Sobre Nós, Sem Nós’, a equipe elaborou temas e conceitos, assim contribuindo enormemente para o sucesso da série. Cada integrante introduziu nos programas a perspectiva vista pelas pessoas com deficiência”. (http://www.esf.at/html-englisch/projekte/projekte_behinderte.html)

2007: O papel timbrado do Centro de Vida Independente de Campinas [Campinas/SP] traz a sua logomarca e o lema “Nada Sobre Nós, Sem Nós”, além de endereço e contatos, como segue: Nada Sobre Nós Sem Nós! Centro de Vida Independente de Campinas – Rua Santo Antonio, 405 – Cambuí – CEP 13024-440, Telefone: 3253-7346 (14h00 às 17h30), Site: http://www.cvicampinas.com.br, e-mail: cvicampinas@cvicampinas.com.br

2007: Foi colocado, no site http://www.disabilityconsultants.org.au/, o banco de dados“Disability Consultants – Nothing About Us Without Us” (Consultores sobre Deficiência – Nada Sobre Nós Sem Nós). Sua responsabilidade é do grupo australiano Disability In-Service Training and Support Service Inc (DISTSS), cujo papel é o de realçar a vida e a participação laboral de pessoas com deficiência. O banco de dados traz uma lista de pessoas com deficiência que têm experiência e perícia em consultoria, treinamento profissional, provisão de informações, desenvolvimento de políticas, conscientização, palestrantes especializados, depoimentos pessoais, liderança etc. Contatos: DISTSS Inc. Postal: Level 1, Suite 1107 530 Little Collins Street Melbourne VIC 3000, E-mail: distss@distss.org.au, telefone: 8686-5621.

2007: Em Petrolina/PE, diversos órgãos públicos e entidades da sociedade civil, sob liderança do ativista Hélio de Araújo, uniram esforços para organizar e realizar a Semana Estadual da Pessoa com Deficiência. Destacou-se, no dia 22 de agosto, o seminário “Nada Sobre Nós, Sem Nós”, cuja programação continha, pela manhã, duas palestras (a cargo do procurador do trabalho, Dr. Leonardo, e da representante do INSS, Marconiete Ferreira) e debates propiciados por dezenas de perguntas aos palestrantes. À tarde, houve apresentações artísticas do grupo musical da Apae, do coral do Centro de Apoio Pedagógico II, de Alcina Gonçalves e do grupo musical Flor de Macambira. Detalhes e outras fotos no site: http://veredas1.blog.terra.com.br/?&page=1.

2007: O ativista de direitos das pessoas com deficiência Marco Antonio Ferreira Pellegrini, do Centro de Vida Independente Araci Nallin, leu a Parte 1 do artigo “Nada sobre nós, sem nós: da integração à inclusão– Parte 1” (Revista Nacional de Reabilitação, ano X, n.57, jul./ago.2007, p.8-16) e, ato contínuo, enviou a seguinte mensagem por e-mail: “Gostei muito do artigo. Eu desconhecia esta proximidade histórica do movimento negro com o de pessoas com deficiência. No entanto, há muito tenho a convicção de que o forte envolvimento da minha família com a militância negra em São Paulo foi um fator de peso na minha inclusão. Estive, desde muito jovem, envolvido com o tema. Estudar em escolas tradicionais onde éramos uma meia dúzia de negros entre centenas de alunos e docentes brancos e, posteriormente, trabalhar em grandes empresas (Nec, Dixtal, Philips e Metrô) ocupando posições de visibilidade, me colocaram diante do racismo, do preconceito e da discriminação. Em nossa sociedade preconceituosa, ser negro é ter uma deficiência que leva a uma Incapacidade que resulta em uma desvantagem. Lidei com isto de todas as formas, na diplomacia e na porrada, na persuasão e no terrorismo, na esportiva e na política. No ano passado, proferi uma palestra na Faculdade Zumbi dos Palmares. Apresentei o filme “Aristocrata Clube”, que é uma boa síntese da questão do negro e, intuitivamente, tracei um paralelo com o movimento das pessoas com deficiência. Foi muito bom: os alunos se identificaram fortemente. Enfim, me empolguei com este artigo. Parabéns e abraços. Marco Antonio Pellegrini, 7/8/07”.

