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Formação de Professores para Escola Inclusiva

 Antes do texto principal, quero introduzir as razões que motivaram para postar este tema, além de estar diretamente relacionado aos alunos especiais.  Este é o primeiro post de 2011, e comecei o ano mergulhada nas leituras e também assisti a apresentação de “Ressurreiçao” – “Im tempo des scherzos” de Gustav Mahler pela Orquestra da Oficina de Música de Curitiba, a qual fez relembrar a história de Mahler que envolve discriminação, segregação e fuga, sendo assim, convido-o também para uma reflexão …. Entre as minhas leituras obrigatórias, escolhi explorar o termo “Sustentabilidade”, onde encontrei a integração de muitas áreas e o envolvimento de autoridades governamentais, comunidades, instituições e de outros que buscam e defendem as idéias e pensamentos para o desenvolvimento social, econômico e ambiental do planeta, de forma que supram as necessidades atuais sem reduzir as oportunidades das gerações futuras. Aprofundando um pouco mais, deparei com o termo “inclusão” abordando as situações sociais e culturais para uma sociedade mais justa e igualmente citado na parte de Responsabilidade Social no ODM – Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Neste contexto, surgiram questionamentos de acessibilidade, inclusive a preparação de profissionais para assistir as pessoas com necessidades especiais, e dentre as relações de profissões, estava a do professor. Prosseguindo a velejar nas leituras, na parte de ecologia, encontrei o artigo de Capra (sou fã), referente o Centro para alfabetização ecológica, em Berkely – California, que comenta a relevância do contato com a natureza na educação da criança, e consequentemente a aquisição do senso do lugar que ela vive – o ecossistema. Com certeza, estas palavras cabem também às pessoas excluídas da sociedade, estendendo às “crianças e jovens com necessidades educativas especiais que devem ter acesso às escolas regulares, que a elas devem adequar através duma  pedagogia centrada na criança, capaz de ir ao encontro destas necessidades” (UNESCO/SALAMANCA).  Neste ínterim, por coincidência do acaso, recebi esta semana, uma mensagem contendo o texto a “Formação de Professores para Escola Inclusiva” –  extraído do livro “Escolas para todos” do Ministério da Educação, com dados da UNESCO, coletados em inglês pela Organização Internacional Save the Children.  Assim, resolvi postar  parte desta mensagem, talvez seja um texto meio antigo, entretanto concerne ao desenvolvimento de aprendizado e educadores, e conquanto  é interessante, pois segundo a M.Gil, além dos professores, todos nós temos um pouco de educador.    

♥ ❁♥  Fritjof Capra: ”  (…) Revendo os componentes principais da pedagogia que desenvolvemos (principios da ecologia), procurarei cobrir o maio número de aspectos possíveis, mas quero frisar que as palavras são capazes de transmitir apenas uma pequena parte da história. A verdadeira mensagem está nos rostos das crianças, em seus sorrisos, suas histórias, seus desenhos, suas poesias ”  ♥ ❁♥

Formação de professores:

Os professores precisam de formação sobre os princípios do ensino inclusivo e sobre os princípios básicos ligados à deficiência, para garantirem que as suas atitudes e abordagens não impedem as crianças com deficiência de ter um acesso igual ao currículo. A formação deve ser contínua, fornecida através de pequenos cursos (ou módulos) e deve ter lugar num ambiente escolar, preferivelmente nas suas próprias escolas. A formação deve ter lugar em etapas de pré-serviço e de serviço. A formação no local, com resolução de problemas, é mais eficaz do que a formação teórica de pré-serviço. Na realidade, incentivar os professores a reunirem-se regularmente para discutir problemas e desenvolver confiança nas suas próprias habilidades é,segundo alguns, a forma mais eficaz de desenvolvimento dos quadros.

Responsabilidades dos professores:

Os professores têm que entender, e aceitar, que é sua responsabilidade ensinar todas as crianças, uma vez que todas as crianças têm direito ao ensino.

Motivar os professores para aceitar esta responsabilidade pode ser a chave para o sucesso.

