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Em vista do crescimento da população brasileira com mais de 60 anos e a expectativa de triplicar o número da população idosa até o ano de 2050 (IBGE, 2016), foi realizado o I Seminário de Pessoas Idosas do Século XXI – Nosso Futuro” (PI21), no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Paraná (OAB/PR), pelo Lions Clube Curitiba Batel LCCB/LD-1, Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da OAB/PR e Instituto Amigo dos Idosos – IAI, com colaboração do Núcleo de Pesquisa de Produtos Orientados para Tecnologia Assistiva do Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção e Sistemas NPOTA/PPGEPS/PUCPR e Núcleo SEEDS/PUCPR, e apoio da SANEPAR, LINEAP, AGAPANTHUS, ACP, SEDS/PR e outras instituições e comunidades relacionadas a causa.
Ao final do evento, como resultado do Seminário (palestras/questionários, pesquisas), foi lançada a “Carta Curitiba da Maturidade”, abrangendo os propósitos para mudanças nas políticas públicas relacionadas à longevidade e senescência na sociedade do Estado do Paraná e os direitos de cidadania a seguir: à Saúde e Alimentação; à Educação, Cultura e Informações; ao Esporte e Lazer; à Vida, Segurança e Cidadania; ao Trabalho e Previdência; à Comunicação e Informação; à Acessibilidade e Mobilidade Urbana; e ao acesso à Tecnologia. A “Carta Curitiba da Maturidade” foi elaborada por: Dra. Maria Lucia Miyake Okumura, Dra. Rosângela Maria Lucinda, Dr. José Augusto Araujo de Noronha, Prof. João Dario de Oliveira, Ph.D. Osiris Canciglieri Junior, Prof. Tosihiro Ida, Dra. Rosimeire Sedrez Bitencourt e MSc. Eng. João Carlos Cascaes.

Carta Curitiba da Maturidade. Disponível em:
https://cdn-ab43.kxcdn.com/wp-content/uploads/2018/06/carta-de-curitiba.pdf

Dar a Mão

A caminhada do projeto “Dar a Mão” iniciou-se numa terça-feira, 27 de maio de 2014 às 04:20 da manhã para mim. Uma mãe e professora enviou um e-mail para um amigo solicitando ajuda para fazer levantamentos de informações sobre a agenesia de mão. Ela estava buscando informações desde 12/12/2013, que a sua filha Dara nasceu com deformação da mão direita.

A mãe é a profa. Geane Poteriko, que estava internada no hospital para se recuperar de um acidente grave ocorrido em 30 de Setembro de 2014. Ela estava passando por várias cirurgias no membro inferior, mas a sua imobilidade, e ainda internada no hospital, foi o tempo oportuno para aprofundar na sua pesquisa e direcionar para fundação da Associação Dar a Mão em 30 de Setembro de 2015.

A princípio eu abria e lia alguns e-mails trocados nos grupos, que foi ficando cada vez mais intenso tanto no volume quanto nas informações (mais de mil e-mails). Foi quando comecei a receber as mensagens paralelas de um amigo dizendo “Rendo-me a dar-lhe o apoio” + “Você entende e pode ajudar muito” a esta causa (15/02/2015). Senti-me como um estrangeiro em terras desconhecidas, pois não tinha domínio no tema de deficiência física de membros superiores. Mesmo assim, criei a pasta “Projeto Dara” no meu micro para entender o cenário e estudar como poderíamos projetar um plano de inclusão social com tecnologia assistiva e acessibilidade para casos de agenesia de membros superiores/inferiores.

O projeto foi escrito ouvindo vozes de apelos de mães e pessoas envolvidas na causa (Geane, Meri Lou, Regina, Marcelo, Cascaes, Tosihiro, Mariângela, Mesquita …). Um projeto que estavam engenheiros, pedagogos, psicólogos, médicos, fisioterapeutas, designers e outros profissionais, e nascia sem recursos disponíveis para implementar. Assim, face ao amor, foi escrito para unir o dom da vida de cada pessoa envolvida, e contando que cada um possa doar um pouquinho da sua habilidade para formar a equipe idealizadora e executora. Um caminho traçado em busca do ideal comunitário (“que todos eles sejam UM“, Jo 17:21).

Foram apresentadas cerca de 30% do projeto global, que teve desdobramento de 11 planos de ação multidisciplinares em parceria com a Prefeitura Municipal de São João de Ivaí/PR, Câmara dos Vereadores, Núcleo de Pesquisa em Produtos orientados para Tecnologia Assistiva do PPGEPS/PUCPR, Núcleo SEEDS/PUCPR , Associação dos Professores do Paraná – APP,  Lions Clube Curitiba Batel, Associação Lions Internacional Distrito LD-1, Rotary SJI/PR e outros.

Em 2017 fomos agraciados com o Selo SESI ODS 2017 e Prêmio de 2.lugar (Menção Honrosa) categoria Estadual no terceiro setor, participando com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS/ONU) de “Redução de Desigualdade” apresentada pela Associação Internacional de Lions Clubes Distrito LD-1.

Ao final de 2017, verificamos a urgência e a necessidade de melhorar a gestão da Associação, pois estávamos com mais 600 famílias cadastradas (hoje chegando quase a 1000). Para tanto, surgiu a oportunidade de participarmos no projeto do Instituto Legado de empreendedorismo social. Foram 9 meses de dedicação das voluntárias de São João de Ivaí (Geane, Naime e Zane) e de Arapuã (Dani), que receberam o aprendizado de diferentes métodos e ferramentas para aplicar em empreendedorismo social. Uma experiência de muito conhecimento, enfim, fomos premiados entre as melhores Organizações da Sociedade Civil – OSCs no Prêmio Legado 2018.

Hoje, dia 21/11/2018, recebi a mensagem da Geane, novamente internada no hospital de Ivaiporã/PR, que estará passando por mais uma cirurgia, a 12a. no pé para colocar um fixador externo. Ela continua na luta para recuperar do acidente de 2014. Mesmo acamada, internada ou de muletas/cadeira de rodas, ela participa e coordena das atividades e eventos como o Dia de Voluntários da Telefônica (DVT), EXPO3DBR Encontro nacional de impressão 3D, Encontro de Raras (Doenças Raras), etc, que sempre vem acompanhadas de muitas mãos (Marcelo, Zane, Naime, Jones, Jefferson, Edu Gomes, Rui, Ruy, Silvia, Paula&Paulo, Regina, Fernanda, Junão, Robson, Hidek, Carla, Suemi, Geisa, João&Arlene, Ticiana&Renne, Daniele, Juliana, Sara, Shaiane, Jô Montani, Celson, Jean, Osny, Thayane, Denis, Marelise, Silvana, Rosângela, Alexandre, Lauriane, Osiris … de Norte ao Sul, de Leste a Oeste do Brasil e de exterior – Alemanha, Portugal, Argentina, EUA,… – somos cerca de 150 voluntários).

Este é o meio que estabeleceu a Associação Dar a Mão. Muitas dores e lágrimas. Ora lágrimas de dor, ora lágrimas de conquista, mas o amor permanece na dor e cresce no doar. Segundo Chiara Lubich,  é da cruz que vem a luz, o amor que nos dá a paz, alegria e traz o paraíso aos corações. Um trabalho de muitos para acolher, apoiar e dar a mão ao próximo com amor, fé e esperança. Somos uma grande família pulverizada em todos os Estados brasileiros e mais 5 países estrangeiros – Juntos somos mais fortes!!!

Lucia Miyake

21/11/2018.

“A alegria do cristão é como um raio de Sol que brilha de uma lágrima; é como uma rosa desabrochada de uma poça de sangue; é essência de amor destilada pela dor. Por isso, é uma alegria sem par e possui uma potência apostólica (pois penetra em todos), como uma fração de Paraíso. (…) “ (Chiara Lubich, “A Alegria”, Movimento Focolares, Roma 12 de abril de 1984.)

Saber valorizar as diferenças

Tudo o que é diferente de mim é algo a mais em minha vida.
Devo entender​ que o diferente não se identifica​ sempre​ com o negativo e muito menos com a oposição ao meu modo de ser e de pensar.
Na maioria das vezes​,​ é simplesmente diferente.
A aceitação​ das diferenças​ é um grande enriquecimento para minha vida, pois posso absorver todo o positivo que está nas pessoas à minha volta.
Já com relação ao diferente negativo é​ apenas​ uma questão de​ saber discernir​ entre o mal e o bem.
Quem é do bem não absorve o mal e não é absorvido por ele.
Não ​d​evo ter​ receio das diferenças, pois ​em vez​ de dividir os indivíduos​,​ elas enriquecem o coletivo.
Com o olhar do amor, saberei valorizar as diferenças.

Apolonio Carvalho Nascimento – Mov. Focolares, 24 Jun 2018.

 

Um encontro inclusivo e com muitas informações para compartilharmos no dia 16 e 17 de Setembro de 2016:

I Encontro Nacional de Agenesia, Familiares e Pessoas com Deficiência.

Palestras e Propostas em Educação, Saúde, Esporte, Lazer, Política e Direitos da Pessoa com Deficiência com participação de pais, associados, profissionais (médico genetecista e em doenças raras, psicólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, além da equipe do projeto de impressão 3D e doação de dispositivos de apoio protético e especialistas relacionadas à inclusão e acessibilidade da Pessoa com Deficiência.

Momento de integração com Fórum de Discussão e oficinas de recreação com crianças e voluntários.

Inscrição: http://goo.gl/NgIBj7

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Local: Auditório do Campus Garcez do Grupo Uninter, Curitiba, PR.
Dia 16 das 18:00 às 22:00 horas
Dia 17 das 08:00 às 17:30 horas.

Convite e Programação acessível para leitor de tela:

ASSOCIAÇÃO DAR A MÃO
Uma rede de apoio à diferença de membros superiores e inferiores
Convida, juntamente com seus parceiros, para o I Encontro Nacional de Agenesia, Familiares e Pessoas com Deficiência

Local: Rua Luiz Xavier, n0 103, Centro – Curitiba/PR
Auditório do Campus Garcez da UNINTER

DATA: 16 e 17 de Setembro de 2016

Inscrição aberta: http://goo.gl/NgIBj7
(*) Para os inscritos e credenciados durante o evento receberão os Certificados de participação (até 15 horas):
- pela UFPR – “Evento de Extensão/Formação Profissional”
- pela UNINTER – “Evento de Extensão de Inclusão e Saúde”.

PROGRAMAÇÃO:
16 de Setembro de 2016 Sexta-feira        
18:00 – 19:45 - Inscrição e credenciamento

- Lanche de boas vindas - Compartilhado (*)
(*) Solicitamos a todos para levarem um prato de salgado/doce, sucos, chás ou outras bebidas (menos alcóolicos) para realizarmos juntos uma confraternização / momento social.

19:45 – 21:55 - Abertura e palavras de bem-vindo aos participantes e convidados
- Composição da mesa: apresentação dos convidados de honra
- Hino Nacional
- Apresentação dos convidados especiais e dos apoiadores
- Palavras dos convidados
- “Parabéns” – Um ano da Associação Dar a Mão.

21:55 -22:00 Continuidade do evento no dia seguinte.

Dia 17 de Setembro de 2016  Sábado      
07:30 - 08:00 Inscrição e credenciamento

08:00 – 08:15 Tema: Apresentação da Associação Dar a Mão
Mesa: Geane Poteriko, Osni Adriano Ferreira e Nelson Rosa Júnior

08:15 – 08:30 Tema: Comissão de Acessibilidade Lions, SIANEE/UNINTER e Projeto Dar a Mão
Mesa: João Carlos Cascaes, Leomar Marchesini e Lucia Miyake

08:30 – 09:30 Tema: Associações, Instituições e Projetos multiplicadores por determinação e dedicação de Mães
Mesa: Noêmia Cavalheiro, Shirley Ordônio, Patricia Krebs Ferreira, Daiane Koch e Geane Poteriko  - Mediadora: Noêmia Cavalheiro

09:30 – 10:25 Tema: Doenças raras e genéticas: conceitos, pós diagnóstico, acompanhamento e conscientização com Dr. Rui Fernando Piloto - Mediadora: Daiane Koch

10:25 – 10:30 “Surpresa” do LIA – Lazer, Inclusão e Acessibilidade

10:30 – 10:40 Intervalo

10:40 – 11:25 Tema: Novo Marco Regulatório para o Terceiro Setor, em vigência a partir de 2016 com Dra. Rosângela Wolff Moro. Mediadores: João Carlos Cascaes e Leomar Marchesini

11:25 – 12:15 Tema: Motivação, Experiências e a realização profissional

Palestra-1: Transformando dor em luta com Dra. Fernanda Rigo Tolomei
Palestra-2: Saúde em todas as perspectivas com Prof. Dr. Paulo Bataglin Machado. Mediadora: Shirley Ordônio

12:15 – 13:45 Intervalo – Almoço

13:45 – 14:00 Inscrição e Credenciamento

14:00 – 14:45 Tema: Qualidade de vida e estimulação de crianças com agenesia de membros. Mesa: Dra. Regina Rigo Tolomei, Sra. Rosimeri Mangueiroski, Dra. Janaina Carvalho e Dra. Iris Miyake Okumura. Mediadora: Geane Poteriko

14:45 – 15:30 Tema: Os caminhos para os atendimentos e acessibilidade
Palestra-1: Procedimentos para o atendimento da pessoa com deficiência: Direitos, dever e encaminhamento, com Sra. Daiane Kock.
Palestra-2: Acessibilidade: um caminho para todos com Arquiteto Urbanista Ricardo Tempel Mesquita

15:30 – 15:40 Intervalo

15:40 – 16:50 Tema: Elaboração de dispositivos de apoio protético, mioelétrico e serviços de reabilitação
Mesa: Eng. Marcelo Botelho, Sra. Mariângela Fernandes Martins Gabriel, Dra. Paula Vincenzi Gaiolla e Dr. Paulo Gaiolla e Dra. Camila Miranda Almeida.
Mediador: Marcelo Botelho

16:50 – 17:40 Fórum de discussão A: Dispositivos de apoio e a equipe multidisciplinar: conquistas e desafios
Mesa: Eng.Marcelo Botelho, Dra.Valeska Cardeal Santana Lazoski e Eng.Gustavo Roos  - Mediadora: Profa.Lucia Miyake

17:40 – 18:25 Fórum de discussão B: Inclusão Escolar, encaminhamento profissional, empregabilidade e constituição familiar 
Mesa: Profa. Leomar Marchesini, Sra. Gracy Kelly da Silva, Prof. Paulo Ross
- Mediador: Prof. Dr. Paulo Ross

18:25 – 18:30  Palavras de Encerramento


Outras Atividades no Sábado:
09:00 – 18:30 Oficina de Recreação Infantil
10:25  “Surpresa” do LIA – Lazer, Inclusão e Acessibilidade

Coordenação Geral:  
Geane Aparecida Poteriko da Silva (Associação Dar a Mão)
Rosângela Barradas (Associação Dar a Mão)

Coordenação Técnica:          
Maria Lucia Miyake Okumura (NPOTA PPGEPS/PUCPR)
Paulo Ricardo Ross (SETOR EDUCAÇÃO/UFPR)
Leomar Marchesini Zuravski (SIANEE/UNINTER)
Rodrigo Berte (Escola Superior de Saúde Meio Ambiente Sustentabilidade e Humanidade/UNINTER)

Cerimonial: Leomar Marchesini Zuravski

Parceiros:
- Comissão de Acessibilidade Lions Clube Curitiba Batel
- GRUPO UNINTER
- UFPR – Setor Educação
- NPOTA - Núcleo de Pesquisa de Produtos Orientados para Tecnologia Assistiva PPGEPS/PUCPR

Apoio:
- AFAG Associação dos Familiares, Amigos e Portadores de Doenças Graves
- AIR LIQUIDE 
- Ambulatório da Síndrome de Down do HC/UFPR
- LIA Lazer, Inclusão e Acessibilidade
- E-NABLING THE FUTURE
- OBADIN Organização Brasileira de Apoio às Pessoas com Doenças Neuromusculares e Raras
- REVIVER Down
- SESA Secretaria de Estado da Saúde

Contato: associacaodaramao@gmail.com - (43) 9846-9220

 

 

7 Erros Que você (Provavelmente) Comete Ao Lidar Com Pessoas Cegas

Por Leonard Sousa

http://entrelinhasca.com/2016/08/7-erros-ao-lidar-com-pessoas-cegas/

Por MARVIN COSTA

A Apple é bastante conhecida por contar com opções personalizadas para deficientes físicos em seus produtos. O que pouca gente sabe é que a companhia realiza parcerias com pessoas com necessidades especiais no desenvolvimento dessas ferramentas. Esse é o caso de Jordyn Castor, engenheira cega que é o símbolo da Apple para realizar avanços para deficientes no Mac e no iPhone.

Nascida prematuramente e cega, com expectativa de vida desacreditada pelos médicos, Jordyn sobreviveu. Seu familiares não queriam que ela levasse uma vida limitada e a incentivaram a mergulhar no estudo de informática. Desde criança, ela recebeu presentes tecnológicos de seus pais e rapidamente perceberam que ela tinha muita curiosidade pelo assunto.

Resolvi criar códigos para que o computador cumprisse as tarefas que eu queria. Eu percebi que com meu conhecimento em computadores e tecnologia eu poderia ajudar a mudar o mundo das pessoas com deficiência“, diz Castor.

Sua relação com Apple começou em 2015, quando se tornou estagiária da empresa, após participar de uma feira de empregos em Minneapolis. Assim ela entrou para equipe de soluções de acessibilidade para o VoiceOver. Posteriormente, foi contratada como engenheira de qualidade em projetos de acessibilidade.

A engenheira diz que seu trabalho está ligado não só às tecnologias que ajuda a criar, mas também à linguagem de braille. Segundo ela, a tecnologia não pode substituir o braille, mas sim complementar as opções dos deficientes visuais. “Eu uso Braille sempre que escrevo um código“, afirma.

As ideias de Jordyn tem ajudado a Apple a tornar seus produtos melhores para pessoas com algum tipo de deficiência. Em breve, o trabalho da engenheira fará parte de um sistema do Apple Watch que informa a hora através de vibrações.

Com o novo aplicativo do iOS 10, o Swift Playgrounds, ela pretende agregar a possibilidade de edição de códigos para comunidade de deficientes. “Isso vai permite que crianças mergulhem em códigos. Elas poderão usar o Swift Playgrounds com auxilio do VoiceOver para iniciar uma programação“.

A gerente sênior de política de acessibilidade global e iniciativas da Apple, Sarah Herrlinger, acrescenta que a empresa tem ampliado sua dedicação na inclusão social de pessoas com deficiência. Segundo ela, as ferramentas de acessibilidade da Apple podem ajudar esses usuários a gastar menos. “Os recursos estão no sistema (iOS e Mac) independente de você precisar deles“. Dessa maneira, o deficiente não está pagando mais caro por um produto específico, como acontece normalmente em produtos para esse público.

A história de Jordyn Castor vem ganhando destaque não apenas dentro da Apple. Recentemente, ela foi palestrante em um evento da entidade de defesa dos direitos dos cegos (National Federetion of the Blind), onde falou sobre seu trabalho no mundo da tecnologia. Ela diz que tem uma mensagem simples para as próximas gerações de programadores cegos: “A cegueira não nos define. Ela é parte de quem você como pessoa, mas não define você ou o que você pode fazer na vida“, conclui.

Engenheira cega da Apple é símbolo dos esforços em acessibilidade para o iPhone

O Movimento Down disponibilizou uma cartilha muito interessante, esclarecedora e de apoio aos pais de filhos com deficiência. Segue a apresentação e o link:

“TRÊS VIVAS PARA O BEBÊ: Este livreto foi preparado por mães e pais que, como você, tiveram filhos com deficiência. Muitos de nós recebemos a notícia de maneira inapropriada e com informações negativas e desatualizadas. Por isso quisemos compartilhar com você o que sentimos e dizer o que gostaríamos de ter ouvido nesta hora. Os primeiros momentos foram difíceis, mas com o tempo aprendemos que nossos filhos são crianças como outras quaisquer, com um futuro promissor pela frente, e vimos que seu nascimento trouxe muitas alegrias para a família. Parabéns pelo seu bebê! Movimento Down”

Cartilha: TRÊS VIVAS PARA O BEBÊ! GUIA PARA MÃES E PAIS DE CRIANÇAS COM MICROCEFALIA

 

 

Engenharia Biomecânica para Viver Sem Limites
Uberlândia – MG nos dias 05 a 08 de Maio de 2015

Estaremos no evento para apresentar um Sistema Eletrônico para treinamento de esporte para paratletas com deficiência visual. A pesquisa será apresentada pelo Altemir Trapp, técnico da Paraolimpíada de Goaball e membro da nossa equipe de Produtos orientado para Tecnologia Assistiva – POTA/PPGEPS-PUCPR.

Um especial agradecimento ao prof. Cleudmar Amaral Araújo, presidente do ENEBI 2015, e também parabenizamos pelo evento.

Mais informações no site: http://www.enebi.com.br/

O dom aflorado é um talento encontrado

A deficiência desaparece no talento, na habilidade quando se encontra com o dom da pessoa. O vídeo mostra a apresentação do Nobuyuki Tsujii, pianista cego, que toca “La Campanella”de Franz Liszt, com total perfeição.

Nobuyuki Tsujii, cego de nascença e com o dom na música. O seu talento é revelado aos dois anos ao tocar no seu piano de brinquedo a melodia que ouvia a sua mãe cantar.  Ingressou no estudo de piano aos quatro anos, e aos sete anos (1995) ganhou o primeiro prêmio ao participar do concurso “All Japan Music” de estudantes com deficiência visual da Associação Helen Keller de Tokyo. Aos dez anos (1998), Nobuyuki estreou na orquestra de Osaka, e em 2009 ele participa da competição “the 13th Van Cliburn International Piano Competition” nos Estados Unidos, Texas, ficando em primeiro lugar. Em outubro de 2005, participou do 15ª Concurso Internacional de Piano Frederik Chopin, realizado na Polônia, em Varsóvia, chegando à semifinal e recebeu o Prêmio Crítico. Além de tocar o piano, Nobuyuki é compositor, e aos 12 anos apresentou “Street Corner of Vienna” de sua autoria. Mas informações encontra-se no site http://www.nobupiano1988.com/.

“Se é o dom de servir, então devemos servir; se é o de ensinar, então ensinemos; se é o dom de animar os outros, então animemos. Quem reparte com os outros o que tem, que faça isso com generosidade”. Rm 12:7-8. “Sejam bons administradores dos diferentes dons que receberam de Deus. Que cada um use o seu próprio dom para o bem dos outros!”. 1Pe 4:10.

APAE: 60 anos

APAE, parabéns!

Seminário Estadual sobre Saúde e PcD – Novos Caminhos

Realização: CVIRM – CENTRO DE VIDA INDEPENDENTE DA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA

Local: Hotel Nacional Inn – Rua Lourenço Pinto, 458 – Curitiba, PR.

Apoio:
AFAG- Associação dos Familiares, Amigos e Pessoas com Doenças Graves
SIANEE – Serviço de Inclusão e Atendimento aos Alunos com Necessidades Educacionais Especiais do Centro Universitário UNINTER

Patrocínio: SESA – Secretaria de Estado da Saúde – Governo do Paraná.

Resultados do Seminário: Participação de 40 municípios do Paraná.

http://bronca-blogdobronca.blogspot.com.br/2014/09/seminario-reune-40-municcipios-em.html?spref=fb

Percepção: Da Motivação para Estimulação

A importância de incentivar a criança explorar o ambiente que se encontra, fazendo parte de estimulação para o aprendizado vinda da própria vontade e curiosidade dela, são os momentos de motivação e crescimento pessoal. Assim, o brincar com os instrumentos lúdicos e o contato com a natureza trazem o aperfeiçoamento significante na percepção em todos os sentidos.

O filme “A cor do paraíso” mostra a história do menino Mohammad, cego, que mora numa escola iraniana para crianças com deficiência visual. Num fragmento do filme, mostra o Mohammad socorrer um filhote de passarinho. Neste cenário, estão alguns elementos de percepção, que são adquiridos no desenvolvimento da criança por meio de exploração no ambiente e o contato com a natureza, resultando na conquista de sua autonomia. O menino recorre aos sentidos da audição e tato. Pela audição, ele consegue localizar o filhote de passarinho entre as folhas caídas no chão, e a direção do gato aproximando, que o espanta jogando uma pedra. Outro cenário está do menino subindo a árvore para procurar o ninho do passarinho, e escolhe galhos seguros para poder apoiar. Nesta parte, encontra-se o uso do tato para subir na árvore e do sistema háptico para deixar o passarinho dentro do ninho e acariciá-lo. Assim, envolvem-se vários fatores constituindo o sistema háptico (textura, som das folhas/galhos/piar do filhote e da mãe, o bicar dos passarinhos, etc.), e também o sentido da sinestesia (mistura dos sentidos).

Dentro dos fatores humanos e as limitações da pessoa com necessidades específicas “traduzem as necessidades de apoio, os quais não podem ser vistas de forma generalizadas, sendo o produto orientado para moldar-se ou adaptar-se adequadamente para o uso do usuário, não concebendo a ordem inversa do ser humano se adaptar ao produto”  (Okumura&Canciglieri Jr. “Engenharia Simultânea e Desenvolvimento Integrado de produto inclusivo“, Deutschland/Niemcy: NEA-OmniScritum GmbH, 2014.)

Tecnologia Assistiva na Engenharia: desenvolvimento de dispositivos de apoio para pessoas com necessidades específicas

No dia 28 de Julho de 2014 foi publicado o nosso livro “Engenharia Simultânea e Desenvolvimento de Produto Inclusivo” pela editora NEA – OmniScriptum da cidade de Saarbrücken na Alemanha. Os autores são Maria Lucia Miyake Okumura, M.Eng. e Osiris Canciglieri Junior, Ph.D. 

Resumo: Este livro aborda as especificidades das pessoas com limitação/deficiência física ou sensorial para delinear um projeto no Processo de Desenvolvimento Integrado de Produto e no ambiente da Engenharia Simultânea orientado para Tecnologia Assistiva. Assim, envolvem-se ferramentas e métodos como DFMA, Design Universal, Ergonomia, Usabilidade entre outros, cujos atributos estão intrínsecos no apoio ao usuário para realização de atividades, visando principalmente a sua autonomia e desenvolvimento, e contribuindo no plano da acessibilidade e inclusão social. A validação da proposta conceitual foi empregada nos estudos de casos múltiplos, compreendendo projetos de produtos inclusivos classificados quanto ao tipo de uso: personalizado (prótese craniana); individualizado (uso do QR-Code/ aparelho celular na acessibilidade); em grupo (esporte aquático); e em grupo na diversidade (ensino da disciplina de Física).

Mais informações na:

Amazon.com.br: http://www.amazon.com.br/Engenharia-Simultanea-Desenvolvimento-Integrado-Inclusivo/dp/3639684494/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1447717178&sr=1-1

Amazon.com:  http://www.amazon.com/dp/3639684494/ref=cm_sw_su_dp

Morebooks: http://www.morebooks.de/store/gb/book/engenharia-simult%C3%A2nea-e-desenvolvimento-integrado-de-produto-inclusivo/isbn/978-3-639-68449-0

 Alzheimer e família

Uma das visões conturbadoras vem dos casos de demência. Assim, quero abordar alguns aspectos desta patologia neste post, o qual Dr. Norton Sayeg argumenta que a demência leva “os indivíduos a terem dificuldade em identificar cores suaves e suas tonalidades” no texto sobre a visão na Comunicação e Alzheimer, cujo contexto recomendo-o para leitura.

O resultado do diagnóstico é importante para buscar a solução ou amenizar a situação de demência.
Segundo Dr. Ricardo Nitrini , “a demência é uma síndrome resultante do declínio progressivo da capacidade intelectual do indivíduo. Caracteriza-se pela perda da capacidade de memorizar, de resolver os problemas do dia a dia, o que interfere em seus relacionamentos e atividades sociais e profissionais” (in. http://drauziovarella.com.br/envelhecimento/demencias/).

Dr. Forlenza esclarece que “o indivíduo torna-se progressivamente incapaz de desempenhar atividades da vida diária (trabalho, lazer, vida social) e de cuidar de si mesmo (cuidar do próprio asseio pessoal, vestir-se, alimentar-se), passando a depender de um cuidador. Na doença avançada, observa-se a tríade afasia, apraxia e agnosia, caracterizada pela perda significativa da linguagem, da capacidade de desempenhar tarefas e de nomear pessoas e objetos. Alterações psíquicas e comportamentais, tais como psicose, alterações do humor e do sono, agitação psicomotora e agressividade, estão presentes em até 75% dos casos“.

 O estado de demência poderá ser decorrente de envelhecimento natural como  “demência senil” ou “demência vascular”, ou ainda, conforme o diagnóstico médico ou psicológico constatando o mal de  Alzheimer, corpos de Lewy, carência de vitaminas, descontrole hormonal, estress, ou mesmo casos de DST (como sífilis). Portanto, o diagnóstico precoce é importante, pois podem indicar casos de demência temporária. No entanto, no mal de Alzheimer, nem sempre percebe-se precocemente os sintomas iniciais, e as alterações das funções cognitivas são semelhantes ao processo natural de envelhecimento. Assim, segue abaixo um quadro constando sinais de alerta para patologia de Alzheimer e processo normal de envelhecimento, conforme o site de Alzheimerportugal (in. http://alzheimerportugal.org/pt/doenca-de-alzheimer):

Sinais de alerta

O que é normal no envelhecimento

-Esquecer-se de parte ou da totalidade de um acontecimento -Ter uma vaga lembrança de um acontecimento
-Progressivamente perder a capacidade de seguir indicações verbais ou escritas -Manter a capacidade de seguir indicações verbais ou escritas
-Progressivamente perder a capacidade de acompanhar a história de uma novela ou filme -Manter a capacidade de acompanhar a história de uma novela ou filme
-Esquecer-se progressivamente de informação que conhecia, como dados históricos ou político -Esquecer-se de nomes ou palavras, mas recordá-los posteriormente
-Perder progressivamente a capacidade de, autonomamente, se lavar, vestir ou alimentar -Manter a capacidade de se lavar, vestir, alimentar, apesar das dificuldades impostas pelas limitações físicas
-Progressivamente perder a capacidade de tomar decisões -Tomar uma decisão errada pontualmente
-Progressivamente perder a capacidade de gerir o seu orçamento -Cometer erros ocasionais, por exemplo a passar um cheque.
-Não saber em que data ou estação do ano está -Ficar confuso sobre o dia da semana em que se encontra, mas lembrar-se mais tarde
-Ter dificuldades em manter uma conversa, não conseguindo manter o raciocínio ou lembrar-se das palavras -Esquecer-se, às vezes, de qual a melhor palavra a usar
-Esquecer-se do local onde guardou um objeto e não ser capaz de fazer o processo mental retroativo para se lembrar -Perder alguma coisa de vez em quando, mas conseguir encontrá-la através do seu raciocínio lógico

 

Existem muitas pesquisas, mas a cura efetiva para mal de Alzheimer não existe ainda. Em alguns casos de diagnóstico precoce são receitados inibidores das colinesterases (I-ChE) para retardar os sintomas. Mas com o passar do tempo, deixa de surtir efeitos ou podem aparecer reações adversas, como complicações hepáticas. (* na Batyan foi ministrado o donepezil com acompanhamento do  médico geral e um neuropsiquiátrico).