Referências bibliográficas das Partes 1 e 2
Comunicações pessoais recebidas por e-mails e material circulado nas seguintes listas acessadas nos meses de maio a setembro de 2007:
 – cvibrasil@yahoogrupos.com.br,
 – convencaoonu@yahoogrupos.com.br,
 – forumagenda@listas.saci.org.br,
 – estatutodapessoacomdeficiencia@yahoogrupos.com.br,
 – discapacidadyderechoshumanos@gruposyahoo.com
Declarações e convenções da ONU e de outras organizações internacionais -arquivadas no acervo pessoal.
 SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão de pessoas com deficiência em 2002: Reflexões para 2003. Revista Nacional de Reabilitação, ano V, n.29, nov./dez.2002, p.4-6.
 SASSAKI, Romeu Kazumi. Consulta às organizações de pessoas com deficiência. São Paulo, 2002.
 SASSAKI, Romeu Kazumi. A não-discriminação e a ação afirmativa resultam em inclusão social. Revista Nacional de Reabilitação, ano V, n.26, maio/jun.2002, p.5-7.
 ___. Ed Roberts, um dos maiores precursores da inclusão de pessoas com deficiência. Revista Nacional de Reabilitação, n.21, ano IV, jul./ago.2001, p.6-7.
 Sites do Google e Wikipedia – acessados nos meses de junho a setembro de 2007.

Romeu Kazumi Sassaki: Consultor e autor de livros de inclusão social. E-mail: romeukf@uol.com.br

## Disponível: http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=2072
http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=2073
## recebi da M.Gil – e-mail.

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Um “Retrato” do grupo PDE para o Prof. Paulo Ross

-> Seria de mau grado/ofensa entregar uma foto à pessoa cega, isso se …

 Conheci um grupo do PDE da UFPR maravilhoso e muito engajado na área de Educação Especial.
 Este grupo é formado por profissionais como pedagogos, psicólogos, terapeutas e outros que atuam nas escolas e instituições atendendo os alunos com deficiência (PcD). Sendo assim, eu me encontrava na sala que estavam reunidos os professores especialistas em DA, DV, DF, DI, TDAH, …
Assisti algumas aulas de estudos teóricos e palestras promovidas no curso por alguns profissionais convidados. Foi muito proveitoso e construtivo, pois havia muita troca de informações e envolvia certa sinergia na sala que os discursos abertos fluíam nos diversos temas abordados, onde os participantes contaram as suas expectativas e experiências de suas atividades. Foram discutidas questões de materiais de apoio, comportamento, aprendizagem, acessibilidade, políticas educacionais, esportes de paraatleta, artes e vários assuntos relacionados à PcD.
 No entanto, o que me surpreendeu foi na aula prática com relação ao tema “A Interdisciplinaridade para elaboração de projetos inclusivos”, onde resultou um retrato inclusivo do grupo como lembrança para o prof. Paulo Ross, o coordenador do curso. Na verdade, no dia anterior, os participantes do grupo estavam perguntando sobre o que dar/fazer de lembrança ao professor, até que se juntou o útil e agradável, surgindo a ideia de fazer um retrato do grupo. Desta forma, explano um pouco sobre a interdisciplinaridade no projeto, o método e a aplicação que constituiu o objeto “retrato” para PcD visual total, o qual, entre sorrisos e emoção, gerou um trabalho de equipe muito unida e cheia de competência.Retrato Pross-PDE UFPR