– Uma vez motivados, terão necessidade de apoio prático periódico e feedback construtivo.

Os sistemas de prêmios podem ser úteis para manter o empenho dos professores que demonstram competências adicionais, mas devem ser aplicados através de sistemas existentes de promoção e classificação. Ser reconhecido como um professor criativo, e ver as crianças com deficiência conseguirem resultados será, por si só, um prêmio para um professor. Proporcionar pagamentos adicionais por ensinar alunos com deficiências pode causar divisões.

Metodologias de ensino:

Os professores só com experiência de ensino e métodos de aprendizagem de rotina irão provavelmente ter dificuldade em adaptar o seu estilo a outro que promova métodos ativos centrados na criança. As mudanças nos métodos de ensino poderiam incluir um novo arranjo da classe, para que as crianças possam trabalhar em pequenos grupos; encorajar um sistema de “amigos”, onde as crianças mais velhas e com maiores capacidades acadêmicas são designadas para trabalhar com as que têm dificuldades de aprendizagem; introduzir materiais disponíveis localmente para as atividades de jogos, ou ensinar matemática ou novo vocabulário. Os professores precisam de oportunidades para experimentar novos métodos, partilhar idéias, e observar outros professores a utilizar métodos diferentes.

Acesso à informação:

Os professores precisam de acesso à informação fácil de ler sobre documentação internacional, e como implementar práticas mais inclusivas. Ler sobre a experiência de outros professores, trabalhando em conceitos semelhantes, ajuda os professores a refletir sobre sua própria experiência e a ganhar confiança para experimentar novas idéias.

# Grifo e sub-dividisão por Lumiy

Este texto, faz parte de um maior, digitado em São Paulo por Maria Amélia Vampré Xavier da Rede de Informações da COE / Secretaria da Assistência e Desenvolvimento Social do Governo de São Paulo e as entidades Carpe Diem, Sorri Brasil e Rebraf em São Paulo, Fenapaes, Brasília (Diretoria para Assuntos Internacionais), Inclusion InterAmericana e Inclusion International em 30 de agosto, 2006.

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 Dirigir o carro conduzida por pessoa com deficiência visual …

Ontem (03/12/09), fui numa reunião de amigos e por não conhecer o trajeto, o meu colega foi quem me conduziu para chegarmos ao local. Este colega perdeu totalmente a visão aos 3 anos de idade, hoje ele é professor em duas escolas públicas e desloca-se sozinho para todos os lugares.  O fato dele não enxergar com os olhos não o impediu na sua autonomia para mobilidade, pois ele consegue reconhecer rapidamente a sua localização e constitui um trajeto mental para deslocar-se de um ponto para outro. Neste contento, abordarei algumas situações de mobilidade das pessoas com deficiência visual (DV), inclusive daqueles com certa destreza que conseguem ser ótimos co-pilotos, isso sem aprofundar nos conceitos de tecnologias ou fundamentos da mobilidade; e, ao final, uma reflexão customizada através das palavras dos “gigantes”. Observo que nem todas as pessoas com DV têm percepção desenvolvida ou apurada, assim como pessoas que enxergam podem ficar perdidas principalmente nos locais desconhecidos.♥