Conforme os depoimentos encontrados em artigos e redes sociais, a degeneração total das diversas funções cognitivas da pessoa com o mal de Azheimer é progressiva e irreversível, e a melhor  forma de dar com isso depende da união dos familiares, de ter muita paciência para dar a  atenção e o apoio necessário, mesmo que este ato seja apagado em questões de minutos. Porém, o fato de ver um sorriso, ou da pessoa lembrar de alguma situação, ou reconhecer alguém da família, são pequenos momentos de alegrias, pois confirma que ainda existe alguma memória na pessoa.

Referências:
Norton Sayeg. Comunicação e Alzheimer, órgão do sentido: visão. Disponível em: <http://www.alzheimermed.com.br/convivendo-com-o-paciente/comunicacao-e-alzheimer&gt;. Acessado em 29 jun. 2014.
Forlenza, O.V. Tratamento farmacológico da doença de Alzheimer. Revista de Psiquiatria Clínica, v.32, n.3. Disponível em: <http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol32/n3/137.html&gt;. Acessado em 29 jun. 2014.
Drauzio Varella. Demência: entrevista com Ricardo Nitrini. Disponível em demencias>. Acessado em 29 jun. 2014
Alzheimer Portugal. Disponível em . Acessado em 29 jun. 2014.

Reflexão-1:

“Ouça, meu filho, a instrução de seu pai e não despreze o ensino de sua mãe. Eles serão um enfeite para a sua cabeça, um adorno para o seu pescoço”. Provérbios 1:8-9

Reflexão-2:  Carta para o Filho

O dia em que este velho já não for o mesmo, tenha paciência e me compreenda.
– Quando eu derramar comida sobre minha camisa e esquecer como amarrar meus sapatos, tenha paciência comigo e se lembre das horas que passei te ensinando a fazer as mesmas coisas.
– Se quando conversa comigo, repito e repito as mesmas palavras e sabes de sobra como termina, não me interrompas e me escute. Quando era pequeno, para que dormisse, tive que contar-lhe milhares de vezes a mesma estória até que fechasse os olhinhos.
 – Quando estivermos reunidos e, sem querer, fizer minhas necessidades, não fique com vergonha e compreenda que não tenho a culpo disto, pois já não as posso controlar. Pensa quantas vezes quando menino te ajudei e estive pacientemente a seu lado esperando que terminasse o que estava fazendo.
 – Não me reproves porque não queira tomar banho; não me chames a atenção por isto. Lembre-se dos momentos que te persegui e os mil pretextos que tive que inventar para tornar mais agradável o seu banho.
 – Quando me vejas inútil e ignorante na frente de todas as coisas tecnológicas que já não poderei entender, te suplico que me dê todo o tempo que seja necessário para não me machucar com o seu sorriso sarcástico.
Lembre-se que fui eu quem te ensinou tantas coisas.
Comer, se vestir e como enfrentar a vida tão bem com o faz, são produto de meu esforço e perseverança.
 – Quando em algum momento, enquanto conversamos, eu chegue a me esquecer do que estávamos falando, me dê todo o tempo que seja necessário até que eu me lembre, e se não posso fazê-lo não fique impaciente; talvez não fosse importante o que falava e a única coisa que queria era estar contigo e que me escutasse nesse momento.
 – Se alguma vez já não quero comer, não insistas. Sei quando posso e quando não devo.
 – Também compreenda que, com o tempo, já não tenho dentes para morder, nem gosto para sentir.
 – Quando minhas pernas falharem por estarem cansadas para andar, dá-me sua mão terna para me apoiar, como eu o fiz quando começou a caminhar com suas fracas perninhas.
 – Por último, quando algum dia me ouvir dizer que já não quero viver e só quero morrer, não te enfades. Algum dia entenderás que isto não tem a ver com seu carinho ou o quanto te amei.
Trate de compreender que já não vivo, senão que sobrevivo, e isto não é viver.
Sempre quis o melhor para você e preparei os caminhos que deve percorrer.
Então pense que com este passo que me adianto a dar, estarei construindo para você outra rota em outro tempo, porém sempre contigo.
Não se sinta triste, enojado ou impotente por me ver assim. Dá-me seu coração, compreenda-me e me apóie como o fiz quando começaste a viver.
Da mesma maneira que te acompanhei em seu caminho, te peço que me acompanhe para terminar o meu.
Dê-me amor e paciência, que te devolverei gratidão e sorrisos com o imenso amor que tenho por você.
Atenciosamente,
Papai e Mamãe
(*) À memória e lembrança de todos os pais do mundo

Nada por Mim, Sem Mim

Nothing about Me, without Me.
(Nada sobre mim, sem mim!)

Ouvi a frase “Nada sobre mim, sem mim” usada em uma das perguntas no CTI (Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer), no encontro “Manhã de Inovação”, que lembra muito a frase “Nada sem nós, sem nós”. Mais tarde, encontrei a frase em título de artigos e livros contextualizando assuntos da área de saúde e educação. Assim, quero direcionar a frase, também para abordagem de Inclusão/acessibilidade.

Contextualizando (Okumura, 2013): “NADA SOBRE MIM, SEM MIM” refere-se a participação da PcD (pessoa com deficiência), que é prioridade quando se trata de inclusão/acessibilidade, seja como agente ou beneficiário! e “NADA SOBRE NÓS, SEM NÓS”, vamos fazer acontecer sem burocracia.

Se oportunizarmos para engenharia com víes para Projetos e Desenvolvimento de Produtos inclusivos, a frase “Nada sobre mim, sem mim” encaixa-se perfeitamente na situação de projetar os produtos com a participação da PcD (pessoa com deficiência). Esta participação de PcD possibilita melhor embasamento, principalmente no levantamento das necessidades do usuário para compor em requisitos do produto e, também, na qualidade exigida (Okumura, 2012).

** Para Cidadania e Inclusão:  estão em identificar as qualidades do sujeito, e não colocar a característica da deficiência na frente. A identificação da qualidade e habilidade da pessoa é que conduz para a educação,  profissão que o indivíduo está pronto para assumir. Quanto a característica da deficiência, remete para tirar as barreiras, em providenciar as condições necessárias de acessibilidade para exercer atividade de cidadania (Okumura, 1ºSeminário de Tecnologia e Acessibilidade, IEP-Instituto de Engenharia do Paraná, Out/2013).

** Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato… Ou toca, ou não tocaClarice Lispector

I Seminário de Tecnologia e Acessibilidade – IEP

De 16 a 18 de outubro o Instituto de Engenharia do Paraná reúne especialistas para discutir perspectivas técnicas e soluções que melhorem a acessibilidade, inclusão e autonomia de pessoas com necessidades especiais.

O encontro também tem o objetivo de avaliar a situação nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no setor, bem como a produção e a comercialização de soluções em Tecnologia de Automação (TA).

Foto da platéia lotada: I Seminário de Tecnologia e Assibilidade (IEP)

(*) Estarei no evento com o tema e cases: “Elaboração de Produtos Sustentáveis e Inclusivos”

Aula de Qualificação

Aula de PCP para PcD

No dia 5/8/2013 foi a última aula do módulo de PCP (Planejamento e Controle da Produção) para uma turma muito especial, e também são funcionários de uma empresa da região. Esta turma é composta de 22 pessoas com deficiência (PcD). Estavam lá, pessoas com deficiência visual, deficiência auditiva, deficiência física e deficiência intelectual, que participaram do curso de qualificação oferecida pela empresa. Juntamente, estava presente em todas as aulas, uma intérprete de Libras, muito atenciosa, que me auxiliou para comunicar com os surdos.

No entanto, a minha surpresa foi que este pessoal é muito engajado e esforçado, em busca de melhorar a vida profissional, pois muitos deles frequentam outros cursos à noite, como de graduação ou ensino médio, e ainda têm outras atividades para complementar a renda familiar. 

Desenho do Delmar

Na despedida, recebi este desenho do aluno Delmar, que fica como lembrança e carinho da classe. (Descrição da imagem: o desenho feito a lápis numa folha de caderno. É um desenho de paisagem com flores, pato e seus filhotes no rio. Na parte superior, está escrito a frase “As belezas da natureza e os olhos de quem a admira são obras de ‘Deus'”, abaixo, está a assinatura do aluno e a data).

Enfim, a inclusão é isso, a integração de todos que favorece a todos.

Obrigada a todos, pela oportunidade, e, apesar de poucos dias, foi um grande prazer estar com vocês!!!

(*Okumura, M.L.M.) Aprendizado e experiência: para cada pessoa com deficiência apresenta uma característica diferente, mesmo categorizada no mesmo tipo, assim a visão distorce numa imensa complexidade para avaliar ou criar um método de pesquisa/ensino/trabalho. Mas, aproximando-se e explorando cada caso, percebo como é maravilhoso identificar as especificidades (detalhes), que estão inseridas em cada pessoa, e isto, tende a completar o constructos das avaliações e os métodos. Destarte, o contato e o relacionamento é o primeiro passo para elaborar o esboço informacional do projeto e… considerando as palavras do Miguel Arroyo, que “antes do ser aluno é com uma pessoa que estamos lhe dando” – Estarei melhor preparada para a próxima turma! (Jul 2013: mód.gestão industrial com 22 PcD DA/DF/DI/DV em uma única classe) Lumiy.

Declaração de Durban

Nota de Romeu Kazumi Sassaki:
Nós, gente do mundo inteiro, temos agora mais um instrumento internacional que se posiciona fortemente pelos direitos das pessoas com quaisquer tipos de deficiência – é a Declaração de Durban. Ela foi aprovada pela Assembleia Mundial da DPI (Disabled Peoples’ International) ou OMPD (Organização Mundial de Pessoas com Deficiência), em outubro de 2011, na África do Sul.

Continue lendo emhttps://lumiy.wordpress.com/leidireito/declaracao-de-durban/


Nihon Tenji: Sistema Braille em versão japonês

Neste post acrescento como curiosidade a história de expansão do Sistema Braille  no Japão e o desafio de elaborar na versão japonesa que tem mais de 100 letras no alfabeto básico. Também posto em resposta à Jaqueli T. e de colegas professores que apreciam as letras de pontos em relevo. 

            Existem diversas versões de codificação do Braille, seguindo normalmente para atender as particularidades da Língua de cada país, como é o caso do “Ç” na nossa Língua Portuguesa do Brasil ou letra com crase no Francês (È, Ù) e outros.
            A versão Braille em japonês, chamada de “Tenji”, foi idealizada por Kuraji Ishikawa. Ishikawa nasceu em 26 de Janeiro de 1859 na província de Shizuoka, cidade de Hamamatsu, Naka-ku, Shikatani-cho, Japão, e morreu com 86 anos em 23 de Dezembro de 1944 na Província de Gunma. A família dele vêm de descendente de samurai, assim Ishikawa recebeu a educação japonesa, aprendeu inglês, artilharia ocidental e artes marciais. Foi um excelente estudante e tornou-se professor na área de Linguística japonesa em 1875. Em 1886 o Prof. Shimpachi Konichi convidou Ishikawa para elaborar um novo método de ensino para alunos cegos. Para isso, havia necessidade de contato com alunos cegos e Ishikawa foi lecionar em Moain, que era a escola de educação especial para alunos com deficiência visual da Universidade de Tsukuda (Special Needs Education School for the Visually Impaired, University of Tsukuba). Naquela epoca existia outras formas de leitura das letras para pessoas cegas, porém muito complexa para aprender. Desde modo, Ishikawa pesquisou a elaboração da versão do Sistema Braille em japonês, sendo que o maior desafio estava na diferença entre a língua ocidental e japonesa. Em 1888 apresentou a primeira versão e em 1890 estabeleceu o método completo compreendendo o alfabeto japonês no formato kana (katakana). Assim, o dia 11 de Novembro de 1890 foi marcado o dia do “Nihon Tenji” – Braille japonês. No calendário do Japão, o dia 11 de Novembro é homenageado o dia de Tenji.

Tenji: Código Braille em Japonês ( Handbook of translation into Braille apud Matsuda&Isomura, 2010)

           A palavra Tenji (点字) significa em japonês letra em pontos. O Tenji básico, apresentado na Figura de  National Association of Information Service for Visually Impaired Persons (2002 apud Matsuda&Isomura, 2010), mostra o alfabeto codificado no tipo “kana”, que são mais de 100 letras, cujo símbolo em Tenji é identificado abaixo com a letra correspondente em “katakana”. As letras em kana são identificadas por sílaba, por som que emitimos. Assim, para representar o som “ma” existe uma letra, onde na letra ocidental utiliza-se duas letras o “m” e o “a”.

            Portanto, para letras de som simples, o Tenji na Figura segue o alfabeto japonês na estrutura da linha (a, i, u, e, o) e coluna (a, ka, sa, ta, na, ha, ma, ya, ra, wa, mm). Ou seja, a lógica segundo Lumiy, encontra-se nos pontos da cela 1, 2 e 4 que variam o som conforme a cela 3, 5 e 6. Explicando melhor, as letras “a, i, u, e, o” usam-se os pontos: a=1, i=1 e 2, u=1 e 4, e=1,2 e 4, o=2 e 4. Para codificar “ma, mi, mu, me, mo”, acrescenta-se os pontos 3, 5 e 6 nas codificações de “a, i, u, e, o”. Para codificar “na, ni, nu, ne, no”, acrescenta-se o ponto 3 nas codificações de “a, i, u, e, o”. Observem que existem diferenças culturais inclusive na sequência de pronunciar as vogais em Português que é diferente da Língua japonesa, assim como, o símbolo Braille em Português/letra ocidental é totalmente diferente do JaponêsExistem ainda, as letras em kana de som composto e ditongos que utilizam duas celas para representar o símbolo em Tenji. Além disso, existem outras codificações que representam alguns tipos de kanji, que são letras em japonês que tem significado de palavras (Okumura, 2013).
               Nos dias de hoje, com a globalização, utiliza-se também a codificação do Braille ocidental no Japão.

 O tema Braille abordo também no post “Ler e Escrever no Sistema Braille“. 

Reflexão: «Quando na alma desperta verdadeiramente o sentimento de que a língua não é simplesmente um meio de troca com vista ao acordo recíproco, mas que ela é um verdadeiro mundo que o espírito é obrigado a pôr entre si e os objetos pelo trabalho interno da sua força, então ela (a alma) está no bom caminho para se encontrar sempre mais nela (a saber, na língua como mundo) e a investir-se nela.»  WilheIm von Humboldt (1836 apud Martin Heidegger, “Língua de tradição e Língua técnica”,1995)

Referência:
Hamamatsu-Books. People: Ishikawa Kuraji. Disponível em: http://www.hamamatsu-books.jp/sp/category/detail/4c8db569d157c.html
Matsuda, Y; Isomura, T.Finger Braille Teaching System. In. Character Recognition. Minoru Mori (Ed.). InTech, 2010.
National Association of Information Service for Visually Impaired Persons. Handbook of translation into Braille. Tokyo, Japan: Daikatsuji, 2002.
Okumura, M.L.M. Nihon Tenji: Braille em versão japonesa. In.Lumiy´s blogs – Visão e Percepção: um olhar para o conhecimento. 2013.

Mário Quintana: Deficiência

Deficiente” é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
Louco” é quem não procura ser feliz com o que possui.
Cego” é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
Surdo” é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
Mudo” é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
Paralítico” é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
Diabético” é quem não consegue ser doce.
Anão” é quem não sabe deixar o amor crescer.
        E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:
Miseráveis” são todos que não conseguem falar com Deus.
A amizade é um amor que nunca morre.” 

* Mário Quintana, poeta gaúcho (1906-1994).

Uma nota, um fracasso, uma lição.

A escola é autorizada para ensinar, avaliar e certificar a continuidade dos estudos.
A escola possui um tal poder que não apenas serve para promover as pessoas. A escola usa seu poder para separar aqueles que apresentam mérito e aqueles que passam a ser considerados incapazes.

continue lendo em profpauloross.wordpress.com/2012/10/10/uma-nota-um-fracasso-uma-licao/

 

Aprender com as diferenças: Invisibilidades

Marta Gil (*)

A “invisibilidade” na área da Deficiência já se tornou uma velha conhecida. 
As pessoas com deficiência a sentem na pele, nas mais diversas situações; os que estão perto delas ou trabalham na área têm muitas histórias dela para contar.
Para Harry Potter e seus amigos, a invisibilidade trazia vantagens e, portanto, era desejável: com a capa mágica, podiam se aventurar, descobrir segredos e identificar vilões. 
A capa os protegia, dava acesso a informações preciosas ou mesmo favorecia escapadelas.
Não é esse o caso das pessoas com deficiência. Porém, já que repetimos tantas vezes essa afirmação e até comprovamos sua ocorrência, vale a pena refletir sobre isso.
Mas, por que usar o plural? Porque acho que há dois tipos de invisibilidade.
A nossa velha conhecida é aquela que ignora as características das pessoas com deficiência, camuflando-as com frases como “Para mim, todos são iguais”; “O que me interessa são pessoas”; “Trato todos do mesmo jeito” ou variações parecidas. 
Essas frases, que aparentemente traduzem sentimentos louváveis, podem esconder um perigo, embora as intenções de quem fala sejam as melhores e as mais nobres possíveis.
Perigo? Como assim?
Ele reside na não consideração de características que fazem parte da natureza da pessoa com deficiência.
Se os traços diferenciais são “pasteurizados” em nome desta igualdade que não respeita a diversidade – ao contrário, passa um trator sobre ela – então essas características ficam, sim, “invisíveis”.
Resultado: escolas (e demais espaços sociais) não têm materiais em braile, em português simplificado ou com audiodescrição; surdos não têm intérpretes de Libras; rampas, elevadores, softwares, pisos podotáteis nem são contemplados em orçamentos, etc.
Como alerta Reinaldo Bulgarelli: 
As pessoas não são “alminhas vagando por aí”; têm corpos, características, desejos e necessidades, que formam sua identidade. 
Quando esta não é sequer considerada em nome de uma suposta “igualdade”, elas se tornam “invisíveis” porque algumas de suas características são solenemente ignoradas. 
Aí, a presença nos espaços sociais se torna difícil ou até mesmo inviável, para muitas. Isso explica porque nem sempre são vistas por nós.
Esse tipo de invisibilidade deve ser combatido, sempre. 
A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que o Brasil ratificou com equivalência constitucional é o instrumento mais potente que dispomos para garantir a visibilidade. 
A Convenção traz um novo olhar, tendo como base os Direitos Humanos.
Um de seus pilares é a Acessibilidade, em todos os significados do termo. A ausência de acessibilidade configura discriminação – e discriminar é crime. Simples assim.
Ana Paula Crosara, que tinha uma deficiência física, costumava dizer que esperava o dia em que entrar e sair de um carro fosse algo corriqueiro, deixando de ser “um espetáculo”, que atraía olhares curiosos.
Esse outro tipo de “invisibilidade” é desejável, pois vem da naturalidade: indica que as condições para que as pessoas com deficiência possam participar da sociedade estão asseguradas. 
Assim, elas podem “aparecer” e todos podemos conviver com tranquilidade, segurança e respeito.
A “invisibilidade desejável” beneficia a todos, porque considera a diversidade funcional de cada um. 
Ela cria um círculo virtuoso: ao olhar de frente o diferente, a sociedade inventa alternativas e busca soluções; à medida que a acessibilidade aumenta, mais pessoas entram na roda e a diferença passa a ser percebida e celebrada como parte da riqueza da Vida.
Para termos direitos iguais, nossas diferenças precisam ser vistas, reconhecidas e aceitas.

(*) Marta Gil: Socióloga, consultora na área da Deficiência, coordenadora do Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas, Fellow da Ashoka Empreendedores Sociais, colaboradora do SENAI-SP e do Planeta Educação.

Divulgação autorizada pela autora e publicada no Planeta Educação.
Disponível em: http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=2285

CIF Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde

        A Organização Mundial de Saúde (OMS ) classifica os estados de saúde principalmente no CID 10 (Classificação Internacional de Doenças – Décima Revisão), aplicado no laudo médico, e no CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde). Considera-se o CID e o CIF são classificações complementares para compor uma estrutura de informações mais aprofundadas do paciente/aluno/trabalhador. Neste aspecto, este post apresenta a definição e aplicação do CIF que retirei de OMS e Direcção-Geral da Saúde (2003) “Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde: Classificação Detalhada com definições – Todas as categorias com as suas definições, inclusões e exclusões”.  Também acrescento uma notação da Claudia Werneck (2002) do “Manual da Mídia Legal”, que posiciona a importância do contexto em relação a qualidade de vida e  pessoa com deficiência (PcD). 
       De certa forma,  a CIF é uma classificação que pode auxiliar como ferramenta de pesquisa para quantificar as interações gerais do paciente, ou, que seja  usuário/cliente/aluno, revelando a situação mais próxima para investigar e compreender a sua limitação, capacidade e habilidade, além do laudo médico apresentando a classificação de CID10, assim, dentro da perspectativa de atender as necessidades especiais, torna-se uma base para aprofundar nos “requisitos do usuário” para elaboração do Projeto Conceitual (Okumura, M.L.M, 2012).

A CIF engloba todos os aspectos da saúde humana e alguns componentes relevantes para a saúde relacionados com o bem-estar e descreve-os em termos de domínios de saúde e domínios relacionados com a saúde. Como exemplos de domínios da saúde incluem ver, ouvir, andar, aprender e recordar, enquanto que exemplos de domínios relacionados com a saúde incluem transporte, educação e interações sociais. A classificação é circunscrita ao amplo contexto da saúde e não cobre circunstâncias que não estão relacionadas com a saúde, tais como, as que resultam de factores sócio-econômicos. Por exemplo, algumas pessoas podem ter uma capacidade limitada de executar uma tarefa no ambiente em que vivem, por causa da raça, sexo, religião ou outras características sócio-econômicas, mas essas restrições de participação não estão relacionadas com a saúde no sentido que lhe é atribuído na CIF. Muitas pessoas consideram, erradamente, que a CIF se refere unicamente a pessoas com incapacidades; na verdade, ela aplica-se a todas as pessoas. A saúde e os estados relacionados com a saúde associados a qualquer condição de saúde podem ser descritos através da CIF. Por outras palavras, a CIF tem aplicação universal”.

Na definição da CIF envolvem-se os fatores:
– Funções corporais: funções fisiológicas dos sistemas do corpo, incluindo as funções psicológicas;
– Estruturas corporais:  partes anatômicas do corpo (órgãos, membros e componentes);
– Deficiências: função ou estrutura do corpo com alguma perda, limitação ou anormalidade;
– Atividade: tarefa ou ação executada por um indivíduo, que representa a perspectiva individual da funcionalidade;
– Participação: envolver em uma situação de vida, que representa a perspectiva social da funcionalidade;
– Limitações na atividade: alguma dificuldade apresentada para executar atividades;
– Restrições na participação: dificuldades apresentadas ao experimentar no envolvimento das situações de vida;
– Fatores pessoais: características particulares do indivíduo que não fazem parte do estado de saúde ou condição de saúde e têm forte influência. Por exemplo: gênero, idade, raça, preparo físico, estilo de vida, hábitos, estilo de enfrentamento, origem social, nível de instrução, profissão, padrão geral de comportamento e outras características;
– Fatores ambientais: contexto de transformar o ambiente físico, social e de atitude onde  convive e conduze outras pessoas. Estes são fatores externos ao indivíduo que podem ter alguma influência significativa, seja favorecedor ou não.

Conforme a OMS, “duas pessoas com a mesma doença podem ter níveis diferentes de funcionamento, e duas pessoas com o mesmo nível de funcionamento não têm necessariamente a mesma condição de saúde. Assim, a utilização conjunta aumenta a qualidade dos dados para fins clínicos. A utilização da CIF não deve substituir os procedimentos normais de diagnóstico. Em outros contextos, a CIF pode ser utilizada sozinha”.
 “A CIF é uma classificação da funcionalidade e da incapacidade do homem. Ela agrupa, de maneira sistemática, os domínios da saúde e os domínios relacionados com a saúde. Dentro de cada componente, os domínios são agrupados de acordo com as suas características comuns (tais como, origem, tipo ou semelhança) e ordenados segundo essas características”. 

Aplicação da CIF:
Ferramenta estatística – na colheita e registo de dados (e.g. em estudos da população e inquéritos na população ou em sistemas de informação para a gestão);
Ferramenta na investigação – para medir resultados, a qualidade de vida ou os factores ambientais;
Ferramenta clínica – avaliar necessidades, compatibilizar os tratamentos com as condições específicas, avaliar as aptidões profissionais, a reabilitação e os resultados;
Ferramenta de política social – no planeamento de sistemas de segurança social, de sistemas de compensação e nos projetos e no desenvolvimento de políticas;
Ferramenta pedagógica – na elaboração de programas educacionais, para aumentar a consciencialização e realizar ações sociais.

Em relação à PcD, na anotação de Claudia Werneck (2002) menciona que:
A qualidade de vida das pessoas com deficiência está diretamente ligada à inclusividade dos ambientes familiar, social ou profissional. É com esta visão que está para ser implementada em todo o mundo a CIF. Antes, a situação de uma pessoa em processo de reabilitação era avaliada ou pelo Código Internacional de Doenças (CID), que apontava apenas o lado da doença ou da sequela, ou pela Classificação Internacional de Impedimentos, Deficiências e Incapacidades, da OMS (1980), que não levava em consideração a forma como o indivíduo se relacionava com o ambiente. Surge, com o CIF, uma avaliação inspirada na funcionalidade das pessoas com deficiência que servirá de base para novas políticas públicas. Ao contrário das classificações anteriores, esta foi feita com a participação das próprias pessoas com deficiência e não apenas de profissionais de saúde“.

Reflexões:

Dom da vida: Cada um de nós compõe a sua história, e cada ser em si carrega o dom de ser capaz, e ser feliz (Almir Sater e Renato Teicheira).

Diversidade de dons: “Há diferentes habilidades para realizar o trabalho, mas é o mesmo Deus quem dá a cada um a habilidade para fazê-lo. […] É um só e o mesmo Espírito quem faz tudo isso. Ele dá um dom diferente para cada pessoa, conforme Ele quer”. (1Cor 12.4-11)

Habilidade: A habilidade é de pouca importância, sem a oportunidade. (Napoleão Bonaparte)

Referências:
Claudia Werneck (2002), Manual da Mídia Legal. Disponível em: http://store-escoladegente.locasite.com.br/loja/pdf/mml1.pdf

OKUMURA, M.L.M. (2012). A engenharia simultânea aplicada no desenvolvimento de produtos inclusivos: uma proposta de framework conceitual. Dissertação de mestrado em Engenharia de Produção e Sistemas, professor orientador Osiris Canciglieri Junior, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

OKUMURA, M.L.M.; CANCIGLIERI JUNIOR. (2014). Engenharia Simultânea e Desenvolvimento Integrado de Produto Inclusivo: Processo de Desenvolvimento Integrado de Produtos orientados para Tecnologia Assistiva – proposta de Framework Conceitual. Saarbrücken, (Germany): OmniScriptum GmbH & Co. KG (NEA).

OMS e Direcção-Geral da Saúde (2003), Classificação do CIF. Disponível em: http://arquivo.ese.ips.pt/ese/cursos/edespecial/CIFIS.pdf

Conviver com a diferença

Podemos mostrar ao mundo como é possível conviver com a diferença, sem anulá-la nem absorvê-la, sem impor valores   (Wim Wenders).

Nos dias de hoje, ouvimos muito o termo “Educação Inclusiva”, assim compartilho a definição e a expectativa das autoridades mundiais acerca deste tema que retirei do Relatório da UNICEF (2012), Todas as crianças na escola em 2015: iniciativa global pelas crianças fora da escola. Este relatório tem um forte viés diante do ODM (Objetivo de Desenvolvimento do Milênio), principalmente relacionada a Educação Básica, ou seja, no Brasil encontra-se como meta para ser alcançada no Ensino Fundamental que visa o acesso, permanência, aprendizagem e conclusão da Educação Básica na idade certa, e está no “Direito de todas e de cada uma das crianças e dos adolescentes”.

Educação inclusiva: Segundo o site do MEC, a educação inclusiva constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis.

“De acordo com a Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva adotada pelo MEC em 2008, a prioridade para a inserção de crianças e adolescentes com deficiência na escola é matriculá-las em classes comuns do ensino regular e oferecer atendimento educacional especializado em salas de recursos em horário complementar.
Além de ser um direito garantido pela Constituição, a inclusão é um conceito defendido por educadores do mundo todo. A convivência de crianças com algum tipo de deficiência com outras de sua idade semdeficiência é importante tanto para o desenvolvimento social e educacional de ambos os grupos como para diminuir o preconceito. Os defensores da educação inclusiva também apontam que a chegada dessas crianças estimula a escola a tratar melhor a diversidade, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada aluno, independentemente do grupo social a que ele pertence” .

O Relatório da Unicef encontra-se disponível no link:  http://www.unicef.org/brazil/pt/br_oosc_ago12.pdf

Reflexão-1: “A beleza das pessoas está na capacidade de amar e encontrar no próximo a continuidade do seu ser (Fênix Faustine).

Reflexão-2: A prática da parábola “O bom samaritano” (Lucas, 10), define que “muitos como o Fariseu , o Sacerdote e o Levita, que eram os intelectuais da época, ficariam sem entender a profundidade da filosofia Cristã. Ao passo que homens simples como o Samaritano, que não tinha cultura , mas possuía um bem inestimável, que era o coração bem formado para o amor ao semelhante” (…) “O Samaritano não falava a língua dos anjos, não profetizou, não demostrou conhecer ciências e filosofias, e entretanto foi realmente o anjo do Próximo” (http://www.techs.com.br/meimei/historias/historia20.htm).

Artigo: Escolas dos diferentes ou escolas das diferenças?