Interdisciplinaridade no Projeto Inclusivo:
 A elaboração de um projeto é uma atividade orientada para o atendimento da necessidade humana, principalmente daquelas que podem ser satisfeitas por fatores tecnológicos de nossa cultura, abarcando-se os fatores técnicos, humanos, econômicos, sociais e políticos (Back, 1983). Tratando-se de Projeto inclusivo (Okumura,2010), isto concerne em atender a maioria do usuário, ou seja, compreendem nas relações entre o usuário e o projeto os níveis a seguir:

  • Indivíduo: de atender as necessidades fisiológicas (antropométricas e sensoriais), a melhor forma de utilizar, de fácil aprendizado, eficiência no uso (usabilidade/desenho universal);
  • No grupo: proporcionar uma boa comunicação e ação entre os integrantes;
  • Na organização/comunidade: abranger os objetivos sociais e culturais; leva-se em conta as questões de riscos e segurança;
  • No planeta/sustentabilidade: elaborar um projeto que não agrida o meio ambiente, de fácil reciclagem, com comprometimento no âmbito social, econômico e ambiental (Okumura,2010)

Prática: Elaboração do Túnel do Tempo e Retrato Inclusivo

  • Na fase de planejamento (Iida, 2005) decidiu-se a elaboração do retrato, onde foram levantadas as características do usuário e suas habilidades. Assim, foram relacionados os predicados do prof. Paulo quanto a sua pessoa, na atuação profissional, tipos de ferramenta que ele usa como apoio, etc. Para isso foi aplicado o “Brainstorming”, onde o grupo fez chover as ideias.
  • No Projeto Informacional foi aplicado a “análise de funções do produto”, cuja fase foi abordada as funções e os conceitos do retrato quanto o significado do retrato, o que o retrato faz/traz quando é visto pela pessoa, o que representa, porque as pessoas gostam de tirar fotos, etc. Neste aspecto, foi visto também como o prof. Paulo poderia recepcionar/sentir as funções que o retrato oferece com autonomia, ou seja, sem a necessidade de transcrever o retrato para ele. Com isso, gerou-se o suporte para o projeto conceitual.
  • Para iniciar o Projeto Conceitual foram colocadas as seguintes perguntas ao grupo (Canciglieri Junior, 2010): “qual é a imagem ou mensagem que você gostaria de transmitir?”, “como você gostaria de ser lembrado (a) no retrato do grupo?”, “qual o fato marcante que faria o Prof. Paulo lembrar de você?” e assim por diante. Desta vez, as ideias foram expressas em frases com nomes dos autores e relacionadas no quadro, onde gerou o “túnel do tempo” do grupo, perfazendo as lembranças da época e do local de forma flash. Este momento, também havia de certa forma, provocado e estimulado o interior de cada participante, motivando-os em seguida para elaboração da fala  individual.
  • Na fase do Projeto Detalhe foram finalizadas as especificações e escolhidos os programas de software e o equipamento de gravação.

Produção:

  • Cada pessoa do grupo elaborou suas falas que foram gravadas no micro ou no aparelho celular;
  • Os programas software utilizados foram: NVDA para fazer a introdução e o túnel do tempo, e o Audacity para recortar, normalizar o som e ajuntar as gravações. Ambos, os programas, são gratuitos e estão disponíveis no servidor da universidade.
  • Foram escolhidas três músicas para o fundo e fotos do Prof.Paulo e do grupo.
  • A montagem foi através do programa Office Power Point da Microsoft e gravado no formato de vídeo.

O resultado ficou, além de uma simples lembrança, cheio de emoção e muita VIDA. No entanto, coloca-se a relevância que só foi possível realizar este trabalho pela integração, cooperação e atuação maravilhosa dos professores e professoras que mostraram o domínio do conhecimento e experiência na área de educação especial.
  ** Parabéns à todos e obrigada por me proporcionar momentos agradáveis e poder participar desta experiência inclusiva!!!
** Obrigada Prof. Paulo, seu comentário de incentivo ao grupo participante neste post, também complementa e completa este espaço: https://lumiy.wordpress.com/2011/07/15/um-retrato-inclusivo/#comments
*** A lembrança foi entregue ao Prof. Paulo gravado no pendrive e está disponível no site: http://www.youtube.com/watch?v=2sC1ivUWTyg

