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Dar a Mão

A caminhada do projeto “Dar a Mão” iniciou-se numa terça-feira, 27 de maio de 2014 às 04:20 da manhã para mim. Uma mãe e professora enviou um e-mail para um amigo solicitando ajuda para fazer levantamentos de informações sobre a agenesia de mão. Ela estava buscando informações desde 12/12/2013, que a sua filha Dara nasceu com deformação da mão direita.

A mãe é a profa. Geane Poteriko, que estava internada no hospital para se recuperar de um acidente grave ocorrido em 30 de Setembro de 2014. Ela estava passando por várias cirurgias no membro inferior, mas a sua imobilidade, e ainda internada no hospital, foi o tempo oportuno para aprofundar na sua pesquisa e direcionar para fundação da Associação Dar a Mão em 30 de Setembro de 2015.

A princípio eu abria e lia alguns e-mails trocados nos grupos, que foi ficando cada vez mais intenso tanto no volume quanto nas informações (mais de mil e-mails). Foi quando comecei a receber as mensagens paralelas de um amigo dizendo “Rendo-me a dar-lhe o apoio” + “Você entende e pode ajudar muito” a esta causa (15/02/2015). Senti-me como um estrangeiro em terras desconhecidas, pois não tinha domínio no tema de deficiência física de membros superiores. Mesmo assim, criei a pasta “Projeto Dara” no meu micro para entender o cenário e estudar como poderíamos projetar um plano de inclusão social com tecnologia assistiva e acessibilidade para casos de agenesia de membros superiores/inferiores.

O projeto foi escrito ouvindo vozes de apelos de mães e pessoas envolvidas na causa (Geane, Meri Lou, Regina, Marcelo, Cascaes, Tosihiro, Mariângela, Mesquita …). Um projeto que estavam engenheiros, pedagogos, psicólogos, médicos, fisioterapeutas, designers e outros profissionais, e nascia sem recursos disponíveis para implementar. Assim, face ao amor, foi escrito para unir o dom da vida de cada pessoa envolvida, e contando que cada um possa doar um pouquinho da sua habilidade para formar a equipe idealizadora e executora. Um caminho traçado em busca do ideal comunitário (“que todos eles sejam UM“, Jo 17:21).

Foram apresentadas cerca de 30% do projeto global, que teve desdobramento de 11 planos de ação multidisciplinares em parceria com a Prefeitura Municipal de São João de Ivaí/PR, Câmara dos Vereadores, Núcleo de Pesquisa em Produtos orientados para Tecnologia Assistiva do PPGEPS/PUCPR, Núcleo SEEDS/PUCPR , Associação dos Professores do Paraná – APP,  Lions Clube Curitiba Batel, Associação Lions Internacional Distrito LD-1, Rotary SJI/PR e outros.

Em 2017 fomos agraciados com o Selo SESI ODS 2017 e Prêmio de 2.lugar (Menção Honrosa) categoria Estadual no terceiro setor, participando com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS/ONU) de “Redução de Desigualdade” apresentada pela Associação Internacional de Lions Clubes Distrito LD-1.

Ao final de 2017, verificamos a urgência e a necessidade de melhorar a gestão da Associação, pois estávamos com mais 600 famílias cadastradas (hoje chegando quase a 1000). Para tanto, surgiu a oportunidade de participarmos no projeto do Instituto Legado de empreendedorismo social. Foram 9 meses de dedicação das voluntárias de São João de Ivaí (Geane, Naime e Zane) e de Arapuã (Dani), que receberam o aprendizado de diferentes métodos e ferramentas para aplicar em empreendedorismo social. Uma experiência de muito conhecimento, enfim, fomos premiados entre as melhores Organizações da Sociedade Civil – OSCs no Prêmio Legado 2018.