Por Maria Teresa Eglér Mantoan
10/02/2012

** Copiado e está disponível na “Com Ciências – Revista Eletrônica de Jornalismo Científico”  http://www.comciencia.br/comciencia

O convívio com alunos anteriormente excluídos das escolas comuns é recente e gera ainda muito preconceito, receios, insegurança. Essas reações às diferenças vêm das práticas de distanciamento dessas pessoas, como ocorre com outras minorias; alimentam o descrédito e reduzem as expectativas dos professores e continuam a manter as “escolas dos diferentes”, os alunos “diferentes”, seja porque são os melhores da classe, seja porque são os alunos nela incluídos – os chamados “alunos da inclusão”.
Resistindo às mudanças exigidas por uma abertura incondicional às diferenças, as escolas têm se esquivado dos desafios que levariam os seus professores a rever e a recriar suas práticas e a entender as novas possibilidades educativas trazidas pela inclusão. Esses desafios vêm sendo neutralizados por políticas e diretrizes educacionais, programas compensatórios de reforço, aceleração, escolas especiais e outros. Falsas soluções para enfrentá-los têm feito as escolas escaparem pela tangente e se livrarem do enfrentamento necessário para romper os fundamentos de sua organização pedagógica fechada, ultrapassada e inflexível a mudanças.
Ao atender às características desse tipo de organização, elas estão habituadas a categorizar e hierarquizar, os alunos em grupos, nominações, arbitrariamente constituídos. Os territórios corporativos constituem outro alvo desafiante, principalmente, quando se trata dos profissionais da educação especial.
Outros entraves provêm das soluções paliativas, que deturpam os princípios de uma educação para todos e que vão pouco a pouco minando o rigor desses preceitos, em nome de uma falsa flexibilidade, como os currículos adaptados, as atividades facilitadas, a terminalidade específica para alunos com deficiência.
Muitos professores de escolas comuns acreditam que um ensino diferenciado e adaptado às necessidades de alguns alunos é a solução para atender a todos nas salas de aula.
Diferenciar o ensino para alguns alunos não condiz com o que uma pedagogia das diferenças preconiza para flexibilizar as escolas. Podemos cair em uma cilada, quando o ensino diferenciado remete a um ensino à parte para alguns e a propósitos e procedimentos que decidem “o que falta” ao aluno, concebendo a aprendizagem como um processo regulado externamente.
O aluno se adapta a novos conhecimentos, quando transpõe os conflitos cognitivos provocados pelo ensino de um dado conteúdo e essa adaptação testemunha a sua emancipação intelectual. A assimilação do conhecimento provém de um processo de autorregulação, no qual o aprendiz demonstra sua capacidade de relacionar e de incorporar o novo ao que já conhece. Essa regulação ativa é que deve ser buscada, como um dos objetivos da escola.
As práticas de ensino se tornam flexíveis quando consideram essa emancipação, que é própria de todos os alunos, independentemente da capacidade de aprender de cada um e os reconduz ao lugar de saber, do qual foram excluídos, na escola ou fora dela. Na mesma direção, as atividades escolares se diversificam para que todos os alunos tenham livre escolha sobre elas, ao invés de serem predestinadas e diferenciadas para um grupo ou outro da turma.
Rever a organização pedagógica das escolas, à luz de concepções de ensino e de aprendizagem inovadoras e abandonar os arranjos criados para manter as aparências “bem intencionadas”, atribuindo aos alunos o fracasso, a incapacidade de acompanhá-la em todos os níveis de ensino, envolvem coragem e humildade.
Sabemos da necessidade e da urgência de um ensino que atenda a todos os alunos nas suas diferenças.
Quando se abstrai a diferença, para se chegar a um sujeito universal, a inclusão perde o seu sentido. Conceber e tratar as pessoas igualmente esconde suas especificidades. Porém, enfatizar suas diferenças pode excluí-las do mesmo modo! Eis aí a armadilha da inclusão.
As peculiaridades definem a pessoa e estão sujeitas a diferenciações contínuas, tanto interna como externamente. Estamos, no entanto, convencidos e habituados às formas de representação da diferença, que são resultantes de comparações e de contrastes externos. Para Burbules (2008), essas representações constituem formas de pensar a diferença, como diferença entre.
diferença entre está subjacente a todos esses entraves às mudanças propostas pela inclusão, seja na escola , como em outras instituições sociais. Velada ou explicitamente, ao fazermos comparações, fixamos modelos, definimos classes e subclasses de pessoas, de alunos, com base em atributos que não dão conta de suas diferenças por completo, excluindo-as por fugirem à média e/ou à norma estabelecida. É o que ocorre nas escolas dos diferentes, que tanto podem ser escolas especiais como comuns, que se restringem a receber alguns alunos, ou aqueles que correspondem às suas exigências e acompanham o seu ensino.
As escolas das diferenças implicam rigor e qualidade das propostas educacionais. Em uma palavra, elas enfrentam a si mesmas, ao buscarem distinguir o modo como produzem as diferenças nas salas de aula: categorizando os alunos em bons e maus estudantes ou considerando cada aluno como sendo o resultado da multiplicação infinita das manifestações da natureza humana. Tais escolas atendem incondicionalmente a todos os alunos.
Por se apoiarem no sentido da diferença entre, nossas políticas públicas de educação confirmam, em muitos momentos, o projeto igualitarista e universalista da modernidade, baseado na identidade idealizada e fixa do “aluno modelo”. Embora já tenhamos avançado muito, desconstruir o sentido da diferença entre em nossos cenários sociais é ainda uma gigantesca tarefa.
Contrapondo-se à diferença entre, a inclusão é uma reação aos valores da sociedade dominante e ao pluralismo, entendido como uma aceitação do outro e incorporação da diferença, sem conflito, sem confronto.
diferenciação para excluir limita o direito de participação social e o gozo do direito de decidir e de opinar de determinadas pessoas e populações e é ainda a mais frequente. Tal diferenciação é própria das escolas dos diferentes, em que os alunos são triados, segundo decisões de fora, baseadas na valoração positiva ou negativa do desempenho escolar.
Na contramão dessa tendência, a diferenciação para incluir está cada vez mais se destacando e promovendo a inclusão total pela quebra de barreiras físicas, atitudinais, comunicacionais, que impedem algumas pessoas em certas situações e circunstâncias de conviverem, cooperarem, estarem com todos, participando, compartilhando com os demais da vida social, escolar, familiar, laboral, como sujeitos de direito e de deveres comuns a todos. Tal diferenciação está na base da inclusão escolar e das escolas das diferenças.
A Educação Especial conquistou posições importantes do ponto de vista legal e educacional na educação brasileira e esses marcos estão fundamentados na Constituição de 1988 e na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência/ONU, 2006, ratificada e assimilada ao texto constitucional pelo Decreto no. 6.949/2009. A Política Nacional de Educação Especial, na Perspectiva da Educação Inclusiva/MEC 2008 é o testemunho de nossos avanços em direção à inclusão escolar. Ela é explícita quando propõe a diferenciação para incluir e reconhece o sentido multiplicativo da diferença, que vaza e não permite contenções, porque está sempre mudando e se diferenciando, interna e externamente, em cada sujeito. Em seu texto fica patente que a diferenciação é fluída (Burbules,2008) e bem-vinda, porque não celebra, aceita, nivela, mas questiona a diferença!
Não há mais como recusar, negar, desvalidar a diferença na sociedade brasileira e no cenário internacional. Cabe-nos, pois, como educadores, colocar em cheque a produção social da diferença, como um valor negativo, discriminador e marginalizante, dentro e fora das nossas escolas.
Maria Teresa Eglér Mantoan é professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde também atua junto ao Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade (Leped)
Referências
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988.
BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Marcos político-legais da educação especial na perspectiva da educação inclusiva. Brasília: Secretaria de Educação Especial, 2010.
BURBULES, Nicholas C. Uma gramática da diferença: algumas formas de repensar a diferença e a diversidade como tópicos educacionais. In: GARCIA, Regina Leite; MOREIRA, Antonio Flávio Barbosa (Org.). Currículo, na contemporaneidade – incertezas e desafios. 3ªed. São Paulo: Cortez Editora, 2008.

Pessoas Inclusivas

Pessoa Inclusiva

Hoje, de manhãzinha, recebi o e-mail do professor Alzer, e como sempre, cheio de ânimo escreveu uma crônica, que enquanto a lia, parecia como estivesse enviando os melhores raios do Sol no amanhecer deste domingo. Assim, com a autorização do autor, resolvi postar a crônica “Acordar mais feliz” e também contar um pouco deste professor, uma pessoa inclusiva.
 Professor Alzer tem o costume de acordar muito cedo; diz ele que gosta de assistir reportagens sobre ciências na TV. No entanto, além da TV, ele divide a atenção com a Biblioteca Digital Inclusiva Virtual Books – BDIVB, o qual é o idealizador. A BDIVB completará 3 anos de atividade em julho deste ano, que disponibiliza às pessoas com deficiência visual, o acervo de mais de 3500 títulos digitalizados de diversas áreas. Mais informações encontra-se na Rede Sacihttp://saci.org.br/?modulo=akemi¶metro=25973

Acordar mais feliz
por Alzer Augusto dos Santos

– Puxa acordei hoje com mais prazer do que nos outros dias!!
Foi um acordar para a vida? pergunto-me?
 – Na prática de nossas ações cotidianas o levantar pela manhã é um hábito que, fazemos em maioria ao levantar a tarde mas, acordar com mais alegria talvez ainda não seja uma grande maioria acredito eu!!
 – A vida revela desafios muy difíceis mas, saber sofrer nela parece um desafio também muy difícil para todos e não só para quem não vê!!
Ver com outros sentidos é também promissor mas, ver ou como dizem enxergar com olhos de alegria nas pequenas paisagens que vamos domando e “vendo”, é também um dialeto que, devemos aprender em nossa jornada …
 O cego e deficiente visual como queiram é capaz sim!! Mas, enxergar com lógica de ciência mesmo que seja parcial é “lucro”, na certa das certidões humanas ok?
Fazer da vida um estudo do “mar”, é conhecer sombras ou visões outras que não as do ser vivo com saúde física e moral mas, deixar de enxergar que o mau existe é fazer alusão a fantasias de perfeição algo destruidor de muitos mundos e ainda o será !!
 – Conviver com lógica de razões sem fundamento e comprovação nem científica nem pelo senso comum não é de todo ruim mas, o que brota de nossas mentes alguma origem no senso-comum tem por isso, não deve ser ignorada nem maltratada ok?
– Tocar os olhos de quem ama é provar do gosto da alma do ser que queremos bem!!
Mas, para quem não tem os olhos físicos o sofrimento existe sim!! Mas as compensações também existem!!
 Muitas vezes acoados pela ingratidão de grupos egoístas e impuros de sentimentos participativos (não é ocaso da virtual books, vila torrentes e pt global ok?), bem, falamos dos grupos mesmo “participativos”, não se conectam na realidade de um mundo sem barreiras e fronteiras mas, isso tende a diminuí em nossas sociedades !!
 Dizer que acordamos bem!! É para bom entendedor isso porque estamos falando objetivamente bem, dizer sou feliz não é mais inseguro em um mudo dominado até então pela tristeza de sacrifícios outros ok?
Sou sim feliz pois tenho a esperança de dias melhores e a realidade já transformada é o que devemos pensar !!
Por fim, saber ganhar com bons “olhos”, é fazer da vida um vaso legitimo de felicidade e algo mais a dizer …

zer.
15/01/2012.

ONU – ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS

DIA INTERNACIONAL DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Mensagem do Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas por ocasião do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência (3/12/2011)

Tema: “Juntos por um Mundo Melhor: Incluindo Pessoas com Deficiência no Desenvolvimento”

Tradução: Romeu Kazumi Sassaki

Passaram-se 30 anos após as Nações Unidas comemorarem pela primeira vez o Ano Internacional das Pessoas com Deficiência, então focando o tema “Participação Plena e Igualdade”. Durante este lapso, foram alcançados notáveis avanços na tarefa de divulgar os direitos das pessoas com deficiência e fortalecer o marco normativo internacional para a realização destes direitos, desde o Programa de Ação Mundial para as Pessoas Deficientes (1982) até a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2006).

Cada vez mais países se comprometem a proteger e promover os direitos das pessoas com deficiência. Não obstante, muitas tarefas permanecem pendentes. As pessoas com deficiência apresentam os índices mais altos de pobreza e de privações; e a probabilidade de que não tenham atendimento médico é duas vezes maior. Os índices de emprego das pessoas com deficiência em alguns países chegam a apenas um terço dos da população geral. Nos países em desenvolvimento, a diferença entre os índices de frequência à escola primária das crianças com deficiência e os de outras crianças se situa entre 10% e 60%.

Essa exclusão multidimensional representa um altíssimo custo, não apenas para as pessoas com deficiência, mas também para toda a sociedade. Este ano, a celebração do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência nos relembra que o desenvolvimento só poderá ser duradouro se for equitativo, includente e acessível para todos. É, portanto, necessário que as pessoas com deficiência estejam incluídas em todas as etapas dos processos de desenvolvimento, desde o início até as etapas de supervisão e avaliação.

Corrigir as atitudes negativas, a falta de serviços e o precário acesso a eles, e superar outros obstáculos sociais, econômicos e culturais, redundarão em benefício de toda a sociedade.

Neste Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, faço um apelo aos governos, à sociedade civil e à comunidade internacional para que trabalhem em benefício das pessoas com deficiência e colaborem com elas, lado a lado, a fim de alcançarem o desenvolvimento includente, sustentável e equitativo em todo o mundo.

Mundo dos Cegos

Reflexões de um deficiente visual que enxerga o mundo de dentro para fora

Por Geilson de Sousa Santo  (Copiado e Disponível na Rede Saci)

Muitas pessoas ficam impressionadas quando vem uma pessoa cega fazendo suas atividades normais! Andando, correndo, brincando, dançando, pulando, lavando uma louça, fazendo um café, etc. Ficam se perguntando: Como é que ele consegue fazer isso? Como ele consegue fazer aquilo? Ficam se adimirando, com que fazemos e falamos!

Mais o que eles mais tem curiosidade de saber é o que pensamos, o que sentimos, como percebemos as coisas, enfim, querem saber como é o nosso Mundo. Com certeza, você já deve ter ouvido falar que um cego tem o seu próprio mundo! Eles tem muita vontade de saber como é viver o mundo só escutando e tocando. Com certeza, você já deve ter ouvido isso: “Os cegos vem mais do que nós!”. E com certeza, você deve ter ficado confuso. Ou então: “Eles não podem ver com os olhos mais podem ver com o coração!” Você deve está se perguntando: mas como é isso? Como eles enxergam melhor do que nós se são cegos? Para que você intenda como é isso, vou explicar.

Quando você vê um objeto, você presta atenção no modelo, na cor e no tamanho. Não é? Mais nós, cegos, quando pegamos em um objeto, prestamos atenção no tamanho, o material que ele é feito, qual é sua textura, se áspero, liso, macio, grosso, fino, mole ou duro. E se alguém descrever pra gente a cor do objeto, pronto, a nossa visão daquele objeto já está completa. É assim que vemos.

Isso é muito comum acontecer, quando uma pessoa cega fala pra uma pessoa que enxerga que lhe acha bonita, lá vem a pergunta: Como é que você sabe não está me vendo? Muitas pessoas que enxergam acham que a beleza é vista pelos olhos, o que não é verdade.

Quando você olha pra uma pessoa, e diz que ela é bonita, você está olhando o corpo dela. Se é gordo ou magro, a cor dos cabelos, dos olhos, etc.
Nós cegos vemos as pessoas da seguinte forma:

Ouvindo sua vós, quando ouvimos a voz de alguém, prestamos atenção de onde ela vem, em qual direção, em qual distância, se é alta ou se é baixa, Se é grossa ou se é fina, se a vós de homem ou de mulher, se a qué-la vós é de algum conhecido ou amigo! Prestamos atenção na tonalidade, se a vós é macia, ou uma vós raivosa, triste ou feliz, se é uma voz doce, carinhosa, irritada, cansada ou rouca! Prestamos atenção o jeito que a pessoa está falando! Se é um jeito amigo, ou inimigo. Se é querendo ajudar, ou não. Se está falando com medo ou com segurança. E você que enxerga? Presta atenção nisso? Nós cegos, podemos ver com as mãos, com os ouvidos, com o coração e com a imaginação. Com as mãos, vemos as texturas dos objetos, o material que ele é feito, o tamanho, a temperatura  e o peso. Com os ouvidos, vemos o som que ele tem, se é um som alto ou baixo, grave ou agudo, rápido ou lento. Com a imaginação, imaginamos a cor que ele tem. Com o coração, vemos os sentimentos das pessoas, se são bons ou ruins, se gostam da gente ou se é só falsidade, se são amigas de verdade ou só por interesse em alguma coisa. Prestamos muita atenção nas sensações, a sensação de voar de avião, de um beijo, de um carinho, de se sentir amado, apaixonado, etc.

O objetivo desse texto é pra mostrar para as pessoas que enxergam, a forma que os cegos veem! Por favor, compartilhe esse texto com todos em sua volta e peça que eles façam o mesmo. (texto de Geilson de Sousa Santo)

Disponível: http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi¶metro=32189

Nada sobre nós, sem nós: Da integração à inclusão
 por Romeu Kazumi Sassaki

** Uma visão panorâmica escrita por Sassaki acerca da história de luta percorrida por pessoas com deficiência.**

PARTE-1

Citação bibliográfica:SASSAKI, Romeu Kazumi. Nada sobre nós, sem nós: Da integração à inclusão– Parte 1. Revista Nacional de Reabilitação, ano X, n. 57, jul./ago. 2007, p. 8-16.

Introdução:Analisemos o lema “Nada sobre nós, sem nós”. São meus todos os grifos e caixas altas em certas palavras, que constam no presente texto (Partes 1 e 2).
Nada quer dizer “Nenhum resultado”: lei, política pública, programa, serviço, projeto, campanha, financiamento, edificação, aparelho, equipamento, utensílio, sistema, estratégia, benefício etc. Cada um destes resultados se localiza em um dos (ou mais de um dos ou todos os) campos de atividade como, por exemplo, educação, trabalho, saúde, reabilitação, transporte, lazer, recreação, esportes, turismo, cultura, artes, religião.
 Sobre Nós, ou seja,“a respeito das pessoas com deficiência”.Estas pessoas são de qualquer etnia, raça, gênero, idade, nacionalidade, naturalidade etc., e a deficiência pode ser física, intelectual, visual, auditiva, psicossocial ou múltipla. Segue-se uma vírgula (com função de elipse, uma figura de linguagem que substitui uma locução verbal) que, neste caso, substitui a expressão“haverá de ser gerado”.
Sem Nós, ou seja,“sem a plena participação das próprias pessoas com deficiência”. Esta participação, individual ou coletiva, mediante qualquer meio de comunicação, deverá ocorrer em todas as etapas do processo de geração dos resultados acima referidos. As principais etapas são: a elaboração, o refinamento, o acabamento, a implementação, o monitoramento, a avaliação e o contínuo aperfeiçoamento.
 Juntando as palavras grifadas, temos: “Nenhum resultado a respeito das pessoas com deficiência haverá de ser gerado sem a plena participação das próprias pessoas com deficiência”. Em outras palavras, as pessoas com deficiência estão dizendo: “Exigimos que tudo que se refira a nós seja produzido com a nossa participação. Por melhores que sejam as intenções das pessoas sem deficiência, dos órgãos públicos, das empresas, das instituições sociais ou da sociedade em geral, não mais aceitamos receber resultados forjados à nossa revelia, mesmo que em nosso benefício.”
O lema comunica a ideia de que nenhuma política deveria ser decidida por nenhum representante sem a plena e direta participação dos membros do grupo atingido por essa política. Assim, na essência do lema Nada Sobre Nós, Sem Nós está presente o conceito de Participação Plena das pessoas com deficiência.
Evolução histórica: Quando surgiu este lema tão famoso nos dias de hoje? Se considerarmos as quatro eras das práticas sociais em relação a pessoas com deficiência— exclusão (antiguidade até o início do século 20), segregação (décadas de 20 a 40), integração (décadas de 50 a 80) e inclusão (década de 90 até as próximas décadas do século 21)—, este lema tem a cara da Inclusão. Mas se levarmos em conta o conceito de Participação Plena, o lema teve a sua semente plantada em 1962, em plena era da Integração, e germinada a partir de 1981 graças ao Ano Internacional das Pessoas Deficientes.
A semente consistia na idéia de que as pessoas com deficiência poderiam ser participantes, ou seja, geradoras de bens ou serviços, e não meras receptoras. Seguem-se, cronologicamente, os principais documentos e fatos sobre a evolução desta poderosa idéia, começando com um fato inédito ocorrido em 1935 (era da Segregação).

1935:Na década de 30, um grupo composto por cerca de 300 pessoas com deficiência física conseguiu chamar a atenção da sociedade americana ao protestar contra o fato de que suas fichas de pedido de emprego foram carimbadas com as letras “DF” (significando“deficientes físicos”). Elas pertenciam à Liga dos Deficientes Físicos e permaneceram sentadas por nove dias na porta de entrada do Departamento de Albergues da Cidade de Nova York. E acabaram conseguindo vários milhares de empregos em todo o país.

1950-1960:Veteranos com deficiência (da II Guerra Mundial) iniciaram um movimento pró-ambientes sem barreiras. Isto propiciou a parceria entre a Administração Federal dos Veteranos, o Comitê Presidencial de Emprego de Deficientes (hoje renomeado Comitê Presidencial para Pessoas com Deficiência), a Sociedade Nacional ‘Easter Seals’ e outras instituições – parceria esta que produziu as primeiras normas americanas de acessibilidade em edificações.

1962:Até a década de 60, as pessoas com deficiência eram tratadas como objetos de caridade, não podiam opinar e tinham de obedecer às decisões que os especialistas e os pais tomavam por elas, em tudo o que se referia à vida delas. A situação começou a mudar em 1962 quando um grupo de 7 pessoas, todas tendo deficiências muito severas (tetraplegia em sua maioria), resolveu agir. Edward V. Roberts (ou simplesmente Ed Roberts) era o líder do grupo. Ed Roberts e seus amigos (conhecidos em Berkeley como “Os Tetras Rolantes”)criaram o serviço de atendentes pessoais de que eles mesmos precisavam a fim de viver com autonomia, o que originou o movimento de direitos das pessoas com deficiência nos EUA.

A fotobiógrafa Lydia Gans relata que, em 1962, Ed Roberts foi um dos primeiros estudantes com deficiência a levar vida independente na Universidade da Califórnia. (artigo“Ed Roberts at home and at large”, in New Mobility, Culver City, v. 5, n. 15, p. 4, maio/junho 1994).
 Devido à sua tetraplegia severa em consequência da poliomielite que teve aos 14 anos de idade, Ed Roberts não movia nenhuma parte do seu corpo exceto a boca e os olhos. Para respirar, ele tinha de ficar, à noite, deitado dentro de um pulmão de aço (um enorme‘tanque’, como ele gostava de chamar) e, durante algumas horas do dia, sentado fora do ‘tanque’, mas com um respirador portátil.
 É claro que este grupo visionário sabia o que estava fazendo. Como dizia o próprio Ed Roberts:“A filosofia era bastante clara para nós. Isto era uma questão de direitos civis. As pessoas presumiam que fracassaríamos se nos dessem nossos direitos, mas isso não aconteceu”. Portanto, nos EUA, o movimento pelos direitos das pessoas com deficiência começou em 1962 com “Os Tetras Rolantes”.

1970:Judy Heumann, fundadora da Disabled in Action (DIA), processou o Conselho Municipal de Educação de Nova York quando o seu requerimento de autorização para lecionar foi negado. A razão que lhe foi alegada – por sinal, a mesma utilizada para barrar a matrícula dela na educação infantil – era que a sua cadeira de rodas constituía um risco de incêndio. A ação, ganha na justiça, estreou a militância de Judy Heumann e, mais tarde, a sua carreira no Ministério da Educação dos EUA.

1972:O movimento de vida independente começou em 1972 com a criação do Centro de Vida Independente de Berkeley (CVI-Berkley), o primeiro CVI dos EUA e do mundo, estando Ed Roberts à frente com todo o seu empoderamento, competência e carisma, juntamente com outras pessoas com deficiência como, por exemplo, Phil Draper (que tem tetraplegia por lesão medular) e Judy Heumann (que tem tetraplegia por poliomielite).

Ed Roberts, em uma entrevista sobre o Centro de Vida Independente de Berkeley, contou que a sua luta pelo estilo de vida independente começou depois de vários anos de experiência como ativista no movimento pelos direitos civis dos negros e mexicanos. E acrescentou que ele pensou: “O que estou fazendo aqui? Aprendi todas essas ótimas habilidades organizacionais, mas agora eu deverei juntar-me às pessoas com deficiência”. Historicamente, o movimento de direitos civis abrangeu o período de uma geração (1954-1980) em todo o mundo.

1973:A Seção 504 da Lei de Reabilitação de 1973, dos EUA, torna ilegal – para órgãos federais, universidades públicas, empreiteiros federais e qualquer outra instituição ou atividade que receba recursos financeiros federais – discriminar pessoas com base em deficiência. Mesmo pressionado por inúmeras demonstrações de protesto, o então Ministério da Saúde, Educação e Bem-Estar só regulamentou esta lei em 1977.

1975:O documento mais antigo no qual consta a ideia da Participação é a Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes, que diz: “As organizações de pessoas deficientes podem ser beneficamente consultadas em todos os assuntos referentes aos direitos das pessoas deficientes”(Organização das Nações Unidas, 9/12/75)

1976:Culminou tragicamente em 1976 um movimento iniciado em 1960 pelos negros e simpatizantes brancos da África do Sul para resistir à opressão do regime do apartheid. Em 21/3/60, aconteceu o chamado Massacre de Sharpville. Surgiram vários líderes, um dos quais era Steve Bantu Biko, o mais notável. Foi formado o Movimento da Consciência Negra (MCN), inicialmente com a proposta de campanhas não violentas e posteriormente com a ideia de resistência violenta.

O MCN reivindicava resistência à política do apartheid, liberdade de expressão e outros direitos e seus membros confrontavam as realidades legais, culturais e psicológicas do regime dos brancos separatistas. Eles buscavam não apenas a visibilidade dos negros, mas também a real participação dos negros na sociedade e nas lutas políticas. Organizaram-se vários grupos de autoajuda nas comunidades negras. Diante de muitas dificuldades, o movimento não foi aniquilado; pelo contrário, ele cresceu e recebeu amplos apoios entre os negros e os brancos sul-africanos.
 No dia 16 de junho de 1976, em meio aos distúrbios raciais nas ruas de Soweto, foi morto o adolescente Hector Pieterson, 12 anos, que aparece na foto de Sam Nzima sendo carregado por Mbuyisa Makhubo, tendo ao lado sua irmã, a também adolescente Antoinette Pieterson, 17 anos. Desde então, o dia 16 de junho se tornou o Dia da Juventude.

1977:Steve Bantu Biko (1946-1977) foi um notável ativista não violento e antiapartheid. Sua luta consistia em empoderar os negros e Biko ficou famoso pela frase que ele criou:“Black is beautiful”, que para ele significa:“Cara, você está ótimo como você é, comece a se olhar como um ser humano”.

Biko foi preso no dia 18 de agosto de 1977, teve traumatismo craniano enquanto estava sob custódia da polícia e foi acorrentado à grade da janela da cadeia por 24 horas. Em 11/9/77, a polícia o colocou numa viatura para levá-lo à prisão de Pretória. Lá chegando, ele morreu no dia seguinte em circunstâncias misteriosas. Seu amigo, o jornalista branco Donald Woods, investigou, fotografou e escreveu toda a história de Biko em um livro que publicou após ser forçado pelo regime do apartheid a retornar à Grã-Bretanha.

1980:Segundo William Rowland, a questão da deficiência na África do Sul precisa ser vista no contexto da luta de libertação. Durante a década de 80 e no início dos anos 90, “as pessoas com deficiência eram parte daquela luta e hoje nós compartilhamos os frutos de uma nova democracia”. Para cada pessoa que morreu na luta, três outras ficaram com uma deficiência. E foi deste charco de injúria e raiva que emergiu a liderança da organização Pessoas com Deficiência da África do Sul, que projetou o movimento pelos direitos das pessoas com deficiência no país. Estas foram também as condições que deram origem ao movimento massivo de pessoas com deficiência, que atraiu entre 10.000 e 12.000 ativistas, que trabalharam unidos e falaram com uma única voz não silenciável.

1981:Foi comemorado em todo o mundo o Ano Internacional das Pessoas Deficientes (assim proclamado pela ONU em 1979), cujo lema foi Participação Plena E Igualdade.

1981:A Unesco aprovou a Declaração de Sundberg, na qual se encontra a seguinte frase: “A Conferência Mundial sobre Ações e Estratégias para Educação, Prevenção e Integração afirma que as autoridades públicas, as organizações qualificadas e a sociedade como um todo devem levar em consideração, ao prepararem qualquer estratégia de médio ou longo prazo pertinente a pessoas com deficiência, os princípios fundamentais de participação, integração, personalização, descentralização (setorização) e coordenação interprofissional, de tal modo que: (a) A plena participação das pessoas com deficiência e suas associações em todas as decisões e ações a elas pertinentes seja assegurada”.

1982:A ONU, através da resolução 37/52, adotou o Programa Mundial de Ação relativo a Pessoas com Deficiência, cujo parágrafo 93 se refere às organizações de pessoas com deficiência dizendo: “Os estados-membros devem estabelecer contatos diretos com essas organizações e lhes proporcionar canais para que possam exercer influência sobre as políticas e decisões governamentais em todos os campos que lhes concernem. Os estados-membros devem prestar o apoio financeiro que, nesse sentido, seja necessário às organizações de pessoas com deficiência.”

1986:No artigo “Nada Sobre Nós, Sem Nós: algumas reflexões sobre o movimento das pessoas com deficiência na África do Sul”, William Rowland conta que, em 1981, o Governo se recusou a reconhecer o Ano Internacional das Pessoas Deficientes e que, em 1986, à revelia das próprias pessoas com deficiência, proclamou convenientemente o Ano das Pessoas Deficientes da África do Sul. As lideranças das pessoas com deficiência se retiraram da conferência nacional e só retornaram quando lhes foi garantido o espaço para ler a mais poderosa declaração até então escrita. O líder Phindi Mavuso fez a leitura do“catálogo” de injustiças, contendo a dupla discriminação do apartheid e das deficiências.

Quando Eugene Terreblanche convocou seus homens “armados com um milhão de rifles”, Mavuso e mais 1.200 pessoas com deficiência marcharam até a colina de Soweto onde, diante das portas do Hospital Baragwanath, lançaram o protesto contra a crescente onda de violências.
 Além do protesto, as lideranças realizaram duas iniciativas: a iniciativa política para mobilizar as pessoas com deficiência para reivindicarem seus direitos; e a iniciativa desenvolvimentista para gerar renda através da autoajuda. E também construíram uma nova filosofia: a deficiência não era uma questão de saúde e bem-estar, e sim uma questão de direitos humanos e de desenvolvimento; o modelo médico da deficiência não era adequado e os médicos e assistentes sociais “não deveriam controlar nossa vida, os métodos pacifistas de luta serviriam melhor à nossa causa e nós deveríamos nos alinhar com o movimento de libertação. Nós nos conscientizamos e adotamos o nosso (agora famoso) lema: Nada Sobre Nós, Sem Nós”, termina Rowland.

1992:Pessoas com deficiência reunidas no Canadá aprovaram a Declaração de Vancouver (1992), que diz:“Nós exigimos que os governantes, legisladores e centros de poder, profissionais e agências de desenvolvimento reconheçam que as pessoas com deficiência são verdadeiramente peritas em assuntos de deficiência e que nos consultem diretamente inserindo-nos nas atividades concernentes à nossa existência”.

1993:Em 1993, era publicado mais um livro cujo título contém o lema Nada Sobre Nós, Sem Nós. Este traz o subtítulo: “Opressão à deficiência e empoderamento”. Autor: James I. Charlton. No livro, o autor conta que ele ouviu pela primeira vez a expressão Nada Sobre Nós, Sem Nós, quando estava na África do Sul em 1993.

“Nada sobre nós, sem nós”é o primeiro livro na literatura sobre deficiências que oferece um panorama teórico da opressão à deficiência, apresentando semelhanças e diferenças entre racismo, sexismo e colonialismo. O autor entrevistou, durante 10 anos, ativistas do Terceiro Mundo, da Europa e dos Estados Unidos. “Nada sobre nós, sem nós” expressa a convicção das pessoas com deficiência de que elas sabem o que é melhor para elas.

1993:Neste ano, mais de 450 pessoas com deficiência representando 41 países da Europa (ocidental, oriental, central, nórdica, balcânica e báltica), América do Norte, África e Ásia, se reuniram na Holanda e aprovaram a Declaração de Maastricht (4/8/93), da qual se destaca a seguinte afirmação:“Nós precisamos participar plenamente em nossas sociedades em todos os níveis e, através de nossas organizações, ser consultados e envolvidos decisivamente em todos os programas e políticas que nos afetem. Nós somos os peritos; o nosso poder precisa ser reconhecido”.

1993:A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, através da Resolução 48/96, o documento “Normas sobre a Equiparação de Oportunidades para Pessoas com Deficiência” (20/12/93), em que enfatiza:“Os Países-Membros devem envolver organizações de pessoas com deficiência em toda tomada de decisão sobre planos e programas relativos a pessoas com deficiência ou que afete sua condição econômica e social.”(…) “As organizações de pessoas com deficiência devem ser consultadas quando estiverem sendo desenvolvidos padrões e normas de acessibilidade. Elas devem também ser envolvidas no nível local desde a etapa do planejamento inicial dos projetos de construção pública, garantindo, assim, a máxima acessibilidade”.