                A mobilidade é importantíssima para a pessoa com DV, proporcionando a sua autonomia de deslocamento, onde é preciso ter a noção de espaço, a percepção de posicionamento (lado direito, esquerdo, atrás, lado, …), isto é lateralidade. No dicionário consta que “a lateralidade é a capacidade de controlar os dois lados do corpo juntos ou separadamente”.  Além disso, é preciso ter a noção do seu posicionamento e dos objetos que estão ao seu redor,  no caso, levar a mão na direção correta para pegar um copo que está na mesa. Normalmente, a pessoa com DV anda sem bengala e até mesmo corre nos locais em que está ambientado, o qual sente totalmente inteirado com as posições dos objetos e com as curvas do caminho. Da mesma forma, dentro do carro, alguns têm a percepção do caminho, conseguem, sem dificuldades, ter a noção de onde está e qual o trajeto que deve seguir para chegar ao seu destino sem enxergar as paisagens. Logicamente, ocorrem conversas alheias durante o tráfego e também são descritos alguns locais ou mencionada a rua em que se está passando.
               Para conseguir desenvolver a lateralidade e conjuntamente a mobilidade, o indivíduo necessita praticar e estimular as suas percepções. Estes são noções que as pessoas adquirem ou se adaptam a elas com treino, visitando o local, explorando os objetos, do corpo entrar em contato para conhecer e entender o significado das estruturas que estão ao seu redor,  isso sem esquecer do manuseio da bengala e contando com os outros sentidos: audição, olfato, tato, paladar, etc. Acrescento ainda, as práticas de esporte como futebol (golbol), judô, corrida e outros, que contribue para qualidade fisica e mental.
                Uma outra relevancia é a noção de perceber o movimento do guia. O guia é a pessoa vidente que auxilia a pessoa com DV, no caso de atravessar uma rua movimentada, sem sinalização. Conforme a estatura, a mão da pessoa com DV apóia no ombro ou segura perto do cotovelo do guia. Existem algumas pessoas com DV que apenas tocam com dois dedos no braço do guia, assim como, tem outros com a mão mais firme e pesada. O guia sempre precisa estar um passo à frente para que o indivíduo DV sinta o movimento do condutor, como quando for subir uma escada. Se entre eles estão acostumados, então o guia pode caminhar mais rápido porque a pessoa DV tem facilidade de acompanhá-lo, deixando muitas vezes a bengala em posição de guarda (não bate) ou simplesmente a recolhe.
                 Atualmente, através das regulamentações das leis e dos movimentos de conscientização, muitos locais estão disponíveis à acessibilidade. Aparecem nas ruas e nos estabelecimentos públicos o piso tátil de direção e de alerta, mapa tátil, placas com Sistema Braille, guias rebaixadas, etc. E mais, surgem ferramentas de tecnologia de informação e comunicação (TIC), que podem se relacionar à tecnologia assistiva para auxiliar na mobilidade, como o GPS.
                 Enfim, a mobilidade e a lateralidade são resultados das percepções do indivíduo, conforme ressalta Chopra, ” o corpo físico é uma abstração, um fluxo intermitente de sensações, percepções, memórias, idéias, uma projeção da consciência.” (DEEPAK CHOPRA)
##Postei a História da Bengala ->https://lumiy.wordpress.com/estudos/om-historia-da-bengala/–—
* Reflexão através das frases dos “gigantes” customizadas por Lumiy acerca de desenvolvimento do indivíduo, exteriorização, estimulação e inclusão social:
“O desenvolvimento do cérebro e dos sentidos a seu serviço, a crescente clareza de consciência, a capacidade de abstração e de discernimento cada vez maiores, reagiram por sua vez sobre o trabalho e a palavra, estimulando mais e mais o seu desenvolvimento” (ENGELS), isso, “influenciado por Marx, Vigotski concluiu que as origens das formas superiores de comportamento consciente deveriam ser achadas nas relações sociais que o indivíduo mantém com o mundo exterior” (LURIA). Ainda, conforme os testes de lateralização cerebral, existem a relação entre a lateralidade da fala e a preferência por uma das mãos (PINEL), este relacionamento mostra e remete a necessidade do estímulo e o contato ao mundo exterior para desenvolvimento do indivíduo. Então, “entre os seres humanos e o seu mundo físico coloca-se seu ambiente social, o qual refrata e transforma suas ações recíprocas com o mundo. […] crianças cegas não percebem originalmente sua cegueira como um fato psicológico. Ela é percebida apenas como um fato social, um resultado secundário e mediado de sua experiência social. […] as escolas especiais da época faziam pouco em termos dessa educação social. Influenciadas por idéias religiosas e filantrópicas, remanescentes de uma mentalidade burguesa originada no mundo ocidental, enfatizavam a situação infeliz das crianças e a necessidade de que elas carregassem sua cruz com resignação. Em contraste, Vigotski defendia uma escola que se abstivesse de isolar essas crianças e, em vez disso, integrasse-as tanto quanto possível na sociedade. As crianças deveriam receber a oportunidade de viver junto com pessoas normais” (VEER;VALSIENER), a qual, hoje esta luta nomea-se “inclusão”, onde antevir da oportunidade, agrega-se o valor de respeitar os limites e conhecer as diferenças pela sociedade, e juntamente apoiada pela Lei. (grifo de LUMIY,2009).
 (* encontrado o nome do autor escrito “Vygostsky”, “Vigotsky”, “Vygotski ” e “Vigotski”, padronizado para este texto “Vigotski”, conforme argumento do Prof.Achilles Delari Jr).