Referências:
Back, N. Metodologia de Projeto de Produtos Industriais. RJ:Guanabara Dois,1983.
Canciglieri Junior, O. Aula de Orientação – Puc-PR/PPGEPS. Curitiba, 2009~2011.
Iida, H. Ergonomia – Projeto e Produção. SP:Edgard Blücher, 2005.
Okumura, M.L.M. A Engenharia Simultânea aplicada ao processo de desenvolvimento de produtos especiais. Curitiba: Puc-PR/PPGEPS, 2010/2011.
Okumura, M.L.M. The Environment Social and Economical Sustainability to support the process product development:case stydy of visually impairdes. Curitiba: Puc-PR/PPGEPS, 2010/2011.

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Percepção pelo Tato

     Estes últimos meses, estou revisando a literatura na área de ergonomia dos produtos para sustentar o estudo de tecnologias, inclusive a “assistiva” que tem o princípio de dar apoio às pessoas com alguma limitação para executar alguma tarefa. Dentre as leituras, encontrei sobre a percepção humana e a revista RBTV, em especial o artigo acerca de desenho em relêvo para pessoas com deficiência visual (DV) e as barreiras atitudinais, que por sua vez, lembrei do pósfacio do livro de teatro do prof. Jupiassu. Assim, divido com vocês, tópicos que concernem a importância do tato para a pessoa com deficiência visual firmar um conceito, ou formar uma concepção de imagem no seu interior, de forma mais próxima do real. Na sequência explano sobre a barreira atitudinal e percepção humana. Ao final, deixo o trecho do comentário da peça “Coroa de Tebas”, onde uma jovem cega foi integrante na encenação do teatro.
Conquanto, a boa proposta da educação inclusiva, insisto na necessidade de estimular as habilidades táteis desde a infância para crianças com cegueira congênita, ou seja, coloca-se o alerta de quão é importante a pessoa DV congênita começar a explorar os materiais diversificados desde educação infantil (madeira, plástico, metal, tecido, linha, água …). Não basta a educação básica ficar na teoria levando os conceitos somente pelas palavras faladas, ou anotadas em Braille ou por meio digital. É preciso ter práticas de contato físico nos materiais de física, química, matemática …, na natureza, na arte etc, por meio de tato, olfato, paladar, audição …., buscando a multidisciplinaridade que inicie na educação infantil, e estenda até a graduação.
Complemento com o argumento do prof. Francisco Lima faz no seu artigo que “reside no fato de os cegos congênitos totais não estarem acostumados com as convenções da linguagem pictórica, e não porque o sistema háptico seja incapaz de reconhecer desenhos em relevo”. A este fato, ao jovem que teve um aprendizado integrado com contato ao meio ambiente, poderá ter uma compreensão maior do mundo que está a sua volta e também, muitas das barreiras atitudinais estarão eliminadas.

O que são barreiras? No paradigma da inclusão encontram-se barreiras de discriminação, arquitetônicas, atitudinais e outras. Assim, coloco a abordagem da barreira atitudinal, por Francisco Lima, para pessoa com deficiência, onde é definido e distinguido taxonomicamente como:
1. Barreira Atitudinal de Baixa Expectativa: A barreira atitudinal de baixa expectativa é o juízo antecipado e sem fundamento (conhecimento ou experiência) de que a pessoa com deficiência é incapaz de fazer algo, de atingir uma meta etc;
2. Barreira Atitudinal de Inferiorização: A barreira atitudinal de inferiorização é uma atitude constituída por meio da comparação pejorativa que se faz do resultado das ações das pessoas com deficiência em relação a outros indivíduos sem deficiência, sob a justificativa de que o que foi alcançado pelos primeiros é inferior, exclusivamente em razão da deficiência;
3. Barreira Atitudinal de Menos Valia: A barreira atitudinal de menos valia consiste na avaliação depreciativa das potencialidades, ações e produções das pessoas com deficiência. Esta avaliação é incitada pela crença de que a pessoa com deficiência é incapaz ou que o que conseguiu alcançar, o que produziu tem menos valor do que efetivamente lhe é devido.