Hoje, dia 21/11/2018, recebi a mensagem da Geane, novamente internada no hospital de Ivaiporã/PR, que estará passando por mais uma cirurgia, a 12a. no pé para colocar um fixador externo. Ela continua na luta para recuperar do acidente de 2014. Mesmo acamada, internada ou de muletas/cadeira de rodas, ela participa e coordena das atividades e eventos como o Dia de Voluntários da Telefônica (DVT), EXPO3DBR Encontro nacional de impressão 3D, Encontro de Raras (Doenças Raras), etc, que sempre vem acompanhadas de muitas mãos (Marcelo, Zane, Naime, Jones, Jefferson, Wellington, Arturo, Álvaro, Edu Gomes, Rui, Ruy, Silvia, Paula&Paulo, Regina, Fernanda, Junão, Robson, Hidek, Carla, Suemi, Geisa, João&Arlene, Ticiana&Renne, Daniele, Juliana, Sara, Shaiane, Jô Montani, Celson, Jean, Osny, Thayane, Denis, Marelise, Silvana, Rosângela, Alexandre, Lauriane, Osiris … de Norte ao Sul, de Leste a Oeste do Brasil e de exterior – Alemanha, Portugal, Argentina, EUA,… – somos cerca de 150 voluntários).

Este é o meio que estabeleceu a Associação Dar a Mão. Muitas dores e lágrimas. Ora lágrimas de dor, ora lágrimas de conquista, mas o amor permanece na dor e cresce no doar. Segundo Chiara Lubich,  é da cruz que vem a luz, o amor que nos dá a paz, alegria e traz o paraíso aos corações. Um trabalho de muitos para acolher, apoiar e dar a mão ao próximo com amor, fé e esperança. Somos uma grande família pulverizada em todos os Estados brasileiros e mais 5 países estrangeiros – Juntos somos mais fortes!!!

Lucia Miyake

21/11/2018.

“A alegria do cristão é como um raio de Sol que brilha de uma lágrima; é como uma rosa desabrochada de uma poça de sangue; é essência de amor destilada pela dor. Por isso, é uma alegria sem par e possui uma potência apostólica (pois penetra em todos), como uma fração de Paraíso. (…) “ (Chiara Lubich, “A Alegria”, Movimento Focolares, Roma 12 de abril de 1984.)