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Pessoas com deficiência visual: o usuário de celular e computador
Havia preparado durante a semana a aula de hoje (16/10/09) que seria referente a amizade e comportamento. Eu disse, “seria”, pois desde ontem recebi mensagens no celular, nos e-mails e no msn dos meus pequenos alunos que queriam uma atividade de raciocínio,  em outras palavras é brincar. Esses alunos são crianças que freqüentam a escola de apoio para pessoas com deficiência visual (DV) e também usuários potenciais de tecnologias, pois têm habilidades e agilidades para usar o celular e o microcomputador.
Com isso, neste texto explanarei algumas tecnologias relacionadas ao celular e microcomputador presentes no cotidiano dos DVs e uma das atividades realizada na aula com o tema “Ensinar o computador”, acerca de lógica e pensamento seqüencial.
Mary Radabaugh no “Study on the Financing of Assistive Technology Devices of Services for Individuals with Disabilities”(1993), menciona que a tecnologia facilita para as pessoas sem deficiência e torna possíveis para as pessoas com deficiência. A tecnologia possibilitou à PcD a realizar muitas tarefas e uma das áreas que proporcionou benefícios aos DVs foi a área de informação e comunicação (TIC). Antigamente, uns 20 anos atrás, os estudantes com DV usava-se fitas cassetes para gravar a aula ou alguém lia a apostila, além do uso do Braille para anotações. Atualmente, continua o uso do Braille e os recursos do microcomputador, scanner, celular, etc.
Para o uso do microcomputador existem softwares (programas) de ampliação de caracteres e alteração de cores  para pessoas com baixa visão e leitores de tela para as pessoas com DV total. Os programas leitores são NVDA, JAWS, VIRTUAL VISIO, ORCA, etc. Existem ainda, programa interativo com o usuário, no caso o DosVox desenvolvido pela Intervox (UFRJ) e programas para ebooks como Mecdaisy, Lida (FDN), Adobe Digital e outros. Normalmente encontro usuário de leitor de tela com o monitor desligado, usando o fone de ouvido e com a voz do leitor configurada na velocidade máxima. Este recurso favorece certa autonomia aos DVs no uso do microcomputador possibilitando editar e ler textos, enviar e receber e-mails, ler notícias, conversar no MSN, Messenger, Skype. Os leitores não lêem as imagens como foto,  desenhos e gráficos; e dependendo da tabela fica confusa a interpretação. Nem todos os sites da internet oferecem acessibilidade na navegação, contudo percebe-se certas mudanças para atender esse público especial.
Quanto ao celular, conforme os recursos do aparelho, memórias disponíveis e financeiros, pode-se instalar programas de falas, ampliação da imagem da tela, GPS, comunicação (Skype), leitor de tela, etc. Os serviços da operadora também são bem utilizados como de ver as horas e outros.
Tanto no micro ou no celular podem-se configurar a “fala” para que informe a tecla digitada, soletrar a palavra, ler pontuação, regular o volume, a velocidade e o tom da voz e mudar o autor da voz.
Por isso, a inclusão digital permitiu às pessoas com DV a estudar, trabalhar,… e principalmente estendeu o relacionamento entre as pessoas. No tocante, o usuário de micro consegue comunicar-se de diversas localidades num ambiente sem diferenças entre as pessoas. Para isso, existem várias instituições oferecendo cursos de informática para DVs  e em muitos casos são professores com DV que ministram a aula.  
As crianças, os meus pequenos, muitas vezes são eles que fazem as anotações no meu celular porque  segundo eles, demoro demais para adicionar contato novo.
Falando da turminha, uma das atividades da aula foi sobre pensamento seqüencial – lógica, com o tema “Ensinar o Computador”, um exercício para ordenar o pensamento relembrando os detalhes do dia a dia e como deve instruir uma informação. A princípio contei como o computador funciona e a importância do programador de se preocupar com o usuário. A atividade foi de um aluno ser o computador, o outro era o usuário do computador que perguntava e  executava a tarefa ou em chegar a algum lugar e os outros eram os consultores que  acompanhavam a execução e ao ocorrer erro de sequência pedia para o computador corrigir o seu programa. Fizemos várias tarefas como escovar os dentes, pegar um copo com água e chegar ao destino solicitado. No começo da atividade foi divertido, pois se esqueceram de abrir a tampa da pasta e o usuário passou o tubo da pasta fechado na escova,  enviaram o usuário em direção a porta fechada ou colocaram água no copo virado. Ao final, ficaram bons e a consultoria estava exigente e detalhista. A última sequência foi de traçarmos o trajeto para a lanchonete do shopping sem deslocarmos da sala, e nesta eu fiquei conhecendo os obstáculos do caminho como degraus e buracos que nunca havia reparado.(LUMIY,2009)

