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Posts Tagged ‘AVD’

Significado das cores pela expressão

 As cores fazem parte do nosso cotidiano para identificar, escolher, caracterizar os objetos como vestuários, utilitários, decorativos, …. até mesmo para uma simples flor. Segundo o dicionário (Michaelis), a cor é “impressão variável que a luz refletida pelos corpos produz no órgão da vista”, desta forma, a cor somente é perceptível aos olhos,  não sendo identificável através de outras percepções sensoriais (tátil, olfativa, acústica, gustativa) e está relacionada diretamente ao convívio social, por isso é importante que as pessoas com deficiência visual (DV) consigam interpretar o significado das cores como as expressões: o céu está azul,  o jogador recebeu cartão vermelho, o semáforo está vermelho, declarar com rosas vermelhas, etc. Existem ainda outras concepções relacionadas à cor como a matiz que é a intensidade da cor, o brilho que se refere à luminosidade e a saturação que corresponde à pureza espectral da luz; por isso, é extensa a abordagem do significado das cores para pessoas com DVs.    
Na aula de AVD/AVAS, é interessante colocar expressões como cor fria/quente; alguns “estudos de psicologia” das cores como o branco relacionada com paz, vermelho com amor, azul com serenidade, etc. Isto é concernente principalmente aos vestuários quanto a combinação das cores ou ao seu uso adequado no momento/atividade. É relevante dizer que a aula precisa ser condizente ao aluno, quanto a idade, atividade, lazer,  pois há certa necessidade de levantar o interesse dele. Coloco um fato que aconteceu, é de um adolescente cego desde o nascimento e que não queria assistir a aula porque segundo ele,  se não enxergava as cores então para nada o serveria. Este aluno gosta muito de futebol e é torcedor “roxo” do CAP, além de jogar bem bola (goalball). Não tive dúvida, comecei a aula falando dos torcedores do “furacão” que espalham vermelho e preto nas ruas no dia do jogo. Aos poucos, o aluno foi se aproximando, sentou e começou a participar da aula com ânimo, principalmente quando referia-se ao “rubro-negro”. Por isso, sugiro que as aulas sobre cores sejam colocadas após conhecer o aluno DV.
Uma outra referência de cor são os ícones de artistas, cantores, jogadores famosos, time, torcida organizada, etc,  que podem acompanhar, ou usar como modismo, ou se identificar como fã, ou participar de alguma atuação/movimento pela pessoa DV.    
Na aula, uma das atividades que peço para as crianças com DV é que façam pesquisas com os professores, entre alunos, pais, irmãos, tios, vizinhança, … de qual a cor preferida da pessoa, qual a cor do vestuário em uso, etc. Para o pessoal maior e de escolarização avançada, coloco expressões de degradê, malhado,mesclado, xadrez, reluzente, opaco, translúcido, representação do luxo, brilho, e outras configurações envolvendo percepção de luz.
Ao final, quero deixar uma observação de que às vezes é desconfortável apontar cores à pessoa com DV sem que aparente indelicadeza na conversa; nestes casos, ao encontrar com PcDV bem preparadas, fica a minha curiosidade na dedicação de quem é a pessoa, sejam pais ou professores,  que a instruiu e a encaminhou para integração e convívio social (Lumiy). 
Mais sugestões para atividade de cores: AVD/AVAS: Simbologia das cores.  
   

“Que significa descobrir o significado? Na linguagem devemos distinguir os aspectos semiótico e fásico; os liga a relação de unidade e não de identidade. A palavra não é simplesmente o substituto da coisa.” (VIGOTSKI, 1991)
 

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Encontro com DV: uma aula de reencontro

Mais um dia feliz com a turminha especial e desta vez com algumas situações quanto a combinar um encontro, e também ao uso de gestos para saudar, pois são formas de comunicação que aprendemos desde criança vendo, observando e ouvindo outras pessoas fazerem, onde as falas e os movimentos são imitados, repetidos e incluindo o sentimento de contato amigável. É bem simples, mas como fazer que as mãos de duas pessoas DV se encontrem para dar o aperto de “como vai”, sem pairar por muito tempo no ar, ou ainda deixar de corresponder um com outro? Então, resolvi postar esta atividade, pois se desenvolveu tão bem, acrescentando curiosidades quanto ao comportamento social tanto para turminha como para todos que participaram. Neste texto, acrescentei um pouco de nossa convivência para demonstrar a importância do relacionamento e diálogo para integrar uma atividade. 