Quanto a percepção humana, de acordo com Cybis et al.,  é delimitada por um conjunto de estruturas e tratamentos cognitivos pelos quais organizam e dão significado às sensações produzidas por seu órgãos perceptivos a partir dos eventos que lhes estimulam, os quais podem ser classificados em 3 processos distintos:
1. Processos neurofisiológicos ou de detecção: têm por objetivo reagir à existência de um estímulo que gere uma sensação;
2. Processos perceptivos ou de discriminação: visam organizar e classificar as sensações, de forma que só é possível se houver detecção anterior ou exista classificação memorizada;
3. Processos cognitivos ou de interpretação: visam dar significado às informações. Esta função só é possível se existirem conhecimentos e se houver informação sobre as condições de contexto no qual a percepção é realizada.
Portanto, os processos perceptivos se especializam nos diferentes sistemas autônomos que formam a percepção humana, os quais envolvem os sistemas visual e auditivo, incluindo a percepção da fala.

Para reflexão, deixo aqui o trecho do livro do Prof. Jupiassu, referente uma peça de teatro, onde, no final do livro, encontra-se este comentário sobre a atriz cega, integrante da peça de teatro:
“Entre os objetos de cena, havia um arco e flecha (adereço do ator que representava o deus Apolo). Na ocasião da apresentação daquele objetos ao grupo, Joselita nos revelou jamais ter tocado em um arco e flecha, embora já tivesse ouvido falar dele. Sua expressão facial foi de total encantamento ao poder “vê-lo” com as mãos e de, pela primeira vez, tocá-lo, aprendendo como aquele instrumento poderia ser usado para atingir um alvo distante do atirador. […] Embora Joselita demonstrasse ser letrada em Braille, podendo ler e escrever fluentemente – o que sugeria uma competente intervenção pedagógica, ela revelava uma experiência sensorial muito limitada, desconhecendo objetos simples, encontrados no cotidiano.”

Nexte contexto, ao final, eu, Lumiy, deixo um ponto relevante para a Teoria de Conhecimento, cuja essência, verifica-se que a percepção humana é gerada pela experiência que passa por processo cognitivo para captar o conhecimento da experiência, que por sua vez, é complexo para expressar, pois é tácito e físico para o indivíduo, e subjetivo entre as pessoas. Ou seja, a zona proximal (Vigotski ¹) é alcançada diferentemente, conforme o indivíduo, mediação utilizada e o mediador (Okumura, M.L.M.). (Apronfundarei nos próximos posts acerca da Teoria de Conhecimento).

Referência:
JUPIASSU, Ricardo. “Coroa de Tebas”.Campinas, SP: Papirus,  2002.
LIMA, Francisco. “Breve revisão no campo de pesquisa sobre a capacidade de a pessoa com deficiência visual reconhecer desenhos hapticamente”. Revista Brasileira de Tradução Visual, Vol. 6, No 6 (2011). Disponível:http://www.rbtv.associadosdainclusao.com.br/index.php/principal/article/view/82
CYBIS, W.;BETIOL, A.; FAUST, R. “Fundamentos da Psicologia Cognitiva” -apêndice. In: Ergonomia e Usabilidade. SP:Novatec,2007.

(¹) – encontrado o nome do autor, “Выготский“, escrito: “Vygostsky”, “Vigotsky”, “Vygotski ” e ”Vigotski”; padronizado para este texto “Vigotski”, conforme argumento do Prof.Achilles Delari Jr.