 ”… é justamente a Acessibilidade o eixo fundamental da equidade de direitos. Enquanto não tivermos contemplada a Acessibilidade, em todos os níveis, estaremos discriminando cidadãos que tem alguma diferença física ou sensorial. Uma sociedade justa se constrói com a igualdade, a liberdade, a justiça, a cidadania e as coisas básicas: moradia, alimentação, educação, saúde… E os desiguais devem ser tratados como desiguais, na justa medida dessa desigualdade.” (Marcio Aguiar, Conselheiro Titular da Conade – Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência).

“Com certeza, de todos os sentidos com que somos aquinhoados ao nascer talvez o mais importante seja a visão, que nos permite aquilatar as benesses que nos cercam no mundo, a beleza da natureza que nos acolhe,  e distinguir os
rostos queridos de mãe, de pai, que nos enchem de afeto.   Todavia, o número de pessoas que ou por problemas congênitos, por doenças adquiridas ou por acidentes e desastres,  se vêem privadas de enxergar o mundo que as cerca é muito grande.   Felizmente, também, a tecnologia moderna tem progredido e equipado instrumentos importantes como computadores para enriquecer a vida de tantos irmãos privados da visão, lamentavelmente.” (Maria Amelia Vampré Xavier – Rede de Informações Área Deficiências Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Fenapaes, Brasília -Diretoria para Assuntos Internacionais),Rebrates, SP, Carpe Diem, SP, Sorri Brasil, SP, Inclusion InterAmericana e Inclusion International).

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Trabalho de pessoas com deficiência no chão de fábrica é começar, relacionar, interagir, …

Uma das responsabilidades gerenciais de uma fábrica é a gestão de pessoas para trazer vantagens competitivas, principalmente numa empresa com cultura de Sistema Toyota de Produção ou Manufatura Enxuta, onde aponta-se para qualidade do produto, otimização do tempo, redução de custos e outros. Neste horizonte, aparenta-se que somente pessoas de muitas habilidades e capacidades possam pertencer ao quadro de funcionários, porém não é bem assim que funciona a busca da melhor produtividade quando relacionada às pessoas, verificando-se a importância da diversidade num grupo e a necessidade da formação de equipe integrada, pois não se aplicam mais o pensamento linear de produção;  todos são comprometidos desde o início do projeto até o produto chegar na mão do usuário. Com isso, coloco aqui parte de um dos casos reais envolvendo pessoas com deficiência (PcD) no chão de fábrica, onde acompanho há muito tempo e como resultado trouxe melhoramentos na empresa.