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Pessoas com deficiência visual: o usuário de celular e computador
Havia preparado durante a semana a aula de hoje (16/10/09) que seria referente a amizade e comportamento. Eu disse, “seria”, pois desde ontem recebi mensagens no celular, nos e-mails e no msn dos meus pequenos alunos que queriam uma atividade de raciocínio,  em outras palavras é brincar. Esses alunos são crianças que freqüentam a escola de apoio para pessoas com deficiência visual (DV) e também usuários potenciais de tecnologias, pois têm habilidades e agilidades para usar o celular e o microcomputador.
Com isso, neste texto explanarei algumas tecnologias relacionadas ao celular e microcomputador presentes no cotidiano dos DVs e uma das atividades realizada na aula com o tema “Ensinar o computador”, acerca de lógica e pensamento seqüencial.
Mary Radabaugh no “Study on the Financing of Assistive Technology Devices of Services for Individuals with Disabilities”(1993), menciona que a tecnologia facilita para as pessoas sem deficiência e torna possíveis para as pessoas com deficiência. A tecnologia possibilitou à PcD a realizar muitas tarefas e uma das áreas que proporcionou benefícios aos DVs foi a área de informação e comunicação (TIC). Antigamente, uns 20 anos atrás, os estudantes com DV usava-se fitas cassetes para gravar a aula ou alguém lia a apostila, além do uso do Braille para anotações. Atualmente, continua o uso do Braille e os recursos do microcomputador, scanner, celular, etc.
Para o uso do microcomputador existem softwares (programas) de ampliação de caracteres e alteração de cores  para pessoas com baixa visão e leitores de tela para as pessoas com DV total. Os programas leitores são NVDA, JAWS, VIRTUAL VISIO, ORCA, etc. Existem ainda, programa interativo com o usuário, no caso o DosVox desenvolvido pela Intervox (UFRJ) e programas para ebooks como Mecdaisy, Lida (FDN), Adobe Digital e outros. Normalmente encontro usuário de leitor de tela com o monitor desligado, usando o fone de ouvido e com a voz do leitor configurada na velocidade máxima. Este recurso favorece certa autonomia aos DVs no uso do microcomputador possibilitando editar e ler textos, enviar e receber e-mails, ler notícias, conversar no MSN, Messenger, Skype. Os leitores não lêem as imagens como foto,  desenhos e gráficos; e dependendo da tabela fica confusa a interpretação. Nem todos os sites da internet oferecem acessibilidade na navegação, contudo percebe-se certas mudanças para atender esse público especial.
Quanto ao celular, conforme os recursos do aparelho, memórias disponíveis e financeiros, pode-se instalar programas de falas, ampliação da imagem da tela, GPS, comunicação (Skype), leitor de tela, etc. Os serviços da operadora também são bem utilizados como de ver as horas e outros.
Tanto no micro ou no celular podem-se configurar a “fala” para que informe a tecla digitada, soletrar a palavra, ler pontuação, regular o volume, a velocidade e o tom da voz e mudar o autor da voz.
Por isso, a inclusão digital permitiu às pessoas com DV a estudar, trabalhar,… e principalmente estendeu o relacionamento entre as pessoas. No tocante, o usuário de micro consegue comunicar-se de diversas localidades num ambiente sem diferenças entre as pessoas. Para isso, existem várias instituições oferecendo cursos de informática para DVs  e em muitos casos são professores com DV que ministram a aula.  
As crianças, os meus pequenos, muitas vezes são eles que fazem as anotações no meu celular porque  segundo eles, demoro demais para adicionar contato novo.
Falando da turminha, uma das atividades da aula foi sobre pensamento seqüencial – lógica, com o tema “Ensinar o Computador”, um exercício para ordenar o pensamento relembrando os detalhes do dia a dia e como deve instruir uma informação. A princípio contei como o computador funciona e a importância do programador de se preocupar com o usuário. A atividade foi de um aluno ser o computador, o outro era o usuário do computador que perguntava e  executava a tarefa ou em chegar a algum lugar e os outros eram os consultores que  acompanhavam a execução e ao ocorrer erro de sequência pedia para o computador corrigir o seu programa. Fizemos várias tarefas como escovar os dentes, pegar um copo com água e chegar ao destino solicitado. No começo da atividade foi divertido, pois se esqueceram de abrir a tampa da pasta e o usuário passou o tubo da pasta fechado na escova,  enviaram o usuário em direção a porta fechada ou colocaram água no copo virado. Ao final, ficaram bons e a consultoria estava exigente e detalhista. A última sequência foi de traçarmos o trajeto para a lanchonete do shopping sem deslocarmos da sala, e nesta eu fiquei conhecendo os obstáculos do caminho como degraus e buracos que nunca havia reparado.(LUMIY,2009)

 ”… é justamente a Acessibilidade o eixo fundamental da equidade de direitos. Enquanto não tivermos contemplada a Acessibilidade, em todos os níveis, estaremos discriminando cidadãos que tem alguma diferença física ou sensorial. Uma sociedade justa se constrói com a igualdade, a liberdade, a justiça, a cidadania e as coisas básicas: moradia, alimentação, educação, saúde… E os desiguais devem ser tratados como desiguais, na justa medida dessa desigualdade.” (Marcio Aguiar, Conselheiro Titular da Conade – Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência).

“Com certeza, de todos os sentidos com que somos aquinhoados ao nascer talvez o mais importante seja a visão, que nos permite aquilatar as benesses que nos cercam no mundo, a beleza da natureza que nos acolhe,  e distinguir os
rostos queridos de mãe, de pai, que nos enchem de afeto.   Todavia, o número de pessoas que ou por problemas congênitos, por doenças adquiridas ou por acidentes e desastres,  se vêem privadas de enxergar o mundo que as cerca é muito grande.   Felizmente, também, a tecnologia moderna tem progredido e equipado instrumentos importantes como computadores para enriquecer a vida de tantos irmãos privados da visão, lamentavelmente.” (Maria Amelia Vampré Xavier – Rede de Informações Área Deficiências Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Fenapaes, Brasília -Diretoria para Assuntos Internacionais),Rebrates, SP, Carpe Diem, SP, Sorri Brasil, SP, Inclusion InterAmericana e Inclusion International).

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