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Formação de Professores para Escola Inclusiva

 Antes do texto principal, quero introduzir as razões que motivaram para postar este tema, além de estar diretamente relacionado aos alunos especiais.  Este é o primeiro post de 2011, e comecei o ano mergulhada nas leituras e também assisti a apresentação de “Ressurreiçao” – “Im tempo des scherzos” de Gustav Mahler pela Orquestra da Oficina de Música de Curitiba, a qual fez relembrar a história de Mahler que envolve discriminação, segregação e fuga, sendo assim, convido-o também para uma reflexão …. Entre as minhas leituras obrigatórias, escolhi explorar o termo “Sustentabilidade”, onde encontrei a integração de muitas áreas e o envolvimento de autoridades governamentais, comunidades, instituições e de outros que buscam e defendem as idéias e pensamentos para o desenvolvimento social, econômico e ambiental do planeta, de forma que supram as necessidades atuais sem reduzir as oportunidades das gerações futuras. Aprofundando um pouco mais, deparei com o termo “inclusão” abordando as situações sociais e culturais para uma sociedade mais justa e igualmente citado na parte de Responsabilidade Social no ODM – Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Neste contexto, surgiram questionamentos de acessibilidade, inclusive a preparação de profissionais para assistir as pessoas com necessidades especiais, e dentre as relações de profissões, estava a do professor. Prosseguindo a velejar nas leituras, na parte de ecologia, encontrei o artigo de Capra (sou fã), referente o Centro para alfabetização ecológica, em Berkely – California, que comenta a relevância do contato com a natureza na educação da criança, e consequentemente a aquisição do senso do lugar que ela vive – o ecossistema. Com certeza, estas palavras cabem também às pessoas excluídas da sociedade, estendendo às “crianças e jovens com necessidades educativas especiais que devem ter acesso às escolas regulares, que a elas devem adequar através duma  pedagogia centrada na criança, capaz de ir ao encontro destas necessidades” (UNESCO/SALAMANCA).  Neste ínterim, por coincidência do acaso, recebi esta semana, uma mensagem contendo o texto a “Formação de Professores para Escola Inclusiva” –  extraído do livro “Escolas para todos” do Ministério da Educação, com dados da UNESCO, coletados em inglês pela Organização Internacional Save the Children.  Assim, resolvi postar  parte desta mensagem, talvez seja um texto meio antigo, entretanto concerne ao desenvolvimento de aprendizado e educadores, e conquanto  é interessante, pois segundo a M.Gil, além dos professores, todos nós temos um pouco de educador.    

♥ ❁♥  Fritjof Capra: ”  (…) Revendo os componentes principais da pedagogia que desenvolvemos (principios da ecologia), procurarei cobrir o maio número de aspectos possíveis, mas quero frisar que as palavras são capazes de transmitir apenas uma pequena parte da história. A verdadeira mensagem está nos rostos das crianças, em seus sorrisos, suas histórias, seus desenhos, suas poesias ”  ♥ ❁♥

Formação de professores:

Os professores precisam de formação sobre os princípios do ensino inclusivo e sobre os princípios básicos ligados à deficiência, para garantirem que as suas atitudes e abordagens não impedem as crianças com deficiência de ter um acesso igual ao currículo. A formação deve ser contínua, fornecida através de pequenos cursos (ou módulos) e deve ter lugar num ambiente escolar, preferivelmente nas suas próprias escolas. A formação deve ter lugar em etapas de pré-serviço e de serviço. A formação no local, com resolução de problemas, é mais eficaz do que a formação teórica de pré-serviço. Na realidade, incentivar os professores a reunirem-se regularmente para discutir problemas e desenvolver confiança nas suas próprias habilidades é,segundo alguns, a forma mais eficaz de desenvolvimento dos quadros.

Responsabilidades dos professores:

Os professores têm que entender, e aceitar, que é sua responsabilidade ensinar todas as crianças, uma vez que todas as crianças têm direito ao ensino.

Motivar os professores para aceitar esta responsabilidade pode ser a chave para o sucesso.

– Uma vez motivados, terão necessidade de apoio prático periódico e feedback construtivo.