1997:Em novembro de 1997, foi publicado o livro “Awakening to Disability: Nothing About Us Without Us” (Despertando para a Deficiência: Nada Sobre Nós, Sem Nós), de autoria de Karen G. Stone. Editora Volcano Press, 256 páginas.

1998:Em 1998, foi a vez de mais um livro, cujo título contém o lema Nada Sobre Nós, Sem Nós. Título do livro: “Nothing about us without us: developing innovative technologies for, by and with disabled persons” (Nada sobre nós, sem nós: desenvolvendo tecnologias inovadoras para, por e com pessoas com deficiência). Autor: David Werner. Editora: HealthWrights/Workgroup for People´s Health and Rights. Cidade: Palo Alto, Califórnia, EUA.

David Werner informa que, em muitos países, as organizações de pessoas com deficiência adotaram o lema NADA SOBRE NÓS, SEM NÓS, especialmente em países desenvolvidos, mas cada vez mais freqüentemente em países do Terceiro Mundo. As pessoas com deficiência estão exigindo ser ouvidas em decisões que afetam sua vida. Porém, segundo Werner, as organizações de pessoas com deficiência ainda não assumiram plenamente a liderança em assuntos de reabilitação e de tecnologias assistivas. As crianças com deficiência quase não podem decidir sobre aparelhos e equipamentos que elas precisam usar. Isso tem levado a erros de projeto. O próprio Werner, que desde criança tem deficiência nas pernas, era obrigado a usar aparelhos ortopédicos que lhe fizeram mais mal que bem. Somente várias décadas depois, ele pôde obter aparelhos que funcionaram bem… graças aos artesãos com deficiência do Projeto PROJIMO que o acolheram como parceiro no processo de solução-de-problemas.

1999:“Pessoas com deficiência devem ter um papel central no planejamento de programas de apoio à sua reabilitação; e as organizações de pessoas com deficiência devem ser empoderadas com os recursos necessários para compartilhar a responsabilidade no planejamento nacional voltado à reabilitação e à vida independente” (Carta para o Terceiro Milênio, 9/9/99).

2000:“Nós acreditamos que o limiar do novo século é uma época oportuna para todos ― pessoas com deficiência de qualquer tipo e suas organizações e outras instituições cívicas, governos locais e nacionais, membros do sistema da ONU e outros órgãos intergovernamentais, bem como o setor privado ― colaborarem estreitamente em um processo consultivo inclusivo e amplo, visando à elaboração e adoção de uma convenção internacional para promover e proteger os direitos das pessoas com deficiência e aumentar as suas oportunidades iguais de participação na corrente principal da sociedade”, diz a Declaração de Pequim (12/3/00).

PARTE-2

 Citação bibliográfica: SASSAKI, Romeu Kazumi. Nada sobre nós, sem nós: Da integração à inclusão– Parte 2. Revista Nacional de Reabilitação, ano X, n. 58, set./out. 2007, p.20-30.

2001:O ativista de direitos das pessoas com deficiência, Tom Shakespeare, em sua palestra“Entendendo a Deficiência”, registrou o seguinte posicionamento perante a Conferência Internacional“Deficiência com Atitude”, realizada na University of Western Sydney, Austrália, em fevereiro de 2001:
“Reconhecer a perícia e a autoridade das pessoas com deficiência é muito importante. O movimento das pessoas com deficiência se resume em falar por nós mesmos. Ele trata de como é ser uma pessoa com deficiência. Ele trata de como é ter este ou aquele tipo de deficiência. Ele trata de exigir que sejamos respeitados como os verdadeiros peritos a respeito de deficiências. Ele se resume no lema Nada Sobre Nós, Sem Nós”.

2001:O Grupo de Usuários de Estratégias, do Ministério da Saúde da Grã-Bretanha, é formado por pessoas com dificuldades de aprendizagem, participantes das organizações People First, Mencap, Change e Speaking Up. O grupo adotou o lema “Nada Sobre Nós, Sem Nós” para exigir a inclusão de pessoas com dificuldade de aprendizagem em todos os serviços públicos: saúde, emprego, serviços sociais, habitação, associações de habitação, consumidores de serviços, fornecedores de serviços, inspeção e outros.

Tais serviços devem oficializar que estão incluindo pessoas com dificuldade de aprendizagem e que recebem apoios apropriados. Devem também concordar com a crença de que nada sobre elas está sendo feito sem a participação delas. Para tanto um órgão consultivo nacional sobre dificuldades de aprendizagem deverá ser constituído com representantes de todo o país. Este Grupo e o Ministério da Saúde elaboraram uma estratégia para dificuldades de aprendizagem.

2001:Um dos mais notáveis ativistas negros com deficiência da atualidade é William Rowland, da República da África do Sul. Ele escreveu o monumental artigo “Nothing About Us Withou Us: Some Historical Reflections on the Disability Movement in South Africa” (Nada Sobre Nós, Sem Nós: Algumas Reflexões Históricas sobre o Movimento da Deficiência na África do Sul), inserido no site da Disability World (http://www.disabilityworld.org/11-12_01/it/southafrica.shtml, n.11, nov./dez. 2001).

Nele, Rowland descreve a longa história de lutas, sacrifícios e humilhações, mas também de vitórias e avanços da organização não-governamental Pessoas com Deficiência da África do Sul (Disabled People South Africa – DPSA). Fundada em 1984, a DPSA adotou em 1986 o lema “Nada Sobre Nós, Sem Nós”. Portanto, esta é a data mais antiga em que foi registrado o famoso lema dos dias de hoje, O lema da DPSA foi adotado em reconhecimento da necessidade de as próprias pessoas com deficiência promoverem diretamente os direitos humanos e o desenvolvimento de todos os sul-africanos com deficiência (http://www.dpsa.org.za/about_us.asp).

Quando o prisioneiro politico mais célèbre e mais antigo (preso por 27 anos), Nelson Mandela, foi libertado no dia 11 de fevereiro de 1990, os ativistas William Rowland e Phindi Mavuso– representando a DPSA – já estavam lá para cumprimentá-lo e pedir a sua intervenção pela causa das pessoas com deficiência. A missão da DPSA é a de ser uma efetiva e eficiente assembleia nacional democrática de todas as pessoas que as mobilize para defenderem seus direitos de acesso a iguais oportunidades em um inclusivo ambiente social, politico e econômico.

2001:A Fundação Parceria Sussex-SNS (Serviço Nacional de Saúde), da Grã-Bretanha, mantém o programa “Nada Sobre Nós, Sem Nós”(http://www.sussexpartnership.nhs.uk/about-us/vision-and-values), que tem os seguintes objetivos:

– A Fundação Parceria Sussex-SNS colocará os usuários de seus serviços no centro de todas as ações. A fundação atuará com as pessoas e seus representantes para atingir este fim.
 – Cada usuário de nossos serviços é único e sera tratado como tal. Os cuidados de cada pessoa serão planejados e acordados com ela (ou seu defensor).
 – Adequaremos nossos serviços às necessidades das pessoas, não o inverso. Ouviremos as pessoas e aprenderemos do que elas nos disserem sobre suas experiências.
 – A frase “Nada Sobre Nós, Sem Nós” tem sido usada por mais de 20 anos como um lema para promover os direitos das pessoas com deficiência e foi adotada no documento official do Ministério da Saúde sobre as estratégias dos services para pessoas com dificuldade de aprendizagem (“Valorizando Pessoas”, 2001).

2002: A Declaração de Madri (23/3/2002) é o primeiro documento internacional a trazer a frase “Nada Sobre Pessoas com Deficiência, Sem as Pessoas com Deficiência”, numa versão mais explícita do lema “Nada Sobre Nós, Sem Nós”. Este documento internacional foi aprovado por mais de 600 pessoas reunidas no Congresso Europeu sobre Deficiência, em Madri. Nele se destacam dois trechos:“Todas as ações devem ser implementadas mediante diálogo e cooperação com as relevantes organizações representativas de pessoas com deficiência. Tal participação não deve estar limitada a receber informações ou endossar decisões. Mais do que isso, em todos os níveis de tomada de decisões, os governos precisam estabelecer ou fortalecer mecanismos regulares para consulta e diálogo que possibilitem às pessoas com deficiência através de suas organizações contribuir para o planejamento, implementação, monitoramento e avaliação de todas as ações”. “A mídia deve criar e fortalecer parcerias com as organizações de pessoas com deficiência a fim de melhorar a descrição de pessoas com deficiência nos meios de comunicação de massa”. (Declaração de Madri, 23/3/02)

2002: Na Declaração de Sapporo (18/10/2002), a Disabled Peoples’ International (Organização Mundial de Pessoas com Deficiência) assim se expressa:“Nós somos os peritos sobre nossa situação e devemos ser consultados em todos os níveis, sobre todas as iniciativas pertinentes a nós”.

2002:A Declaração de Caracas (18/10/02) estabelece que:“É imprescindível uma cooperação mais ampla entre os organismos governamentais que atendem à problemática da deficiência e os movimentos associativos de pessoas com deficiência e suas famílias, para um fortalecimento efetivo da sociedade civil que garanta uma participação direta dos beneficiários na elaboração das políticas e dos serviços a eles destinados”.

2003:Os mais de 400 participantes procedentes de vários países europeus, reunidos no Primeiro Congresso Europeu sobre Vida Independente, realizado em Tenerife no contexto do Ano Europeu das Pessoas com Deficiência (2003), aprovaram a Declaração de Tenerife, que diz:
 “As pessoas com deficiência precisam ser vistas como peritas sobre sua vida. Como peritas, nós temos o direito e a responsabilidade de falar por nós mesmos”.

2003:A ativista April D’Aubin é a autora do texto “Nothing About Us Without Us: The Struggle for the Recognition of a Human Rights Approach to Disability Issues” (Nada sobre nós, sem nós: a luta pelo reconhecimento da abordagem de direitos humanos aos assuntos de deficiência). O texto constitui o capítulo 4 do livro “In Pursuit of Equal Participation: Canada and Disability at Home and Abroad”,cujos editores são os militantes Henry Enns e Aldred H. Neufeldt (Campus Press, 416 págs., 2003).

2003:A ativista Marta Russel publicou em 2003 o seu livro “Nothing About Us Without Us: Human Rights and Disability” (Nada sobre nós, sem nós: direitos humanos e deficiência). Trechos deste livro: “A cidadania pode ser vista como a realização de certos direitos Quando os estados são considerados responsáveis pelo tratamento dado a seus cidadãos, muito pode ser conquistado. A ONU tem um papel no estabelecimento de padrões mundiais, mas as pessoas com deficiência também têm esse papel”. (…) “A participação em grupos sociais e políticos é limitada ou negada às pessoas com deficiência”. (…) “As deficiências continuam sendo vistas como anormalidades e as pessoas que as têm se tornam objetos desvalorizados dos serviços médicos e sociais”. (…) “Tradicionalmente, os direitos humanos têm sido aplicados à pessoa com deficiência enquanto objeto de prevenção e reabilitação, e não como um sujeito considerado plenamente humano e com amplos direitos de cidadania”. “Para corrigir esta situação, as pessoas com deficiência se reuniram internacionalmente na década de 80 e começaram a exigir o reconhecimento de seus direitos. Foi então que o lema ‘Nada Sobre Nós, Sem Nós’ se tornou a bandeira para se construir o poder político necessário às mudanças nas instituições a fim de incluir as pessoas com deficiência como seres humanos plenos e desconstruir as sociedades incapacitantes”. “Este deve ser o século em que a dignidade das pessoas com dignidade das pessoas com deficiência será atendida através dos direitos humanos”.

2004: O então Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, por ocasião do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, no dia 3 de dezembro de 2004, assim se posicionou: “Por muitos anos, as pessoas com deficiência foram vistas como ‘objetos’de políticas de bem-estar social. Hoje, como resultado de uma dramática mudança de perspectiva que ocorreu nas duas últimas décadas, as pessoas com deficiência começaram a ser vistas como pessoas que precisam desfrutar o espectro completo de direitos civis, políticos, sociais, culturais e econômicos. O lema do movimento internacional de pessoas com deficiência,‘Nada Sobre Nós, Sem Nós’,resume essa mudança.”

2004:Num pronunciamento sobre o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, cujo tema em 2004 foi ‘Nada Sobre Nós, Sem Nós’, a Organização Internacional do Trabalho reconheceu que ‘Nada Sobre Nós, Sem Nós’ se tornou o grito incitante de ações conjuntas para pessoas com deficiência e suas organizações em todo o mundo.

2004:Através da Nota de Imprensa n. 5.907, a ONU divulgou que no dia 3 de dezembro de 2004, comemorando o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, foram exibidos três filmes documentários, dirigidos por Victor Pineda: “In Cuba Disabled”(vida de pessoas com deficiência em países em desenvolvimento), “Broken Balkans” (pessoas com deficiência na ex-Iugoslávia) e “A World Enabled” (histórias e testemunhos de delegados que estavam elaborando a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência). Com o primeiro filme, Pineda recebeu o Prêmio Meritório da Superfest 2003 (Festival Internacional de Mídia sobre Deficiência).

Símbolo do Ano Internacional das Pessoas Deficientes, da Década das Pessoas com Deficiência e do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. Para Johan Schölvinck, diretor da Divisão de Política Social e Desenvolvimento, “A observância deste Dia constitui uma oportunidade para promover mudanças nas atitudes face às pessoas com deficiência e eliminar barreiras à sua participação em todos os aspectos da vida. O envolvimento de pessoas com deficiência na elaboração da Convenção sobre seus direitos é um excelente exemplo como o princípio da participação plena pode ser colocado em prática. O lema ‘Nada Sobre Nós, Sem Nós’ reflete muito precisamente a atitude mundial de que as pessoas com deficiência querem ser adotadas em todos os níveis da sociedade. Pessoas com deficiência precisam ser envolvidas no planejamento de estratégias e políticas que afetarão sua vida”.

2004: A publicação digital UN Chronicle, editada pela ONU, vol. 41, n. 4, de 1° de dezembro de 2004, traz um longo artigo intitulado “Nothing About Us Without Us: Recognizing the Rights of People with Disabilities” (Nada sobre nós, sem nós: reconhecendo os direitos das pessoas com deficiência). Um de seus trechos:“Considerando que as deficiências são causadas, com frequência, por atividades humanas ou por falta de cuidados, é necessária a assistência de toda a comunidade internacional para pôr um fim a esta‘emergência silenciosa’. O reconhecimento tem sido lento, mas ele está ocorrendo firmemente em todas as partes do mundo. O crescimento do movimento internacional de pessoas com deficiência, com o seu lema ‘Nada Sobre Nós, Sem Nós’, resume esta mudança fundamental em perspectiva face ao princípio da participação e da inserção de pessoas com deficiência em todos os aspectos da vida política, social, econômica e cultural. Em comemoração ao Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, observada a cada ano no dia 3 de dezembro, o Secretário-Geral Kofi Annan salientou que ‘nenhuma sociedade pode alegar estar baseada em justiça e igualdade se as pessoas com deficiência não estiverem tomando decisões como membros habilitados.”

2005:Como parte da resposta (dada em 31/3/05) à nova estrutura do Conselho da Austrália, a Arts Access Australia (AAA) incentivou aquele conselho a fazer uma sólida avaliação e revisão do apoio às artes e à deficiência com vistas ao desenvolvimento de futures estratégias. Foi exigido que o segmento das pessoas com deficiência, cujo lema é“Nada Sobre Nós, Sem Nós”,fosse consultado para discutir sobre os desafios que a AAA e o Conselho da Austrália enfrentam. Aqueles que trabalham com a temática “artes e deficiência”não se sentem incluídos, mas o segmento das pessoas com deficiência oferece e continuará a oferecer sua perícia para o desenvolvimento de recursos destinados ao setor artístico e cultural.

2005:Em 2005, foi publicado livro “Nothing About Us Without Us: Greater, meaningful involvement of people who use illegal drugs– a public health, ethical, and human rights imperative” (Nada sobre nós, sem nós: maior e significativo envolvimento de pessoas que usam drogas ilegais– um imperativo de saúde pública, ético e de direitos humanos). Autor: CanadianHIV/AIDS Legal Network (Rede Legal Canadense sobre HIV/Aids).

2006: Em janeiro de 2006, jovens com deficiência da Grã-Bretanha, Bangladesh e China, representando a Save the Children, foram à ONU em Nova York numa tentativa final de evitar que 150 a 200 milhões de crianças com deficiência fossem esquecidos na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. O grupo criou uma logomarca, que diz: “Fazendo lobby na ONU. Inclusão de 360 graus. Nada sobre nós, sem nós”Jasmine Whitbread, diretora-chefe da Save the Children, disse:“O estigma associado às crianças com deficiência significa que, em muitos países, elas sequer são registradas ao nascer, elas se tornam invisíveis e são abandonadas, enquanto outras são encaminhadas a instituições, e lá são negligenciadas ou escondidas”.

2006: A ativista Claudine Sherrill escreveu o artigo “Nothing About Us Without Us: An Issue of Inclusion?” (Nada sobre nós, sem nós: Uma questão de inclusão?”, na revista Palaestra, em 1/1/06, vol. 22, n.1, p.55. Diz a autora: “O lema ‘Nada Sobre Nós, Sem Nós’, embora aplicável a qualquer grupo minoritário cuja representação seja negada nas decisões que afetam sua vida, evoluiu com o mote oficial da Disabled Peoples’ International (DPI)”, fundada em 1981 (e-mail: info@dpi.org). O ano de 1981 foi um marco especialmente importante na luta mundial das pessoas com deficiência por direitos e oportunidades iguais e foi denominado pela ONU como o Ano Internacional das Pessoas Deficientes”. A DPI é conhecida no Brasil como Organização Mundial de Pessoas com Deficiência (OMPD).

2006:No Preâmbulo da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (adotada em 13/12/06), os Estados Partes consideram “que as pessoas com deficiência devem ter a oportunidade de participar ativamente das decisões relativas a programas e políticas, inclusive aos que lhe dizem respeito diretamente”. Alexandre Carvalho Baroni e Regina Atalla, ao divulgarem ainda em Nova York (onde estavam) a histórica adoção da Convenção pela Assembleia Geral da ONU, acrescentaram o lema “Nada Sobre Nós, Sem Nós” no final da mensagem que enviaram à lista cvibrasil@yahoo.com.br.

2007:Aconteceu em Campinas/SP o I Encontro Municipal “Nada Sobre Nós, Sem Nós”, em 3 e 4/5/07. Diz a reportage do Infoativo DefNet, publicada na revista Sentidos: “As pessoas com deficiência vêm deixando de ocupar um lugar secundário nas discusses que lhe dizem respeito. Esse processo, sintetizado no lema NADA SOBRE NÓS, SEM NÓS, tem sido disseminado pelo movimento internacional de vida independente. Partindo dessa perspectiva e da constatação de que há ainda uma carência significativa de informações por parte das próprias pessoas com deficiência, surge o I ENCONTRO MUNICIPAL ‘NADA SOBRE NÓS, SEM NÓS’, com o objetivo de socializar informações relacionadas ao Estatuto da Pessoa com Deficiência, ao Conselho Municipal de Direitos, ao papel dos órgãos públicos e movimentos sociais que atuam nessa area, tendo como principal abordagem o acesso das pessoas com deficiência ao mercado de trabalho”. O I Encontro Municipal ‘Nada Sobre Nós, Sem Nós’ foi uma promoção conjunta entre o Núcleo Pró-Igualdade de Campinas, a Subdelegacia do Trabalho em Campinas, do Ministério do Trabalho e Emprego, e o Centro de Vida Independente de Campinas (http://sentidos.uol.com.br/canais/materia.asp?codpag=12099&canal=mercado).

2007:O Fundo Social Europeu divulgou, em 10/7/07, a seguinte notícia: “Nada Sobre Nós, Sem Nós. No projeto Sensi Pool, foi constituída uma equipe editorial composta por pessoas com deficiência. Isto permite que os concluintes de curso superior de jornalismo inclusivo coloquem em prática suas habilidades de redação. A Sensi Pool coopera com a Rádio Austríaca. Na série radiofônica ‘Sem Barreiras: Novos Caminhos para Pessoas com Deficiência’, a equipe da Sensi Pool, na condição de provedora de conteúdos, dá suporte técnico através de pesquisa e material preparatório para os programas de rádio. Em conformidade com o lema ‘Nada Sobre Nós, Sem Nós’, a equipe elaborou temas e conceitos, assim contribuindo enormemente para o sucesso da série. Cada integrante introduziu nos programas a perspectiva vista pelas pessoas com deficiência”. (http://www.esf.at/html-englisch/projekte/projekte_behinderte.html)

2007: O papel timbrado do Centro de Vida Independente de Campinas [Campinas/SP] traz a sua logomarca e o lema “Nada Sobre Nós, Sem Nós”, além de endereço e contatos, como segue: Nada Sobre Nós Sem Nós! Centro de Vida Independente de Campinas – Rua Santo Antonio, 405 – Cambuí – CEP 13024-440, Telefone: 3253-7346 (14h00 às 17h30), Site: http://www.cvicampinas.com.br, e-mail: cvicampinas@cvicampinas.com.br

2007: Foi colocado, no site http://www.disabilityconsultants.org.au/, o banco de dados“Disability Consultants – Nothing About Us Without Us” (Consultores sobre Deficiência – Nada Sobre Nós Sem Nós). Sua responsabilidade é do grupo australiano Disability In-Service Training and Support Service Inc (DISTSS), cujo papel é o de realçar a vida e a participação laboral de pessoas com deficiência. O banco de dados traz uma lista de pessoas com deficiência que têm experiência e perícia em consultoria, treinamento profissional, provisão de informações, desenvolvimento de políticas, conscientização, palestrantes especializados, depoimentos pessoais, liderança etc. Contatos: DISTSS Inc. Postal: Level 1, Suite 1107 530 Little Collins Street Melbourne VIC 3000, E-mail: distss@distss.org.au, telefone: 8686-5621.

2007: Em Petrolina/PE, diversos órgãos públicos e entidades da sociedade civil, sob liderança do ativista Hélio de Araújo, uniram esforços para organizar e realizar a Semana Estadual da Pessoa com Deficiência. Destacou-se, no dia 22 de agosto, o seminário “Nada Sobre Nós, Sem Nós”, cuja programação continha, pela manhã, duas palestras (a cargo do procurador do trabalho, Dr. Leonardo, e da representante do INSS, Marconiete Ferreira) e debates propiciados por dezenas de perguntas aos palestrantes. À tarde, houve apresentações artísticas do grupo musical da Apae, do coral do Centro de Apoio Pedagógico II, de Alcina Gonçalves e do grupo musical Flor de Macambira. Detalhes e outras fotos no site: http://veredas1.blog.terra.com.br/?&page=1.

2007: O ativista de direitos das pessoas com deficiência Marco Antonio Ferreira Pellegrini, do Centro de Vida Independente Araci Nallin, leu a Parte 1 do artigo “Nada sobre nós, sem nós: da integração à inclusão– Parte 1” (Revista Nacional de Reabilitação, ano X, n.57, jul./ago.2007, p.8-16) e, ato contínuo, enviou a seguinte mensagem por e-mail: “Gostei muito do artigo. Eu desconhecia esta proximidade histórica do movimento negro com o de pessoas com deficiência. No entanto, há muito tenho a convicção de que o forte envolvimento da minha família com a militância negra em São Paulo foi um fator de peso na minha inclusão. Estive, desde muito jovem, envolvido com o tema. Estudar em escolas tradicionais onde éramos uma meia dúzia de negros entre centenas de alunos e docentes brancos e, posteriormente, trabalhar em grandes empresas (Nec, Dixtal, Philips e Metrô) ocupando posições de visibilidade, me colocaram diante do racismo, do preconceito e da discriminação. Em nossa sociedade preconceituosa, ser negro é ter uma deficiência que leva a uma Incapacidade que resulta em uma desvantagem. Lidei com isto de todas as formas, na diplomacia e na porrada, na persuasão e no terrorismo, na esportiva e na política. No ano passado, proferi uma palestra na Faculdade Zumbi dos Palmares. Apresentei o filme “Aristocrata Clube”, que é uma boa síntese da questão do negro e, intuitivamente, tracei um paralelo com o movimento das pessoas com deficiência. Foi muito bom: os alunos se identificaram fortemente. Enfim, me empolguei com este artigo. Parabéns e abraços. Marco Antonio Pellegrini, 7/8/07”.

Referências bibliográficas das Partes 1 e 2
Comunicações pessoais recebidas por e-mails e material circulado nas seguintes listas acessadas nos meses de maio a setembro de 2007:
 – cvibrasil@yahoogrupos.com.br,
 – convencaoonu@yahoogrupos.com.br,
 – forumagenda@listas.saci.org.br,
 – estatutodapessoacomdeficiencia@yahoogrupos.com.br,
 – discapacidadyderechoshumanos@gruposyahoo.com
Declarações e convenções da ONU e de outras organizações internacionais -arquivadas no acervo pessoal.
 SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão de pessoas com deficiência em 2002: Reflexões para 2003. Revista Nacional de Reabilitação, ano V, n.29, nov./dez.2002, p.4-6.
 SASSAKI, Romeu Kazumi. Consulta às organizações de pessoas com deficiência. São Paulo, 2002.
 SASSAKI, Romeu Kazumi. A não-discriminação e a ação afirmativa resultam em inclusão social. Revista Nacional de Reabilitação, ano V, n.26, maio/jun.2002, p.5-7.
 ___. Ed Roberts, um dos maiores precursores da inclusão de pessoas com deficiência. Revista Nacional de Reabilitação, n.21, ano IV, jul./ago.2001, p.6-7.
 Sites do Google e Wikipedia – acessados nos meses de junho a setembro de 2007.

Romeu Kazumi Sassaki: Consultor e autor de livros de inclusão social. E-mail: romeukf@uol.com.br

## Disponível: http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=2072
http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=2073
## recebi da M.Gil – e-mail.

Um “Retrato” do grupo PDE para o Prof. Paulo Ross

-> Seria de mau grado/ofensa entregar uma foto à pessoa cega, isso se …

 Conheci um grupo do PDE da UFPR maravilhoso e muito engajado na área de Educação Especial.
 Este grupo é formado por profissionais como pedagogos, psicólogos, terapeutas e outros que atuam nas escolas e instituições atendendo os alunos com deficiência (PcD). Sendo assim, eu me encontrava na sala que estavam reunidos os professores especialistas em DA, DV, DF, DI, TDAH, …
Assisti algumas aulas de estudos teóricos e palestras promovidas no curso por alguns profissionais convidados. Foi muito proveitoso e construtivo, pois havia muita troca de informações e envolvia certa sinergia na sala que os discursos abertos fluíam nos diversos temas abordados, onde os participantes contaram as suas expectativas e experiências de suas atividades. Foram discutidas questões de materiais de apoio, comportamento, aprendizagem, acessibilidade, políticas educacionais, esportes de paraatleta, artes e vários assuntos relacionados à PcD.
 No entanto, o que me surpreendeu foi na aula prática com relação ao tema “A Interdisciplinaridade para elaboração de projetos inclusivos”, onde resultou um retrato inclusivo do grupo como lembrança para o prof. Paulo Ross, o coordenador do curso. Na verdade, no dia anterior, os participantes do grupo estavam perguntando sobre o que dar/fazer de lembrança ao professor, até que se juntou o útil e agradável, surgindo a ideia de fazer um retrato do grupo. Desta forma, explano um pouco sobre a interdisciplinaridade no projeto, o método e a aplicação que constituiu o objeto “retrato” para PcD visual total, o qual, entre sorrisos e emoção, gerou um trabalho de equipe muito unida e cheia de competência.Retrato Pross-PDE UFPR

Interdisciplinaridade no Projeto Inclusivo:
 A elaboração de um projeto é uma atividade orientada para o atendimento da necessidade humana, principalmente daquelas que podem ser satisfeitas por fatores tecnológicos de nossa cultura, abarcando-se os fatores técnicos, humanos, econômicos, sociais e políticos (Back, 1983). Tratando-se de Projeto inclusivo (Okumura,2010), isto concerne em atender a maioria do usuário, ou seja, compreendem nas relações entre o usuário e o projeto os níveis a seguir:

  • Indivíduo: de atender as necessidades fisiológicas (antropométricas e sensoriais), a melhor forma de utilizar, de fácil aprendizado, eficiência no uso (usabilidade/desenho universal);
  • No grupo: proporcionar uma boa comunicação e ação entre os integrantes;
  • Na organização/comunidade: abranger os objetivos sociais e culturais; leva-se em conta as questões de riscos e segurança;
  • No planeta/sustentabilidade: elaborar um projeto que não agrida o meio ambiente, de fácil reciclagem, com comprometimento no âmbito social, econômico e ambiental (Okumura,2010)

Prática: Elaboração do Túnel do Tempo e Retrato Inclusivo

  • Na fase de planejamento (Iida, 2005) decidiu-se a elaboração do retrato, onde foram levantadas as características do usuário e suas habilidades. Assim, foram relacionados os predicados do prof. Paulo quanto a sua pessoa, na atuação profissional, tipos de ferramenta que ele usa como apoio, etc. Para isso foi aplicado o “Brainstorming”, onde o grupo fez chover as ideias.
  • No Projeto Informacional foi aplicado a “análise de funções do produto”, cuja fase foi abordada as funções e os conceitos do retrato quanto o significado do retrato, o que o retrato faz/traz quando é visto pela pessoa, o que representa, porque as pessoas gostam de tirar fotos, etc. Neste aspecto, foi visto também como o prof. Paulo poderia recepcionar/sentir as funções que o retrato oferece com autonomia, ou seja, sem a necessidade de transcrever o retrato para ele. Com isso, gerou-se o suporte para o projeto conceitual.
  • Para iniciar o Projeto Conceitual foram colocadas as seguintes perguntas ao grupo (Canciglieri Junior, 2010): “qual é a imagem ou mensagem que você gostaria de transmitir?”, “como você gostaria de ser lembrado (a) no retrato do grupo?”, “qual o fato marcante que faria o Prof. Paulo lembrar de você?” e assim por diante. Desta vez, as ideias foram expressas em frases com nomes dos autores e relacionadas no quadro, onde gerou o “túnel do tempo” do grupo, perfazendo as lembranças da época e do local de forma flash. Este momento, também havia de certa forma, provocado e estimulado o interior de cada participante, motivando-os em seguida para elaboração da fala  individual.
  • Na fase do Projeto Detalhe foram finalizadas as especificações e escolhidos os programas de software e o equipamento de gravação.

Produção:

  • Cada pessoa do grupo elaborou suas falas que foram gravadas no micro ou no aparelho celular;
  • Os programas software utilizados foram: NVDA para fazer a introdução e o túnel do tempo, e o Audacity para recortar, normalizar o som e ajuntar as gravações. Ambos, os programas, são gratuitos e estão disponíveis no servidor da universidade.
  • Foram escolhidas três músicas para o fundo e fotos do Prof.Paulo e do grupo.
  • A montagem foi através do programa Office Power Point da Microsoft e gravado no formato de vídeo.

O resultado ficou, além de uma simples lembrança, cheio de emoção e muita VIDA. No entanto, coloca-se a relevância que só foi possível realizar este trabalho pela integração, cooperação e atuação maravilhosa dos professores e professoras que mostraram o domínio do conhecimento e experiência na área de educação especial.
  ** Parabéns à todos e obrigada por me proporcionar momentos agradáveis e poder participar desta experiência inclusiva!!!
** Obrigada Prof. Paulo, seu comentário de incentivo ao grupo participante neste post, também complementa e completa este espaço: https://lumiy.wordpress.com/2011/07/15/um-retrato-inclusivo/#comments
*** A lembrança foi entregue ao Prof. Paulo gravado no pendrive e está disponível no site: http://www.youtube.com/watch?v=2sC1ivUWTyg

Referências:
Back, N. Metodologia de Projeto de Produtos Industriais. RJ:Guanabara Dois,1983.
Canciglieri Junior, O. Aula de Orientação – Puc-PR/PPGEPS. Curitiba, 2009~2011.
Iida, H. Ergonomia – Projeto e Produção. SP:Edgard Blücher, 2005.
Okumura, M.L.M. A Engenharia Simultânea aplicada ao processo de desenvolvimento de produtos especiais. Curitiba: Puc-PR/PPGEPS, 2010/2011.
Okumura, M.L.M. The Environment Social and Economical Sustainability to support the process product development:case stydy of visually impairdes. Curitiba: Puc-PR/PPGEPS, 2010/2011.