 A empresa é uma indústria na área de autopeças e funciona em três turnos. Seus funcionários sempre participam de atividades extras como cursos e palestras para atualização e ampliação de conhecimentos, e com a lei de cotas para pessoas com deficiência foi-se atrás desta questão não só para cumprimento da lei, mas em como colocar PcD no posto de trabalho e principalmente o entrosamento entre os funcionários.

Uma das questões foi: Como preparar o pessoal a receber seus novos colegas, pessoas com necessidades especiais?  A recepção de um novo integrante é importante para o treinamento de sua função, conhecer a política e as dependências da empresa, os colegas de trabalho, etc. Percebeu-se que nesta pergunta o problema não era a recepção e sim a falta de contato, o desconhecimento da capacidade de um indivíduo e mais ainda mostrar que estava lidando com ser humano igual aos outros. Para este caso foi montando uma dinâmica simples de baixo custo para os três turnos. Num lado da sala foi colocada uma caixa com peças de fácil manuseio, encima de um banco, e do outro lado uma caixa fazia. A atividade consistia em transferir as peças de uma caixa para outra em dupla, sendo uma pessoa para acompanhar, ajudar e instruir e a outra de executar a tarefa, onde uma vez com os pés amarrados, depois com os olhos vendados e por último com as mãos amarradas.  Depois trocando de posição. Terminado, reuniu-se todos e foram colocadas as perguntas para reflexão: você continua sendo a mesma pessoa com a mão, pés ou olhos atados? Aprofundando a pergunta, supomos um desastre e suas pernas são amputadas, você continua sendo um ser humano? Com os olhos vendados sentiu confiança no seu instrutor? E como instrutor, percebeu a necessidade da clareza para comunicar? E, assim sucedeu a atividade e colheram-se muitas respostas com sugestão para acessibilidade dentro da empresa. Para a questão de confiabilidade e comunicação no primeiro contato, decidiu-se fazer a PcD antes da contratação, caminhar no meio da fábrica e almoçar no refeitório, isso com o seu acompanhante se estiver junto (normalmente é alguém da família), desta forma pode-se esclarecer vários pontos, inclusive a sua decisão de trabalhar na empresa . Os primeiros dias de uma PcD na empresa foi de muita atenção a ela, que ficou conhecendo até o time de futebol que cada um torcia.

Agora, conto-lhes alguns melhoramentos que ocorreram após a entrada da PcD:  no lay-out da fábrica é interessante as máquinas, ferramentas e todos os objetos estarem dentro dos locais demarcados por questão de segurança e agora os corredores ficaram mais alinhados e totalmente limpos com passagem para uma cadeira de rodas. Há muito tempo via-se a necessidade de melhorar o controle visual das instruções, o kanban, e agora parte do líder do setor para fazer, pois facilita na comunicação entre os integrantes, principalmente para pessoa com surdez.

Quanto a produtividade, não houve quedas e percebeu-se a motivação para melhorar o setor quando envolve-se ajuda ao colega que está ao seu lado, e também um certo crescimento interior. Muitos colaboradores ficaram interessados em aprender libras, conhecer as causas da deficiência e outros assuntos interligados.  

O relacionamento cotidiano com a PcD trouxe entendimentos como respeitar diferenças e para o trabalho em equipe viu-se as regras são as mesmas de cooperativismo, flexibilidade, bom humor, empatia, comprometimento, etc. Com isso, a tal inclusão no chão de fábrica, nada mais é do que ter um bom relacionamento e interagir na mesma atividade. Mais informações referente a Lei de Cotas: https://lumiy.wordpress.com/estudos/lei-de-cotas/ 

“Conhecendo a diversidade dos alunos e da comunidade, a diversidade dos profissionais e dos recursos políticos e pedagógicos, pode-se organizar processos de aprendizagem e de avaliação em que a singularidade de cada um se constitua em benefício em vantagem e não em problema em objeto de exclusão, nem um obstáculo  para educação de qualidade.” (ROSS, Paulo R.”Educando para autonomia e cidadania”, 2009)

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