Os sistemas de prêmios podem ser úteis para manter o empenho dos professores que demonstram competências adicionais, mas devem ser aplicados através de sistemas existentes de promoção e classificação. Ser reconhecido como um professor criativo, e ver as crianças com deficiência conseguirem resultados será, por si só, um prêmio para um professor. Proporcionar pagamentos adicionais por ensinar alunos com deficiências pode causar divisões.

Metodologias de ensino:

Os professores só com experiência de ensino e métodos de aprendizagem de rotina irão provavelmente ter dificuldade em adaptar o seu estilo a outro que promova métodos ativos centrados na criança. As mudanças nos métodos de ensino poderiam incluir um novo arranjo da classe, para que as crianças possam trabalhar em pequenos grupos; encorajar um sistema de “amigos”, onde as crianças mais velhas e com maiores capacidades acadêmicas são designadas para trabalhar com as que têm dificuldades de aprendizagem; introduzir materiais disponíveis localmente para as atividades de jogos, ou ensinar matemática ou novo vocabulário. Os professores precisam de oportunidades para experimentar novos métodos, partilhar idéias, e observar outros professores a utilizar métodos diferentes.

Acesso à informação:

Os professores precisam de acesso à informação fácil de ler sobre documentação internacional, e como implementar práticas mais inclusivas. Ler sobre a experiência de outros professores, trabalhando em conceitos semelhantes, ajuda os professores a refletir sobre sua própria experiência e a ganhar confiança para experimentar novas idéias.

# Grifo e sub-dividisão por Lumiy

Este texto, faz parte de um maior, digitado em São Paulo por Maria Amélia Vampré Xavier da Rede de Informações da COE / Secretaria da Assistência e Desenvolvimento Social do Governo de São Paulo e as entidades Carpe Diem, Sorri Brasil e Rebraf em São Paulo, Fenapaes, Brasília (Diretoria para Assuntos Internacionais), Inclusion InterAmericana e Inclusion International em 30 de agosto, 2006.

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Aula de Física para aluna cega

  A aula de Física para aluno com deficiência visual é semelhante  a aula de Química que postei anteriormente, porém, na maioria das vezes, as partes teóricas e os exercícios são ilustrados com figuras e tabelas, cujo material não se consegue o total entendimento se somente transcrito para o Braille. Conto um fato, como exemplo prático, que foi parte de uma aula de apoio de Física da TH, aluna cega, que cursa o 1º ano do Ensino Médio público e  tem aula de apoio na Escola Especial no contraturno da escola regular. TH têm 16 anos e perdeu a visão por complicações decorrentes do nascimento prematuro de 5 meses. Ela lê e escreve bem o Braille e utiliza um gravador pequeno para anotar a aula e depois é passado a limpo no seu caderno. Mas, antes de iniciar o assunto, quero decorrer na citação de Vigotski¹ acerca do aprendizado para refletir e direcionar o meu propósito neste espaço:

“A própria essência do desenvolvimento cultural consiste no choque das formas de condutas culturais desenvolvidas no meio social com as formas primitivas da própria criança.” (VIGOTSKI, L.S.)

   Parafraseando, Vigotski enfatiza o desenvolvimento psicológico, o qual é conquistado durante as realizações de experiências e participações em atividades compartilhadas com os demais dentro de uma determinada cultura que são internalizadas por meio do uso de mediações, por isso, no desenvolvimento do ser humano, a aprendizagem faz parte do processo das funções psicológicas superiores, onde envolvem-se a percepção, seguido de atenção, imaginação, pensamentos e memorização, que são funções que se desenvolvem as principais práticas escolares. Sendo assim, complementa-se que:

 “Quanto mais ricas são as experiências humanas, tanto maior será o material de que dispõe essa imaginação.” (VIGOTSKI, L.S.)