Aprender com tato

Percepção pelo Tato

     Estes últimos meses, estou revisando a literatura na área de ergonomia dos produtos para sustentar o estudo de tecnologias, inclusive a “assistiva” que tem o princípio de dar apoio às pessoas com alguma limitação para executar alguma tarefa. Dentre as leituras, encontrei sobre a percepção humana e a revista RBTV, em especial o artigo acerca de desenho em relêvo para pessoas com deficiência visual (DV) e as barreiras atitudinais, que por sua vez, lembrei do pósfacio do livro de teatro do prof. Jupiassu. Assim, divido com vocês, tópicos que concernem a importância do tato para a pessoa com deficiência visual firmar um conceito, ou formar uma concepção de imagem no seu interior, de forma mais próxima do real. Na sequência explano sobre a barreira atitudinal e percepção humana. Ao final, deixo o trecho do comentário da peça “Coroa de Tebas”, onde uma jovem cega foi integrante na encenação do teatro.
Conquanto, a boa proposta da educação inclusiva, insisto na necessidade de estimular as habilidades táteis desde a infância para crianças com cegueira congênita, ou seja, coloca-se o alerta de quão é importante a pessoa DV congênita começar a explorar os materiais diversificados desde educação infantil (madeira, plástico, metal, tecido, linha, água …). Não basta a educação básica ficar na teoria levando os conceitos somente pelas palavras faladas, ou anotadas em Braille ou por meio digital. É preciso ter práticas de contato físico nos materiais de física, química, matemática …, na natureza, na arte etc, por meio de tato, olfato, paladar, audição …., buscando a multidisciplinaridade que inicie na educação infantil, e estenda até a graduação.
Complemento com o argumento do prof. Francisco Lima faz no seu artigo que “reside no fato de os cegos congênitos totais não estarem acostumados com as convenções da linguagem pictórica, e não porque o sistema háptico seja incapaz de reconhecer desenhos em relevo”. A este fato, ao jovem que teve um aprendizado integrado com contato ao meio ambiente, poderá ter uma compreensão maior do mundo que está a sua volta e também, muitas das barreiras atitudinais estarão eliminadas.

O que são barreiras? No paradigma da inclusão encontram-se barreiras de discriminação, arquitetônicas, atitudinais e outras. Assim, coloco a abordagem da barreira atitudinal, por Francisco Lima, para pessoa com deficiência, onde é definido e distinguido taxonomicamente como:
1. Barreira Atitudinal de Baixa Expectativa: A barreira atitudinal de baixa expectativa é o juízo antecipado e sem fundamento (conhecimento ou experiência) de que a pessoa com deficiência é incapaz de fazer algo, de atingir uma meta etc;
2. Barreira Atitudinal de Inferiorização: A barreira atitudinal de inferiorização é uma atitude constituída por meio da comparação pejorativa que se faz do resultado das ações das pessoas com deficiência em relação a outros indivíduos sem deficiência, sob a justificativa de que o que foi alcançado pelos primeiros é inferior, exclusivamente em razão da deficiência;
3. Barreira Atitudinal de Menos Valia: A barreira atitudinal de menos valia consiste na avaliação depreciativa das potencialidades, ações e produções das pessoas com deficiência. Esta avaliação é incitada pela crença de que a pessoa com deficiência é incapaz ou que o que conseguiu alcançar, o que produziu tem menos valor do que efetivamente lhe é devido.

Quanto a percepção humana, de acordo com Cybis et al.,  é delimitada por um conjunto de estruturas e tratamentos cognitivos pelos quais organizam e dão significado às sensações produzidas por seu órgãos perceptivos a partir dos eventos que lhes estimulam, os quais podem ser classificados em 3 processos distintos:
1. Processos neurofisiológicos ou de detecção: têm por objetivo reagir à existência de um estímulo que gere uma sensação;
2. Processos perceptivos ou de discriminação: visam organizar e classificar as sensações, de forma que só é possível se houver detecção anterior ou exista classificação memorizada;
3. Processos cognitivos ou de interpretação: visam dar significado às informações. Esta função só é possível se existirem conhecimentos e se houver informação sobre as condições de contexto no qual a percepção é realizada.
Portanto, os processos perceptivos se especializam nos diferentes sistemas autônomos que formam a percepção humana, os quais envolvem os sistemas visual e auditivo, incluindo a percepção da fala.

Para reflexão, deixo aqui o trecho do livro do Prof. Jupiassu, referente uma peça de teatro, onde, no final do livro, encontra-se este comentário sobre a atriz cega, integrante da peça de teatro:
“Entre os objetos de cena, havia um arco e flecha (adereço do ator que representava o deus Apolo). Na ocasião da apresentação daquele objetos ao grupo, Joselita nos revelou jamais ter tocado em um arco e flecha, embora já tivesse ouvido falar dele. Sua expressão facial foi de total encantamento ao poder “vê-lo” com as mãos e de, pela primeira vez, tocá-lo, aprendendo como aquele instrumento poderia ser usado para atingir um alvo distante do atirador. […] Embora Joselita demonstrasse ser letrada em Braille, podendo ler e escrever fluentemente – o que sugeria uma competente intervenção pedagógica, ela revelava uma experiência sensorial muito limitada, desconhecendo objetos simples, encontrados no cotidiano.”

Nexte contexto, ao final, eu, Lumiy, deixo um ponto relevante para a Teoria de Conhecimento, cuja essência, verifica-se que a percepção humana é gerada pela experiência que passa por processo cognitivo para captar o conhecimento da experiência, que por sua vez, é complexo para expressar, pois é tácito e físico para o indivíduo, e subjetivo entre as pessoas. Ou seja, a zona proximal (Vigotski ¹) é alcançada diferentemente, conforme o indivíduo, mediação utilizada e o mediador (Okumura, M.L.M.). (Apronfundarei nos próximos posts acerca da Teoria de Conhecimento).

Referência:
JUPIASSU, Ricardo. “Coroa de Tebas”.Campinas, SP: Papirus,  2002.
LIMA, Francisco. “Breve revisão no campo de pesquisa sobre a capacidade de a pessoa com deficiência visual reconhecer desenhos hapticamente”. Revista Brasileira de Tradução Visual, Vol. 6, No 6 (2011). Disponível:http://www.rbtv.associadosdainclusao.com.br/index.php/principal/article/view/82
CYBIS, W.;BETIOL, A.; FAUST, R. “Fundamentos da Psicologia Cognitiva” -apêndice. In: Ergonomia e Usabilidade. SP:Novatec,2007.

(¹) – encontrado o nome do autor, “Выготский“, escrito: “Vygostsky”, “Vigotsky”, “Vygotski ” e ”Vigotski”; padronizado para este texto “Vigotski”, conforme argumento do Prof.Achilles Delari Jr.

Professores do futuro

Comecei o mês conhecendo os calouros de pedagogia na recepção promovida pelo departamento do centro acadêmico – DCA da universidade, onde fui convidada para auxiliar numa das atividades –  a oficina de Braille. Foi um dia proveitoso, pois o professor convidado para a palestra foi o Prof. Paulo Ross que espalhou o espírito do professor acolhedor, dedicado, inclusivo, intuitivo, integrado, multidisciplinado, carinhoso, pluralista etc, (… encantador e convincente  para os ouvintes confirmarem o desejo de fazer o curso de pedagogia). 

No entanto, o que me chamou a atenção: vi  o pessoal do DCA, alunos veteranos da pedagogia, falando em Libras para não atrapalhar a palestra, e durante a oficina de Braille, percebi o interesse dos alunos de querer compreender os pontos em relevo, pois apenas explanei, em pouco tempo, a formação dos pontos. Todos foram muito bem, conseguiram transcrever palavras e,  até frases, que foram distribuídos em Braille. Ainda, soma-se as perguntas dos alunos durante a palestra sobre a inclusão escolar, as diferentes limitações de cada aluno, perceber a comunicação básica necessária, etc.

Então, o processo de inclusão está fluindo, os futuros professores estão sendo preparados desde os primeiros dias do seu curso de pedagogia para educação inclusiva. Talvez, seja os primeiros passos para o processo de uma sociedade menos excludente, onde todos estarão encaminhados a ter uma vida social e profissional sem discriminação.  Seria ideal, se tão breve,  realizasse o conceito de uma escola, defendida por muitos autores,  que estabelecesse o ensino básico com música, teatro, artes, cultura, esporte, contato com natureza, etc, juntamente com todos os alunos, pois o relacionamento social estimulariam para o desenvolvimento interpessoal e preparariam para formação de cidadãos que reconhecem o limite de cada indivíduo na normalidade, simultâneamente, ou seja, a compreensão de cada ser singular nas transformações produzidas pelo ambiente convivido naturalmente e socialmente. Isto seria, uma educação de qualidade, tendo uma visão de deficiência e diferença, e a aplicação de métodos para atender e responder às necessidades individuais do educando, o qual o desenvolve e capacite para encaminhar na sociedade. Não esquecendo da escola especial, o local que concentram conhecimentos e experiências, e reconhecem as limitações que, entre muitos, podem ser amenizada ou conduzida para executar de forma diferente as atividades –  no caso para o aluno com deficiência visual (DV): orientação e mobilidade – o uso da bengala, Braille, atividades de vida diária, soroban, informática, etc. Afinal, cada aluno tem a sua especificidade, portanto a escola especial seria o braço para o apoio da escola “ideal”, o qual o local possibilitaria a pesquisa e práticas para os futuros professores e, inclusive, a integração familiar. Também, comento dos centros de atendimento/apoio escolar, ao meu ver – diferente de escola especial, é o local que complementa os estudos da classe, onde as atividades são facilitadas para o entendimento do aluno (caso de codificar os exercícios em Braille para aluno com DV), e se possível, estar no mesmo local da escola. Desta forma, todas as escolas, tanto a regular/escola especial/centro de apoio escolar, têm atividades e funções importantes para o aluno especial, assim, talvez o ideal, seria se todas as escolas estivessem juntas, regular+especial+centro de apoio, na mesma escola, ou no mesmo local para que não configure, em nenhum momento, um ambiente segregado. Um tanto utópico, mas penso que um dia estará acontecendo, como ocorreu a emancipação de várias categorias na história, até lá, posso sonhar. 

O resumo da palestra aos calouros encontra-se no Blog do Prof. Paulo Ross: http://profpauloross.wordpress.com/2011/03/10/resumo-da-palestra-aos-calouros-de-pedagogia-da-ufpr/

“A complexidade humana não poderia ser compreendida dissociada dos elementos que a constituem: todo desenvolvimento verdadeiramente humano significa o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e do sentimento de pertencer à espécie humana” – Edgar Morin

Motricidade e Conduta adaptativa dos objetos: situar, localizar e adquirir

Resumo elaborada pela Profª Drª. Sonia Hoffmann,  do Livro – Palmo a palmo: la motricidad fina y la conducta adaptativa a los objetos en los niños ciegos, escrito por Rosa Lucerga Revuelta.
           O homem pode realizar movimentos com os braços e as mãos em duas esferas:
            – Ao mover seus braços, ele alcança qualquer objeto que esteja dentro do raio de comprimento do seu braço;
            – Ao pegar algo com uma das mãos, ele pode executar com a outra mão uma atividade diferente por meio de preensões e manipulações.
            A mão, para a pessoa cega, assume um papel protagonista em seu desenvolvimento, pois é através da linguagem e da experimentação tátil (especialmente do tato manual) que alguém privado de visão obtém uma grande parte de informações do ambiente.
            O sentido da visão está encarregado, sobretudo nos dois primeiros anos de vida da criança, de integrar e sintetizar os dados e a informação recolhidas por outros canais perceptivos. Por carecer deste sentido, a criança cega poderá ter, de acordo com suas condições particulares, sérios riscos de estacionar ou estagnar em seu desenvolvimento ou, em casos mais graves, entrar em uma psicose irreversível.
            Para a autora do livro, Rosa Revuelta, a criança cega conta com a afetividade e a percepção tátil como dois recursos fundamentais para integrar os dados da sua experiência. O desenvolvimento da sua afetividade é fundamental para garantir o desenvolvimento normal do seu potencial cognitivo e, também, para a constituição de uma personalidade harmônica.
            Por meio dos seus recursos egóicos, o cego adulto dispõe, entre outras coisas, da linguagem, da capacidade de simbolização, do pensamento abstrato e de habilidades motoras. Porém, a criança cega antes de alcançar e poder dispor destes recursos necessita realizar um difícil caminho. É no período sensoriomotor que se torna imprescindível despertar na criança cega o desejo de conhecer e, logo, de tocar. Assim, ao longo de toda a vida, a pessoa cega encontrará na mão um recurso privilegiado de conhecimento, mas no período sensoriomotor a criança cega encontrará nela o instrumento para a compreensão da permanência dos objetos, a aquisição do uso funcional destes objetos, o descobrimento da forma e do calor do rosto materno, a compreensão de conceitos espaciais e a relação entre os objetos, além de integrar seu próprio esquema corporal.
            Nos dois primeiros anos de vida, a autora assinala que a criança passa de uma situação de indiferenciação com os objetos (tomados por ela como um prolongamento do seu corpo) para um reconhecimento e utilização dos mesmos como elementos claramente separados e realmente externos a ela. Neste período, ocorrem o desenvolvimento da preensão, a aquisição das habilidades manipulativas básicas e o conhecimento do uso adaptativo dos objetos, implicando um processo não isolado, mas em íntima interrelação e que somente adquirem sentido quando puderem ser integrados no desenvolvimento global de uma criança.
            A criança cega, privada do privilegiado recurso do canal perceptivo da visão, é obrigada a compreender o mundo externo e a interaturar com ele através de outras formas alternativas. Seu principal aliado, para isto, é o pensamento, o qual, para se tornar formal, precisa que ela viva muitas e variadas experiências.
           Este mundo experiencial é facilitado à criança cega, em grande parte, pela percepção tátil. Pelo tato e pelas mãos, ela compreende que existe algo “aí fora”, que o mundo exterior está povoado por objetos que podem ser tocados, nomeados e manipulados, possuindo forma e uso próprios; que ela pode brincar com eles e que, através das mãos, pode satisfazer muito dos seus desejos.
            Para que o tato e as mãos possam realmente servir de instrumentos de experimentação e conhecimento para a criança cega, duas adaptações importantes são necessárias: – a mão deve converter-se em um órgão primário de percepção, sem perder sua função executora; – a coordenação visomotora é substituída na criança cega pela coordenação bimanual e coordenação ouvido-mão.
            Evolutivamente, conforme a autora, o desenvolvimento da preensão é o primeiro processo que ocorre na criança.
            Fases da preensão em uma criança sem deficiência 1) localização visual; 2) aproximação da mão: varredura com o braço, aproximação parabólica, aproximação direta; 3) preensão propriamente dita: preensão cubito palmar, preensão radial palmar e oposição do polegar.
            Quanto à localização visual do objeto, os pais precisam aproximar os estímulos exteriores ao campo perceptivo tátil e cinestésico da criança cega, despertando nela a disposição para o toque. Há uma intervenção intencional dos adultos para uma movimentação ou sustentação, mesmo passiva, sem que esta seja uma intervenção invasora ou excessiva, pois é fundamental estimular sem saturar, ajudar sem invadir. Para uma criança sem deficiência, esta localização é feita pela cor, movimento e forma dos objetos, independente da proposta ativa do adulto.
            Para a aproximação da mão da criança cega em relação ao objeto, o adulto continua animando-a para o deslocamento ativo de sua mão desde o seu corpo até o local onde se encontra o objeto. Nesta fase, é necessária a noção do objeto permanente e o auxílio da percepção a distância pela utilização do canal auditivo.
            Quanto à preensão propriamente dita, sempre que a criança tenha um interesse no objeto e ele estiver em contato com a mão da criança cega, ela pode normalmente pegá-lo para sustentar ou voltar a soltar. Os três passos (cubitopalmar, radial palmar e oposição do polegar) ocorrem na criança cega de forma paralela como na criança com visão. Sempre que este objeto estiver ao seu alcance e for de seu interesse, ela o poderá pegar adequadamente, porém com uma tendência mais longa de colocá-lo na boca em lugar de usar suas mãos de forma mais funcional.
            A criança cega sustenta os objetos de forma espontânea, mas encontra dificuldade para utilizá-lo de forma criativa. Por isto, necessita, em alguns casos, da ajuda do adulto para descobrir como pode realizar atividades com estes objetos.
            Entre os 18 e 30 meses, surge a sustentação de objetos entre as pontas dos dedos e a pinça, intervindo a maturação visomotora. Assim, torna-se necessário ajudar a criança cega para realizar, inicialmente de modo passivo e depois somente com ordens verbais, a afrouxar a mão e não mais sustentar os objetos em sua palma. Isto é muito importante para conseguir uma boa coordenação bimanual e para a realização de habilidades manipulativas.
            Uma criança com visão utiliza na pinça dois de seus dedos (polegar e indicador), enquanto a criança cega utiliza dois dedos para segurar o objeto e um terceiro dedo para recolher informação sobre a posição do objeto e para direcionar o movimento (timão).
            A busca de objetos pela criança cega está diretamente relacionada à noção de permanência dos objetos, sendo esta uma condição indispensável para o reconhecimento da realidade exterior como algo diferente e separado dela, com existência própria e independente. Antes desta formação, ela não demonstra interesse para encontrá-los ou alcançá-los (menos de 8 meses). A criança cega não dispõe da possibilidade de comprovar visualmente a trajetória que algum objeto possa realizar em seu deslocamento e, assim, precisamos ajudá-la a compreender que existe uma realidade externa que permanece estando ou não presentes em seu campo perceptivo. Porém, isto somente é possível pela experimentação.
            Conseguida esta noção da permanência dos objetos, ela terá de aprender a orientar-se no espaço e usar estratégias para conseguir uma busca mais eficiente. A busca de objetos pela criança cega nos remete ao estudo da sua organização espacial.
            Para a estruturação da COORDENAÇÃO OUVIDO-MÃO da criança cega, é importante o desenvolvimento da sua percepção auditiva. Esta percepção a auxilia no entendimento e compreensão da existência de uma realidade externa separada dela, pois com este canal a criança cega percebe informações a distância. Durante o período sensoriomotor, a audição oferece mais informações sobre o atributo das coisas do que de seus aspetos substanciais. O surgimento desta substancialidade tarda a se realizar para a criança cega, a qual necessita motivação para esta descoberta.
            Passos fundamentais para a aquisição da Coordenação Ouvido-Mão:
            a. não há indícios ativos de conduta de busca ante o som;
            b. extensão da mão atrás de uma pista sonora em continuidade a uma pista tátil;
            c. extensão da mão, seguindo apenas pistas sonoras;
            d. pegar ou tomar um objeto sem a necessidade de pistas sonoras ou táteis, mas apenas respondendo a ordens verbais – o que implica a compreensão da linguagem.
            No que se refere à identificação e exploração de objetos, antes que a criança cega utilize suas mãos para a exploração deles, ocorre um período de recreação e prazer com a colocação destes objetos em sua boca, explorando-os oralmente (entre 14 e 16 meses). Neste período, ela prefere as pessoas porque os objetos são pouco atrativos para ela e, por isto, os utiliza de forma pouco diferenciada. Por volta de um ano, seus objetos de apego lhe são significativos e determinantes, demonstrando uma conduta adaptativa. Ela pode ainda usar os objetos de modo indiferenciado e, se isto se prolongar, surgem condutas estereotipadas, autoestimulatória e sem conteúdo que impedem o conhecimento real dos objetos.
            Nos primeiros meses, ela percebe fundamentalmente as sensações de calor, frio, dor, contato, pressão e sensações cinestésicas e proprioceptivas (formas simples da percepção tátil). Entre 12 e 16 meses, há uma mudança significativa na busca de objetos, pois ela começa a utilizar suas mãos de uma forma muito particular: a exploração cuidadosa dos objetos para sua identificação e dar a eles um uso funcional. É necessário que a criança já saiba levar suas mãos à linha média e tenha uma certa maturidade na coordenação bimanual para a utilização das formas complexas da percepção tátil para o conhecimento do objeto e de sua forma.
            A autora, Rosa Revuelta, apresenta como características da percepção tátil para a exploração e identificação de objetos as seguintes abordagens:
            – a mão em repouso não percebe ou, então, apenas percebe dados isolados como temperaturas, texturas ou arestas. A palpação deve ser ativa e se realizar com ambas as mãos. A mão não dominante sustenta o objeto a explorar e oferece referências fixas; a mão dominante é mais ativa, realizando movimentos mais amplos e oferece a integração dos dados, sintetizando a forma global do objeto.
            – os movimentos palpadores são de dois tipos: os leves (informam os detalhes ou as partes significativas de um objeto) e de movimentos amplos (são globalizantes ou de síntese).
            – os movimentos palpadores ficam em torno do dedo polegar, o qual oferece o ponto de referência para calibrar as dimensões do objeto, posicioná-lo no espaço e representar sua forma entre as dimensões.
            – a identificação de um objeto se faz pelo caráter analítico processual do tato, pois ele nos oferece informações parciais de aspectos da realidade que, posteriormente, devem ser integrados até poder construir uma visão de conjunto. Este processo analítico facilita informações sucessivas de diferentes aspectos e a pessoa vai formulando ou descartando sucessivamente suas hipóteses.
            – na exploração de objetos pequenos, os movimentos são assimétricos e quando a criança cega utiliza ambas as mãos, a mão não dominante se encarrega pela oferta de pontos de referência e a mão dominante executa uma inspeção mais ativa. Quando a exploração é realizada com uma única mão, o polegar assume o papel da mão não dominante e os demais dedos se encarregam da inspeção. – a exploração de objetos grandes se faz através de movimentos mais amplos e simétricos. A criança utiliza o eixo vertical de seu próprio corpo como referência.
            Se observarmos como uma criança cega se relaciona com os objetos, como os toca e o que faz com eles, podemos avaliar aspectos qualitativos de seu desenvolvimento. A forma como ela move suas mãos e a aquisição de habilidades manipulativas básicas informam sobre a aquisição de alguns recursos egóicos, que também resultam imprescindíveis em um bom desenvolvimento, nos dando indícios se a criança está a vontade neste mundo, com vontade de conhecê-lo e interagir com ele.
Características de uma manipulação adequada e útil:
            Na exploração adequada, a criança explora lenta e suavemente os objetos; as mãos estão distendidas, mas conservam o tônus muscular necessário para a sustentação do objeto, podendo o tocar. Estando interessada em conhecer o objeto, a criança cega emprega movimentos variados e pouco uniformes, girando o objeto, acariciando-o, fazendo-o soar. Detém seus dedos, por momentos, em algo que lhe chame a atenção; desloca seus dedos brandamente pelo objeto, imprimindo neles a pressão adequada para o perceber. Os dedos indicador, médio e polegar adquirem progressivamente maior importância: o dedo indicador da mão dominante parece adquirir vida própria e se comporta como investigador. A exploração nas crianças menores é muito incompleta e vai se organizando progressivamente, embora muitas delas sejam resistentes à sistematização.
            Quando algo lhe interessa, a criança cega se demora nesta exploração – isto, nem sempre, é respeitado pelos adultos.
            Características de uma exploração inútil ou vazia: A criança toca os objetos de forma ansiosa, rápida e precipitada, sem sinais de organização. Frequentemente, ocorrem alterações do tônus muscular, podendo não ter força ou, então, sustenta o objeto com rigidez e sem flexibilidade para manipulações.
            Acontecem movimentos estereotipados ou repetitivos quando a exploração não apresenta uma finalidade, podendo a criança demonstrar alterações de personalidade. Os vínculos afetivos e a comunicação com o exterior podem estar afetados com maior ou menor intensidade. Salienta-se que estes movimentos são considerados estereotipados quando não são evolutivos e quando se encontram fora do período de ocorrência.
            A exploração mecânica ou robótica é própria das crianças falsamente adaptadas. Ela aprende as condutas que lhe são ensinadas, mas as realiza sem um desejo próprio porque, provavelmente, estas condutas foram estabelecidas apenas por uma programação.
Causas de uma Exploração Inadequada pela criança cega:
            a. a criança vive uma situação de hipoestimulação (que pode ocorrer por longo tempo)ou não houve uma atenção a este aspecto;
            b. existe algum problema de origem orgânica;
            c. a uma perturbação geral do desenvolvimento, implicando uma alteração da personalidade, tanto dos aspectos cognitivos quanto dos afetivos.
            Relativamente à coordenação bimanual, a principal adaptação que a cegueira exige é a conversão da mão em um órgão primário de percepção, sem que ela perca sua função de execução. A mão é responsável pelo oferecimento de informações necessárias para localizar e explorar devidamente estes objetos.
            A coordenação bimanual é imprescindível para que estas funções (percepção e execução) ocorram de forma harmônica. Uma das dificuldades da criança cega é juntar suas mãos na linha média, a qual é ponto de partida para a coordenação bimanual (até 6 ou 8 meses). Depois do primeiro ano, ela enfrenta tarefas que solicitam maior precisão de execução. O desdobramento funcional de ambas as mãos já é importante para o êxito da execução.
            Com aproximadamente 18 meses, ela deverá poder, por exemplo, sustentar uma caixa com uma das mãos, localizar com esta mesma mão as bordas da caixa e com a outra mão dirigir a tampa para o lugar exato que a primeira mão está indicando. A mão não dominante fixa e guia, enquanto a dominante executa o movimento.
            Após ela definir a sua lateralidade ou dominância, aconselha-se não ficar trocando muitas vezes estes papéis. Aos poucos, esta dominância para a percepção e a execução vai passando para os dedos.
            A criança com coordenação visomotora realiza a pinça com dois dedos, enquanto a criança cega realiza esta pinça com três dedos. A coordenação visomotora é substituída pela coordenação bimanual, implicando habilidades motoras, controle tônico-muscular, independência funcional da mão e do braço, flexibilidade das articulações, independência segmentária e uma boa e relativa organização espacial.
 
(*) Grifo e dividido em tópico por Lumiy

 disponível: http://www.diversidadeemcena.net/

“(…) Complexo não é ter de martelar soluções para fazer o menininho cego aprender a lidar com números, com cores. Complexo é não dar a ele a chance de aprender, a sua maneira, como se soma, como se pinta.Complexo é gerar, para o futuro, um ônus social pela ausência de formação de um deficiente” – J.Marques

Texto completo:
“De volta às aulas – de Jairo Marques”,  no site do Prof.Paulo Ross:  http://profpauloross.wordpress.com/2011/02/06/de-volta-a-escola-2/
     

Apoio ao Paulo Romeu, referente a audiodescrição:

Divulgação da Carta aberta aos Ministros das Comunicações e de Direitos Humanos

http://blogdaaudiodescricao.blogspot.com/2011/02/carta-aberta-aos-ministros-das.html

 Uma tarde no evento cultural com teatro 

As aulas da escola especial de apoio, a qual conheço, encerraram as atividades do ano de 2010 com o evento “Semana Cultural do Louis Braille” e no último dia, 18 de dezembro, foi a apresentação do teatro com a história de Louis Braille encenada pelos alunos. Os protagonistas da peça foram um rapaz cego de Angola que faz intercâmbio no Brasil e uma aluna adolescente com baixa visão. A história de Louis Braille era contada numa conversa informal entre os protagonistas atuando os dias de hoje, enquanto os outros alunos encenavam a conversa e representavam o cenário dos anos da vida de Louis Braille, assim, teve duas versões dele atuadas, de quando criança e adulto. Os alunos estavam vestidos com trajes tipicamente de cidadãos franceses, cheio de babados, e um deles, chegou a falar com sotaque francês. Ao final, todos cantaram ao som do violão tocado pelo rapaz protagonista que compôs a letra e a música. Foi muito divertido e a platéia gostou e aplaudiu muito. Depois da apresentação, foram mostrados para as pessoas da platéia, com deficiência visual, os cenários do teatro que foram bem elaborados, pois foram construídos alguns locais da casa e da escola que Braille conviveu, com detalhes, como a oficina com ferramentas feitas de madeira, janelas com cortinas e flores, máquina de escrever em Braille etc. Dentre as pessoas, estava presente a professora Utako de 80 anos, sorridente e simpática que foi uma das primeira professora da escola. O andar dela está um tanto delicado e ela usa uma bengala bem curtinha e leve, no entanto, a sua percepção está ótima, onde pôde observar o cenário do teatro e a exposição do evento, chegando a dar entrevista sobre a importância de aprender o Sistema Braille pelas pessoas cegas, juntamente com o professor Bill, que demonstrou a sua destreza na leitura de poemas escritos em Braille.  Também estavam presentes os familiares e amigos dos alunos, e  normalmente nestes encontros, cada aluno gosta muito de apresentar a professora que o assiste nas aulas de apoio para os seus pais, ficando um ambiente animado. * A realização do evento contou com a participação e dedicação de vários professores, funcionários e alunos, desde providenciar as lembrancinhas de natal, fazer os lanches e toda preparação da história, cenário, trajes, treino dos alunos e outros preparativos para apresentação do teatro. Como resultado, os alunos, os pais e amigos demonstraram satisfeitos e muitos deles deram a sugestão de repetir o evento no próximo ano. Enfim, a atividade terminou muito bem e encerro este post com as palavras da amiga B.Fish, da Alemanha, que comentou sobre a gravaçãodo pessoal cantando no teatro que eu a enviei : “listen to it, like a foto with lots of smiling faces sending warmth to the heart“. 

Formação de Professores para Escola Inclusiva

 Antes do texto principal, quero introduzir as razões que motivaram para postar este tema, além de estar diretamente relacionado aos alunos especiais.  Este é o primeiro post de 2011, e comecei o ano mergulhada nas leituras e também assisti a apresentação de “Ressurreiçao” – “Im tempo des scherzos” de Gustav Mahler pela Orquestra da Oficina de Música de Curitiba, a qual fez relembrar a história de Mahler que envolve discriminação, segregação e fuga, sendo assim, convido-o também para uma reflexão …. Entre as minhas leituras obrigatórias, escolhi explorar o termo “Sustentabilidade”, onde encontrei a integração de muitas áreas e o envolvimento de autoridades governamentais, comunidades, instituições e de outros que buscam e defendem as idéias e pensamentos para o desenvolvimento social, econômico e ambiental do planeta, de forma que supram as necessidades atuais sem reduzir as oportunidades das gerações futuras. Aprofundando um pouco mais, deparei com o termo “inclusão” abordando as situações sociais e culturais para uma sociedade mais justa e igualmente citado na parte de Responsabilidade Social no ODM – Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Neste contexto, surgiram questionamentos de acessibilidade, inclusive a preparação de profissionais para assistir as pessoas com necessidades especiais, e dentre as relações de profissões, estava a do professor. Prosseguindo a velejar nas leituras, na parte de ecologia, encontrei o artigo de Capra (sou fã), referente o Centro para alfabetização ecológica, em Berkely – California, que comenta a relevância do contato com a natureza na educação da criança, e consequentemente a aquisição do senso do lugar que ela vive – o ecossistema. Com certeza, estas palavras cabem também às pessoas excluídas da sociedade, estendendo às “crianças e jovens com necessidades educativas especiais que devem ter acesso às escolas regulares, que a elas devem adequar através duma  pedagogia centrada na criança, capaz de ir ao encontro destas necessidades” (UNESCO/SALAMANCA).  Neste ínterim, por coincidência do acaso, recebi esta semana, uma mensagem contendo o texto a “Formação de Professores para Escola Inclusiva” –  extraído do livro “Escolas para todos” do Ministério da Educação, com dados da UNESCO, coletados em inglês pela Organização Internacional Save the Children.  Assim, resolvi postar  parte desta mensagem, talvez seja um texto meio antigo, entretanto concerne ao desenvolvimento de aprendizado e educadores, e conquanto  é interessante, pois segundo a M.Gil, além dos professores, todos nós temos um pouco de educador.    

