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Posts Tagged ‘Vygotsky’

 Dirigir o carro conduzida por pessoa com deficiência visual …

Ontem (03/12/09), fui numa reunião de amigos e por não conhecer o trajeto, o meu colega foi quem me conduziu para chegarmos ao local. Este colega perdeu totalmente a visão aos 3 anos de idade, hoje ele é professor em duas escolas públicas e desloca-se sozinho para todos os lugares.  O fato dele não enxergar com os olhos não o impediu na sua autonomia para mobilidade, pois ele consegue reconhecer rapidamente a sua localização e constitui um trajeto mental para deslocar-se de um ponto para outro. Neste contento, abordarei algumas situações de mobilidade das pessoas com deficiência visual (DV), inclusive daqueles com certa destreza que conseguem ser ótimos co-pilotos, isso sem aprofundar nos conceitos de tecnologias ou fundamentos da mobilidade; e, ao final, uma reflexão customizada através das palavras dos “gigantes”. Observo que nem todas as pessoas com DV têm percepção desenvolvida ou apurada, assim como pessoas que enxergam podem ficar perdidas principalmente nos locais desconhecidos.♥

                A mobilidade é importantíssima para a pessoa com DV, proporcionando a sua autonomia de deslocamento, onde é preciso ter a noção de espaço, a percepção de posicionamento (lado direito, esquerdo, atrás, lado, …), isto é lateralidade. No dicionário consta que “a lateralidade é a capacidade de controlar os dois lados do corpo juntos ou separadamente”.  Além disso, é preciso ter a noção do seu posicionamento e dos objetos que estão ao seu redor,  no caso, levar a mão na direção correta para pegar um copo que está na mesa. Normalmente, a pessoa com DV anda sem bengala e até mesmo corre nos locais em que está ambientado, o qual sente totalmente inteirado com as posições dos objetos e com as curvas do caminho. Da mesma forma, dentro do carro, alguns têm a percepção do caminho, conseguem, sem dificuldades, ter a noção de onde está e qual o trajeto que deve seguir para chegar ao seu destino sem enxergar as paisagens. Logicamente, ocorrem conversas alheias durante o tráfego e também são descritos alguns locais ou mencionada a rua em que se está passando.
               Para conseguir desenvolver a lateralidade e conjuntamente a mobilidade, o indivíduo necessita praticar e estimular as suas percepções. Estes são noções que as pessoas adquirem ou se adaptam a elas com treino, visitando o local, explorando os objetos, do corpo entrar em contato para conhecer e entender o significado das estruturas que estão ao seu redor,  isso sem esquecer do manuseio da bengala e contando com os outros sentidos: audição, olfato, tato, paladar, etc. Acrescento ainda, as práticas de esporte como futebol (golbol), judô, corrida e outros, que contribue para qualidade fisica e mental.
                Uma outra relevancia é a noção de perceber o movimento do guia. O guia é a pessoa vidente que auxilia a pessoa com DV, no caso de atravessar uma rua movimentada, sem sinalização. Conforme a estatura, a mão da pessoa com DV apóia no ombro ou segura perto do cotovelo do guia. Existem algumas pessoas com DV que apenas tocam com dois dedos no braço do guia, assim como, tem outros com a mão mais firme e pesada. O guia sempre precisa estar um passo à frente para que o indivíduo DV sinta o movimento do condutor, como quando for subir uma escada. Se entre eles estão acostumados, então o guia pode caminhar mais rápido porque a pessoa DV tem facilidade de acompanhá-lo, deixando muitas vezes a bengala em posição de guarda (não bate) ou simplesmente a recolhe.
                 Atualmente, através das regulamentações das leis e dos movimentos de conscientização, muitos locais estão disponíveis à acessibilidade. Aparecem nas ruas e nos estabelecimentos públicos o piso tátil de direção e de alerta, mapa tátil, placas com Sistema Braille, guias rebaixadas, etc. E mais, surgem ferramentas de tecnologia de informação e comunicação (TIC), que podem se relacionar à tecnologia assistiva para auxiliar na mobilidade, como o GPS.
                 Enfim, a mobilidade e a lateralidade são resultados das percepções do indivíduo, conforme ressalta Chopra, ” o corpo físico é uma abstração, um fluxo intermitente de sensações, percepções, memórias, idéias, uma projeção da consciência.” (DEEPAK CHOPRA)
##Postei a História da Bengala ->https://lumiy.wordpress.com/estudos/om-historia-da-bengala/–—
* Reflexão através das frases dos “gigantes” customizadas por Lumiy acerca de desenvolvimento do indivíduo, exteriorização, estimulação e inclusão social:
“O desenvolvimento do cérebro e dos sentidos a seu serviço, a crescente clareza de consciência, a capacidade de abstração e de discernimento cada vez maiores, reagiram por sua vez sobre o trabalho e a palavra, estimulando mais e mais o seu desenvolvimento” (ENGELS), isso, “influenciado por Marx, Vigotski concluiu que as origens das formas superiores de comportamento consciente deveriam ser achadas nas relações sociais que o indivíduo mantém com o mundo exterior” (LURIA). Ainda, conforme os testes de lateralização cerebral, existem a relação entre a lateralidade da fala e a preferência por uma das mãos (PINEL), este relacionamento mostra e remete a necessidade do estímulo e o contato ao mundo exterior para desenvolvimento do indivíduo. Então, “entre os seres humanos e o seu mundo físico coloca-se seu ambiente social, o qual refrata e transforma suas ações recíprocas com o mundo. […] crianças cegas não percebem originalmente sua cegueira como um fato psicológico. Ela é percebida apenas como um fato social, um resultado secundário e mediado de sua experiência social. […] as escolas especiais da época faziam pouco em termos dessa educação social. Influenciadas por idéias religiosas e filantrópicas, remanescentes de uma mentalidade burguesa originada no mundo ocidental, enfatizavam a situação infeliz das crianças e a necessidade de que elas carregassem sua cruz com resignação. Em contraste, Vigotski defendia uma escola que se abstivesse de isolar essas crianças e, em vez disso, integrasse-as tanto quanto possível na sociedade. As crianças deveriam receber a oportunidade de viver junto com pessoas normais” (VEER;VALSIENER), a qual, hoje esta luta nomea-se “inclusão”, onde antevir da oportunidade, agrega-se o valor de respeitar os limites e conhecer as diferenças pela sociedade, e juntamente apoiada pela Lei. (grifo de LUMIY,2009).
 (* encontrado o nome do autor escrito “Vygostsky”, “Vigotsky”, “Vygotski ” e “Vigotski”, padronizado para este texto “Vigotski”, conforme argumento do Prof.Achilles Delari Jr).
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