      A aula de apoio ao aluno com deficiência visual complementa ou auxilia a aula que ele freqüenta no ensino regular. Esta complementação abrange a transcrição do texto a tinta para o Braille ou vice-versa, auxílio nos exercícios, descrição das imagens e outros. 
     Na disciplina de Física do ensino médio, normalmente apresenta-se tabelas, figuras e quadros que têm necessidade de descrever ou planificar o conteúdo, de forma que possa anotar com uso da reglete para escrever em Braille. Isto é, para escrever com a reglete é preciso que as frases sejam escritas em uma direção reta, de linha a linha, pois cada letra é produzida na cela, não sendo concebível escrever livremente no papel como ocorre quando escrito com caneta. Logo, é interessante formar frases curtas, ordenadas e de fácil entendimento/localizável. Desta forma, sugiro transcrever as tabelas e quadros  em linhas ou eu, Lumiy, diria com certo “pensamento horizontal”.
     Neste contexto, comento um pouco da aluna TH que gosta muito de cantar e numa aula de apoio de Física ela chegou com a novidade que aprendeu uma música no ritmo bem animado e começou a cantar batucando na mesa: “1, 2 e 3 todo mundo debaixo do telhado, menos um e sobre o dois, e agora, 3, 2 e 1, todo mundo debaixo do telhado ….”, enquanto isso, fiquei observando as anotações da aula e os exercícios fotocopiada numa folha que ela trouxe para aula de apoio acerca de Cinemática.  Ao reparar na figura do triângulo e indicação dos ângulos, comecei a relacionar o motivo do professor de física passar a música, pois estava meio condizente com os valores de seno e cosseno dos ângulos usuais e sabe-se que a paródia é um recurso que ajuda o aluno memorizar. A TH nem imaginava, pois na letra da música não se falava do seno ou cosseno e nem dos ângulos de 30°, 45° e 60°, e provavelmente ela aprendeu a música na classe enquanto o professor indicava a tabela no quadro. Comecei a aula ditando a tabela para TH escrever em Braille de forma ordenada e ao terminar, mostrei que o “telhado” significa “raiz quadrada” e o “sobre o dois” quer dizer “dividido por 2”. Em seguida, ela leu a tabela e no instante que direcionei uma mão dela a ler a linha escrita “sen 30° = 1/2” e a outra mão a ler “cos 60°= 1/2”, estampou-se um sorriso no seu semblante, pois ela compreendeu e ficou empolgada para cantar acompanhando a sua tabela. Prosseguindo, revemos as fórmulas e os vetores de forças exercidas no movimento e a decomposição para resolver os exercícios da folha, onde o texto foi transcrito para o Braille e a figura descrita ou conforme demonstrada na foto abaixo, um improviso para reproduzir a imagem utilizando os materiais: EVA, palito de sorvete, papel, alfinete etc. Pode-se também reproduzir a figura com linhas traçadas no papel sobre o EVA para que apareça em relevo no verso.
Assim, normalmente para reproduzir uma figura pode-se resolver utilizando materiais simples, pois, posso afirmar que durante este ano, somente para a aula referente Energia Potencial/Elástica é que precisei levar uma mola e um elástico para explicar os efeitos e deformações dos materiais.
     Enfim, TH acompanhou bem as disciplinas,  foi promovida para o 2º ano e continua a cantar a paródia que é útil para a disciplina de matemática também.♥Lumiy♥
     Para concluir, verifico que a compreensão do aprendizado na sala de aula ou da experiência pessoal do aluno basea-se no diálogo e no processo de recriação e interpretação constante das informações, conceitos e significados.  Desta forma, a cultura envolve-se ao aluno os sistemas simbólicos de representação da realidade, o qual Vigotski ressalta que uma parte ativa de um processo intelectual, constantemente a serviço da comunicação, do entendimento e da solução dos problemas“.

**(¹) Encontrei o nome “Выготский“, escrito: “Vygotsky”, “Vigotsky”, “Vygotski ” e ”Vigotski”; padronizado para este texto “Vigotski”, conforme argumento do Prof. Achilles Delari Jr.

 

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