♥ ❁♥  Fritjof Capra: ”  (…) Revendo os componentes principais da pedagogia que desenvolvemos (principios da ecologia), procurarei cobrir o maio número de aspectos possíveis, mas quero frisar que as palavras são capazes de transmitir apenas uma pequena parte da história. A verdadeira mensagem está nos rostos das crianças, em seus sorrisos, suas histórias, seus desenhos, suas poesias ”  ♥ ❁♥

Formação de professores:

Os professores precisam de formação sobre os princípios do ensino inclusivo e sobre os princípios básicos ligados à deficiência, para garantirem que as suas atitudes e abordagens não impedem as crianças com deficiência de ter um acesso igual ao currículo. A formação deve ser contínua, fornecida através de pequenos cursos (ou módulos) e deve ter lugar num ambiente escolar, preferivelmente nas suas próprias escolas. A formação deve ter lugar em etapas de pré-serviço e de serviço. A formação no local, com resolução de problemas, é mais eficaz do que a formação teórica de pré-serviço. Na realidade, incentivar os professores a reunirem-se regularmente para discutir problemas e desenvolver confiança nas suas próprias habilidades é,segundo alguns, a forma mais eficaz de desenvolvimento dos quadros.

Responsabilidades dos professores:

Os professores têm que entender, e aceitar, que é sua responsabilidade ensinar todas as crianças, uma vez que todas as crianças têm direito ao ensino.

Motivar os professores para aceitar esta responsabilidade pode ser a chave para o sucesso.

– Uma vez motivados, terão necessidade de apoio prático periódico e feedback construtivo.

Os sistemas de prêmios podem ser úteis para manter o empenho dos professores que demonstram competências adicionais, mas devem ser aplicados através de sistemas existentes de promoção e classificação. Ser reconhecido como um professor criativo, e ver as crianças com deficiência conseguirem resultados será, por si só, um prêmio para um professor. Proporcionar pagamentos adicionais por ensinar alunos com deficiências pode causar divisões.

Metodologias de ensino:

Os professores só com experiência de ensino e métodos de aprendizagem de rotina irão provavelmente ter dificuldade em adaptar o seu estilo a outro que promova métodos ativos centrados na criança. As mudanças nos métodos de ensino poderiam incluir um novo arranjo da classe, para que as crianças possam trabalhar em pequenos grupos; encorajar um sistema de “amigos”, onde as crianças mais velhas e com maiores capacidades acadêmicas são designadas para trabalhar com as que têm dificuldades de aprendizagem; introduzir materiais disponíveis localmente para as atividades de jogos, ou ensinar matemática ou novo vocabulário. Os professores precisam de oportunidades para experimentar novos métodos, partilhar idéias, e observar outros professores a utilizar métodos diferentes.

Acesso à informação:

Os professores precisam de acesso à informação fácil de ler sobre documentação internacional, e como implementar práticas mais inclusivas. Ler sobre a experiência de outros professores, trabalhando em conceitos semelhantes, ajuda os professores a refletir sobre sua própria experiência e a ganhar confiança para experimentar novas idéias.

# Grifo e sub-dividisão por Lumiy

Este texto, faz parte de um maior, digitado em São Paulo por Maria Amélia Vampré Xavier da Rede de Informações da COE / Secretaria da Assistência e Desenvolvimento Social do Governo de São Paulo e as entidades Carpe Diem, Sorri Brasil e Rebraf em São Paulo, Fenapaes, Brasília (Diretoria para Assuntos Internacionais), Inclusion InterAmericana e Inclusion International em 30 de agosto, 2006.

Aula de Física para aluna cega

  A aula de Física para aluno com deficiência visual é semelhante  a aula de Química que postei anteriormente, porém, na maioria das vezes, as partes teóricas e os exercícios são ilustrados com figuras e tabelas, cujo material não se consegue o total entendimento se somente transcrito para o Braille. Conto um fato, como exemplo prático, que foi parte de uma aula de apoio de Física da TH, aluna cega, que cursa o 1º ano do Ensino Médio público e  tem aula de apoio na Escola Especial no contraturno da escola regular. TH têm 16 anos e perdeu a visão por complicações decorrentes do nascimento prematuro de 5 meses. Ela lê e escreve bem o Braille e utiliza um gravador pequeno para anotar a aula e depois é passado a limpo no seu caderno. Mas, antes de iniciar o assunto, quero decorrer na citação de Vigotski¹ acerca do aprendizado para refletir e direcionar o meu propósito neste espaço:

“A própria essência do desenvolvimento cultural consiste no choque das formas de condutas culturais desenvolvidas no meio social com as formas primitivas da própria criança.” (VIGOTSKI, L.S.)

   Parafraseando, Vigotski enfatiza o desenvolvimento psicológico, o qual é conquistado durante as realizações de experiências e participações em atividades compartilhadas com os demais dentro de uma determinada cultura que são internalizadas por meio do uso de mediações, por isso, no desenvolvimento do ser humano, a aprendizagem faz parte do processo das funções psicológicas superiores, onde envolvem-se a percepção, seguido de atenção, imaginação, pensamentos e memorização, que são funções que se desenvolvem as principais práticas escolares. Sendo assim, complementa-se que:

 “Quanto mais ricas são as experiências humanas, tanto maior será o material de que dispõe essa imaginação.” (VIGOTSKI, L.S.)

      A aula de apoio ao aluno com deficiência visual complementa ou auxilia a aula que ele freqüenta no ensino regular. Esta complementação abrange a transcrição do texto a tinta para o Braille ou vice-versa, auxílio nos exercícios, descrição das imagens e outros. 
     Na disciplina de Física do ensino médio, normalmente apresenta-se tabelas, figuras e quadros que têm necessidade de descrever ou planificar o conteúdo, de forma que possa anotar com uso da reglete para escrever em Braille. Isto é, para escrever com a reglete é preciso que as frases sejam escritas em uma direção reta, de linha a linha, pois cada letra é produzida na cela, não sendo concebível escrever livremente no papel como ocorre quando escrito com caneta. Logo, é interessante formar frases curtas, ordenadas e de fácil entendimento/localizável. Desta forma, sugiro transcrever as tabelas e quadros  em linhas ou eu, Lumiy, diria com certo “pensamento horizontal”.
     Neste contexto, comento um pouco da aluna TH que gosta muito de cantar e numa aula de apoio de Física ela chegou com a novidade que aprendeu uma música no ritmo bem animado e começou a cantar batucando na mesa: “1, 2 e 3 todo mundo debaixo do telhado, menos um e sobre o dois, e agora, 3, 2 e 1, todo mundo debaixo do telhado ….”, enquanto isso, fiquei observando as anotações da aula e os exercícios fotocopiada numa folha que ela trouxe para aula de apoio acerca de Cinemática.  Ao reparar na figura do triângulo e indicação dos ângulos, comecei a relacionar o motivo do professor de física passar a música, pois estava meio condizente com os valores de seno e cosseno dos ângulos usuais e sabe-se que a paródia é um recurso que ajuda o aluno memorizar. A TH nem imaginava, pois na letra da música não se falava do seno ou cosseno e nem dos ângulos de 30°, 45° e 60°, e provavelmente ela aprendeu a música na classe enquanto o professor indicava a tabela no quadro. Comecei a aula ditando a tabela para TH escrever em Braille de forma ordenada e ao terminar, mostrei que o “telhado” significa “raiz quadrada” e o “sobre o dois” quer dizer “dividido por 2”. Em seguida, ela leu a tabela e no instante que direcionei uma mão dela a ler a linha escrita “sen 30° = 1/2” e a outra mão a ler “cos 60°= 1/2”, estampou-se um sorriso no seu semblante, pois ela compreendeu e ficou empolgada para cantar acompanhando a sua tabela. Prosseguindo, revemos as fórmulas e os vetores de forças exercidas no movimento e a decomposição para resolver os exercícios da folha, onde o texto foi transcrito para o Braille e a figura descrita ou conforme demonstrada na foto abaixo, um improviso para reproduzir a imagem utilizando os materiais: EVA, palito de sorvete, papel, alfinete etc. Pode-se também reproduzir a figura com linhas traçadas no papel sobre o EVA para que apareça em relevo no verso.
Assim, normalmente para reproduzir uma figura pode-se resolver utilizando materiais simples, pois, posso afirmar que durante este ano, somente para a aula referente Energia Potencial/Elástica é que precisei levar uma mola e um elástico para explicar os efeitos e deformações dos materiais.
     Enfim, TH acompanhou bem as disciplinas,  foi promovida para o 2º ano e continua a cantar a paródia que é útil para a disciplina de matemática também.♥Lumiy♥
     Para concluir, verifico que a compreensão do aprendizado na sala de aula ou da experiência pessoal do aluno basea-se no diálogo e no processo de recriação e interpretação constante das informações, conceitos e significados.  Desta forma, a cultura envolve-se ao aluno os sistemas simbólicos de representação da realidade, o qual Vigotski ressalta que uma parte ativa de um processo intelectual, constantemente a serviço da comunicação, do entendimento e da solução dos problemas“.

**(¹) Encontrei o nome “Выготский“, escrito: “Vygotsky”, “Vigotsky”, “Vygotski ” e ”Vigotski”; padronizado para este texto “Vigotski”, conforme argumento do Prof. Achilles Delari Jr.

 

Como interagir ou comportar diante da pessoa com deficiência visual?

Diante da pessoa com deficiência visual, podemos interagir ou prestar algum auxílio desde que ela conceda ou permita. Para isso, retirei fragmentos do artigo “Comportamento inclusivos diante de pessoas com deficiência” de Romeu Sassaki (2005), os quais, complemento com algumas sugestões ao interagir com a pessoa cega, pessoa com baixa visão e pessoa surdocega. ** Os complementos, na maioria, foram contribuições de amigos e colegas que enviaram como sugestões ou decorrente de alguma situação, e assim, os itens da lista foram gradativamente aumentando (Okumura, M.L.M.).

 1. Diante da Pessoa cega

a) Se andar com uma pessoa cega, deixe que ela segure o seu braço ou ombro. Não a empurre; pelo movimento de seu corpo, ela saberá o que fazer. É interessante estar um passo a frente dela, assim quando for subir ou descer a escada, ela perceberá e acompanhará o seu movimento. Ou, se encontrar uma possa de água ou um buraco no caminho e necessita de dar um passo maior, dê uma leve parada e em seguida o passo estendido. Se for necessário, comunique dos obstáculos que está a sua frente.

b) Em lugares estreitos para duas pessoas caminharem, conduza o seu braço levemente/naturalmente para trás de modo que a pessoa cega possa seguir, ficando atrás de você. Em caso de locais como teatro/auditório que têm assentos enfileirados,  mova levemente o seu corpo, e avise que andará de lado.

c) Se estiver com ela durante a refeição, pergunte-lhe se quer auxílio para cortar a carne, o frango ou para adoçar o café, e explique-lhe a posição dos alimentos no prato.

d) Num restaurante, é de boa educação que você leia o cardápio e os preços, se a pessoa cega assim o desejar.

e) Se for auxiliar a pessoa cega a atravessar a rua, pergunte-lhe antes se ela necessita de ajuda e, em caso positivo, atravesse-a em linha reta, senão ela poderá perder a orientação.

f) Se ela estiver sozinha, identifique-se sempre ao aproximar-se dela. Nunca empregue brincadeirinhas como: “Adivinha quem é?”.

g) Se for orientá-la a sentar-se, coloque a mão da pessoa cega sobre o braço ou encosto da cadeira, e ela será capaz de sentar-se facilmente.

h) Se observar aspectos inadequados quanto à aparência da pessoa cega (meias trocadas, roupas pelo avesso, zíper aberto, sujeira etc.), não tenha receio de avisá-la discretamente a respeito de sua roupa.

i) Se conviver com uma pessoa cega, nunca deixe uma porta entreaberta. As portas devem estar totalmente abertas ou completamente fechadas. Conserve os corredores livres de obstáculos. Avise-a se a mobília for mudada de lugar.

j) Se você trabalha, estuda ou está em contato social com uma pessoa cega, não a exclua nem minimize a participação dela em eventos ou reuniões. Deixe que a pessoa cega decida sobre tal participação. Trate-a com o mesmo respeito que você demonstra ao tratar uma pessoa que enxerga.

k) Se for orientá-la, dê direções do modo mais claro possível. Diga “direita”, “esquerda”,“acima”, “abaixo”, “para frente” ou “para trás”, de acordo com o caminho que ela necessite percorrer. Nunca use termos como “ali”, “lá”.

l) Indique as distâncias em metros. Por exemplo: “Uns 10 metros para frente”.

m) Se for a um lugar desconhecido,oriente a pessoa cega, diga-lhe, muito discretamente, onde as coisas estão distribuídas no ambiente, os degraus, meios-fios etc.

n) Se vocês estiverem numa festa, diga à pessoa cega quais as pessoas presentes e veja se ela encontra pessoas para conversar, de modo que se divirta tanto quanto você.

o) Se for apresentá-la a alguém, faça com que ela fique de frente para a pessoa a quem você está apresentando, impedindo que a pessoa cega estenda a mão, por exemplo, para o lado contrário em que se encontra a outra pessoa.

p) Se conversar com uma pessoa cega, fale sempre diretamente, e nunca por intermédio de seu companheiro. A pessoa cega pode ouvir tão bem ou melhor que você. Não evite as palavras “veja”, “olhe” e “cego”; use-as sem receio. As pessoas cegas também as usam.

q) Quando se afastar da pessoa cega, avise-a, para que ela não fique falando sozinha.

r) A pessoa cega não vive num mundo escuro e sombrio. Ela percebe os ambientes e adquire informações através do tato, da audição e do olfato. Ela pode ler e escrever por meio do braille ou digital (computador). Logo,  poderá manter em contato por meio de celular, e-mail, skype, msm, messenger etc. 

s) O computador também é um bom aliado, possibilitando à pessoa cega escrever e conferir os textos, ler jornais e revistas, via internet ou livro digitalizado, usando programas específicos (NVDA, DosVox, Virtual Vision, Jaws, por exemplo).

t) Com a bengala ou com o cão-guia, a pessoa cega pode caminhar com autonomia, identificando ou desviando-se de degraus, buracos, meio-fio, raízes de árvores, orelhão, postes, objetos protuberantes nos quais ela possa bater a cabeça etc. O cão-guia nunca deverá ser distraído do seu dever de guiar a pessoa cega.

u) Ao planejar eventos: procure não colocar vasos, cartazes etc  no meio do caminho, providencie material em braille e compreenda que nem todas as pessoas cegas tem habilidade de ler Braille, principalmente àqueles que perderam a visão na idade adulta e/ou idosos. 

2. Pessoa com baixa visão

a) Ao se tratar de pessoa com baixa visão, proceda quase das mesmas formas acima indicadas.

b) Ao planejar eventos, providencie material impresso com letras ampliadas e escuras. Procure não utilizar figuras cheia de detalhes pequenas e coloridas.

3. Pessoa surdocega

Em geral, a pessoa com surdocegueira está acompanhada de um guia-intérprete, que utiliza diversos recursos de comunicação como, por exemplo, a libras tátil (libras na palma das mãos) ou o tadoma (pessoa surdocega coloca a mão no rosto do guia-intérprete, com o polegar tocando suavemente o lábio inferior e os outros dedos pressionando levemente as  dobras vocais). Assim, pela vibração das dobras vocais, ela consegue entender o que a outra pessoa está falando. Há pessoas surdocegas que apenas não ouvem, mas falam; portanto, ela pode “ouvir” pelo tadoma e falar com a própria voz. Quando entrar numa conversa com uma pessoa surdocega, que utiliza o tadoma, deixe que ela faça o mesmo com você.

Um relato de ajuda ao casal de cegos que transforma em exercício: https://lumiy.wordpress.com/about/relatos/miau-musculacao-de-cego/

“Com o teu sorriso, o teu amor, o teu abraço, a tua vida. Com o teu carinho e o teu jeito especial de ser, me iluminas com uma luz que nem a mais brilhante estrela possui, porque me mostras e me ensinas o lado belo da vida. Não preciso ver-te, pois sinto a tua alma, capto coisas que não podem ser vistas, apenas sentidas. Não vejo a tua beleza exterior, que é efêmera, mas sinto a tua beleza interior, que é eterna …” (Poema escrito pela Isaura Gisele, estudante gaucha e cega, atribuído à escritora de livros acessíveis, Gisele Pecchio Dias, na Revista Educação).

“Em lugar de comunicar-se, o educador faz “comunicados” e depósitos que os educandos, meras incidências, recebem pacientemente, memorizam e repetem. Eis aí a concepção “bancária” da educação, em que a única margem de ação que se oferece aos educandos é de receberem os depósitos, guardá-los e arquivá-los. Margem para serem colecionadores ou fichadores das coisas que arquivam. No fundo, porém, os grandes arquivados são os homens, nesta (na melhor das hipóteses) equivocada concepção “bancária” da educação. Arquivados, porque, fora da busca, fora da práxis, os homens não podem ser. Educador e educandos se arquivam na medida em que, nesta distorcida visão da educação, não há criatividade, não há transformação, não há saber. Só existe saber na invenção, na reinvenção, na busca inquieta, impaciente, permanente, que os homens fazem no mundo, com o mundo e com os outros” (Paulo Freire). 

 

 Apoio ao aluno com deficiência visual: aula de Química

          Ao pensarmos nas aulas de Química, logo relacionamos com laboratório e fórmulas nos estudos das estruturas atômicas, interações moleculares, funções inorgânicas, estequiometria e outros,  cujas anotações e experimentos são importantes para compreender a disciplina. Por isso, para o aluno com deficiência visual (DV) podemos elaborar a aula de Química, utilizando-se recursos alternativos, no caso para as anotações, recorrer ao Sistema Braille quanto aos sinais matemáticos e ao campo das ciências, além de algumas letras gregas(alfa,delta,..) nos materiais didáticos do MEC/SEESP, o”Código Matemático Unificado” (CMU) e a “Grafia Braille em Química”; e na parte de visualização, utilizar materiais como palito, canudo, bola de isopor, pedaço de madeira, barbante, alfinete, etc . Um dos materiais interessantes é o uso do papel sobre o EVA para desenhar com caneta ou com punção, e assim, formar traços ou pontos em alto relevo no avesso do papel, onde, possibilitam as reproduções do Diagrama de Linus Pauling, da escala de temperatura (Celsius x Kelvin x Fahrenheit) e outros. Existem também, materiais prontos como a tabela periódica impressa em Braille e  materiais em thermoform (plástico em alto relevo) como a estrutura do átomo. Contudo, uma atividade para formar estrutrura molecular interagindo os alunos, utilizando bolas de isopor de tamanhos diferentes e palitos, têm melhores resultados. 
Exemplo Química Braille
          É relevante para que o aluno com DV perceba ou tenha certa percepção de reconhecer a figura planificada, portanto, conta-se da importância que ele tenha frequentado as aulas de artes e AVD, ou tenha recebido orientação e treinamento para interpretar os materiais em alto relevo e as diferentes texturas colocadas no papel, logicamente sem detalhamentos. Também, acrescento as atividades de explorar os objetos quanto o tamanho, formato, encaixe, textura ou ainda, entrar em contato com a natureza (terra, pedra, areia, etc), plantas, animais, pois, mais tarde, auxiliam o aluno na compreensão das aulas de ciências e também de outras disciplinas.  
          O CMU foi elaborado para abranger as notações de matemática e ciências, porém há necessidade do material “Grafia Braille em Química” para notações mais avançada, como a estrutura molecular fechada (benzeno, naftaleno,…), tipos de ligações (simples, dupla, tripla), velocidade de reação, movimento dos elétrons, etc. O texto da “Grafia Braille em Química” foi transcrito para o contexto educacional brasileiro, mediante estudos dos símbolos do CMU, “Notações de Química” de Madeleine Seymour Loomis & Paul Cunningham Mitchell e propostas da Fundação Catarinense de Educação Especial, da Associação do Cegos e Amblíopes de Portugal – “Grafica Química Braille”  e da ONCE – “Fisica y Química”. 
          Ressalto que o Sistema Braille é uma ferramenta de apoio ao aluno com DV, sendo assim, as notações mais avançadas de química não são necessariamente de uso convencional de professores de apoio que fazem a transcrição. Para este caso, sugere-se que o aluno informe suas notações de tarefas/provas ao professor da disciplina. Existe ainda a opção de usar o meio digital ou gravação em áudio.
          Desta forma, a aula de Química, partindo-se do conceito interdisciplinar, permite criatividade, integração e participação da classe, tanto na teoria como na prática, além de associar-se às diferentes áreas. Conforme Paulo Freire (1982), “tanto quanto a educação, a investigação que a ela serve, tem de ser uma operação simpática, no sentido etimológico da expressão. Isto é, tem de constituir-se na comunicação, no sentir comum uma realidade que não pode ser vista mecanicistamente compartimentada, simplistamente bem “comportada”, mas, na complexidade de seu permanente via a ser”.  Através do uso de mediações diversificadas, emprega-se um aprendizado que promovem o convívio entre os alunos, contribuindo no desenvolvimento do indivíduo e na inclusão educacional.
 
 “Mais importante que saber é nunca perder a capacidade de sempre mais aprender. Mais do que poder necessitamos de sabedoria, pois só esta manterá o poder em seu caráter instrumental, fazendo-o meio de potencialização da vida e de salvaguarda do planeta” (BOFF, Leonardo. “Saber cuidar: ética humana – compaixão pela terra”. Ed.Petropolis, RJ: Vozes, 2008).
“Há momentos assim na vida: descobre-se inesperadamente que a perfeição existe, que é também ela uma pequena esfera que viaja no tempo, vazia, transparente, luminosa, e que às vezes (raras vezes) vem na nossa direcção, rodeia-nos por breves instantes e continua para outras paragens e outras gentes” (José Saramago). 

 

Significado das cores pela expressão

 As cores fazem parte do nosso cotidiano para identificar, escolher, caracterizar os objetos como vestuários, utilitários, decorativos, …. até mesmo para uma simples flor. Segundo o dicionário (Michaelis), a cor é “impressão variável que a luz refletida pelos corpos produz no órgão da vista”, desta forma, a cor somente é perceptível aos olhos,  não sendo identificável através de outras percepções sensoriais (tátil, olfativa, acústica, gustativa) e está relacionada diretamente ao convívio social, por isso é importante que as pessoas com deficiência visual (DV) consigam interpretar o significado das cores como as expressões: o céu está azul,  o jogador recebeu cartão vermelho, o semáforo está vermelho, declarar com rosas vermelhas, etc. Existem ainda outras concepções relacionadas à cor como a matiz que é a intensidade da cor, o brilho que se refere à luminosidade e a saturação que corresponde à pureza espectral da luz; por isso, é extensa a abordagem do significado das cores para pessoas com DVs.    
Na aula de AVD/AVAS, é interessante colocar expressões como cor fria/quente; alguns “estudos de psicologia” das cores como o branco relacionada com paz, vermelho com amor, azul com serenidade, etc. Isto é concernente principalmente aos vestuários quanto a combinação das cores ou ao seu uso adequado no momento/atividade. É relevante dizer que a aula precisa ser condizente ao aluno, quanto a idade, atividade, lazer,  pois há certa necessidade de levantar o interesse dele. Coloco um fato que aconteceu, é de um adolescente cego desde o nascimento e que não queria assistir a aula porque segundo ele,  se não enxergava as cores então para nada o serveria. Este aluno gosta muito de futebol e é torcedor “roxo” do CAP, além de jogar bem bola (goalball). Não tive dúvida, comecei a aula falando dos torcedores do “furacão” que espalham vermelho e preto nas ruas no dia do jogo. Aos poucos, o aluno foi se aproximando, sentou e começou a participar da aula com ânimo, principalmente quando referia-se ao “rubro-negro”. Por isso, sugiro que as aulas sobre cores sejam colocadas após conhecer o aluno DV.
Uma outra referência de cor são os ícones de artistas, cantores, jogadores famosos, time, torcida organizada, etc,  que podem acompanhar, ou usar como modismo, ou se identificar como fã, ou participar de alguma atuação/movimento pela pessoa DV.    
Na aula, uma das atividades que peço para as crianças com DV é que façam pesquisas com os professores, entre alunos, pais, irmãos, tios, vizinhança, … de qual a cor preferida da pessoa, qual a cor do vestuário em uso, etc. Para o pessoal maior e de escolarização avançada, coloco expressões de degradê, malhado,mesclado, xadrez, reluzente, opaco, translúcido, representação do luxo, brilho, e outras configurações envolvendo percepção de luz.
Ao final, quero deixar uma observação de que às vezes é desconfortável apontar cores à pessoa com DV sem que aparente indelicadeza na conversa; nestes casos, ao encontrar com PcDV bem preparadas, fica a minha curiosidade na dedicação de quem é a pessoa, sejam pais ou professores,  que a instruiu e a encaminhou para integração e convívio social (Lumiy). 
Mais sugestões para atividade de cores: AVD/AVAS: Simbologia das cores.  
   

“Que significa descobrir o significado? Na linguagem devemos distinguir os aspectos semiótico e fásico; os liga a relação de unidade e não de identidade. A palavra não é simplesmente o substituto da coisa.” (VIGOTSKI, 1991)
 

Sistema Braille: o aprendizado para leitura e escrita correta

Postei este texto escrito pelo Professor Eduardo Fernandes Paes, o qual coloca a importância de pessoas com deficiência visual (cegueira) de aprender e usar o Sistema Braille, mesmo com o avanço das tecnologias que oferecem facilidades nos meios de comunicações e informações.  

O BRAILLE COMO ALIADO INDISPENSÁVEL A UMA BOA ESCRITA

É notório que a língua portuguesa está se modificando com o passar dos anos, o que é natural. Ela é enriquecida diariamente ao receber influências linguísticas de todas as espécies. O que está acontecendo, no entanto, é o mau uso dela. Nota-se, em praticamente todas as áreas das atividades humanas, que, em nossos dias, escreve-se mal e fala-se
pior ainda. Indubitavelmente, uma das principais causas para que isto esteja ocorrendo é a falta da boa leitura.
Nesse sentido, em um país com apenas 3.000 bibliotecas públicas, em que existem 5.200 municípios, já se vê que não há uma política à altura da valorização desse gosto pela leitura de livros, jornais e revistas .
Só para se ter uma idéia de como esse incentivo à leitura poderia se dar de forma simples, mas eficiente, saibam que nos Estados Unidos, quando sai um livro que eles chamam de “paper back”, uma edição popular de um livro de sucesso, o próprio Governo americano compra de saída 100 mil exemplares para distribuir entre as bibliotecas
públicas e escolas. O governo dá o ponto de partida, estimula. Isso é uma coisa genial, indispensável e transformadora.
E por que devemos incentivar o gosto pela leitura? Principalmente porque, conhecendo melhor o seu idioma, o indivíduo será capaz de raciocinar, analisar e fazer uma reflexão mais aprofundada e apurada dos assuntos e fatos que envolverão a realidade que o cerca; e isso dependerá do domínio que ele terá da língua.
Desse modo, o aumento do vocabulário de uma pessoa é condição fundamental para que este processo se realize a contento, pois quem tem o domínio de uma situação linguística sabe como usar adequadamente um número razoável de palavras. O vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, tem 360 mil palavras, mas quando o indivíduo conhece 30 mil dessas 360 mil, é considerado um gênio. Em nosso dia a dia, usamos de 4 a 5 mil palavras, e olhe lá!
Gostaria de apresentar agora a opinião de alguns intelectuais respeitados sobre este assunto:

Quem não sabe falar bem não consegue justificar a sua própria existência. O decréscimo da língua portuguesa empobrece o País.” (Antônio Olinto, membro da Academia Brasileira de Letras)

A base da cultura é a própria língua. Quem não sabe falar não consegue ensaiar os outros passos. Se há o empobrecimento da língua, há o empobrecimento das ideias, e a sociedade brasileira está amadurecendo e
valorizando a Educação.
” (Tarcísio Padilha, secretário geral da ABL)

O Português deveria ser objeto de orgulho, de satisfação. Quem não conhece a própria língua não tem identidade, não tem patrimônio.” (Sérgio Corrêa da Costa, acadêmico, historiador e diplomata de carreira.)

Na verdade, tanto entre os deficientes visuais quanto entre os normovisuais, podemos observar este processo de empobrecimento linguístico que, espero, muito breve, seja revertido, na medida em que já estão em andamento, em muitas partes do Brasil, projetos de incentivo à leitura como o das bibliotecas ambulantes, que circulam principalmente por comunidades carentes; o de escritores que vão às escolas falar sobre suas obras e debater com os alunos; entre outros. Acredito ainda que, além dessas maravilhosas e bem-vindas iniciativas, cada um de nós, que
já adquiriu o gosto da boa leitura, pode dar a sua contribuição para que outras pessoas, mormente crianças e adolescentes, se interessem pelo livro e façam dele um companheiro constante de suas vidas.
O bom domínio da Língua Portuguesa é inegavelmente um fator decisivo para a abertura de novos horizontes nos mais diversificados campos e áreas do Conhecimento e do Saber, aplicado a inumeráveis atividades humanas. E, para isso, os cegos brasileiros já podem contar com vários instrumentos para este fim: computador, escaner, gravadores digitais, bibliotecas de livros gravados, digitalizados e em braille…
Ah, o velho amigo braille! Decerto nenhum cego que não possua qualquer problema com o tato de seus dedos poderá deixar de aprender e de sempre se utilizar deste fantástico sistema de leitura e escrita, em nome de mais independência em sua vida diária.
Revela-se, sem dúvida alguma, o Sistema Braille como o melhor processo pelo qual um cego poderá aperfeiçoar os três pontos gramaticais que, normalmente, apresentam mais dificuldades no uso diário do nosso idioma, a saber: a acentuação, a pontuação e a ortografia, principalmente este último, sobre o qual o professor e gramático Pasquale Cipro Neto faz as seguintes considerações:
A competência para grafar corretamente as palavras está diretamente ligada ao contato íntimo com essas mesmas palavras. Isso significa que a freqüência do uso é que acaba trazendo a memorização da grafia correta. Além disso, deve-se criar o hábito de esclarecer as dúvidas com as necessárias consultas ao dicionário. Trata-se de um processo constante, que produz resultados a longo prazo.
Dicionários e corretores ortográficos já estão à disposição dos cegos que estudam e trabalham com o auxílio de computadores; porém duvido muito que a maioria se utilize dessas ferramentas a todo instante para verificar se está correta a grafia de algumas palavras sobre as quais teve alguma dúvida quando, por exemplo, estiver digitando uma simples mensagem para um amigo ou para uma lista de discussão na internet.
A memorização da grafia correta das palavras se dá por duas fontes: pela visão ou pela sensibilidade do tato, no caso das pessoas cegas. Nenhum cego, por mais que leia os melhores autores brasileiros, ficará sabendo corretamente a grafia de determinadas palavras se somente realizar suas leituras através de livros gravados ou digitalizados.
Indiscutivelmente, tanto os livros gravados como os digitalizados, que se apresentam modernamente como meios de leitura preferidos por uma boa parte dos deficientes visuais, principalmente pelos mais jovens, dinamizam o acesso destas pessoas à informação, ao estudo e à cultura em geral.
Todavia, é também inquestionável a insistência que se deve manter em se incentivar o processo de aprendizado do Sistema Braille para que as pessoas cegas, entre várias razões que justificam este aprendizado,  não percam o contato com a forma correta de se escrever.