Há mais de 50 dias sem nos ver, primeiro, as férias escolares de inverno e seguidas de recessão devido à gripe H1N1, hoje (21/08/09) reencontrei com os pequenos da escola especial para pessoas com deficiência visual. Fizemos uma atividade diferente, pois estavam conosco dois professores, o Bill da escola e a Jana do IPC, eles são DV totais; e nem sempre temos a oportunidade desta companhia. O tema trabalhado foi “Encontrar e saudar” e com objetivo de abordar em como marcar um encontro entre pessoas com deficiência visual e também quanto aos tipos e formas de cumprimentar. A motivação que levou a este contexto foi a observação de vários desencontros por falta de combinar melhor para um encontro, pois mesmo para as pessoas que enxergam com os olhos, se não for bem definido, poderá levar horas para encontrar, principalmente quando o local marcado é amplo. Dando a continuidade do encontro, completamos com saudações nos aspectos do uso de gestos e significados culturais.

Antes de começarmos a atividade, normalmente conversamos sobre as novidades da semana e desta vez falamos da gripe quanto aos cuidados, da pneumonia, da vacina, das aves, dos suínos, dos cavalos e tudo mais relacionado ao assunto. É interessante o fato das crianças colocarem as dúvidas, ainda que os professores já tenham explanado durante a semana na escola; isso mostra certa preocupação sobre a gripe, onde eles ouviram as informações por vários canais e queriam esclarecimento, como a pergunta sobre a diferença entre medicamento e vacina ou ainda se H1N1 é gripe ou pneumonia? Vejam que são perguntas boas e a faixa de idade deles é entre 11 a 16 anos.

Para a atividade de marcar um encontro, colocamos um caso com todos os problemas possíveis: um encontro com mais de 30 pessoas no rodízio de pizza que fica em Santa Felicidade, lembrando que a estação de ônibus do local é um dos maiores terminais da Capital e a pizzaria fica a três quadras da estação com avenidas de alto tráfego. Perguntamos quando, como, onde, etc. Abrimos um tipo de fórum para cada participante dar uma sugestão para cada questão, era argumentando ou contra argumentado e fechávamos com a melhor opção pelos professores que acrescentavam suas experiências. Como resultado desta atividade, coloco as principais soluções: anotar as informações do encontro para não esquecer e comunicar aos pais, marcar um ponto específico conhecido pela maioria, localizar um funcionário do terminal para conduzir ao local do encontro, reservar as mesas na pizzaria, etc.

Foram apresentados, de acordo com os costumes de vários países, diferentes tipos de gestos para cumprimentar, o uso no esporte, quando e como usamos e a prática de alguns. Para o caso das mãos de duas pessoas DVs encontrarem, a melhor solução foi de informar a ação ou esticar a mão lentamente estalando os dedos e seguindo em direção ao som dos estalos do outro ou um só estala os dedos para que outra pessoa localize a mão. Quanto à expressão no rosto, foi unânime a escolha do sorriso.

Assim foi o dia e até dar o horário prosseguimos com “Imaginação”, uma brincadeira para entender áudio-descrição, e esta brincadeira deixarei para os próximos posts.

Deixo uma observação para acontecer esse tipo de atividade de forma divertida e todos participando, é muito importante já ter as soluções e argumentos, pois as crianças, pelo menos esta turminha, são espertas – só não enxergam com os olhos. É interessante também, preparar esta atividade em várias versões, com perguntas conforme a idade do pessoal que participa. (Lumiy,2009) Mais informações na página de Estudos/AVAS:Postura e Gesticulação.

 

“A maior dependência do mundo externo é vista por uma constante necessidade de reafirmação e da dificuldade do cego em manter sua auto-estima quando não sente resposta afirmativa do ambiente.(…) o desejo de independência leva-os a não pedir ajuda, mas a tentativa de fazer sozinho demanda um tempo muito maior de realização.” (Amiralian,1997)

 

 

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