Paz e Sabedoria a todos!
Prof. Eduardo Fernandes Paes
( Bacharel e licenciado em Letras pela Universidade Gama Filho, RJ; com especializações em Metodologia do Ensino da Gramática Tradicional e na Didática de Ensino de pessoas com deficiência visual.)
Professor responsável pelo sítio “NOSSA LÍNGUA_NOSSA PÁTRIA” – um sítio a serviço da Língua Portuguesa, da Educação e da Literatura Brasileira.
www.nlnp.net            E-Mail: nlnp@nlnp.net


Mais informações sobre Sistema Braille – ler e escrever : https://lumiy.wordpress.com/estudos/sistema-braille/

** Grifo de Lumiy. Texto recebido p/e-mail do Forum Inclusão em 3/4/2010 – Marta Gil. Está disponível em http://www.diversidadeemcena. net

 Dirigir o carro conduzida por pessoa com deficiência visual …

Ontem (03/12/09), fui numa reunião de amigos e por não conhecer o trajeto, o meu colega foi quem me conduziu para chegarmos ao local. Este colega perdeu totalmente a visão aos 3 anos de idade, hoje ele é professor em duas escolas públicas e desloca-se sozinho para todos os lugares.  O fato dele não enxergar com os olhos não o impediu na sua autonomia para mobilidade, pois ele consegue reconhecer rapidamente a sua localização e constitui um trajeto mental para deslocar-se de um ponto para outro. Neste contento, abordarei algumas situações de mobilidade das pessoas com deficiência visual (DV), inclusive daqueles com certa destreza que conseguem ser ótimos co-pilotos, isso sem aprofundar nos conceitos de tecnologias ou fundamentos da mobilidade; e, ao final, uma reflexão customizada através das palavras dos “gigantes”. Observo que nem todas as pessoas com DV têm percepção desenvolvida ou apurada, assim como pessoas que enxergam podem ficar perdidas principalmente nos locais desconhecidos.♥

                A mobilidade é importantíssima para a pessoa com DV, proporcionando a sua autonomia de deslocamento, onde é preciso ter a noção de espaço, a percepção de posicionamento (lado direito, esquerdo, atrás, lado, …), isto é lateralidade. No dicionário consta que “a lateralidade é a capacidade de controlar os dois lados do corpo juntos ou separadamente”.  Além disso, é preciso ter a noção do seu posicionamento e dos objetos que estão ao seu redor,  no caso, levar a mão na direção correta para pegar um copo que está na mesa. Normalmente, a pessoa com DV anda sem bengala e até mesmo corre nos locais em que está ambientado, o qual sente totalmente inteirado com as posições dos objetos e com as curvas do caminho. Da mesma forma, dentro do carro, alguns têm a percepção do caminho, conseguem, sem dificuldades, ter a noção de onde está e qual o trajeto que deve seguir para chegar ao seu destino sem enxergar as paisagens. Logicamente, ocorrem conversas alheias durante o tráfego e também são descritos alguns locais ou mencionada a rua em que se está passando.
               Para conseguir desenvolver a lateralidade e conjuntamente a mobilidade, o indivíduo necessita praticar e estimular as suas percepções. Estes são noções que as pessoas adquirem ou se adaptam a elas com treino, visitando o local, explorando os objetos, do corpo entrar em contato para conhecer e entender o significado das estruturas que estão ao seu redor,  isso sem esquecer do manuseio da bengala e contando com os outros sentidos: audição, olfato, tato, paladar, etc. Acrescento ainda, as práticas de esporte como futebol (golbol), judô, corrida e outros, que contribue para qualidade fisica e mental.
                Uma outra relevancia é a noção de perceber o movimento do guia. O guia é a pessoa vidente que auxilia a pessoa com DV, no caso de atravessar uma rua movimentada, sem sinalização. Conforme a estatura, a mão da pessoa com DV apóia no ombro ou segura perto do cotovelo do guia. Existem algumas pessoas com DV que apenas tocam com dois dedos no braço do guia, assim como, tem outros com a mão mais firme e pesada. O guia sempre precisa estar um passo à frente para que o indivíduo DV sinta o movimento do condutor, como quando for subir uma escada. Se entre eles estão acostumados, então o guia pode caminhar mais rápido porque a pessoa DV tem facilidade de acompanhá-lo, deixando muitas vezes a bengala em posição de guarda (não bate) ou simplesmente a recolhe.
                 Atualmente, através das regulamentações das leis e dos movimentos de conscientização, muitos locais estão disponíveis à acessibilidade. Aparecem nas ruas e nos estabelecimentos públicos o piso tátil de direção e de alerta, mapa tátil, placas com Sistema Braille, guias rebaixadas, etc. E mais, surgem ferramentas de tecnologia de informação e comunicação (TIC), que podem se relacionar à tecnologia assistiva para auxiliar na mobilidade, como o GPS.
                 Enfim, a mobilidade e a lateralidade são resultados das percepções do indivíduo, conforme ressalta Chopra, ” o corpo físico é uma abstração, um fluxo intermitente de sensações, percepções, memórias, idéias, uma projeção da consciência.” (DEEPAK CHOPRA)
##Postei a História da Bengala ->https://lumiy.wordpress.com/estudos/om-historia-da-bengala/–—
* Reflexão através das frases dos “gigantes” customizadas por Lumiy acerca de desenvolvimento do indivíduo, exteriorização, estimulação e inclusão social:
“O desenvolvimento do cérebro e dos sentidos a seu serviço, a crescente clareza de consciência, a capacidade de abstração e de discernimento cada vez maiores, reagiram por sua vez sobre o trabalho e a palavra, estimulando mais e mais o seu desenvolvimento” (ENGELS), isso, “influenciado por Marx, Vigotski concluiu que as origens das formas superiores de comportamento consciente deveriam ser achadas nas relações sociais que o indivíduo mantém com o mundo exterior” (LURIA). Ainda, conforme os testes de lateralização cerebral, existem a relação entre a lateralidade da fala e a preferência por uma das mãos (PINEL), este relacionamento mostra e remete a necessidade do estímulo e o contato ao mundo exterior para desenvolvimento do indivíduo. Então, “entre os seres humanos e o seu mundo físico coloca-se seu ambiente social, o qual refrata e transforma suas ações recíprocas com o mundo. […] crianças cegas não percebem originalmente sua cegueira como um fato psicológico. Ela é percebida apenas como um fato social, um resultado secundário e mediado de sua experiência social. […] as escolas especiais da época faziam pouco em termos dessa educação social. Influenciadas por idéias religiosas e filantrópicas, remanescentes de uma mentalidade burguesa originada no mundo ocidental, enfatizavam a situação infeliz das crianças e a necessidade de que elas carregassem sua cruz com resignação. Em contraste, Vigotski defendia uma escola que se abstivesse de isolar essas crianças e, em vez disso, integrasse-as tanto quanto possível na sociedade. As crianças deveriam receber a oportunidade de viver junto com pessoas normais” (VEER;VALSIENER), a qual, hoje esta luta nomea-se “inclusão”, onde antevir da oportunidade, agrega-se o valor de respeitar os limites e conhecer as diferenças pela sociedade, e juntamente apoiada pela Lei. (grifo de LUMIY,2009).
 (* encontrado o nome do autor escrito “Vygostsky”, “Vigotsky”, “Vygotski ” e “Vigotski”, padronizado para este texto “Vigotski”, conforme argumento do Prof.Achilles Delari Jr).
Pessoas com deficiência visual: o usuário de celular e computador
Havia preparado durante a semana a aula de hoje (16/10/09) que seria referente a amizade e comportamento. Eu disse, “seria”, pois desde ontem recebi mensagens no celular, nos e-mails e no msn dos meus pequenos alunos que queriam uma atividade de raciocínio,  em outras palavras é brincar. Esses alunos são crianças que freqüentam a escola de apoio para pessoas com deficiência visual (DV) e também usuários potenciais de tecnologias, pois têm habilidades e agilidades para usar o celular e o microcomputador.
Com isso, neste texto explanarei algumas tecnologias relacionadas ao celular e microcomputador presentes no cotidiano dos DVs e uma das atividades realizada na aula com o tema “Ensinar o computador”, acerca de lógica e pensamento seqüencial.
Mary Radabaugh no “Study on the Financing of Assistive Technology Devices of Services for Individuals with Disabilities”(1993), menciona que a tecnologia facilita para as pessoas sem deficiência e torna possíveis para as pessoas com deficiência. A tecnologia possibilitou à PcD a realizar muitas tarefas e uma das áreas que proporcionou benefícios aos DVs foi a área de informação e comunicação (TIC). Antigamente, uns 20 anos atrás, os estudantes com DV usava-se fitas cassetes para gravar a aula ou alguém lia a apostila, além do uso do Braille para anotações. Atualmente, continua o uso do Braille e os recursos do microcomputador, scanner, celular, etc.
Para o uso do microcomputador existem softwares (programas) de ampliação de caracteres e alteração de cores  para pessoas com baixa visão e leitores de tela para as pessoas com DV total. Os programas leitores são NVDA, JAWS, VIRTUAL VISIO, ORCA, etc. Existem ainda, programa interativo com o usuário, no caso o DosVox desenvolvido pela Intervox (UFRJ) e programas para ebooks como Mecdaisy, Lida (FDN), Adobe Digital e outros. Normalmente encontro usuário de leitor de tela com o monitor desligado, usando o fone de ouvido e com a voz do leitor configurada na velocidade máxima. Este recurso favorece certa autonomia aos DVs no uso do microcomputador possibilitando editar e ler textos, enviar e receber e-mails, ler notícias, conversar no MSN, Messenger, Skype. Os leitores não lêem as imagens como foto,  desenhos e gráficos; e dependendo da tabela fica confusa a interpretação. Nem todos os sites da internet oferecem acessibilidade na navegação, contudo percebe-se certas mudanças para atender esse público especial.
Quanto ao celular, conforme os recursos do aparelho, memórias disponíveis e financeiros, pode-se instalar programas de falas, ampliação da imagem da tela, GPS, comunicação (Skype), leitor de tela, etc. Os serviços da operadora também são bem utilizados como de ver as horas e outros.
Tanto no micro ou no celular podem-se configurar a “fala” para que informe a tecla digitada, soletrar a palavra, ler pontuação, regular o volume, a velocidade e o tom da voz e mudar o autor da voz.
Por isso, a inclusão digital permitiu às pessoas com DV a estudar, trabalhar,… e principalmente estendeu o relacionamento entre as pessoas. No tocante, o usuário de micro consegue comunicar-se de diversas localidades num ambiente sem diferenças entre as pessoas. Para isso, existem várias instituições oferecendo cursos de informática para DVs  e em muitos casos são professores com DV que ministram a aula.  
As crianças, os meus pequenos, muitas vezes são eles que fazem as anotações no meu celular porque  segundo eles, demoro demais para adicionar contato novo.
Falando da turminha, uma das atividades da aula foi sobre pensamento seqüencial – lógica, com o tema “Ensinar o Computador”, um exercício para ordenar o pensamento relembrando os detalhes do dia a dia e como deve instruir uma informação. A princípio contei como o computador funciona e a importância do programador de se preocupar com o usuário. A atividade foi de um aluno ser o computador, o outro era o usuário do computador que perguntava e  executava a tarefa ou em chegar a algum lugar e os outros eram os consultores que  acompanhavam a execução e ao ocorrer erro de sequência pedia para o computador corrigir o seu programa. Fizemos várias tarefas como escovar os dentes, pegar um copo com água e chegar ao destino solicitado. No começo da atividade foi divertido, pois se esqueceram de abrir a tampa da pasta e o usuário passou o tubo da pasta fechado na escova,  enviaram o usuário em direção a porta fechada ou colocaram água no copo virado. Ao final, ficaram bons e a consultoria estava exigente e detalhista. A última sequência foi de traçarmos o trajeto para a lanchonete do shopping sem deslocarmos da sala, e nesta eu fiquei conhecendo os obstáculos do caminho como degraus e buracos que nunca havia reparado.(LUMIY,2009)

 ”… é justamente a Acessibilidade o eixo fundamental da equidade de direitos. Enquanto não tivermos contemplada a Acessibilidade, em todos os níveis, estaremos discriminando cidadãos que tem alguma diferença física ou sensorial. Uma sociedade justa se constrói com a igualdade, a liberdade, a justiça, a cidadania e as coisas básicas: moradia, alimentação, educação, saúde… E os desiguais devem ser tratados como desiguais, na justa medida dessa desigualdade.” (Marcio Aguiar, Conselheiro Titular da Conade – Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência).

“Com certeza, de todos os sentidos com que somos aquinhoados ao nascer talvez o mais importante seja a visão, que nos permite aquilatar as benesses que nos cercam no mundo, a beleza da natureza que nos acolhe,  e distinguir os
rostos queridos de mãe, de pai, que nos enchem de afeto.   Todavia, o número de pessoas que ou por problemas congênitos, por doenças adquiridas ou por acidentes e desastres,  se vêem privadas de enxergar o mundo que as cerca é muito grande.   Felizmente, também, a tecnologia moderna tem progredido e equipado instrumentos importantes como computadores para enriquecer a vida de tantos irmãos privados da visão, lamentavelmente.” (Maria Amelia Vampré Xavier – Rede de Informações Área Deficiências Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Fenapaes, Brasília -Diretoria para Assuntos Internacionais),Rebrates, SP, Carpe Diem, SP, Sorri Brasil, SP, Inclusion InterAmericana e Inclusion International).

Encontrar a mão

Encontro com DV: uma aula de reencontro

Mais um dia feliz com a turminha especial e desta vez com algumas situações quanto a combinar um encontro, e também ao uso de gestos para saudar, pois são formas de comunicação que aprendemos desde criança vendo, observando e ouvindo outras pessoas fazerem, onde as falas e os movimentos são imitados, repetidos e incluindo o sentimento de contato amigável. É bem simples, mas como fazer que as mãos de duas pessoas DV se encontrem para dar o aperto de “como vai”, sem pairar por muito tempo no ar, ou ainda deixar de corresponder um com outro? Então, resolvi postar esta atividade, pois se desenvolveu tão bem, acrescentando curiosidades quanto ao comportamento social tanto para turminha como para todos que participaram. Neste texto, acrescentei um pouco de nossa convivência para demonstrar a importância do relacionamento e diálogo para integrar uma atividade. 

Há mais de 50 dias sem nos ver, primeiro, as férias escolares de inverno e seguidas de recessão devido à gripe H1N1, hoje (21/08/09) reencontrei com os pequenos da escola especial para pessoas com deficiência visual. Fizemos uma atividade diferente, pois estavam conosco dois professores, o Bill da escola e a Jana do IPC, eles são DV totais; e nem sempre temos a oportunidade desta companhia. O tema trabalhado foi “Encontrar e saudar” e com objetivo de abordar em como marcar um encontro entre pessoas com deficiência visual e também quanto aos tipos e formas de cumprimentar. A motivação que levou a este contexto foi a observação de vários desencontros por falta de combinar melhor para um encontro, pois mesmo para as pessoas que enxergam com os olhos, se não for bem definido, poderá levar horas para encontrar, principalmente quando o local marcado é amplo. Dando a continuidade do encontro, completamos com saudações nos aspectos do uso de gestos e significados culturais.

Antes de começarmos a atividade, normalmente conversamos sobre as novidades da semana e desta vez falamos da gripe quanto aos cuidados, da pneumonia, da vacina, das aves, dos suínos, dos cavalos e tudo mais relacionado ao assunto. É interessante o fato das crianças colocarem as dúvidas, ainda que os professores já tenham explanado durante a semana na escola; isso mostra certa preocupação sobre a gripe, onde eles ouviram as informações por vários canais e queriam esclarecimento, como a pergunta sobre a diferença entre medicamento e vacina ou ainda se H1N1 é gripe ou pneumonia? Vejam que são perguntas boas e a faixa de idade deles é entre 11 a 16 anos.

Para a atividade de marcar um encontro, colocamos um caso com todos os problemas possíveis: um encontro com mais de 30 pessoas no rodízio de pizza que fica em Santa Felicidade, lembrando que a estação de ônibus do local é um dos maiores terminais da Capital e a pizzaria fica a três quadras da estação com avenidas de alto tráfego. Perguntamos quando, como, onde, etc. Abrimos um tipo de fórum para cada participante dar uma sugestão para cada questão, era argumentando ou contra argumentado e fechávamos com a melhor opção pelos professores que acrescentavam suas experiências. Como resultado desta atividade, coloco as principais soluções: anotar as informações do encontro para não esquecer e comunicar aos pais, marcar um ponto específico conhecido pela maioria, localizar um funcionário do terminal para conduzir ao local do encontro, reservar as mesas na pizzaria, etc.

Foram apresentados, de acordo com os costumes de vários países, diferentes tipos de gestos para cumprimentar, o uso no esporte, quando e como usamos e a prática de alguns. Para o caso das mãos de duas pessoas DVs encontrarem, a melhor solução foi de informar a ação ou esticar a mão lentamente estalando os dedos e seguindo em direção ao som dos estalos do outro ou um só estala os dedos para que outra pessoa localize a mão. Quanto à expressão no rosto, foi unânime a escolha do sorriso.

Assim foi o dia e até dar o horário prosseguimos com “Imaginação”, uma brincadeira para entender áudio-descrição, e esta brincadeira deixarei para os próximos posts.

Deixo uma observação para acontecer esse tipo de atividade de forma divertida e todos participando, é muito importante já ter as soluções e argumentos, pois as crianças, pelo menos esta turminha, são espertas – só não enxergam com os olhos. É interessante também, preparar esta atividade em várias versões, com perguntas conforme a idade do pessoal que participa. (Lumiy,2009) Mais informações na página de Estudos/AVAS:Postura e Gesticulação.

 

“A maior dependência do mundo externo é vista por uma constante necessidade de reafirmação e da dificuldade do cego em manter sua auto-estima quando não sente resposta afirmativa do ambiente.(…) o desejo de independência leva-os a não pedir ajuda, mas a tentativa de fazer sozinho demanda um tempo muito maior de realização.” (Amiralian,1997)

 

 

“A condição humana é, em si, uma condição de deficiência. Mas essa condição também carrega em si um poder de superação das limitações. Então a gente tem que confiar nesse potencial humano que todos nós temos…”

Deficiente visual é pioneiro em cargo da magistratura Ricardo Tadeu Marques da Fonseca foi nomeado na última semana pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para o cargo de desembargador do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 9.ª Região Curitiba-PR  (Redação: Allan Costa Pinto)

Primeiro e até agora único deficiente visual a alcançar um cargo da magistratura, o ex-procurador do Trabalho Ricardo Tadeu Marques da Fonseca abriu as portas de seu gabinete para uma conversa com O Estado. Fonseca, que já teve o sonho de entrar na carreira adiado por uma banca de concurso em São Paulo – a qual justificou que ele não poderia ser juiz por ser cego -, foi nomeado na última semana pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para o cargo de desembargador do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 9.ª Região. Entre outos assuntos, o desembargador relata suas expectativas em sua nova função. Casado e pai de duas filhas, ele, que teve uma atuação destacada como membro do Ministério Público, também fala sobre como o seu poder de superação e o apoio de familiares e amigos foram fundamentais para sua ascensão profissional.

O Estado – Como o senhor ficou cego?
Ricardo Fonseca – Perdi a visão por causa do agravamento de uma doença originária do nascimento prematuro. Nasci aos seis meses de gestação e aos 23 anos acabei perdendo totalmente a visão por causa de um agravamento chamado retinopatia da prematuridade.

OE – De que forma o fato de ainda jovem ter ficado cego mudou sua vida?
RF – Aprendi que todos nós somos dependentes reciprocamente uns dos outros. Os meus colegas me ajudaram muito na faculdade. A minha mulher, que na época era minha namorada, deu um apoio emocional que foi fundamental, assim como a minha família. Ou seja, eu fui amparado devidamente por um grupo social que ia desde os meus colegas até a minha esposa.

OE – Ter perdido a visão seria mais uma barreira ou um fato motivacional para o sucesso da sua carreira profissional?
RF – As duas coisas. Ao mesmo tempo em que foi um obstáculo, que me assustou, me motivou a lutar. Primeiro, eu passei a levar mais a sério a escola e a vida. Foi tanto um obstáculo quanto uma alavanca.
OE – Qual é sua expectativa para sua nova função?
RF – O direito do trabalho em geral sempre me atraiu muito. Estou muito feliz agora por ser um juiz. Porque eu já fui advogado, já fui do Ministério Público e agora ocupo a magistratura. Então eu já ocupei todas as posições que alguém pode ocupar na Justiça do Trabalho e isso me orgulha muito.

OE – Como o senhor foi recebido pelos seus novos assessores e pelo TRT9?
RF – Eu agradeço ao Tribunal Regional do Trabalho da 9.ª Região, que sempre foi uma corte de vanguarda no Brasil, séria e respeitada pelos seus entendimentos. A indicação pelo tribunal ao presidente Lula muito me honrou. O fato de eu estar aqui hoje é motivo de orgulho e de felicidade.

OE – Atualmente, quais são os assuntos mais comuns que passam pelo seu gabinete? Há algum assunto que mais lhe preocupa?
RF – Eu sou muito novo aqui ainda. Estou chegando agora e não posso dizer quais são as matérias mais incidentes. É a primeira semana de trabalho. Estou tomando pé das coisas administrativamente ainda e não dá para afirmar nada sobre isso.

OE – O senhor publicou recentemente um artigo sobre assédio moral, assunto que há algum tempo não era muito difundido, tanto para trabalhadores como para as empresas. Ainda falta uma orientação para a população sobre o assunto?
RF – Sim, falta. O assédio moral é uma figura que foi discutida nos anos 90 pela primeira vez por uma psicóloga francesa chamada Marie France Hirigoyen, que contextualizou o desvio que é o assédio moral. É claro que o empregador exerce sobre o empregado um poder, legitimamente reconhecido pela lei. Trata-se de um poder diretivo das atividades profissionais desse trabalhador. Mas muitos confundem esse poder diretivo com um poder pessoal e acabam afetando a autoestima, a dignidade e a autoimagem do trabalhador com palavras agressivas, com gestos ofensivos ou com métodos que acabam expondo as pessoas que não têm um desempenho esperado. Isso, desde 1988, passou a ser defendido no Brasil porque o direito se volta à defesa da personalidade, desde então. E a personalidade, a dignidade e a autoconfiança do trabalhador não podem ser abaladas pelo poder diretivo do empregador. Quando esse exercício se desvirtua e agride o trabalhador, isso se caracteriza como assédio moral.

OE – O Poder Judiciário tem se envolvido na resolução dos problemas trabalhistas que dizem respeito a pessoas portadoras de necessidades especiais?
RF – Nós temos no Brasil uma ação afirmativa bastante rigorosa da lei que determina que empresas com mais de cem empregados contratem pessoas com deficiências em percentuais que variam de 2% a 5%, dependendo do número de trabalhadores da empresa. E também a Constituição determina que a administração pública reserve vagas nos concursos públicos para essas pessoas. No entanto, embora essas leis sejam bastante antigas, o Brasil ainda está um pouco longe de atingir todo o público alvo, ou a população com deficiência que seria economicamente ativa. Mesmo assim, houve grandes avanços. Segundo as últimas estatísticas do Ministério do Trabalho, nós já temos 348 mil pessoas com deficiência empregadas na esfera privada. No setor público esse número também vem crescendo progressivamente.

OE – O que ainda precisa ser melhorado nesse sentido?
RF – Eu acho que é uma questão cultural. As pessoas precisam aprender a ver na diversidade humana uma riqueza, não uma falta de força. As pessoas com deficiência têm eficiências que podem ser descobertas, desde que se propicie o método e o instrumento adequados para isso. É uma questão cultural. No Brasil as pessoas com deficiência são isoladas em guetos institucionais e isso precisa ser mudado.

OE – Isso seria uma questão de preconceito?
RF – Não acho que é uma questão de desconhecimento social. É cultural.

OE – Quais as dificuldades que o senhor, como deficiente visual, encontrou durante a sua ascensão profissional?
RF – Todas. Era muito difícil trabalhar em empresas, apesar de o meu currículo ser diferenciado. Era muito comum eu ser convocado pelo currículo e, na hora da entrevista, era barrado pela falta de visão. Isso aconteceu em concursos públicos. Mas, de qualquer forma, eu continuei lutando. Eu sinto que a geração mais nova de pessoas com deficiência visual, hoje, tem muito mais independência do que eu tinha, porque estão mais afeitas a lidar com programas de voz, com os quais eu mesmo ainda não aprendi a lidar. Vou aprender agora, no tribunal.

OE – Como é a sua rotina de trabalho? Como o senhor delibera o trâmite dos processos?
RF – Normalmente os meus assessores leem para mim o que está nos autos e eu decido a partir dessa avaliação oral. Eu vou ter uma pessoa designada exclusivamente para ser o meu leitor. E, paralelamente, eu estou treinando a utilização de programas de sintetização de voz em computadores porque há uma tendência de os processos serem todos digitalizados nos próximos dois ou três anos. Então eu penso que, com um pouco de prática, terei mais autonomia também.

OE – Qual é a mensagem que o senhor deixa para as pessoas que têm a mesma limitação que a sua, ou outras necessidades?
RF – A condição humana é, em si, uma condição de deficiência. Mas essa condição também carrega em si um poder de superação das limitações. Então a gente tem que confiar nesse potencial humano que todos nós temos.

 

Fonte: Redação: Allan Costa Pinto. Disponível: ParanáOnLine. http://www.paranaonline.com.br/editoria/cidades/news/390749/?noticia=DEFICIENTE+VISUAL+E+PIONEIRO+EM+CARGO+DA+MAGISTRATURA
 

Trabalho de pessoas com deficiência no chão de fábrica é começar, relacionar, interagir, …

Uma das responsabilidades gerenciais de uma fábrica é a gestão de pessoas para trazer vantagens competitivas, principalmente numa empresa com cultura de Sistema Toyota de Produção ou Manufatura Enxuta, onde aponta-se para qualidade do produto, otimização do tempo, redução de custos e outros. Neste horizonte, aparenta-se que somente pessoas de muitas habilidades e capacidades possam pertencer ao quadro de funcionários, porém não é bem assim que funciona a busca da melhor produtividade quando relacionada às pessoas, verificando-se a importância da diversidade num grupo e a necessidade da formação de equipe integrada, pois não se aplicam mais o pensamento linear de produção;  todos são comprometidos desde o início do projeto até o produto chegar na mão do usuário. Com isso, coloco aqui parte de um dos casos reais envolvendo pessoas com deficiência (PcD) no chão de fábrica, onde acompanho há muito tempo e como resultado trouxe melhoramentos na empresa.

 A empresa é uma indústria na área de autopeças e funciona em três turnos. Seus funcionários sempre participam de atividades extras como cursos e palestras para atualização e ampliação de conhecimentos, e com a lei de cotas para pessoas com deficiência foi-se atrás desta questão não só para cumprimento da lei, mas em como colocar PcD no posto de trabalho e principalmente o entrosamento entre os funcionários.

Uma das questões foi: Como preparar o pessoal a receber seus novos colegas, pessoas com necessidades especiais?  A recepção de um novo integrante é importante para o treinamento de sua função, conhecer a política e as dependências da empresa, os colegas de trabalho, etc. Percebeu-se que nesta pergunta o problema não era a recepção e sim a falta de contato, o desconhecimento da capacidade de um indivíduo e mais ainda mostrar que estava lidando com ser humano igual aos outros. Para este caso foi montando uma dinâmica simples de baixo custo para os três turnos. Num lado da sala foi colocada uma caixa com peças de fácil manuseio, encima de um banco, e do outro lado uma caixa fazia. A atividade consistia em transferir as peças de uma caixa para outra em dupla, sendo uma pessoa para acompanhar, ajudar e instruir e a outra de executar a tarefa, onde uma vez com os pés amarrados, depois com os olhos vendados e por último com as mãos amarradas.  Depois trocando de posição. Terminado, reuniu-se todos e foram colocadas as perguntas para reflexão: você continua sendo a mesma pessoa com a mão, pés ou olhos atados? Aprofundando a pergunta, supomos um desastre e suas pernas são amputadas, você continua sendo um ser humano? Com os olhos vendados sentiu confiança no seu instrutor? E como instrutor, percebeu a necessidade da clareza para comunicar? E, assim sucedeu a atividade e colheram-se muitas respostas com sugestão para acessibilidade dentro da empresa. Para a questão de confiabilidade e comunicação no primeiro contato, decidiu-se fazer a PcD antes da contratação, caminhar no meio da fábrica e almoçar no refeitório, isso com o seu acompanhante se estiver junto (normalmente é alguém da família), desta forma pode-se esclarecer vários pontos, inclusive a sua decisão de trabalhar na empresa . Os primeiros dias de uma PcD na empresa foi de muita atenção a ela, que ficou conhecendo até o time de futebol que cada um torcia.

Agora, conto-lhes alguns melhoramentos que ocorreram após a entrada da PcD:  no lay-out da fábrica é interessante as máquinas, ferramentas e todos os objetos estarem dentro dos locais demarcados por questão de segurança e agora os corredores ficaram mais alinhados e totalmente limpos com passagem para uma cadeira de rodas. Há muito tempo via-se a necessidade de melhorar o controle visual das instruções, o kanban, e agora parte do líder do setor para fazer, pois facilita na comunicação entre os integrantes, principalmente para pessoa com surdez.

Quanto a produtividade, não houve quedas e percebeu-se a motivação para melhorar o setor quando envolve-se ajuda ao colega que está ao seu lado, e também um certo crescimento interior. Muitos colaboradores ficaram interessados em aprender libras, conhecer as causas da deficiência e outros assuntos interligados.  

O relacionamento cotidiano com a PcD trouxe entendimentos como respeitar diferenças e para o trabalho em equipe viu-se as regras são as mesmas de cooperativismo, flexibilidade, bom humor, empatia, comprometimento, etc. Com isso, a tal inclusão no chão de fábrica, nada mais é do que ter um bom relacionamento e interagir na mesma atividade. Mais informações referente a Lei de Cotas: https://lumiy.wordpress.com/estudos/lei-de-cotas/ 

“Conhecendo a diversidade dos alunos e da comunidade, a diversidade dos profissionais e dos recursos políticos e pedagógicos, pode-se organizar processos de aprendizagem e de avaliação em que a singularidade de cada um se constitua em benefício em vantagem e não em problema em objeto de exclusão, nem um obstáculo  para educação de qualidade.” (ROSS, Paulo R.”Educando para autonomia e cidadania”, 2009)

Um objetivo, novas habilidades, novas conquistas.

Uma linda história, contada por Fernando José (Portugal), repassada pela professora Marta na lista do Fórum Inclusão e não poderia deixar de postar aqui. É uma conquista que se passa de forma tão natural; e, esse é o ponto de saber conduzir de forma simples, apresentando as possibilidades para adquirir novas habilidades sem desviar/mudar do objetivo.

 ”(…)  uma história que nos anima a continuar na luta, a despeito de tantas dificuldades.” (GIL,M.A.,Comentário e repasse da história na lista do fórum inclusão,2009)

 “Olá! Chegou também a minha vez de ser jornalista e contar uma história de que tomei conhecimento. A coisa começou assim. Estando uma manhã na Escola, recebi um telefonema de um senhor que me pedia uma entrevista. Motivo? O seu filho cegara repentinamente, fruto de uma  indisposição súbita que lhe provocou uma queda. A coisa dera-se em maio.  Depois de curar as outras lesões sofridas no rosto, segundo me informava, estava na hora de tomar as medidas certas. Acordámos o dia da entrevista. Ficou combinada para casa do jovem. Falámos e  decidimos tomar medidas. Soubemos que estudava no 12º Ano. Frequentava um curso na Área da Economia. O problema era como prosseguir os estudos. Como eu ia armado de umas ferramentas para estas situações, o trabalho começou logo. O computador lá de casa deu em falar! – Pasme-se! Por outro lado, marcou-se uma segunda reunião, agora a realizar na Escola, com o objectivo de se prosseguir com os estudos sem perda de ano, pois já bastara não ter podido realizar os exames nacionais no que agora findava. Foram decididas rapidamente medidas com o fim de preparar o próximo ano lectivo. Começaria a aprender Braille numa instituição ao lado da Escola. A Informática receberia um reforço enorme, utilizando-se um leitor de ecrã. Com autorização das autoridades responsáveis, criou-se uma turma com o seu nome, porque a Escola, que é de referência para a deficiência visual, não tinha a Área de Economia. O objectivo de tudo isto seria que a vida escolar do aluno não viesse a sofrer mais sobressaltos e ele passasse gradualmente para a vida de estudante cego, já que abandonara a vida de normovisual tão fatal e repentinamente. O programa foi elaborado, a Escola, o Ministério, a Família e a instituição que fica logo ali ao lado articularam, complementaram, flexibilizaram objectivos, medidas, actividades e resultados; e o ano foi fluindo, foi fluindo com muita vontade, muito trabalho e muita responsabilidade por parte de todos. Houve Braille, houve mobilidade, houve informática… e houve conversa, leitura e discussão; os motes eram os livros, a música, a Filosofia, a política… E de repente já era Junho deste ano! E de repente já havia exames para realizar! E de repente estava tudo preparado, tudo preparado para serem realizados todos os exames necessários para o acesso ao Ensino Superior… Os resultados ainda não saíram… Até por faltar ainda o exame de matemática, que acontecerá na terça-feira próxima. E todos sabemos que haverá um grande sucesso para ser festejado! É um sucesso que será de todos, mas que será sobretudo dele, que soube com  inteligência aproveitar o que a vida, afinal, lhe queria dar! Perdoa, amigo, por ter contado a tua história sem te pedir autorização. É que, para ta pedir, falta-me a coragem. E falta-me porque sou incapaz de avaliar o que tu sofreste, porque eu fui sempre cego e não sei o que é tornar-se assim de repente, eu que fui assim sempre. Vou enviar esta mensagem para o teu endereço no campo dos endereços ocultos. Perdoa se te faço sofrer, mas o teu sucesso, porque ele é sobretudo teu, meu amigo, deve ser contado e cantado, mas com outras palavras que não as minhas (sim com as palavras que vais usar no exame de matemática com que fecharás o ano lectivo); e deve sê-lo em face de tanta pouca vergonha, de tanta hipocrisia, de tanta desinformação a que assistimos. Hoje, quando qualquer berro, qualquer bebedeira, qualquer passo que um deficiente dá pode cair num jornal, numa televisão ou numa rádio, tu foste capaz de realizar algo de extrema dificuldade e sem ruído, com dignidade e sem humilhação. Mas exemplos como o teu não caem nos jornais, nem nas rádios, nem nas televisões,porque são de tal modo grandes que nunca seriam compreendidos por uma sociedade baseada na caridade disfarçada, no aproveitamento que humilha, no dar voz que amesquinha… Continua assim silencioso e desculpa o barulho que possa fazer esta minha mensagem na calma que te desejo enquanto te preparas para o teu último exame do Ensino secundário. Um abraço de quem admira o teu exemplo de coragem e nunca esquecerá a tua história de vida, que, se fosse o espelho de muitos deficientes, as nossas lutas de hoje já estariam há muito tempo vencidas! Fernando Jorge.”

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Novas amizades, novos aprendizados

Esta estorinha escrita pelos professores Sonia e Eduardo (2007) comenta sobre pessoa com deficiência visual de modo fácil entendimento, abordando o cotidiano e principalmente a mobilidade.

Carla aguarda para a travessia da rua. O trânsito está intenso e ela ouve apenas pessoas indo e vindo, apressadas. Decide, então, solicitar auxílio ao ouvir passos mais lentos se aproximando, os quais considerou serem de mulher porque soavam como de sapatos de saltos altos.
“Mas, em caso de dúvida, mantenha uma fala neutra”, lembrou-se ela de um dos sábios conselhos de Rosália, sua professora de Orientação e Mobilidade.
– Por favor, pode me auxiliar na travessia desta rua?
– É claro, respondeu uma jovem, enquanto pegava na mão de Carla. Só vamos esperar a sinaleira abrir para nós.
– Obrigada, mas para me sentir mais segura é possível eu pegar no seu braço?
E assim falando, Carla já estava realizando a manobra de pegar suavemente o punho da jovem com a mão que segurava a bengala – e que agora estava apenas com ela presa pela alça em seu próprio punho, enquanto sua outra mão realizava a pega no braço da jovem, na altura do cotovelo.
“Santa Rosália, que sempre insistia: coloca a alça da bengala no punho quando for atravessar a rua, menina; assim não há perigo dela cair no meio da travessia”, lembrou-se novamente ela de um dos conselhos da professora.
As duas jovens atravessaram a larga avenida e, somente na calçada do outro lado, Carla soltou o braço da sua colaboradora e agradeceu.
– Daqui em diante, sabe ir sozinha?
Carla deu um breve sorrisinho para si mesma, pois aquela pergunta ouvia tantas vezes quantas solicitasse um auxílio necessário.
– Sim, obrigada. Daqui em diante, sei o caminho até o shopping.
– Ah, eu também vou até lá fazer umas comprinhas. Podemos ir juntas!
– Legal, vou gostar de uma companhia! Posso, então, pegar no seu braço novamente?
– Tudo bem, mas você me orienta se eu estiver fazendo alguma coisa errada… Sabe como é… eu não sei muito bem estas coisas de ajudar uma pessoa… pessoa.. bem, alguém que não enxerga.
E lá se foram as duas para o shopping.
– Como é o seu nome?
– Carla, e o seu?
– Mônica. Eu tenho 16 anos, e você?
– Ah, eu tenho um ano a menos. Tenho 15 anos.
– E não tem medo de sair assim pela rua sozinha, só com estabengalinha… Como é que eu chamo? Digo bengala mesmo?
– Sim, o nome correto é bengala. Com ela, me sinto independente e mais segura. Fiz um curso pra usá-la. Ele se chama curso de Orientação e Mobilidade, também conhecido como OM.
– Tipo uma autoescola para dirigir uma bengala? – brincou Mônica.
– Mais ou menos assim, mas não levo multas e nem pontos na carteira, respondeu Carla, sorridente.
– Nem a co-piloto, disse Mônica, rindo.
– Ei, Carla, logo ali adiante já começam os degraus da entrada do shopping. O que eu faço?
– Hummm, acho que seria uma boa ideia a gente subir, não é?
– Bem-humoradinha, hein, Carlinha!? Gosto de pessoas assim! Eu tinha uma outra imagem das pessoas cegas.
– Que imagem?
– Ah, eu pensava que toda pessoa cega fosse meio triste, de mal com a vida, pelo fato de não enxergar… Sabe, uma vez fui ajudar um rapaz cego, que além de estar com uma aparência tristonha, ainda recusou minha ajuda com um jeito bem grosseiro.
– Mas, Mônica, a gente não pode generalizar. As pessoas cegas são diferentes entre si, assim como as pessoas que enxergam, que são surdas, que usam cadeiras de rodas. Cada um tem a sua personalidade, o seu jeito de ser. De repente, naquele dia, aquele rapaz estava de mal com a vida por algum outro motivo e não porque ele é cego. Às vezes as pessoas confundem e acham que a cegueira é o único motivo pra nós ficarmos tristes, preocupados ou zangados.
– Não tinha pensado desse ponto de vista… tem razão. Como eu sou burrinha, hein!
– Não, não diga isto. Você apenas, como muita gente, ainda não recebeu informações adequadas sobre como se relacionar com as pessoas com deficiência.
– Bom, vamos subir?
– Vamos, sim, respondeu Carla.
– Um, dois, três, quatro…
– O que está fazendo, Mônica?
– Contando os degraus, Carla, pra você ficar sabendo quantos têm. Só faltam mais 4.
– Ora, não é preciso isso. O movimento do seu corpo já me informa quando termina a subida da escada, assim como também me informa quando termina a descida e tantas outras coisas que acontecem pelo caminho. Viu, chegamos ao final e nem foi preciso me dizer que a escada havia acabado, seu movimento foi mais rápido do que a palavra!
– Puxa, quanta coisa estou aprendendo… E a gente nem para pra pensar como existem outras maneiras de conseguir fazer as coisas. As pessoas que enxergam acabam dando muita importância pra visão e se esquecem de que os outros sentidos também são importantes. E agora, em que loja você vai?
– Vou na Reflexus, no segundo andar.
– Ah, aquela loja de roupas femininas?
– Sim, na semana passada deixei uma saia aqui pra fazer a barra e hoje vim buscar. Vou aproveitar e comprar uma blusinha que vi da outra vez.
– Você viu?… Como assim?… Como é que escolhe a roupa, a cor, o modelo?…
– Calma, uma pergunta por vez! Escuta, aqui já está a escada rolante.
– Sim, estamos bem em frente à escada-rolante. Como você adivinhou?.. . E como posso te auxiliar neste tipo de escada?…
– Eu não adivinhei, ouvi o barulho característico que ela faz; e basta Colocar minha mão no corrimão que o resto eu mesma faço.
– Tá certo, entendi.
Em frente à loja, as duas jovens se despedem.
– Gostei muito de você, Carlinha! Vamos continuar esta conversa em outro dia?
– Vamos, sim! E como pode ser isto, Mônica?
– Bem, meu MSN é… Ah, desculpe, estou tão acostumada com essas coisas de internet que nem lembrei que…
– Ah, não tem problema, Eu também adoro um computador! Quer anotar o meu MSN?
– O quê? Cegos também usam computador?
– Esta e todas as outras perguntas sobre as pessoas cegas lhe responderei pelo MSN, ou você prefere receber pelo Skype, ou por e-mail? indagou Carla, muito sorridente.
– Seremos boas amigas pelo jeito, Carlinha!!!

 

Texto de Sonia B. Hoffmann e Eduardo Paes
Rio de Janeiro, janeiro de 2007

Um processo com sensibilidade e emoção, supera qualquer dificuldade …

 Muitas vezes é mais fácil dizer um “não” ou “é difícil” para desistir das ideias que surgem sem qualquer elaboração subjetiva. Mas, tem casos que os desafios são verdadeiras oportunidades para aprender na prática, aplicar seus conhecimentos e superar as dificuldades, principalmente, por coincidência, eu havia recebido uma mensagem construtiva, cheio de conceitos de um amigo e Prof. Paulo Ross durante a semana, referente a uma outra abordagem e que coloca em atenção para este acontecimento – nada é por acaso! Desta vez, abordarei este assunto aprofundando um pouco mais nos detalhes.   Sou voluntária de uma instituição e a amiga Fer, resolveu derrepente, na sexta-feira, 05 de junho, fazer um bolo de chocolate com sete crianças da 3ª e 4ª série do ensino fundamental que freqüentam aulas de apoios para alunos com deficiência visual. Eu vivo num ambiente de planejamento, programação, processos, aplicação de melhorias contínuas (JIT), e isso parecia inconcebível, pois estavamos sem receita, sem ingredientes, sem ferramentas adequadas (batedeira, assadeira, etc), o forno nunca havia sido testado, e ainda, a Fer afirma que o bolo dela sai errado e eu só sei fazer bolo de caixinha. Contudo, por que não?..! Lá estávamos, na pequena cozinha em nove pessoas, sendo quatro com cegueira (dvt), quatro com baixa visão (dvb) e eu. Providenciamos os ingredientes, bacia, copo, colher, etc; tudo no improviso precário. Pedi para as crianças lavarem as mãos e a turminha dvb ficou de um lado da mesa, a minha frente e os dvt formaram fila ao meu lado. Começamos com os ovos, cada dvt colocou as mãos deles nas minhas para observar os meus movimentos e depois todos repetiam sozinhos. Para cada etapa, cada um executava uma função de colocar um ingrediente ou de bater a massa com o garfo. A massa do bolo ficou bem batida, cada criança batia um pouco para cada ingrediente colocado e neste caso, no início, eu segurava a mão dele para mostrar a forma de movimentar o garfo, conforme o ingrediente e a outra mão segurando a bacia. Para cada etapa, todos colocaram o dedo na massa para verem a quantidade e a consistência, onde sairam muitos comentários da sensação, do gosto, do cheiro, e outros. Quando a massa ficou pronta, o forno estava aquecido e esta foi a única parte que as crianças não participaram, de colocar e retirar a assadeira do forno. Enquanto o bolo assava, todos participaram na limpeza, pois tinha farinha, leite, chocolate,… em tudo e em todos. Enfim, ficou pronto e diria que nesse dia, todos os anjos da face da Terra estavam convocados para realizar esta missão, pois o bolo cresceu uniforme e macio. Conclusão: estava gostoso, foi o primeiro bolo da turminha, o melhor de todos e faltou bolo!                   

 “Quanto ao caso de relacionamento com pessoas e objetos, nós devemos deixar as pessoas acessarem algumas das dificuldades para tocarem a emoção, de o superar e o realizar, pois o processo importa mais que o resultado. (…)  é preciso dar autonomia total, mesmo que isso cause queda, respingos,  falhas, imperfeições, pois disso são feitos os acertos!” (ROSS, Paulo R. “Partes das frases do e-mail para Lumiy”, junho/2009).

Vidente ou invisual, a imagem é constituída conforme informações adquiridasMa362

BL  completou 9 anos e está na 3ª série do ensino fundamental. No texto da foto, ele usou a reglete dele e com habilidade e rapidez, descreveu o avião. Depois, ele veio ler o texto com as suas mãos. Encontramos alguns erros, mas, o contexto estava ótimo. Tudo dentro da normalidade, conforme a idade e um ótimo cognitivo.  BL tem deficiência visual, cegueira desde bebê, e descreveu o avião como o vê na sua percepção, conforme a recepção da informação que constituiu a imagem;  e afirmo que a  descrição do avião, se não fosse pelo uso do Braille, não desconfiariamos que foi elaborado por um invisual. BL nunca esteve em contato com avião, contudo descreveu o seu interior e o exterior, como voa e aterriza e inclusive a função da caixa preta. Um dos sonhos de BL é viajar num avião.

Como ler e escrever no Sistema Braille

“Quando abrimos nossos olhos todas as manhãs, damos de cara com um mundo que passamos a vida aprendendo a ver. O mundo não nos é dado: construímos nosso mundo através da experiência, classificação,  memória e reconhecimento incessantes” (Sacks,1995) .

Trilha dos Sentidos

Através de uma trilha: o envolvimento, a compreensão, a interação – então é inclusão!

A princípio pensei em transcrever esta experiência somente como pesquisa, pois se encaixa num estudo de caso abordando a inclusão e a visão através de outros sentidos, porém surgiram tantos elementos variáveis envolvendo as diversidades e ainda as emoções, que resolvi expor parte do acontecimento, externalizando um dia perfeito na escola de educação especial para alunos com deficiência visual (DV).  Trilha1A idéia de construir a trilha dos sentidos foi do nosso amigo Ranulfo (cego), colaborador da Sanepar (*). Inicialmente o objetivo da trilha foi expor o caminho da água e o meio ambiente de forma diferente para os funcionários no museu da Sanepar. A trilha é bem simplícia para o olhar, estruturada com muitos significados e antes de entrar nela, a pessoa é vendada para assistir, ou melhor para sentir, acompanhada por uma pessoa que explica o roteiro. A trilha foi tão bem elaborada que foi inevitável o convite para expor na escola. O Ranulfo e a sua equipe aceitaram de prontidão, seria para eles a primeira experiência com público diferente e entenderam a importância de levar as informações para as crianças, pois envolve além do caminho da água, a preservação da natureza, o desperdício da água e outros importantes fatores do meio ambiente para conscientização aos nossos futuros adultos. Acredito que não existam profissionais mais entendidos sobre a distribuição da água que os próprios funcionários da Sanepar. Todos os alunos e professores entraram na trilha e ficaram encantados em sentir e de aprender. O segredo da trilha estava mesmo no Ranulfo, mais do que o conhecimento profissional, a forma de ele conduzir e transmitir a informação transformava numa aventura espetacular e isso também se tornou em aprendizado aos professores. Ranulfo conduzindo a MônicaDurante o evento fiz entrevistas com todos e qual foi a minha surpresa quando vi o Guilherme emocionado após acompanhar uma das alunas na trilha – ele dizia que foi somente para ajudar a montar a trilha; a Ana, a bióloga, tinha outro compromisso e ameaçava em ir embora, mas ao ver o próximo aluno na fila de espera, largava tudo para entrar junto na trilha. Enfim, no começo havia certo receio para entrar em contato com DVs, mas percebendo que eram crianças iguais aos outros, estavam todos empenhados para atendê-los. Ao terminar, fiquei conversando com o pessoal da Sanepar sobre DVs  e via-se um ar cansado e satisfação interior estampado no semblante de cada um. Ficamos combinados em fazer uma trilha maior para atender público além da escola, isso quando começar a primavera, o clima é mais quentinho e não judiaria das crianças para mexer na água, diz Ranulfo.     

 ** Obrigada Ranulfo, Ana, Guilherme, Jefferson e a Sanepar.

   (*) Sanepar é empresa pública responsável pela distribuição de água e saneamento no Paraná.

  “A aprendizagem, enquanto construção do conhecimento, pressupõe entendê-la tanto como produto, quanto como processo. Assim, não importa apenas a quantidade de conteúdo, mas a capacidade de pensar, interagir, aquilo que é capaz de fazer, interpretar, compreender. A qualidade do conhecimento liga-se à possibilidade de continuar aprendendo. Assim, quando o aluno aprende, não se deve levar em conta apenas o conteúdo do conhecimento, mas também como se organiza e atua para aprender.” (ROSS, Paulo R.”Conhecimento e Aprendizado Cooperativo na Inclusão”,2004).

 “Não há um aprendizado para a pessoa normal, outro para a pessoa com alguma deficiência: o aprendizado em cada caso, se dá pela superação das dificuldades ou obstáculos. O aprendizado, em cada caso, pressupõe a aquisição de ferramentas da cultura, que nos possibilitem transpor ou contornar uma dificuldade ou obstáculo. O aprendizado não é diferente para um ou outro caso. Em qualquer situação, as ferramentas da cultura têm de ser oferecidas, de modo que possam ser assimiladas pelos alunos, nas suas peculiaridades. Não se pode simplificar o ensino, deixando de oferecer a riqueza cultural que nos possibilita resolver os problemas. A superação das dificuldades se faz com instrumentos da cultura, que podem compensar os efeitos da deficiência. A deficiência sempre vai produzir a compensação, mas a compensação pode estar direcionada, por um lado, à superação da deficiência ou, por outro, à valorização da deficiência, na medida em que se quer garantir o ganho secundário que a própria deficiência proporciona.” (PENA,Gil.”Inclusão para a autonomia”,2009).

método ideal para o estudo: pesquisa-ação, estudo de caso ou survey

Quando se envolve várias áreas de estudos em um projeto, pode-se pensar em dividi-lo em partes conforme o método que será aplicado, desde que tenha o cuidado no momento de interseção. Existem casos os quais são importantes os valores quantitativos e o não envolvimento do pesquisador. Já em outros, principalmente quando o estudo está relacionado ao homem, ciências sociais, percebe-se que os valores são diferentes, qualitativos, e há necessidade de observação ¹, ou até participação, do pesquisador para compreender o estudo. Além disso, vale ressaltar também a investigação ulterior, como no caso de desenvolvimento da criança, em que o esclarecimento das peculiaridades hereditárias, do ambiente durante o desenvolvimento uterino são informações que somam ao estudo. Uma pré-análise no conteúdo do projeto poderá esclarecer e justificar a escolha da metodologia a ser aplicada e trazer um resultado condizente da investigação. ** Obs.:  Além da metodologia, tenha um orientador que enxergará os passos à frente dos seus – ele te conduzirá o melhor caminho a seguir,  como no meu projeto em que envolvo a tecnologia, a tecnologia assistiva, a informática,  a inclusão social e a deficiência visual.

“A tarefa da metodologia não consiste só em aprender a medir, senão também em aprender a ver, a pensar, a relacionar; e isto significa que o excessivo temor aos chamados momentos subjetivos na interpretação e a tentativa de obter os resultados dos nossos estudos de modo puramente mecânico e arítmético (…). Sem a elaboração subjetiva, isto é, sem o pensamento, sem a interpretação, sem a decifração dos resultados e o exame dos dados, não exite investigação científica.”  (Vigotski, “Obras Escogidas, Tomo 5”, 1997)

(1) Do observador, (….) ” a essência de um estudo de caso, a principal tendência em todos os tipos […], é tentar esclarecer uma decisão ou um conjunto de decisões: o motivo pelo qual foram tomadas, como foram implementadas e com quais resultados. (Schramm apud Ying, “Estudo de Caso – Planejamento e Métodos”, 2005) 

Educação Inclusiva

Crescer sem preconceito é  conviver com a diferença desde a infância sem discriminação…

Não está dentro da nossa normalidade  aceitar o estranho, o desconhecido com naturalidade. Para acionar alguma reação de interesse para aproximar ou despertar curiosidade do indivíduo é  necessário um propósito relacionado a ele próprio.  Deixaria de ser indiferente ou de ter certo incômodo no relacionamento de uma pessoa com outra, independente da diferença entre elas, se existisse o contato e principalmente a convivência anteriormente, tendo em vista que a convivência favorece o encaminhamento da integração social sem discriminação. Com isso, a escola é um local ideal para os primeiros contatos  entre as crianças, a experiência onde aprenderão a lidar e respeitar as diferenças dos colegas, preparando-os para formação de pessoas sem preconceitos, com sensibilidade, com visão holística para interagir facilmente nas diversidades futuras. Para não ser utópico, exige-se a preparação, o envolvimento e dedicação de todos, desde professores, pais, especialistas, órgaos públicos, instituições … enfim, da sociedade para uma geração com menos exclusão.

Entrevista com Maria Tereza Mantoan por Meiri Cavalcanti (05/2005): ” (…) MC: O que é inclusão? MT: É a nossa capacidade de entender e reconhecer o outro e, assim, ter o privilégio de conviver e compartilhar com pessoas diferentes de nós. A educação inclusiva acolhe todas as pessoas, sem exceção. É para o estudante com deficiência física, para os que têm comprometimento mental, para os superdotados, para todas as minorias e para a criança que é discriminada por qualquer outro motivo. Costumo dizer que estar junto é se aglomerar no cinema, no ônibus e até na sala de aula com pessoas que não conhecemos. Já inclusão é estar com, é interagir com o outro. MC: Que benefícios a inclusão traz a alunos e professores? MT: A escola tem que ser o reflexo da vida do lado de fora. O grande ganho, para todos, é viver a experiência da diferença. Se os estudantes não passam por isso na infância, mais tarde terão muita dificuldade de vencer os preconceitos. A inclusão possibilita aos que são discriminados pela deficiência, pela classe social ou pela cor que, por direito, ocupem o seu espaço na sociedade. Se isso não ocorrer, essas pessoas serão sempre dependentes e terão uma vida cidadã pela metade. Você não pode ter um lugar no mundo sem considerar o do outro, valorizando o que ele é e o que ele pode ser. Além disso, para nós, professores, o maior ganho está em garantir a todos o direito à educação. (…)”

Por um olhar mais generoso, por Luciane Nascimento Lubianca*
Ser mãe ou pai de uma criança “especial” exige muita paciência. Ser humano não é fácil. Ando com meus filhos que têm dificuldade motora por todos os lugares, por mais difíceis que sejam as condições de acesso, insisto em não me deixar intimidar pelas barreiras impostas pelo que a vontade possa superar. Pelas ruas, a toda hora, vemos carros estacionados em rampas de acesso e cidadãos saltitantes desembarcando em vagas de estacionamento reservadas para deficientes físicos.
Meus filhos reclamam: “Mãe, liga para a polícia!”. Repito sempre o mesmo discurso sobre ética e respeito aos direitos de todos. Além dos obstáculos físicos, existem os olhares contundentes de estranheza. Em vários momentos, pessoas depositam, sem delicadeza, sua curiosidade sobre o que não lhes é familiar. Viram o pescoço mirando as pernas titubeantes das minhas crianças e eventualmente tascam: “Ele é deficiente!!!”.
Guilherme cumprimenta a todos que o olham. Na tentativa de protegê-lo, já expliquei várias vezes que não devemos responder a todos os olhares com um “oi”, e, na rua, devemos cumprimentar somente aqueles a quem conhecemos. Certo dia, durante espera para corte de cabelo, ele brincava com cubos, tentando colocar um sobre o outro, sem muito sucesso. Eu estava um pouco distante, com outro filho, quando percebi uma senhora sentando ao seu lado, fitando-o fixamente. Ela de boca aberta e com um olhar agudo, meu filho concentrado na sua missão aparentemente impossível. Após alguns minutos, de súbito, Guilherme virou-se, olhou para a mulher e disse: “Oi, tudo bem? Te conheço, né?!”. A senhora desconcertada saiu rápido, sem responder nada, como se ele não devesse ter percebido o óbvio.
Aos olhares indiscretos, lembro que a sensibilidade daqueles que parecem nada perceber permanece conectada, independentemente do grau de comunicação que pensamos poder ou não existir.
Meus filhos têm sete anos e paralisia cerebral. Não correm, nem pulam como a maior parte das crianças. Inicialmente, pode ficar a impressão de que são pequenos menos alegres, não é verdade. O que normalmente deixaria a maioria deprimida, os impulsiona. Desde cedo já sabem que ser parte do usual não é o único meio possível de ser feliz.
Como todas as mães, quero um mundo melhor para meus filhos, por isso escrevo, compartilhando meu aprendizado. Aos olhares que acolhem, mando meu terno abraço, aos que tem piedade, meu desejo de crescimento, e para aqueles que acham fazer parte de um mundo paralelo, solicito, pelo menos, um olhar mais generoso.

*Médica

(artigo publicado na Zero Hora, jornal de Porto Alegre, set/2010)

Flexibilizar e incluir

  Conviver com diferentes pensamentos, respeitar as diferenças e equacionar os pontos comuns

O homem cria regras para ele mesmo para conviver na sociedade, para solucionar os desacordos, as injustiças, as imprudências, para colocar ordem …. Em muitos casos, são regras tão específicas e rígidas que deixam de abrager à todos para o seu cumprimento, não por desacato, simplesmente por não estar ao alcance  para realizar ou não ter como desempenhar. Esta má formulação do conteúdo faz a discriminação entre os próprios homens, separando-os por preconceitos e ainda estes pensamentos são repassados para outras gerações. Os preconceitos e a discriminação são também frutos da ação de competitividade para excluir o concorrente ou rejeição pela diferença que existe. A quebra desse paradigma só será pelo homem com sensibilidade em busca do ponto comum à todos,  flexibilizando a sua própria regra e tentando modificar o seu próprio preconceito. “O homem e a sociedade são suscetíveis de melhorias, são passíveis de aperfeiçoamento“:.

“(…) somos todos chamados a reconhecer as barreiras que construímos todos os dias para a ampla manifestação das diversidades humanas. Somos todos chamados a identificar o modo como podemos contribuir com as mudanças necessárias. Não é humano simplesmente adaptar-se ao existente. O que justifica nossa condição humana é modificá-lo e modificar-se simultaneamente. Se não mais legitimamos as barreiras que excluem as pessoas da educação, do trabalho e da vida social, então estamos contribuindo com oportunidades para o acesso aos bens materiais, simbólicos, políticos, afetivos etc. O humano só o é em condições de enfrentar desafios e de estabelecer interações e confrontos.” (ROSS, Paulo R. “Trabalho das pessoas com deficiência: transformando barreiras em oportunidades”)

“Algumas vezes a exclusão se baseia em atitudes ultrapassadas e preconceitos contra pessoas com deficiências.  Algumas vezes ela se baseia na falta de acessibilidade, ou falta de recursos. Algumas vezes baseia-se em estruturas legais ou políticas antiquadas. Algumas vezes a exclusão se baseia no medo do desconhecido.” (Traduzido do inglês e digitado em S. Paulo por Maria Amélia Vampré Xavier, da Federação Nacional das APAEs – FENAPAES APAE BRASIL, Diretora para Assuntos Internacionais, Rebrates, SP, Carpe Diem, SP, Sorri Brasil,SP,Membro Honorário Vitalício de Inclusion International e Inclusion InterAmericana (título recebido no 15.Congresso Mundial de Inclusion International, Berlim, Alemanha, de 16 a 19 de junho, 2010)

Visão Eficiente

 … cada pessoa tem uma visão diferente de outra

A visão é uma forma de conhecer, entender, expressar o relacionamento do indivíduo com seu mundo exterior,  captando o seu interesse com desejo, com emoção para o seu interior.  Conforme a recepção das informações, cada sujeito terá o seu conceito diferente de outros do mesmo assunto ou objeto. Assim como, cada sujeito expressa o seu conceito conforme a sua forma de comunicação. Uma visão eficiente é ter informações nítidas abrangendo as diferentes possibilidades de percepção de cada indivíduo e transformando o ideal na sua concepção.

“(…) O mundo que todos vêem, não é o mundo, mas um mundo, que nós criamos com os outros. (…) Esse mundo humano inclui fundamentalmente o nosso mundo interior de pensamentos abstratos, de conceitos, de símbolos, de representações mentais e de autopercepção. Ser humano é ser dotado de consciência reflexiva: “Na medida em que sabemos como sabemos, criamos a nós mesmos.” Numa conversa humana, nosso mundo interior de conceitos e de idéias, nossas emoções e nossos movimentos corporais tornam-se estreitamente ligados numa complexa coreografia de coordenação comportamental. “(…) De acordo com Maturana, só podemos entender a consciência humana por meio da linguagem e de todo o contexto social no qual ela está encaixada.” (Capra, Fritjof. A teia da vida)

 

Conhecer e avaliar

para avaliar é preciso conhecer.

Para conhecer é preciso da visão e percepção

Estamos em constante avaliação (1)  de si mesma e nos olhares de outros. Esta avaliação está intrinsecamente relacionada ao conhecimento de cada indivíduo, onde adquiriu-o conforme o entendimento da sua visão e  percepção.  A visão se completa com a percepção das informações para formar a imagem e o conceito do objeto.  Com isso, é  interessante  acionar vários órgãos sensorias (olhar, audição, olfato, tatos …),  transformando-os em diversos canais para percepção e envolver o assunto do aprendizado em diversas situações, aplicando-se a  interdisciplinalidade e multidisciplinalidade, – a transdisciplinalidade como complemento da disciplina.

(1) Avaliação: “uma forma de conhecimento que (…) privilegia de modo fundamental a relação entre o sujeito e o objeto, pela qual ambos se constituem. (…) Isso porque o sujeito da avaliação se constitui na e pela relação com o objeto da avaliação. Esses objetos são praticas humanas e, em muitos casos, são outros sujeitos. A avaliação é, assim, uma relação intersubjetiva, inscreve-se num processo de comunicação pleno de conteúdos valorativos, associado ética e epistemologia como dimensões irredutíveis e inseparáveis.” (DIAS SOBRINHO,2005).

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